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19 de abril de 2019

Stalin, o tirano vermelho: documentário


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Por um acaso, descobri este vídeo que, na verdade, é apenas a abertura de um longo documentário, Staline, le tyran rouge (Stalin, o tirano vermelho), produzido e lançado em 2007 pelo canal de TV francês M6. A autoria é de Mathieu Schwartz, Serge de Sampigny e Yvan Demeulandre, que tiveram a consultoria de Nicolas Werth, famoso historiador francês de ascendência russa, especialista na história da URSS e cuja língua materna é o russo. O filme conta a trajetória pessoal e política de Iosif Vissarionovich Dzhugashvili, que passou à história sob o codinome Stalin e comandou a União Soviética de 1924 a 1953 (mas de fato já detendo grande poder desde 1922, quando Lenin saiu de cena). O documentário completo pode ser assistido em francês.

Tendo sido lançado em 2007, Stalin, o tirano vermelho ainda desfruta da onda anticomunista que estava em voga desde a dissolução da URSS, em 1991. Hoje podemos ver algum exagero no foco em questões psicológicas e na associação automática de certas falas suas a episódios pessoais (como as tragédias familiares e o “bolchevique sem família”). Mas em se tratando de um historiador renomado na consultoria, podemos esperar um material muito bom e informativo, já baseado nos tão falados arquivos de Moscou, longamente fechados. Eu preciso de fato ver o documentário inteiro, mas espero que esta abertura já atice vontades e curiosidades.

O canal privado Métropole Télévision (abreviado como M6) foi fundado em 1987 e em 2018 era o quarto mais assistido de toda a França (chegou a terceiro de 2011 a 2017). É o principal canal do Grupo M6, que tem vários outros canais e também atua nos ramos da telefonia móvel, compras a domicílio, internet, futebol, cinema e imprensa. Seu acionista majoritário é o RTL Group, que tem esse nome desde 2000 e está baseado em Luxemburgo. Nicolas Werth (n. 1950) é diretor de pesquisa no Instituto de História do Tempo Presente, filiado ao CNRS, e também tem experiência no ensino secundário. Sua especialidade é a história social da Rússia e da União Soviética nas décadas de 20 e 30, sobretudo as relações entre o poder e a sociedade. Contestando a ideia de “totalitarismo”, Werth participou do Livro negro do comunismo, mas rejeitou o prefácio “policialesco” escrito por Stéphane Courtois e denunciou o emprego de contagens falsas.

Pelo que pude apurar, o poema citado faz parte de uma “Canção sobre Stalin”, supostamente escrita em novembro de 1935 no interior do Daguestão, na língua local. Cantada por montanhesas, foi reelaborada e traduzida por Effenbi Kapiev, com o seguinte texto original (do vídeo): “Но, Сталин, ты выше/Высоких небес,/И выше тебя/Только мысли твои [...] Но, Сталин, твой разум/И солнца светлей”. Com referência à França, também vemos o grande letreiro Unissons-nous pour une vie meilleure (Unamo-nos por uma vida melhor) e o discurso feito por Maurice Thorez (1900-1964), célebre líder stalinista que comandou o PCF de 1930 até a morte. A transcrição imperfeita desta página me ajudou a compor o texto completo, e eu mesmo transcrevi o vídeo, traduzi o texto e legendei o arquivo. Para que nenhum recurso visual fosse prejudicado, não cortei o quadro original, e seguem abaixo a legendagem na TV Eslavo (YouTube), a tradução em português e o original francês, com os números por extenso entre colchetes:



Boa noite! Stalin, o tirano vermelho. O filme que vocês vão ver em instantes conta a história de um dos maiores criminosos do século 20. No início, não era motivado nem pelo dinheiro, nem pela glória: Stalin acreditava na igualdade entre os homens. Sua ideologia era o comunismo, que ele tentou aplicar na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. No mundo inteiro, ele suscitou uma incrível esperança, e lhe foi dedicado um culto sem precedentes, sobretudo na França.

Mas na verdade, Stalin martirizou seu povo. Estima-se hoje que ele foi responsável pela morte de 20 milhões de pessoas. Stalin, o “paizinho dos povos”, era alguém sanguinário, paranoico, fanático. Durante quase 30 anos, ninguém pôde o deter. Stalin morreu há meio século, mas hoje o mundo não está mais protegido do que ontem da alucinação coletiva de regimes tirânicos e de crimes de massa.

Contando-lhes a vida e os crimes de Stalin, a M6 quis, como durante nossa noite consagrada a Hitler, tornar-lhes essa história muito atual e inteligível. Este filme é fruto de um trabalho de investigações e pesquisas em arquivos até então inexplorados, sobretudo os arquivos provenientes de fundos russos. Por muito tempo eles foram censurados, depois ignorados, por evocarem um passado incômodo. Igualmente, privilegiamos testemunhos de época, discursos, diários pessoais e cartas, por vezes inéditos.

Enfim, pela primeira vez vocês vão ver um filme sobre Stalin totalmente em cores. Optamos por colorir as imagens gravadas em preto e branco para tornar esse filme mais atual. Este documentário recebeu o aval do Ministério da Educação Nacional: os professores podem o usar em classe. Stalin, o tirano vermelho é um filme de Mathieu Schwartz, Serge de Sampigny e Yvan Demeulandre.

Verão de 1945. A festa da Vitória na Praça Vermelha, em Moscou. Diante do Palácio do Kremlin e dos dirigentes soviéticos, o Exército Russo celebra a vitória sobre a Alemanha nazista. Como no Império Romano, soldados jogam as bandeiras dos vencidos aos pés do vencedor, o homem que derrotou Adolf Hitler: o generalíssimo Iosif Stalin. Após 20 anos de poder pessoal, o chefe da URSS está no ápice de sua glória. Um poeta escreve: “Stalin, tu és mais alto do que os altos espaços celestes, e só teus pensamentos são mais altos do que tu! Teu espírito, Stalin, é mais luminoso do que o Sol”. Ele é chamado de “paizinho dos povos”. No mundo inteiro ele encarna a esperança de uma sociedade mais justa. Ele é o ídolo de centenas de milhões de pessoas. Também na França lhe cantam louvores: “Sim, proclamamos de todo coração nosso amor ardoroso por Stalin e lhe garantimos nossa confiança inabalável!” (Stalin, Stalin, Stalin!)

Todavia, esse homem é um dos maiores criminosos da história. Ele massacrou seu próprio povo com uma brutalidade sem limites: “Vamos aniquilar sem piedade quem quer que ameace em ações, ou mesmo em pensamentos, a unidade do Estado”. Ele criou o Gulag e reduziu à escravidão 18 milhões de pessoas: “Devemos eliminar os membros nocivos ao Partido para o preservar da doença e da infecção”. Com cinismo, ele provocou fomes que fizeram 7 milhões de mortos: “A morte resolve todos os problemas. Quanto mais homens, mais problemas”. Ele sacrificou a família ao seu próprio poder: “Um verdadeiro bolchevique não deveria ter família”.

Vamos lhes contar a incrível história desse filho de um humilde artesão que se tornou um dos personagens mais poderosos do planeta. Vamos lhes contar como esse homem, que declarava fazer seu povo feliz, tornou-se, graças à megalomania e ao fanatismo, um dos ditadores mais sanguinários que a humanidade já conheceu.


Bonsoir ! Staline, le tyran rouge. Le film que vous allez voir dans un instant raconte l’histoire d’un des plus grands criminels du 20e [vingtième] siècle. Au départ, sa motivation n’était ni l’argent, ni la gloire : Staline croyait à l’égalité entre les hommes. Son idéologie était le communisme, qu’il a tenté d’appliquer en Union des républiques socialistes soviétiques. Dans le monde entier, il a suscité un incroyable espoir, on lui a avoué un culte sans précédent, notamment en France.

Mais dans les faits, Staline a martyrisé son peuple. On estime aujourd’hui qu’il est responsable de la mort de 20 [vingt] millions de personnes. Staline, le « petit père des peuples », était un être sanguinaire, paranoïaque, fanatique. Pendant près de 30 [trente] ans, personne n’a su l’arrêter. Staline est mort il y a un demi-siècle, mais le monde aujourd’hui n’est pas plus qu’hier à l’abri de l’hallucination collective de régimes tyraniques et de crimes de masse.

En vous racontant la vie et les crimes de Staline, M6 a voulu, comme lors de notre soirée consacrée à Hitler, vous rendre cette histoire très actuelle et compréhensible. Ce film est le fruit d’un travail d’enquête et de recherche d’archives jusque-là inexploitées, notamment les archives provenant de fonds russes. Elles ont été longtemps censurées, puis ignorées, car rappelant à un passé gênant. Nous avons également privilégié les témoignages d’époque, discours, cahiers intimes, lettres, parfois inédites.

Enfin, pour la première fois vous allez voir un film sur Staline entièrement en couleur. Nous avons choisi de coloriser les images tournées en noir et blanc pour rendre ce film plus actuel. Ce documentaire a reçu l’aval du Ministère de l’éducation nationale : les professeurs peuvent l’utiliser en classe. Staline, le tyran rouge, c’est un film de Mathieu Schwartz, Serge de Sampigny et Yvan Demeulandre.

Été 1945. La fête de la Victoire sur la Place Rouge, à Moscou. Devant le Palais du Kremlin et les dirigeants soviétiques, l’Armée russe célèbre la victoire sur l’Allemagne nazi. Comme sous l’Empire roman, des soldats jettent les drapeaux des vaincus aux pieds du vainqueur, l’homme qui a battu Adolf Hitler : le généralissime Joseph Staline. Après 20 [vingt] ans de pouvoir personnel, le maitre de l’URSS est au sommet de sa gloire. Un poète écrit: « Staline, tu es plus haut que les hauts espaces celestes, et seules tes pensées sont plus hautes que toi ! Ton esprit, Staline, est plus lumineux que le soleil ». On l’appelle « le petit père des peuples ». Dans le monde entier, il incarne l’espoir d’une société plus juste. Il est l’idole de centaines de millions de personnes. En France aussi, on chante ses louanges : « Oui, de tout notre cœur nous proclamons notre amour ardent pour Staline et nous l’assurons de notre confiance inébranlable ! » (Staline, Staline, Staline !)

Pourtant, cet homme est l’un des plus grands criminels de l’histoire. Il a massacré son propre peuple avec une brutalité sans limites : « Nous anéantirons sans pitié quiconque menace par les faits, ou même par la pensée, l’unité de l’État ». Il a créé le Goulag et réduit en esclavage 18 [dix-huit] millions de personnes : « Il faut trancher les membres nuisibles du Parti pour le préserver de la maladie et de l’infection ». Il a provoqué avec cynisme des famines qui ont fait 7 [sept] millions de morts : « La mort résout tous les problèmes. Plus d’hommes, plus de problèmes ». Il a sacrifié sa famille à son propre pouvoir : « Un vrai bolchévik ne devrait pas avoir de famille ».

Nous allons vous raconter l’histoire incroyable de ce fils d’un petit artisan devenu l’un des personnages les plus puissants de la planète. Nous allons vous raconter comment cet homme, qui déclarait faire le bonheur de son peuple, est devenu, à force de mégalomanie et de fanatisme, l’un des dictateurs les plus sanglants que l’humanité ait connu.