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22 de novembro de 2017

Во саду дерево цветёт: canto cossaco


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/vosadu


Linda canção cossaca russa, que há muitos anos me pediram pra legendar, mas só há algum tempo fiz isso. Ela se chama “Во саду дерево цветёт” (Vo sadu derevo tsvetiot), Uma árvore floresce no jardim, às vezes também intitulada Da v sadu derevo tsvetiot. É mais uma composição que não tem autor e época definidos, mas faz parte do patrimônio cultural dos cossacos.

A cultura dos soldados cossacos livres é comum à Rússia e à Ucrânia, nesta tendo uma presença ainda mais forte. Muitas de suas músicas sobrevivem e são executadas até hoje, por grupos folclóricos (e também pelo exército russo) que incrementaram ainda mais a parte musical e coreográfica. Esse trânsito mútuo entre russos e ucranianos faz com que muitas letras, embora escritas formalmente em russo, tenham muitas características do sul do país, ou seja, muito próximas às da língua ucraniana.

Vou dar alguns exemplos. O uso da preposição u no lugar de v indicando alvo de movimento é muito mais comum no ucraniano do que no russo, embora neste haja uma evidente intenção eufônica. Ou seja, u pokhod (pra marcha), e não v pokhod. Devka ao invés de devushka (moça) também é dialetal e antigo, às vezes designando uma prostituta, como ocorre na ambiguidade que os brasileiros dão ao termo “rapariga”. O uso de kari no lugar de karie (castanhos) lembra igualmente a terminação de adjetivos ucranianos no plural. O verbo pobachit empregado como uvidet (ver, olhar) é outro decalque direto do ucraniano. E enfim, o que parece ser mais evidente: a pronúncia de gore ne beda (não adianta lamentar) no refrão como hore ne beda, dando pronúncia ucraniana padrão à letra Г (que, de fato, às vezes também é falada “g” no ucraniano do leste).

Eu mesmo traduzi e legendei, tendo postado meu vídeo no meu canal Eslavo (YouTube). A filmagem sem legendas, postada em 2012, consiste numa apresentação de artistas do Teatro Dramático Popular de Irkutsk, em evento folclórico lembrando os 75 anos da Província de Irkutsk, no museu Taltsy (Тальцы). Eu tirei a letra em russo do site do conjunto Kazachi Krug, onde também pode-se ouvir sua própria gravação. Seguem abaixo a legendagem, a letra em russo e a tradução em português:


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Да в саду дерево цветёт,
Да казак у поход идёт.
Раз-два, горе не беда,
Да казак у поход идёт.
Раз-два, горе не беда,
Да казак у поход идёт.

Ой, да казак у поход идёт,
Да за ним девка слёзы льёт.
Раз-два, горе не беда,
Да за ним девка слёзы льёт.
Раз-два, горе не беда,
Да за ним девка слёзы льёт.

Эй, да не плачь, девка, не рыдай,
Да кари очи не стирай.
Раз-два, горе не беда,
Да кари очи не стирай.
Раз-два, горе не беда,
Да кари очи не стирай.

Ой, да тогда, девка, заплачешь,
Да как у строю побачешь.
Раз-два, горе не беда,
Да как у строю побачешь.
Раз-два, горе не беда,
Да как у строю побачешь.

Да как у строю, у строю,
Да на вороненьком коню.
Раз-два, горе не беда,
Да на вороненьком коню.
Раз-два, горе не беда,
Да на вороненьком коню.

Да на вороненьком коне,
Да на казачем на седле.
Раз-два, горе не беда,
Да на казачем на седле.
Раз-два, горе не беда,
Да на казачем на седле.

____________________


Uma árvore floresce no jardim,
O cossaco está indo em marcha.
Um, dois, não adianta lamentar,
O cossaco está indo em marcha.
Um, dois, não adianta lamentar,
O cossaco está indo em marcha.

O cossaco está indo em marcha,
Atrás dele uma mocinha chora.
Um, dois, não adianta lamentar,
Atrás dele uma mocinha chora.
Um, dois, não adianta lamentar,
Atrás dele uma mocinha chora.

Não chore, menina, não soluce,
Enxugue seus olhos castanhos.
Um, dois, não adianta lamentar,
Enxugue seus olhos castanhos.
Um, dois, não adianta lamentar,
Enxugue seus olhos castanhos.

Então, menina, você vai chorar
Quando for olhar para as tropas.
Um, dois, não adianta lamentar
Quando for olhar para as tropas.
Um, dois, não adianta lamentar
Quando for olhar para as tropas.

Olhar para as tropas, as tropas
E olhar para o cavalinho negro.
Um, dois, não adianta lamentar,
E olhar para o cavalinho negro.
Um, dois, não adianta lamentar,
E olhar para o cavalinho negro.

Ao olhar para o cavalinho negro,
Ao olhar para a sela do cossaco.
Um, dois, não adianta lamentar
Ao olhar para a sela do cossaco.
Um, dois, não adianta lamentar
Ao olhar para a sela do cossaco.