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domingo, 12 de junho de 2016

Um homem verbal (poema meu, 2003)


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Por volta de julho de 2010, faxinando papéis velhos no meu quarto, achei esta peça, que escrevi talvez no segundo semestre de 2003, inspirada na nomenclatura gramatical dos verbos em português. Logo publiquei no meu antigo blog “Pensadores Libertos”, com algumas alterações, sem mudar a essência original. Quando apaguei o blog, salvei as postagens, e em junho de 2012 decidi republicar o poema, com novos ajustes, no blog “Materialismo – Filosofia”, aberto naquele ano. Transferindo agora escritos pessoais meus de lá para este blog próprio de traduções e originais, apresento de novo a versão de 2012.

O poema é muito interessante, pois me inspirei a escrever depois de uma aula de teclado na minha cidade, quando estava no primeiro ano do Ensino Médio. Esperando me buscarem, eu estava lendo um livrinho didático daqueles que a Editora Escala publicava em papel-jornal, sobre nosso sistema verbal, e me absorvi na complexa nomenclatura! Isso tem muito a ver com eu ainda estar pensando em me tornar músico, mas bem naqueles dias eu ter decidido largar o teclado e ficar apenas nas letras e humanidades, virada decisiva que me puxou da música para as línguas e história, como vocês veem hoje! Por isso acho tão marcante o fato aparentemente banal da leitura na rua... Aproveitem o poema e, se possível, mandem opiniões!

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Sou um pretérito imperfeito.
Meu presente é simples;
o futuro, condicional,
eu queria que fosse o indicativo
de um tempo mais-que-perfeito.

O governo é imperativo,
mas subjuntivos possuem as armas
que apassivam um povo negativo
já sem dom reflexivo nem voz
neste sistema defectivo.

Preciso me tornar um particípio afirmativo,
mais um verbo regular não quero ser.
Talvez queiram um radical abundante
conjugando os gerúndios mais infinitivos,
um auxiliar na terminação
de uma flexão perfeita.