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sexta-feira, 13 de março de 2026

Quer estudar russo? Comece aqui!

Apresento hoje uma seleção de diversas publicações que estão marcadas com o rótulo “Língua russa”, entre as mais importantes pro estudo mais ou menos aprofundado do idioma. Grande parte delas consiste em restos do minicurso livre de introdução ao russo que ministrei no programa TOPE da Unicamp no 2.º semestre de 2017, e como só recentemente editei alguns, não tive tempo de comparar com o que já estava online, portanto, me responsabilizo por eventuais repetições e redundâncias.

Infelizmente, não é um material pra iniciantes, e sim uma sistematização de noções pra quem já começou a aprender russo, embora também possa ser lido por curiosos que consigam tirar proveito de algumas das explicações dadas. A lista inclui textos que vêm sendo publicados desde 2016 com dificuldades sobre pontos específicos da pronúncia e da gramática e mais algumas coisinhas, e agora ficam mais fáceis pra ser localizados, sem depender apenas do referido rótulo, e pra ser compartilhados em redes sociais.

Esta publicação pode soar paradoxal, já que há quatro anos venho combatendo a invasão da Ucrânia por Vladimir Putin e que sou um crítico feroz da imposição da língua e cultura russas aos territórios ocupados, bem como a seu uso no exterior como uma espécie de soft power capenga pra esconder os crimes de Moscou contra a humanidade. Porém, não devemos esquecer que nem todos os russos apoiam a guerra e que muitos deles, pessoas de alto valor científico, artístico e literário, vivem hoje exilados em países capitalistas desenvolvidos.

Por isso mesmo, conhecer a língua russa, e não somente a ucraniana, pode ser uma ferramenta crucial pra entendermos o regime terrorista atualmente em vigor na Rússia e obtermos informações objetivas sobre a agressão contra o vizinho meridional, onde muitos ainda dominam o “idioma de Pushkin” e os soldados da frente de batalha costumam ser mil vezes mais sinceros que a propaganda oficial. Além disso, desde o século 19 e mais ainda sob o período soviético, a língua russa tem uma longa trajetória no campo da ciência, o que a torna essencial pra ter acesso a um vasto material de pesquisa e conhecimento. Sem contar outros “nichos” culturais, sociais, artísticos etc. que tornam sua compreensão quase indispensável.

Reitero que, apesar de meu desejo, não estou disponível pra dar aulas virtuais de qualquer língua que seja, mas posso passar indicações de profissionais disponíveis (também pra inglês, francês etc.), bem como não é difícil os encontrar em diversas redes especializadas. Apenas recomendo que evite professores omissos ou simpáticos à guerra de Putin, pois ocasionais apologias nacionalistas ou patrióticas são abjetas nesse contexto; se ele falar português, mas estiver num dos próprios países que realizam a agressão, então duvide mais ainda, e de preferência rejeite.



quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A Brief History of the Russian Language

I’ve been criticizing Putin’s imperialism on this blog for at least four years, but I couldn’t help publishing this content, which was originally a PowerPoint slideshow. It was a part of a short lecture given at a 6-month academic English course at my university (Unicamp), when I was a doctorate student. The federal program, launched by former Brazilian President Dilma Rousseff, was called ‘Languages Without Borders’ (Idiomas sem Fronteiras), and its aim was to help undergraduate and graduate students improve their proficiency in languages to study and make research abroad. Like another wider program (‘Science Without Borders’), it couldn’t reach its goals and was eventually closed by President Bolsonaro.

Our teacher Luane asked us to make a presentation about a topic of our interested, and I chose the history of the Russian language. Later at the course, I make another one about the Communist Party of Brazil, but I found no use to make a post from it. She gave me a 9 for both lectures, but for me it was a great experience to practice my English to such an extent. Since I’ve kept the slideshow among my personal files, I decided to make a new post from it so that you could also know more about the language I began to learn in 2007. We must distinguish between Putin’s genocidal penchant and the broader Russian culture and people: I hope some day they can live free from the current dictatorship and in harmony with their neighboring countries.

Breve explicação em português: Eu fiz esse PowerPoint como parte de um semestre de inglês acadêmico que cursei na Unicamp dentro do extinto programa “Idiomas sem Fronteiras” (IsF). A professora Luane nos pediu pra darmos breves palestras sobre temas de nossa predileção, e o primeiro foi este sobre a história da língua russa, e o segundo, sobre a história do PCB, o qual, porém, não achei interessante pra transformar numa publicação. Tirei 9 em ambos, mas foi uma ótima experiência, e como não achei outra maneira mais fácil de reciclar o material, converti em imagens mesmo. Reitero que devemos distinguir o imperialismo genocida de Putin, que sempre combato aqui, do povo e cultura russos, que espero ver um dia libertados da ditadura.

















quarta-feira, 27 de agosto de 2025

34 anos da Ucrânia (Rio de Janeiro)


Endereço curto: fishuk.cc/ucrania2025

No último domingo, 24 de agosto, foi feita manifestação no bairro carioca de Copacabana em comemoração aos 34 anos da independência da Ucrânia e a favor da resistência contra a invasão de Putin. Meu amigo Claudio, que vive no interior do Paraná e defendeu em março sua tese de doutorado na UFRJ sobre a identidade dos ucranianos no Brasil, é um grande militante da causa e me enviou as fotos e vídeos abaixo dos arredores do Copacabana Palace. Sim, o braço com a bandeira é dele, rs. Selecionei as melhores versões e evitei algumas fotos com conteúdo repetido ou não muito relevante. Espero que você goste, e SLAVA UKRAINI:





























segunda-feira, 5 de maio de 2025

Verbos ucranianos com significado


Endereço curto: fishuk.cc/verbos-ua


Infelizmente, tive de deixar o curso remoto de ucraniano oferecido pela Unicentro, PR, pra me dedicar a outros projetos mais prementes – inclusive esta página, como você pode ver, agora monetizada, rs. Gostei muito da professora, dos colegas e do material oferecido, parte do qual salvei pra mim mesmo e outra parte já publiquei aqui, incluindo uma canção contra a invasão ruSSa. Fiz também alguns resumos e recursos de consulta pra uso pessoal e coletivo, entre os quais esta lista de verbos com os aspectos imperfeito e (se fosse o caso) perfeito, mas sem a indicação de serem da primeira ou da segunda conjugação, como estava na lista original. Espero que, mesmo assim, ele seja útil pra quem estuda esta belíssima língua.

Esclarecimentos pra consulta:

  • Os acentos agudos indicando a sílaba tônica estão presentes pra fins meramente didáticos. Algumas formas verbais que aceitam dois acentos diferentes (mas não simultâneos!) estão marcadas com dois diacríticos.
  • Os verbos imperfeitos estão marcados com “imp.” e os verbos perfeitos, com “perf.”. Os verbos sem marcação devem ser considerados imperfeitos, quase todos não podendo ser perfeitos devido ao próprio significado.
  • Alguns verbos perfeitos não são o exato equivalente de seus pares imperfeitos em significado, mas podem indicar um matiz como “fazer por um tempo”, “começar/pôr-se a fazer” etc.
  • A marca “refl.” indica um significado exclusivo pra forma reflexiva, diferente daquela dando meramente um sentido realmente reflexivo à forma transitiva.
  • As principais irregularidades estão indicadas entre parênteses e em geral indicam o paradigma básico de como o resto do mesmo tempo deve ser conjugado. Os tempos em que isso se aplica estão separados por ponto-e-vírgula: no caso do presente imperfeito ou do futuro perfeito, indicam-se a primeira e a segunda pessoas do singular (excepcionalmente, a terceira do plural); no caso do passado, o masculino e o feminino singulares; e no caso do imperativo, somente a segunda pessoa do singular. A marcação “imper.” indica um imperativo a não ser confundido com um passado.
  • Os verbos marcados com “frequente, multidirecional” (que geralmente só têm a forma imperfeita) ou com “único, unidirecional” têm muito mais matizes do que apenas esses indicados e seu uso deve ser aprendido separadamente.


бажа́ти imp., побажа́ти perf. = desejar

ба́чити imp., поба́чити perf. = ver (chegar à vista)

бі́гати = correr (frequente, multidirecional)

бі́гти (біжу́, біжи́ш; біг, бі́гла) = correr (único, unidirecional)

бра́ти (беру́, бере́ш) imp., взя́ти (візьму́, ві́зьмеш) perf. = pegar, tomar

вари́ти imp., звари́ти perf. = cozinhar, ferver

вече́ряти imp., повече́ряти perf. = jantar

вибача́ти imp., ви́бачити perf. = desculpar

вимика́ти imp., ви́мкнути perf. = apagar, desligar

відві́дувати imp., відві́дати perf. = visitar, frequentar

відкрива́ти imp., відкри́ти (відкри́ю, відкри́єш) perf. = abrir

відповіда́ти imp., відпові́сти́ (відпові́м, відповіси́) perf. = responder

відпочива́ти imp., відпочи́ти (відпочи́ну, відпочи́неш) perf. = descansar

віта́ти imp., привіта́ти perf. = parabenizar, dar boas-vindas

вмивати(ся) imp., вми́ти(ся) (вми́ю, вми́єш) perf. = lavar(-se), refl. tomar banho

вмика́ти imp., ввімкну́ти perf. = acender, ligar

вмира́ти imp., вме́рти (вмру, вмреш) perf. = morrer

встава́ти imp., вста́ти (вста́ну, вста́неш) perf. = levantar-se

вчи́ти (вчу, вчиш) = estudar

говори́ти imp., сказа́ти (скажу́, ска́жеш) perf. = falar

готува́ти(ся) imp., приготува́ти(ся) perf. = preparar(-se), refl. cozinhar

гра́ти imp., зігра́ти perf. = tocar, brincar, jogar

гуля́ти imp., погуля́ти perf. = passear

дава́ти imp., да́ти (дам, даси́, даду́ть) perf. = dar

дарува́ти imp., подарува́ти perf. = doar, presentear, dar de presente

диви́тися imp., подиви́тися perf. = olhar (seguir ou mirar com a vista)

друкува́ти imp., надрукува́ти perf. = imprimir, digitar

жи́ти (живу́, живе́ш) = viver, morar, habitar

забува́ти imp., забу́ти (забу́ду, забу́деш) perf. = esquecer

займа́ти(ся) imp., зайня́ти(ся) (займу́, займе́ш) perf. = ocupar(-se de), refl. lidar com, estudar

закі́нчувати(ся) imp., закі́нчи́ти(ся) (закі́нчу́, зкі́нчи́ш) perf. = terminar, expirar, resultar (em)

замовля́ти imp., замо́вити perf. = pedir, reservar, encomendar

запо́внювати imp., запо́внити perf. = encher

запро́шувати imp., запроси́ти (запрошу́, запро́сиш) perf. = convidar

заробля́ти imp., зароби́ти (зароблю́, заро́биш) perf. = lucrar, ganhar

зачиня́ти imp., зачини́ти (зачиню́, зачи́ниш) perf. = fechar

зна́ти imp., зазна́ти perf. = saber, conhecer

іти́ (іду́, іде́ш; ішо́в, ішла́) imp., піти́ (піду́, пі́деш) perf. = ir ou vir a pé/andando (único, unidirecional)

ї́здити (ї́жджу, ї́здиш) = ir ou vir de veículo (frequente, multidirecional)

ї́хати (ї́ду, ї́деш; їдь) imp., пої́хати perf. = ir ou vir de veículo (único, unidirecional)

каза́ти imp., сказа́ти perf. = dizer

кла́сти (кладу́, кладе́ш; клав, кла́ла) imp., покла́сти perf. = colocar deitado

ко́штува́ти = custar, ter um preço

купува́ти imp., купи́ти (куплю́, ку́пиш) perf. = comprar

лежа́ти (лежу́, лежи́ш) = estar deitado

леті́ти (лечу́, лети́ш) imp., полеті́ти perf. = voar ou andar de avião (único, unidirecional)

лікува́ти = tratar, curar, medicar

літа́ти = voar ou andar de avião (frequente, multidirecional)

люби́ти (люблю́, лю́биш) = amar, gostar de

малюва́ти imp., помалюва́ти/намалюва́ти perf. = pintar, desenhar

ми́ти (ми́ю, ми́єш) imp., поми́ти perf. = lavar, limpar (pessoas)

назива́ти(ся) imp., назва́ти(ся) (наз(о)ву́, наз(о)ве́ш) perf. = chamar(-se), refl. ter por nome

не́сти (несу́, несе́ш; ніс, несла́) imp., поне́сти perf. = vestir/levar no corpo, levar ou trazer algo a pé (único, unidirecional)

носи́ти (носу́, но́сиш) imp., поноси́ти perf. = vestir/levar no corpo, levar ou trazer algo a pé (frequente, multidirecional)

обі́дати imp., пообі́дати perf. = almoçar

одру́жувати(ся) imp., одружи́ти(ся) (одружу́, одру́жиш) perf. = casar(-se)

одяга́ти(ся) imp., одягти́(ся) /одягну́ти(ся) (одягну́, одя́гнеш; одя́г, одягла́) perf. = vestir(-se)

опи́сувати imp., описа́ти (опишу́, опи́шеш) perf. = descrever

переклада́ти imp., перекла́сти (перекладу́, перекладе́ш; перекла́в, перекла́ла) perf. = traduzir

писа́ти (пишу́, пи́шеш) imp., написа́ти perf. = escrever

пита́ти imp., спита́ти perf. = perguntar

пи́ти (п’ю, п’єш) imp., ви́пити/попи́ти perf. = beber

пла́вати imp., попла́вати perf. = nadar, navegar, flutuar (frequente, multidirecional)

плати́ти (плачу́, пла́тиш) imp., заплати́ти perf. = pagar

пливти́/плисти́ (пливу́, пливе́ш; плив, плила́; пливи́) imp., поплисти́ perf. = nadar, navegar, flutuar (único, unidirecional)

поверта́ти(ся) imp., поверну́ти(ся) (поверну́, пове́рнеш) perf. = virar(-se), devolver, refl. voltar, retornar

подорожува́ти = viajar

почина́ти imp., поча́ти (почну́, почне́ш) perf. = começar, iniciar

почува́ти(ся) = sentir(-se), refl. ser sentido

поя́снювати imp., поясни́ти (поясню́, поя́сниш) perf. = explicar

пра́ти (перу́, пере́ш; пери́) imp., ви́прати perf. = lavar roupas

працюва́ти = trabalhar

прибира́ти imp., прибра́ти (приберу́, прибере́ш; прибери́) perf. = arrumar, limpar, faxinar, decorar

продава́ти imp., прода́ти (прода́м, продаси́, продаду́ть) perf. = vender

рахува́ти imp., порахува́ти perf. = calcular, contar

роби́ти (роблю́, ро́биш) imp., зроби́ти perf. = fazer

розмовля́ти = conversar

розповіда́ти imp., порозповіда́ти perf. = contar, narrar

розумі́ти imp., зрозумі́ти perf. = entender, compreender

святкува́ти imp., відсвяткува́ти perf. = celebrar, comemorar, festejar

сиді́ти (сиджу́, сиди́ш) = estar ou ficar sentado

слу́хати imp., послу́хати perf. = escutar (seguir com a audição)

смія́тися (смію́ся, сміє́шся; смі́йся) imp., засмія́тися/розсмія́тися perf. = rir, dar risada

сні́дати imp., посні́дати perf. = tomar café da manhã

спа́ти (сплю, спиш; спи) imp., поспа́ти perf. = dormir

співа́ти imp., поспіва́ти perf. = cantar

ста́вити (ста́влю, ста́виш; imper. став) imp., поста́вити perf. = colocar de/em pé

стоя́ти (стою́, стої́ш; стій) = estar ou ficar de pé

танцюва́ти = dançar

фотографува́ти imp., сфотографува́ти perf. = fotografar, tirar fotos

ходи́ти (ходжу́, хо́диш) = ir ou vir a pé/andando (frequente, multidirecional)

хоті́ти (хо́чу, хо́чеш; хоти́) = querer

ціка́вити(ся) (ціка́влю, ціка́виш; imper. ціка́в) = interessar(-se)

цілува́ти(ся) imp., поцілува́ти(ся) perf. = beijar(-se), refl. beijar um ao outro

чека́ти imp., почека́ти/зачека́ти perf. = esperar, aguardar

чи́стити (чи́щу, чи́стиш; чисть) imp., почи́стити perf. = limpar

чита́ти imp., прочита́ти perf. = ler

чу́ти imp., почу́ти perf. = ouvir (chegar à audição), sentir, cheirar

шука́ти imp., нашука́ти perf. = procurar, buscar



sábado, 8 de março de 2025

“Око”, o olho em russo arcaico


Endereço curto: fishuk.cc/oko


Dedico esta publicação
à memória de Jaílson Mendes.
(Os fortes entenderão...)


Em conversa com um amigo meu, que não conhece a fundo línguas eslavas, estava lhe dizendo que, embora na maioria dessas línguas se use a palavra “óko” (e o plural “ótchi”, originalmente um dual) pra designar “olho”, em russo a palavra é bem diferente: singular “glaz”, plural irregular “glazá”, relacionadas com o radical “gliad-” (olhar, olhada). Conforme se lê no verbete do Wiktionary acima, a forma “oko” é arcaica e usada apenas em contextos poéticos, figurados ou eruditos, como na célebre canção Óchi chórnye (Olhos negros). Abaixo segue a declinação completa dessa palavra:


Já em ucraniano, seguindo a maioria das línguas eslavas, ainda é a forma padrão usada com o significado de “olho” (veja também a declinação):




Do nada, esse meu amigo me assusta com a pergunta se “oko” também não designava o toba, segundo lhe teria dito um antigo professor de russo seu, de origem ucraniana. Claro que por associação podemos pensar no “olho de trás”, mas nunca soube desse significado, e até fui na versão russa, na qual vi apenas “aquilo que pela aparência externa ou pela destinação faz lembrar o olho [glaz]”. Depois é que acabei achando a palavra “ochkó”, desconhecida minha até então, que tinha aquele sentido e tantos outros mais:




Enfim lhe disse também que, assim como várias palavras ou radicais do português moderno, a forma “oko” (às vezes alterando com “och(e)-”) hoje é de longe mais usada em derivações que guardam uma vaga relação com o sentido original, e não como vocábulo independente. Seguem os respectivos exemplos de “testemunha”, “óbvio”, “janela”, “remoto” (ou “a distância”, ou “in absentia”) e “óculos”, que, como entre nós, só se usa no plural:










segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

O Brasil contra a invasão da Ucrânia


Endereço curto: fishuk.cc/uabr25


E hoje se completam os três anos redondos da invasão em larga escala da Rússia imperialista de Vladimir Putin à Ucrânia independente, mesmo que em desenvolvimento arrastado, comandada pelo presidente eleito (a democracia dá o direito de errar, né?) Volodymyr Zelensky. Não é segredo pra quem entende do assunto que a guerra não começou em 2022, mas em fevereiro-março de 2014, quando Moscou tomou ilegalmente a península da Crimeia e infiltrou a região do Donbás com o restolho militar disfarçado de “separatistas”.

Os ignorantes do wishful thinking (vou poupar aqui os que são sabidamente pagos) quiseram acreditar na narrativa do “golpe” que derrubou um Víktor Ianukóvych, na verdade, fugido de suas responsabilidades, sobretudo após ter nas costas vários processos por corrupção e, desde o fim de 2013, mais de 100 manifestantes pacíficos mortos na Praça da Independência de Kiev Kyiv. Mas a vergonha de estarem do lado errado da história é tamanha que passaram a apoiar um ditador que mentia abertamente: dizia não haver soldados russos no Donbás, quando eles já tinham se espalhado e estavam reprimindo manifestantes anti-Rússia.

Além disso, o próprio roubo da Crimeia constituiu uma violação de todos os tratados assinados entre a Rússia e a Ucrânia que previam a inviolabilidade territorial desta, mesmo disfarçada com esses argumentos ridículos de “historicamente russa” (após séculos de genocídio e deportações dos tártaros locais, claro), de “erro de Khruschov” e blábláblá. São a segunda mentira pra que alguns “especialistas” bananeiros passam pano. E a terceira, ligada a esta, é a da própria invasão, que também se encobriu de declarações negando qualquer intenção de a perpetrar (quando a decisão, de fato, já tinha sido tomada no ano anterior).

Não adianta dizer que “Putin é de extrema-direita”, “Putin não é comunista” ou “a OTAN é um perigo pior” (pra países que viveram deportações massivas e supressão da própria cultura nos tempos da URSS?...). Sim, esse pessoal que se diz “pela paz”, “contra os dois lados” ou “anti-imperialismo” ocidental não faz outra coisa senão legitimar alguém que mentiu o tempo todo sobre o que iria ou não fazer. Legitimar a pior guerra do século 21, iniciada unilateralmente por um paranoico xenofóbico e convenientemente encoberta pela “militância” com o conflito (não menos sangrento e desigual) nos territórios palestinos! Comunistas, parem de se iludir: a questão não é “defender o proletariado de ambos os países”, mas simplesmente a sobrevivência de um povo inteiro e a abolição da escravidão dos vários povos, inclusive os russos comuns, que vivem no GULAG “federativo”!

Dito isso – e eu nem queria me estender na análise da guerra –, trago finalmente alguns vídeos (e a foto lá em cima) dos atos no último domingo, 23, lembrando os três anos da agressão putinista, passados por meu amigo Claudio. Os primeiros são na Paróquia São Josafat de Prudentópolis, PR, onde se exerce o rito greco-católico ucraniano, e os segundos são na Avenida Paulista, em São Paulo capital, que mereciam juntar bem mais pessoas (e bem menos passantes idiotas provocando!) mesmo sem ser em local de grande comunidade étnica.

Se me forem sendo passados mais vídeos e fotos, vou os colocando aqui. Os mais novos são de Salvador, BA, dia 24 (reconhece aqueles bonecos? Rs):










Hino Nacional da Ucrânia (os próximos dois):





Avenida Paulista:











Salvador:




sábado, 22 de fevereiro de 2025

Atos sobre os 3 anos da invasão


Endereço curto: fishuk.cc/ua25



Como disse minha amiga belarussa, que fez esta maravilhosa arte e vai participar das manifestações contra a invasão da Ucrânia em Salvador nesta virada de semana, “vamos sambar na cara desses ditadores”, rs. Por isso, começo com as coordenadas do ato na capital baiana, e seguem outros pelo Brasil, começando por São Paulo capital, cedidos por meu amigo Claudio. Aos dois, agradeço por toda informação, pois agora ela está centralizada pra quem deseja se informar e pra quem deseja informar os companheiros.

Sei que infelizmente muitas dessas manifestações estão juntando cada vez menos gente, mas a meu ver, mais importante é ser poucos, mas seguir falando e sendo vistos, do que silenciar e dar a impressão que acabou tudo. Se puder, compartilhe esta publicação, não por mim, mas por todos nós. Tanto mais que o fascista da White Power House, cuja cachola é imprevisível, está (por enquanto...) ameaçando pôr tudo a perder!