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14 de dezembro de 2014

Às mulheres trabalhadoras


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/operarias


Introdução (Erick Fishuk)

Esta é a tradução da transcrição de uma gravação muito rara da voz da feminista russo-soviética Aleksandra Mikhailovna Kollontai, uma das poucas mulheres a ocuparem um cargo de comissária do povo (ministra) na antiga URSS. Não encontrei a data exata da gravação, mas conforme indicações indiretas, pode ter sido feita por volta de 1918, e de fato sua voz ainda parece bastante jovem aí.

Sucintamente, Kollontai celebra a equiparação, logo depois da Revolução Bolchevique, dos direitos das mulheres aos dos homens, mas lembra que apenas a letra da lei não basta para mudar a realidade, na qual de fato as trabalhadoras continuavam submetidas à dupla jornada do labor externo e dos cuidados com a casa. Por isso, a feminista instiga os operários e camponeses homens a ajudar nessa transformação e compreender o quanto elas são iguais a eles em direitos, e chama as mulheres a tomar a liderança de sua emancipação por meio da ampliação da infraestrutura de apoio familiar e do apoio ativo à luta política dos comunistas.

O discurso foi dado a público pela primeira vez ao ser inserido no audiolivro em russo (o primeiro de confecção soviética) Sobre Lenin, organizado por um grupo de jornalistas em 1970 e lançado pela editora Pravda, de Moscou. A obra pode ser baixada nesta página. O título em russo é “К работницам” (K rabotnitsam). O áudio e o texto em russo também estão disponíveis nesta seção do site Sovmusic.ru. A versão em russo e uma tradução em espanhol também se encontram nesta postagem de um blog comunista. Abaixo você pode ver também o próprio vídeo legendado, postado no meu canal O Eslavo no YouTube, no qual, é claro, sempre são feitas as necessárias adaptações a esse tipo de mídia:


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Camaradas trabalhadoras!

Por longos séculos a mulher não teve liberdade e direitos, pois era tratada como um mero apêndice, como a sombra do homem. O marido sustentava a esposa, e em troca ela se curvava ao seu arbítrio, suportando quieta a falta de justiça e a servidão familiar e doméstica. A Revolução de Outubro emancipou a mulher: hoje as camponesas têm os mesmos direitos que os camponeses, e as operárias, os mesmos que os operários. Em todo lugar a mulher pode votar, ser membro dos sovietes ou comissária, e até comissária do povo.

A lei equipara a mulher em direitos, mas a realidade ainda não a libertou: as operárias e camponesas continuam subjugadas ao trabalho doméstico, como escravas dentro da própria família.

Os operários devem agora cuidar para que a realidade tire dos ombros delas o fardo da lida com os filhos e alivie às operárias e camponesas o peso dos serviços de casa. A classe operária também está interessada em liberar a mulher nessas esferas. Os operários devem entender que a mulher é tão integrada à família do proletariado quanto eles próprios, pois ela trabalha sob as mesmas condições que o homem. Um terço de todas as riquezas da Terra surge das mãos das mulheres; a Europa e a América contam 70 milhões de operárias. Numa sociedade comunista mulher e homem devem ter direitos iguais! Sem essa igualdade, não há comunismo.

Então, mãos à obra, camaradas trabalhadoras! Iniciem sua emancipação! Construam creches e maternidades, ajudem os sovietes a organizar refeitórios públicos, ajudem o Partido Comunista a edificar uma nova e radiosa realidade. Tomem lugar nas fileiras de todos os que lutam pela libertação dos trabalhadores, pela igualdade, pela liberdade e pela felicidade dos filhos de vocês. Tomem lugar, operárias e camponesas, sob a bandeira vermelha revolucionária do vitorioso comunismo mundial!