No ano passado, iniciei a coleção completa da tradução dos discursos com os votos de Feliz Ano Novo dos presidentes da Federação Russa a partir de 2000, isto é, Vladimir Putin e Dmitri Medvedev, ambos do partido Rússia Unida. Anteriormente eu já tinha publicado os votos de Boris Ieltsin pro ano 2000 transmitidos em 1999, que tiveram enorme importância porque ele os usou pra anunciar sua renúncia do cargo e logo depois foi sucedido pelos votos de Putin, que, enquanto primeiro-ministro, assumia interinamente até as próximas eleições. A lacuna que ficou e exigia maior pesquisa eram os votos de Ano Novo de Ieltsin ao longo da década de 1990, e hoje continuo a preenchendo. Por razões óbvias, não vou recuar ainda mais e trazer todos os discursos de 31 de dezembro dos líderes soviéticos.
Quando fazemos a busca no site do Kremlin, notamos um material extremamente organizado, mas só encontramos os discursos de Ano Novo a partir de 1999/2000, justamente quando Putin assumiu pela primeira vez. Os votos do antecessor e mentor devem ser buscados em outras fontes, entre elas o YouTube ou o portal oficial do Centro Ieltsin, sediado em Iekaterinburg, seu antigo feudo político. No arquivo oficial dos canais estatais de TV, também há uma coleção incompleta, incluindo alguns vídeos com Ieltsin, mas infelizmente eles não têm uma transcrição que facilitasse o trabalho de tradução. Pra nossa alegria, com raras exceções, a versão russa do Wikiquote traz as transcrições de todos os discursos presidenciais de Ano Novo da Rússia pós-soviética.
Na verdade, quase todos: no Wikiquote, não há os de 1991/1992 e de 1992/1993, e o de 1994/1995 está incompleto. No caso do primeiro, em tese ele quase coincidiu com o discurso de renúncia de Mikhail Gorbachov à presidência da URSS, em 25 de dezembro de 1991. Acabou sendo meio que uma contraposição a ele, pois foi televisionado no dia 30 seguinte, quando Boris Ieltsin, já investido presidente da Rússia em junho pelo inédito voto popular, desceu o pau no comunismo e na antiga União Soviética e defendeu as reformas de mercado. Ainda não estava estabelecida uma tradição de discursos de Ano Novo do presidente russo, mas este acabou entrando pra conta. Este artigo do jornal Kommersant de 2001 (dez anos da renúncia de Gorbachov), baseado em material da Rossiiskaia gazeta, traz parte do discurso de Ieltsin transcrito. Nos arquivos do Centro Ieltsin, há uma versão impressa da transcrição, com poucas anotações à mão, mas não idêntica à fala, com a qual, desta vez, eu tive de cotejar.
Portanto, eu traduzi a partir da versão cotejada com o vídeo que foi exibido na TV soviética de então, que hoje tem um canal no YouTube com atualizações praticamente diárias e a publicação de muito material raríssimo da era comunista. É uma fonte inestimável de estudos, pra qualquer tipo de público. O arquivo do Fundo Ieltsin tinha vários trechos em negrito, mas por não considerar importantes essas ênfases, não as reproduzi aqui. Igualmente, inseri explicações entre colchetes quando necessário, imprimi à tradução meu próprio estilo menos formal e incluí a transcrição completa em russo, pois se trata de um texto pouco fácil de se achar em outras fontes:
Caros russos!
O ano de 1991 está em seus últimos dias. Tradicionalmente, este é um momento pra fazer um balanço e planejar o ano que está chegando.
O ano que passou foi desafiador, e dificilmente podíamos imaginar que tantos eventos, de natureza tão variada, ocorreriam em tão pouco tempo.
Talvez ainda seja cedo pra fazer qualquer avaliação.
Mas há vários momentos importantes que vieram à luz exatamente neste ano.
Primeiro, no final do século 20, estamos vivenciando um momento incomum. Estão ocorrendo transformações profundas, do tipo que talvez só aconteçam uma vez por século. Nem toda geração vivencia algo assim:
– O Estado está se transformando.
– Uma dolorosa transição pra uma nova economia de mercado está em curso.
– Processos complexos estão ocorrendo na vida espiritual – estamos rejeitando miragens e ilusões. E não por razões políticas. Simplesmente ficou claro há muito tempo que são utopias, que o comunismo não pode ser construído.
Estamos nos livrando da militarização de nossas vidas, paramos de nos preparar constantemente pra uma guerra com o mundo inteiro e muito mais.
Não preciso entrar em detalhes – é difícil pro país e pra Rússia, difícil pros russos se exacerbarem todas as contradições.
E, no entanto, conseguimos no essencial manter o desenvolvimento pacífico do país e preservar a paz civil.
Evitamos o cenário iugoslavo, embora, francamente, nossa situação não seja mais fácil, senão mais difícil.
Na Rússia, conseguimos evitar medidas extremas. É claro que em algumas regiões as tensões estão muito altas, mas devemos fazer todo o possível pra manter a situação sob controle.
Considero que a manutenção de condições de vida pacíficas na Rússia é, antes de tudo, um mérito do nosso povo, de seu espírito pacífico, sabedoria, fortaleza e coragem.
É claro que todos estão com os nervos à flor da pele, acumulando um cansaço diante das dificuldades e provações do dia a dia.
Mas há um profundo entendimento de que não devemos em hipótese alguma perder o controle da situação ou recorrer à violência. Esse caminho leva apenas a um beco sem saída.
Estou confiante de que não vamos repetir a guerra civil. É minha convicção. Já temos a trágica experiência dos primeiros anos após outubro de 1917.
Segundo. Um dos principais resultados positivos do ano foi que a dissolução da União [Soviética] não levou à desunião dos povos.
Chamávamos a URSS de império. E há realmente muitos fatos que confirmam a validade dessa definição.
Em nosso enorme país, não há um único povo, inclusive o russo, que se sinta feliz e livre.
E há muito tempo ficou claro que deixar as coisas como estão era simplesmente impossível. Infelizmente, essa questão foi resolvida muito lentamente e houve grande resistência ao desejo dos povos de conquistar a liberdade.
Em 20 de agosto, havia uma possibilidade real do Tratado da União ser assinado. O golpe de Estado lhe desferiu um golpe fatal.
Mas conseguimos evitar o mais importante, o mais terrível: a indisposição irreversível entre os povos.
Em vez da União Soviética, surgiu a Comunidade dos Estados Independentes. Os próprios Estados se uniram voluntariamente não pra interferir uns nos outros, mas pra cooperar.
Nosso princípio: não Estados em prol da Comunidade, mas a Comunidade em prol dos povos, dos cidadãos e dos Estados.
Por mais doloroso que seja separar-se da União, devemos reconhecer que em seu lugar não há um vazio, mas sim uma reunião de povos e Estados. Ela pode se tornar mais resiliente do que a União, que até então se mantinha unida por ordens, coerção e pressão.
Terceiro. Ao longo do ano, a atitude dos países estrangeiros com relação à Rússia mudou. Temos sentido um grande interesse constante nos processos em curso aqui. Mas também houve certa dose de expectativa e cautela. E isso é compreensível.
As relações internacionais sempre foram monopólio do centro [i.e. Moscou], e certos estereótipos se desenvolveram, sendo difíceis de superar.
O ponto de virada ocorreu no dia do golpe de agosto, quando a Rússia recebeu apoio de praticamente todos os países desenvolvidos.
O processo de reconhecimento oficial da independência da Rússia já começou, mas acredito que está acontecendo algo mais do que um simples procedimento legal.
Um novo tipo de relacionamento está sendo estabelecido – não apenas parceria, mas também amizade.
Esse processo é de mão dupla. Afinal, várias gerações de nosso povo viveram sob o lema “se ao menos não tivesse havido a guerra”. Havia uma cortina de ferro entre nós e o mundo, e quase todo o país trabalhava na defesa.
Esses tempos estão ficando para trás, e devemos os deixar sem lamentar. Afinal, nunca vivemos ainda em condições de paz plena, apesar de termos vencido a guerra mais terrível em 1945. O botão nuclear agora está nas mãos da Rússia, mas vamos fazer de tudo pra que ele nunca seja usado.
A Rússia vai continuar seguindo uma política aberta e pacífica.
Somos respeitados na Europa, na América e em outros continentes; eles nos veem como um parceiro sério.
Quarto. Considero que este ano testemunhou uma mudança definitiva também no comportamento das pessoas e em sua atitude perante a vida.
É claro que as coisas estão difíceis pra todos nós agora. Nossos cidadãos às vezes são tomados pela amargura com relação a seu país. Muitas vezes lamentamos nosso atraso, falta de estabilidade e problemas muitos.
Mas é injusto falar da Rússia apenas em termos sombrios e depreciativos.
Não devemos nos sentir derrotados. Não foi a Rússia que sofreu a derrota, mas a ideia comunista, o experimento que foi conduzido na Rússia e imposto a nosso povo. Este ano, o PCUS saiu da arena política.
Muitos de nós acreditávamos nele, dedicando-lhe nossos melhores anos e energias. Mas isso não é culpa de indivíduos ou gerações inteiras. O principal é que chegou um tempo de esclarecimento.
Em 1991, entendemos muitas coisas e as vimos em sua verdadeira luz.
Agora, o mais importante é não sentar de braços cruzados, sofrendo e esperando por tempos melhores. Isso não vai mudar nada. Cada vez mais pessoas começaram a entender esta simples verdade: cada um de nós é capaz de mais do que às vezes pensa. Já temos muitas pessoas que sabem o que fazer e como fazer, estão superando suas dúvidas e demonstrando iniciativa. Em outras palavras, estão aprendendo a viver de uma nova maneira.
Infelizmente, considero que a mídia, incluindo a televisão, está falhando miseravelmente nesse aspecto. Afinal, muitas vezes intimidamos as pessoas com o mercado, retratando as coisas como se apenas alguns escolhidos pudessem alcançar o sucesso, enquanto a vida das pessoas comuns se resume a uma existência miserável, dependente da caridade, ou até mesmo à pobreza.
Mas isso não é verdade. O mundo inteiro vive sob a mesma ordem pra qual a Rússia está transitando. E estamos implementando reformas, antes de tudo, em benefício de todas as pessoas comuns. Em nosso enorme país, tenho certeza de que há algo para todos.
Nem todos se tornarão empreendedores como Morozov, Ieliseiev ou Fiodorov [magnatas dos tempos do tsarismo]. Mas a grande maioria das pessoas pode ganhar pra ter uma vida digna.
Nosso povo não é pior nem mais preguiçoso que ninguém. Precisamos simplesmente ajudar as pessoas a encontrarem seu caminho nessa nova vida.
Tudo o que mencionei são desenvolvimentos positivos do ano que passou. Mas por enquanto a vida não ficou mais fácil; pelo contrário, ficou mais difícil.
Este ano, a Rússia recuperou da URSS sua economia e seu patrimônio, que lhe foram tomados em 1917.
Recuperamos o que pertence por direito à Rússia. Devo dizer honestamente: a herança que recebemos é simplesmente deprimente.
A sensação é de que um inimigo está no comando de nossa terra. A Rússia herdou uma enorme dívida externa da União: quase 70 bilhões de dólares. O mais triste é que esses fundos colossais foram desperdiçados, se não dilapidados, por muitos anos.
Herdamos da União uma estrutura econômica distorcida.
Criou-se uma economia desumana. A produção tinha, e ainda tem, um forte foco militar. Nos últimos anos, a situação piorou ainda mais. A construção de fábricas de bens de consumo diminuiu, se não parou completamente. Por exemplo, nenhuma fábrica farmacêutica foi construída nos últimos 15 anos. Em muitas áreas cruciais, novas capacidades não foram instaladas por décadas.
Herdamos da União um setor agrícola completamente negligenciado. Milhões de hectares de terra estão contaminados, e os chernozioms [terras pretas, altamente férteis] da Rússia – um de seus maiores recursos – estão gravemente doentes. Há décadas, a Rússia é obrigada a importar enormes quantidades de grãos.
As tradições da agricultura russa se perderam.
Herdamos da União uma base técnica extremamente negligenciada – na indústria, agricultura, transporte, energia e serviços.
Tudo isso está tendo impacto hoje, complicando ainda mais a vida já difícil do nosso povo.
Herdamos um país devastado. Mas acredito que não há motivo pra desespero.
A Rússia está gravemente doente; sua economia está doente, mas não existem doenças econômicas incuráveis.
Por mais difíceis que as coisas estejam hoje, temos a oportunidade de sair deste buraco em que nos encontramos. Hoje, temos oportunidades muito maiores pra começar a nos recuperar.
A Federação Russa finalmente voltou a existir como Estado. É claro que ainda está dando seus primeiros passos, e nem tudo está dando certo. Mas o impasse com o governo central ficou pra trás. Finalmente terminou a guerra das leis, que consumiu uma quantidade inaceitável de tempo e esforço. Pela primeira vez, temos a oportunidade de concentrar toda a nossa atenção e energia na Rússia, nos russos e em seus problemas.
Temos também a vantagem de sermos potencialmente um país riquíssimo.
Ainda possuímos enormes recursos naturais. Com tal base é mais fácil implementar reformas, pois existe certa margem de segurança.
Ao longo do último ano, e especialmente no último mês, tanto o Governo quanto o Soviete Supremo criaram uma base legal bastante sólida pra reforma econômica. Decisões importantes foram tomadas em áreas-chave das transformações – proteção social, impostos, orçamento e reforma agrária.
Também contamos com apoio internacional. A Rússia está recebendo empréstimos, e empréstimos anteriormente concedidos à União estão sendo descongelados pra nós. Durante uma visita à Itália, concordamos em descongelar um empréstimo de US$ 6 bilhões, dos quais 80% vão ser destinados à Rússia.
Grandes remessas de alimentos, comida infantil e medicamentos estão em andamento. Mas há outro aspecto importante nesses contatos: estamos recebendo um apoio técnico significativo. Reformas semelhantes já foram realizadas em diversos países: Alemanha, Coreia do Sul, Polônia, Bulgária, Checoslováquia, México e muitos outros. É importante aprendermos com essa experiência e evitarmos repetir os mesmos erros.
Convidamos 13 proeminentes especialistas de mercado de diversos países pra prestarem um ano de consultoria sobre as reformas em curso na Rússia.
E eles já começaram a trabalhar. Encontrei-me com eles duas vezes e devo dizer que mesmo seus conselhos iniciais foram extremamente úteis pra ajustar algumas de nossas decisões.
O ano que passou também é importante pra nós porque embarcamos numa reforma radical.
Em 2 de janeiro, vai entrar em vigor talvez a medida mais dolorosa, uma medida obviamente impopular que os líderes do país hesitaram em implementar por muitos anos: a liberação dos preços.
Isso já foi discutido e talvez não seja preciso voltar ao assunto.
Gostaria apenas de observar que essa é uma medida necessária e temporária. Decidir por ela não foi fácil, inclusive pra mim pessoalmente. Por dois meses inteiros, buscamos a opção de reforma mais aceitável e menos onerosa. E concluímos que não havia outra saída.
Mas devo dizer que, em todas as circunstâncias, vamos proteger quem esteja passando por mais dificuldades e os ajudar a sobreviver aos meses mais difíceis.
Manteremos um nível mínimo de consumo de 2/3 da chamada cesta básica mínima durante todo esse período.
Às vezes, ouve-se dizer que a reforma econômica consiste toda na liberação dos preços, e isso gera em parte da população uma reação negativa à reforma como um todo.
Na verdade, não é bem assim. Diversas medidas importantes vão entrar em vigor no início de janeiro, com o objetivo de estabilizar e melhorar a economia e, consequentemente, a vida das pessoas.
Primeira medida, a privatização. Na última reunião do Governo, foi discutido o programa de privatização estatal pra 1992. A ênfase principal está na privatização acelerada tanto do comércio quanto dos serviços, bem como de empresas deficitárias e projetos de construção inacabados.
Definimos os níveis da propriedade russa e determinamos quais empresas são de propriedade federal, quais de propriedade de repúblicas, territórios e regiões, e quais são de propriedade municipal.
Todas as instruções pra privatização estão praticamente prontas.
O principal objetivo é simplificar esse procedimento ao máximo. Durante 1992, está previsto privatizar pelo menos metade das empresas nos setores de indústria leve, processamento de alimentos, construção civil, produção de materiais de construção, comércio, alimentação coletiva, serviços ao consumidor e outros.
Isso criará uma base sólida pra uma verdadeira concorrência nesses setores.
Os preços livres vão estimular a produção, forçando-a a aumentar a oferta de bens e serviços, enquanto a concorrência, por sua vez, vai conter o aumento dos preços.
O governo pretende supervisionar rigorosamente o processo de privatização a fim de o apoiar e remover obstáculos.
Um dos objetivos da privatização é revitalizar o grande número de empresas que operam com metade da capacidade. Utilizar a capacidade ociosa, colocar em funcionamento fábricas e oficinas inacabadas, colocar em operação equipamentos, muitas vezes importados e enferrujando nos pátios das fábricas.
E pra alcançar isso, vamos atrair recursos empresariais, poupanças dos cidadãos e investimentos ocidentais.
Ao mesmo tempo, nossa tarefa é impedir que o Estado perca o controle do que constitui o maior patrimônio da Rússia. O programa de privatização inclui uma seção específica que estipula que os seguintes itens não vão ser privatizados em hipótese alguma: subsolo, florestas, recursos hídricos, reservas naturais, sítios histórico-culturais, tesouros artísticos, tesouro estatal, reservas de ouro, fundos cambiais, bens das forças armadas e uma parcela significativa das empresas e instituições vitais (energia, transporte e comunicações).
A privatização é uma das maiores prioridades da reforma, e o Governo vai fazer o que for possível pra evitar contratempos.
Como segunda medida, realizamos uma auditoria das despesas na Rússia e confirmamos que estávamos gastando além de nossas possibilidades.
Pra 1992, estabelecemos a meta de economizar o máximo possível nos gastos. E, pra o primeiro trimestre, elaboramos um orçamento quase equilibrado, talvez o primeiro em muitos anos.
– A economia afetará principalmente os gastos militares. Reanalisamos o orçamento militar e constatamos enormes desequilíbrios. Por um lado, o exército carece das coisas mais básicas. Todos sabem como é a vida de um soldado moderno: alojamentos inadequados, comida escassa. Dezenas de milhares de famílias de oficiais estão em situação precária, vivendo em qualquer acomodação que encontrem. Cortar esses gastos seria simplesmente desumano e imoral, e vamos, pelo contrário, os aumentar. Gostaria também de incentivar o recém-criado comando combativo unificado dos países da Comunidade [CEI] a defender fundamentalmente os interesses do pessoal militar; eu diria, até lutar por eles.
Mas por outro lado, enormes quantias de dinheiro são gastas na compra de armas e equipamentos. A produção de equipamentos obsoletos continua. Vamos continuar convertendo a produção militar em bens civis.
– A partir do próximo ano, vamos praticamente cessar a ajuda a outros países. O montante que outros países nos devem chega a 60 bilhões de rublos. Acho improvável que um dia consigamos receber esses valores. Portanto, com base na prática global, embora nossa dívida seja estimada em 44% [do PIB], ainda faz sentido vender esses títulos e não fornecer mais ajuda ou empréstimos a outros países.
Em 1992, pela primeira vez, eliminamos a tão gigantesca despesa secreta com subsídios ao PCUS. Estou constantemente recebendo documentos que confirmam que o PCUS frequente e profundamente se apropriava dos cofres do Estado, transferindo fundos pra apoiar outros partidos comunistas em muitos países.
Estamos cortando custos com a manutenção do aparato. Com a liquidação do centralismo, a Rússia finalmente se libertou do fardo de longa data de manter as estruturas soviéticas.
Sei que a nova geração de líderes às vezes demonstra uma inclinação pro luxo e outros vícios semelhantes. Afirmo categoricamente: sou totalmente contra isso, devemos viver com mais modéstia, é claro, especialmente nestes tempos difíceis pra todos os russos.
Revisamos os princípios da política social. Constatamos que aí também existem muitos gastos desnecessários.
Agora, vamos partir do seguinte princípio: todos os gastos com assistência social devem ser claramente direcionados e voltados pro apoio àqueles que mais precisam.
Outra fonte de redução de custos é a economia. Estamos abandonando a prática perversa de manter empresas deficitárias. É claro que isso não é fácil; muitos se acostumaram a viver de subsídios, mas vamos acabar com esses subsídios a partir do Ano Novo, inclusive pra colcozes [fazendas coletivas] e sovcozes [fazendas estatais] deficitários. Precisamos encontrar uma solução, demonstrar iniciativa. E o Estado, ao conceder autonomia às empresas, está incentivando essa iniciativa.
Ao implementar políticas de austeridade, não temos o direito de aplicar esse princípio à cultura, ciência, educação ou saúde. Reduções no financiamento dessas áreas não serão permitidas; pelo contrário, [ele será] aumentado.
Como terceira diretriz da reforma, fizemos mudanças significativas na política tributária. Tivemos que endurecê-la em algumas áreas (ou seja, nos impostos sobre empresas). Mas essa é, em certa medida, uma política emergencial e temporária. Tentamos manter um regime mais flexível pra pessoas físicas, pequenas empresas e agricultores.
Considero que, à medida que a reforma avança e a situação econômica melhora, o processo tributário vai se tornar mais flexível.
Em janeiro, vamos iniciar importantes medidas de reforma agrária.
Isso diz respeito, sobretudo, à superação do monopólio estatal em setores relacionados. Os fazendeiros ainda não são parceiros iguais dos colcozes e sovcozes; são vulneráveis às ações arbitrárias dos fornecedores de equipamentos e fertilizantes. Vamos corrigir isso.
Considero que chegou a hora de reconhecermos plenamente a propriedade privada da terra, incluindo o direito de comprá-la e vendê-la. Não podemos mais adiar isso.
Esbocei apenas algumas diretrizes de nossa reforma. Vamos implementar essas medidas de forma constante pra que possamos, até o outono, estabilizar a economia e, até o final do próximo ano, como prometi durante a campanha presidencial russa, a vida das pessoas comece a melhorar gradualmente.
Nesse sentido, 1992 vai ser um ano especial. Devemos lançar as bases pra uma nova vida. Obviamente não é uma tarefa fácil, mas ainda somos capazes de a realizar.
Já vivemos tempos mais difíceis no passado, inúmeros abalos: revoluções, guerras, repressões. Mas não só isso. Por décadas o país sofreu com a falta de liberdade e a escassez constante. Os períodos de prosperidade foram muito breves e sempre seguidos por crises.
Nosso povo adquiriu uma experiência colossal, infelizmente, em sobrevivência. Considero, claro, que isso seja suficiente pra aprendermos também sobre o mercado. Tenho confiança que vamos superar este período difícil.
Já o disse muitas vezes e quero repetir: vai ser difícil pra nós, mas esse período não vai ser longo; estamos falando de 6 a 8 meses. Durante esse tempo, precisamos de perseverança. Em hipótese alguma devemos permitir que ocorram desorganização ou pânico; então nossas complexas reformas vão ser implementadas.
Estimados russos!
Hoje é o último domingo antes do Ano Novo.
Muitas preocupações, ansiedades e decepções ficaram pra trás. Mas sei que o ano que passou provavelmente trouxe a cada um de nós não apenas tristezas, mas também alguns momentos felizes na vida. Talvez nem pudesse ser diferente.
Vamos celebrar esta festa de forma mais modesta que nos anos anteriores. Mas ainda assim vai ser uma festa pra cada um de nós, o Ano Novo.
Quero desejar a vocês, estimados russos, estimados telespectadores, um feliz Ano Novo e um Feliz Natal! [Trata-se do Natal ortodoxo, que cai em 7 de janeiro.]
Desejo a vocês e seus entes queridos muita saúde, prosperidade e felicidade.
Não vou esconder que 1992, especialmente o primeiro semestre, não vai ser fácil, mas não percamos a esperança. Nós temos essa esperança. Afinal, já passamos todos por coisas piores.
Agradeço-os pela atenção.
Уважаемые россияне!
1991 год отсчитывает последние дни. По традиции в это время принято подводить итоги и строить планы на будущий год.
Прожитый год был непростым, и едва ли мы могли предполагать, что за этот небольшой отрезок времени произойдёт столько событий, причём разных по своему характеру.
Наверное пока рано давать оценки.
Но есть несколько важных моментов, которые проявились именно в этом году.
Первое. На исходе 20-го века мы переживаем необычное время. Идут глубокие преобразования, которые случаются может быть раз в столетие. Не каждое поколение переживает такое:
– Преобразуется государство.
– Идёт болезненный переход к новой для нас рыночной экономике.
– Сложные процессы происходят в духовной жизни – мы отказываемся от миражей и иллюзий. И не из каких-то политических целей. Просто давно стало ясно, что это утопии, что коммунизм не построить.
– Избавляемся от милитаризации нашей жизни, перестали готовиться постоянно к войне со всем миром и многое другое.
Не надо объяснять долго – тяжело стране и России, тяжело россиянам обострены все противоречия.
И тем не менее, удалось удержать в основном мирный характер развития страны, сохранить гражданский мир.
Мы избежали югославского варианта, хотя надо сказать откровенно, у нас обстановка не легче, а даже тяжелее.
В России нам удалось избежать крайних методов. Конечно, в некоторых регионах уровень напряженности очень высок, но нам надо сделать всё, чтобы удержать обстановку.
Считаю, что сохранение мирных условий жизни в России – заслуга, прежде всего нашего народа, его миролюбия, мудрости, выдержки и мужества.
Конечно, у всех напряжены нервы, накопилась усталость от неурядиц и испытаний повседневной жизни.
Но есть глубокое понимание, что ни в коем случае нельзя сорваться, сделать ставку на насилие. Этот путь ведёт только в тупик.
Уверен, что мы не повторим гражданской войны. Я убеждён в этом. У нас уже есть печальный опыт первых послеоктябрьских 1917 года лет.
Второе. Большой положительный итог года в том, что распад Союза не привёл к разъединению народов.
СССР называли мы империей. И действительно немало фактов, подтверждающих справедливость такого определения.
В нашей огромной стране нет народа, в том числе и русского, который чувствовал бы себя счастливым и свободным.
И уже давно стало ясно, что оставлять так, как есть, просто нельзя. К сожалению, этот вопрос решался очень медленно, было большое сопротивление стремлению народов обрести свободу.
Ещё 20 августа была реальная возможность подписать Союзный договор. Путч нанёс по нему смертельный удар.
Но удалось избежать главного, самого страшного – необратимой разобщённости народов.
На месте Советского Союза возникло Содружество Независимых Государств. На добровольной основе, сами государства объединились чтобы не мешать друг другу, а взаимодействовать.
Наш принцип: не государства ради Содружества, а Содружество ради народов, граждан, государств.
Как бы ни было тяжело расставаться с Союзом, мы должны признать, что на его месте – не пустота, а объединение народов и государств. Оно может стать более прочным, чем Союз, который держался пока на команде, принуждении и выкручивании рук.
Третье. В течение года менялось отношение к России зарубежных стран. Мы всё время чувствовали большой интерес к тем процессам, которые у нас идут. Но было и некоторое выжидание, осторожность. И это понятно.
Международные дела всегда были монополией центра, сложились определенные стереотипы, преодолеть которые было непросто.
Перелом произошёл в день августовского путча, когда Россию поддержали практически все развитые страны.
Сейчас начался процесс официального признания независимости России, но считаю, что происходит большее, чем простая юридическая процедура.
Устанавливаются отношения нового типа – не просто партнёрские, но и дружественные.
Процесс этот двусторонний. Ведь у нас несколько поколений людей жили как-бы под девизом “только бы не было войны”. Между нами и миром был железный занавес, и почти вся страна работала на оборону.
Эти времена уходят в прошлое, и расставаться с ними нужно без сожаления. Ведь мы в условиях полноценного мира по-настоящему ещё и не жили. Несмотря на то, что выиграли в 45-м году самую страшную войну. Ядерная кнопка перешла сейчас к России, но мы сделаем всё, чтобы она никогда не была использована.
Россия будет и впредь вести открытую, миролюбивую политику.
С нами считаются и в Европе, и в Америке, и на других континентах, видят в нас серьёзного партнёра.
Четвёртое. Считаю, что в этом году наметился определенный перелом и в поведении людей, в их отношении к жизни.
Конечно, сейчас всем нам трудно. Наших граждан подчас охватывает чувство горечи за свою страну. Мы часто сетуем на свое отставание, неустроенность, многие проблемы.
Но несправделиво говорить о России только в мрачном цвете, в уничижительном тоне.
У нас не должно быть чувства поражения. Поражение потерпела не Россия, а коммунистическая идея, эксперимент, который был проведён с Россией и который был навязан нашему народу. В этом году КПСС ушла с политической арены.
Многие из нас верили в неё, отдали ей лучшие годы и силы. Но это не вина людей и целых поколений. Главное, что наступило время прозрения.
В 91-м году мы многое поняли и увидели в истинном свете.
Сейчас главное не сидеть сложа руки, страдать и ждать лучших времён. Этим ничего не изменишь. Всё больше людей начали понимать эту простую истину: каждый из нас способен на большее, чем мы иногда думаем. У нас уже появилось много людей, которые знают, что и как делать, преодолевают растерянность, проявляют инициативу. Другими словами, учатся жить по-новому.
К сожалению, считаю, что здесь много не дорабатывают средства массовой информации, в том числе и телевидение. Ведь у нас нередко просто запугивают рынком, представляют дело так, что достичь успеха могут только избранные, а удел простых людей – прозябание, благотворительные подачки, даже нищество.
Но ведь это не так. Весь мир живёт по тем порядкам, к которым переходит Россия. И мы делаем реформы прежде всего ради всех простых людей. В нашей огромной стране, уверен, каждому найдётся дело.
Не каждый станет предпринимателем Морозовым, Елисеевым, Фёдоровым. Но заработать на достойную жизнь по силам подавляющему большинству людей.
Наш народ не хуже и не ленивее любого другого. Надо просто помочь людям найти себя в этой новой жизни.
Всё то, о чём я сказал, это положительные моменты уходящего года. Но жить пока не стало легче, а наоборот, тяжелее.
В этом году Россия принимала от Союза своё хозяйство, своё достояние, которое о неё отобрали в 1917 году.
Мы вернули себе то, что по праву должно принадлежать России. Надо сказать честно: наследство, которое мы получили, просто удручает.
Ощущение такое, что на нашей земле хозяйничал враг. Россия получила от Союза огромный внешний долг: почти 70 миллиардов долларов. Самое печальное, что эти колоссальные средства на протяжении многих лет уходили в песок, если не сказать, проматывались.
Мы получили в наследство от Союза извращённую структуру народного хозяйства.
Была создана античеловеческая экономика. Производство имело и имеет до сих пор ярко выраженную военную направленность. В последние годы ситуация даже усугубилась. Замедлилось, а то и вовсе прекратилось строительство предприятий по выпуску товаров народного потребления. За 15 лет не построено, например, ни одного фармацевтического предприятия. По многим важнейшим направлениям новые мощности не запускались десятилетиями.
Мы получили в наследство от Союза вконец запущенное селькое хозяйство. Миллионы гектаров земли отравлены, тяжело больны российские чернозёмы – одно из главных богатств России. Уже не один десяток лет Россия вынуждена ввозить огромное количество зерна.
Утрачены традиции российского земледелия.
Мы получили в наследство от Союза крайне запущенную техническую базу – и в промышленности, и в сельском хозяйстве, и на транспорте, и в энергетике, и в сфере услуг.
Всё это сегодня даёт о себе знать, усложняет и без того нерадостную жизнь наших людей.
Мы получили разорёную страну. Но считаю, что не надо приходить в отчаяние.
Россия тяжело больна, больна её экономика, но неизлечимых экономических болезней нет.
Как бы ни было тяжело сегодня, у нас есть возможность выкарабкаться из этой ямы, в которой оказались. Сегодня у нас есть гораздо больше возможностей для того, чтобы начать выздоравливать.
Российская Федерация обрела, наконец, свою государственность. Конечно, она пока делает свои первые шаги, и не всё получается. Но противостояние с центром уже в прошлом. Закончена наконец война законов, которая отнимала непозволительно много и сил, и времени. У нас впервые появилась возможность сконцентрировать всё внимание, всю энергию на России, на россиянах, на их проблемах.
На нашей стороне и то, что Россия потенциально богатейшая страна.
У нас по-прежнему огромные природные ресурсы. Вести реформы на такой базе легче, так как есть определённый запас прочности.
За прошедший год и особенно за последний месяц и Правительством, и Верховынм Советом создана довольно прочная правовая основа экономической реформы. По важнейшим направлениям преобразований приняты крупные решения – и по социальной защите населения, и по налогам, и по бюджету, и по земельной реформе.
Мы имеем поддержку и в мире. России открывают кредиты, для нас размораживают кредиты, данные когда-то Союзу. В ходе визита в Италию договорились разморозить кредит в 6 миллиардов долларов, 80% которого пойдёт в Россию.
Идут крупные поставки продовольствия, детского питания, медикаментов. Но есть ещё одна немаловажная сторона в этих контактах – мы получаем большую профессиональную поддержку. В ряде стран мира проводились уже подобные реформы: в Германии, Корее, Польше, Болгарии, Чехословакии, Мексике, многих других. Нам важно учесть этот опыт и не повторить ошибок.
Мы пригласили на год в Россию 13 ведущих специалистов-рыночников из нескольких стран мира для консультаций проводимых реформ.
И они уже приступили к работе, я с ними дважды встречался и надо сказать, что первые даже их советы имеют огромную пользу дла корректировки некоторых наших решений.
Уходящий год важен нам и тем, что мы приступили к радикальной реформе.
2 января начнётся, пожалуй, самая болезненная мера, непопулярная, конечно, мера, на которую многие годы не решались руководители страны – это освобождение цен.
Об этом уже говорилось, и наверное нет необходимости снова рассказывать о ней. Отмечу только, что это вынужденная, временная мера. Решиться на неё было непросто, в том числе мне лично. Целых два месяца мы искали наиболее приемлемый вариант реформы, менее тяжёлый. И поняли – выхода нет.
Но должен сказать, при всех условиях будем защищать тех, кому приходится особенно тяжко, поможем пережить самые трудные месяцы.
Минимум потребления – 2/3 так называемой потребительской минимальной корзины мы будем всё это время держать.
Иногда можно услышать, что экономическая реформа вся и состоит из освобождённых цен и это вызывает у части населения негативное отношение к реформе в целом.
На самом деле это не так. С начала января начинается несколько крупных мер, которые имеют целью стабилизировать и оздоровить экономику, а соответственно сделать лучшая жизнь людей.
Первое. Приватизация. На последнем заседании Правительства обсуждена государственная программа приватизации на 1992 год. Основной упор делается на ускоренную приватизацию и торговли, и сферы услуг, а также убыточных предприятий и объектов незавершённого строительства.
Мы разграничили уровни российской собственности и определили какие предприятия относятся к федеральной собственности, какие к уровню республик, краёв, областей, а какие к муниципальной собственности.
Практически готовы все инструкции по приватизации.
Главная цель – максимально упростить эту процедуру. За 1992 год намечено приватизировать не менее половины предприятий легкой, пищевой промышленности, строительства, производства стройматериалов, торговли, общественного питания, бытового обслуживания и другие.
Тем самым будет заложена хорошая основа для реальной конкуренции в этих отраслях.
Свободные цены пробудят производство от спячки, заставят наращивать выпуск товаров и услуг, а конкуренция в свою очередь будет сдерживать рост цен.
Правительство намерено строго контролировать процесс приватизации для того, чтобы его поддерживать, снимать преграды.
Одна из задач приватизации – вдохнуть жизнь в огромное количество предприятий, которые работают в полсилы. Задействовать неиспользованные мощности, запустить то, что недостроено – фабрики, цехи. Привести в действие технику, часто импортную, которая ржавеет в заводских дворах.
И для этого будем привлекать средства предприятий, сбережения граждан, западные инвестиции.
Вместе с тем, наша задача – не допустить, чтобы государство выпустило из рук то, что составляет достояние России. В приватизационной программе есть специальный раздел о том, что ни в коем случае не будут приватизироваться: недра, леса, водные ресурсы, заповедники, историко-культурные объекты, художественные ценности, государственная казна, золотой запас, валютные фонды, имущество вооружённых сил, значительная часть предприятий и учреждений, наиболее важных для жизнеобеспечения – энергетика, транспорт, связь.
Приватизация – один из главных приоритетов реформы и Правительство сделает все, чтобы недопустить пробуксовок.
Второе. Мы провели ревизию расходов в России и убедились, что до сих пор мы жили не по средствам.
На 1992 год мы поставили задачу как можно экономнее расходовать средства. И на первый квартал подготовили почти бездефицитный бюджет – пожалуй впервые за многие годы.
– Экономия коснётся прежде всего военных расходов. Мы по-новому взглянули на военный бюджет и увидели там огромные перекосы. С одной стороны, в армии нет самого необходимого. Всем известно, что такое современный солдатский быт. Не обустроенные казармы, скудное питание. В бедственном положении десятки тысяч офицерских семей, живущих в каких-то приспособленных помещениях. Сокращать расходы по этим статьям было бы просто бесчеловечно, безнравственно, и мы их будем, наоборот, увеличивать. И создаваемому новому командованию единую стран Содружества [СНГ] хотел бы пожелать принципиально отстаивать интересы военнослужащих – я бы скалал даже биться за них.
Но с другой стороны – гигантские средства уходят на закупку оружия и техники. Продолжается производство морально устаревшей техники. Здесь мы будем и дальше переводить военное производство на выпуск гражданской продукции.
– Со следующего года практически прекращаем помощь другим странам. Долг, который должны заплатить другие страны, составляет 60 миллиардов рублей. Я думаю, что вряд ли мы получим эти долги. А потому, по мировой практике, хотя наши долги оцениваются и 44%, всё-таки есть смысл эти долги продать и больше уже не оказывать помощи и не выдавать кредиты другим странам.
– В 1992 году впервые мы снимаем такую гигантскую, секретную статью расходов, как дотации КПСС. Я постоянно получаю сейчас материалы, которые подтверждают, что КПСС часто и глубоко залезала в государственный карман, перечисляла деньги на содержание других компартий во многих странах.
– Идём на сокращение расходов на содержание аппарата. С ликвидацией центра, Россия освободилась, наконец, от многолетней дани по содержанию союзных структур.
Знаю, что у нового поколения руководителей иногда проявляется тяга к роскоши и другие подобные болезни. Скажу определённо: я категорически против этого, надо жить, конечно, скромнее, тем более в это трудное для всех россиян время.
Мы пересмотрели принципы социальной политики. Оказалось, что и здесь много бессмысленных затрат.
Сейчас мы исходим из следующего: все расходы на социальную поддержку должны иметь точный адрес, идти на поддержку тех людей, которым наиболее трудно.
Еще один источник сокращения расходов – экономика. Отходим от порочной практики содержания убыточных предприятий. Конечно, это не легко, многие привыкли жить за счёт дотаций, но мы эту дотацию прекращаем с нового года, в том числе убыточным колхозам и совхозам. Надо искать выход, проявлять предприимчивость. Да и государство, предоставив предприятиям самостоятельность, стимулирует инициативу.
Проводя политику жёсткой экономии мы не имеем право использовать этот принцип для культуры, науки, образования, здравоохранения. Сокращение финансирования этих сфер не будет допущено, а наоборот, [оно будет] увеличимым.
Третье направление реформы. Мы пошли на серьёзные изменения в налоговой политике. Кое в чём пришлось её ужесточить – имеется в виду налоги с предприятий. Но это в какой-то степени чрезвычайная, временная политика. Старались сохранить более мягкий режим для людей, для малого бизнеса, для фермеров.
Считаю, что по мере продвижения реформы, улучшения экономической ситуации, налоговый процесс будет смягчаться.
В январе мы начинаем крупные мероприятия по аграрной рефоре.
Речь идёт прежде всего о преодолении монополии государства в смежных отраслях. Фермер до сих пор не является равным партнёром для колхозов и совхозов. Он беззащитен перед произволом поставщиков техники, удобрений. Будем это исправлять.
Считаю, что пришло время полного признания частной собственности на землю, включая право на её куплю и продажу. Тянуть с этим больше нельзя.
Я назвал лишь некоторые направления нашей реформы. Будем неуклонно проводить их в жизнь, с тем, чтобы уже к осени стабилизировать экономику, а к концу следующего года, как я и обещал в предвыборный период по выборам президента России, начнётся постепенное улучшение жизни людей.
1992 год в этом отношении будет особым. Нам предстоит создать основы новой жизни. Конечно это нелегкая работа, но всё же она нам по силам.
Мы переживали в прошлом более сложные времена, множество потрясений: революции, войны, репрессии. Но не только их. Десятилетия страна мучилась в условиях несвободы, постоянных дефицитов. Времена благополучия были очень краткими и всегда сменялись кризисами.
Наш народ приобрёл колоссальный опыт, к сожалению, выживания. Считаю, конечно, его достаточно, чтобы мы научились и рынку. Уверен, мы пройдём этот трудный период.
Говорил не раз и хочу повторить: нам будет трудно, но этот период не будет длинным, речь идёт о 6-8 месяцах. В это время нужна выдержка. Ни в коем случае нельзя допустить срыва, паники и тогда наши сложнейшие реформы удастся провести.
Уважаемые россияне!
Сегодня последнее воскресенье перед Новым годом.
Позади немало волнений, тревог, разочарований. Но знаю, что уходящий год каждому из нас, наверное, принёс не только одни печали, но и какие-то светлые моменты в жизни. Иначе, наверное, просто не бывает.
Этот праздник мы проведём скромнее, чем в прошлые годы. Но всё-таки это будет для каждого из нас праздник, Новый год.
Хочу поздравить вас, уважаемые россияне, уважаемые телезрители, с наступающим Новым годом, с Рождеством!
Желаю крепкого здоровья вам и вашим близким, благополучия и счастья.
Не скрою, 1992 год, особенно его первая половина, не будет лёгкой, но не будем терять надежды. Эта надежда у нас есть. Ведь мы с вами переживали и не такое.
Благодарю вас за внимание.











Muitas vezes me pedem para comparar a situação atual na Rússia com a União Soviética de Stalin e a Alemanha de Hitler. Não sou a favor de tais comparações. Elas sempre me parecem um tanto artificiais. Países, épocas e pessoas são sempre diferentes, e tais comparações só podem ser usadas como jogos mentais. É possível observar algumas características em comum, mas é evidente que o regime atual na Rússia é mais brando do que na época de Stalin, e tenho certeza de que não é tão terrível quanto a Alemanha na década de 1930 – por enquanto. Mas, ao mesmo tempo, todo historiador pode tentar analisar e descrever a situação de um país. E para mim, é claro que o regime político russo, a Rússia no momento, pode ser descrito como fascista.

Este homem de boina é Lincoln Secco, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP). Lindo, tesão, bonito e gostosão, todos já sabemos. Mas este é um momento peculiar: a aplicação da prova escrita, na manhã de 9 de dezembro de 2025, pro concurso de professor doutor em História do Brasil República no Departamento de História da mesma FFLCH. Sim, foi pouco antes do início da aplicação. Sim, o evento não era público. Sim, Lincoln não me deu autorização pra que eu o fotografasse. Porém, ele não está fazendo nada de mais (tipo usando uma sunguinha de onça), não estou revelando nenhum segredo protegido por contrato e não há qualquer montagem por IA, essa praga que hoje assola nossas relações sociais. Ele está apenas de pé, apoiado numa mesa e segurando seu exemplar do dia da Folha de S. Paulo com o novo tamanho zoomer.
































