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quinta-feira, 25 de maio de 2023

Hino “A Internacional” em latim


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/internacional-la

Achei por acaso esta curta versão em latim do célebre hino socialista A Internacional, e quis republicar aqui. Segundo quem postou, é a única versão que se podia encontrar com rimas conforme nossa poética atual, embora constitua apenas a primeira estrofe e o refrão. Mesmo assim, o sentido ficou muito próximo do original francês e de outras traduções!

Nesta publicação minha você pode conhecer mais sobre a história da Internacional e ler o original em francês e minha tradução literal pro português. Me parece que esta publicação pode ter representado a primeira aparição do texto na internet, na página de quem diz ser seu próprio tradutor, Scott Horne, que a fez em 2005. O vídeo já tinha legendas em inglês e latim, e eu mesmo traduzi pro português e legendei (não sei quem tá cantando, mas ficou oscilando entre pronúncia reconstituída e eclesiástica).

Fiquei com dúvida na construção de certos versos, mas minha tradução ficou assim (segue-se também uma transliteração em cirílico, pronúncia eclesiástica, que inventei na época):


Rebelem-se, párias do mundo!
Rebelem-se, famintos!
A razão renasce da agonia,
Tornando-se passado a perdição.
Vejam a velha época se abalando,
Multidão de escravos, levante-se!
Pois o mundo já muda totalmente:
Quem não é nada, tornem-se tudo!
Esta é a batalha derradeira;
Reunamo-nos para que amanhã
Seja a Internacional
Uma só humanidade!

Consurgite, damnati mundi!
Consurgite, famelici!
Ratione orta moribundi
Pereunt status relici.
Ecce, saeculum vetustum nutat –
Turba servorum, surgite! –
Nam mundus iam penitus mutat:
Qui estis nil, omnia fite!
Hoc est proelium finale;
Congregemur ut cras
Sit Internationale
Unā humanitas.

Консурджите, дамнати мунди!
Консурджите, фамеличи!
Рациёне орта морибунди
Переунт статус реличи.
Экче, сайкулум ветустум нутат –
Турба серворум, сурджите! –
Нам мундус ям пенитус мутат:
Кви эстис нил, омния фите!
Ок эст пройлиюм финале;
Конгреджемур ут крас
Сит Интернациёнале
Уна уманитас.



sábado, 29 de agosto de 2020

“L’Internationale” no original francês


    Por sugestão de alguns parceiros e após muitos pedidos, finalmente uma tradução literal com legendas da letra original em francês do famoso hino L’Internationale (A Internacional). Todos já conhecem as postagens que fiz traduzindo pro português as versões em russo e iídiche, mas é a primeira vez que traduzo a letra original de Eugène Pottier (1871), que só recebeu melodia de Pierre Degeyter em 1888.

A informação seguinte é basicamente da Wikipédia em francês. Como um poema revolucionário, Pottier escreveu a letra durante a repressão da Comuna de Paris, em homenagem à Associação Internacional dos Trabalhadores. A AIT, também conhecida como “1.ª Internacional”, seria de 1864 a 1876 um órgão centralizado com seções nacionais, e não uma federação de partidos, como a “Segunda” social-democrata, e nela Karl Marx e Mikhaíl Bakúnin travaram verdadeiras guerras ideológicas. Hino da luta social pelo mundo, A Internacional é usada por socialistas, anarquistas, comunistas, sindicatos de esquerda, alguns sociais-democratas e em manifestações populares em geral.

Dedicado ao professor anarquista Gustave Lefrançais, o poema só escaparia do esquecimento porque o cancioneiro francês Gustave Nadaud, muito admirando a poética de Pottier, publicou pela primeira vez cerca de 50 poemas seus em 1884, mesmo sem concordar com as mensagens políticas. Inspirados nessa iniciativa, os parceiros políticos de Pottier publicaram em 1887 os Cantos revolucionários dele, entre os quais A Internacional, com um prefácio de Henri Rochefort. Ainda em 1888, o coral do Partido Operário Francês em Lille pediu que Degeyter, um de seus membros, criasse uma melodia original pro poema, que seria então cantado pela primeira vez na cidade em 23 de julho e teria a partitura publicada no ano seguinte.

A Internacional foi cantada em 1904 no congresso de Amsterdã da 2.ª Internacional social-democrata, e daí ganhou fama mundial, sendo traduzida pra inúmeras línguas. Como já postei aqui, Lenin admirava essa canção (no caso, sua tradução poética pro russo) e a adotou em 1918 como hino da Rússia soviética e em 1922 como hino da URSS, no lugar da Marselhesa Operária, adotada pelos revolucionários de fevereiro de 1917. A Internacional foi o hino tanto da RSFS da Rússia quanto da URSS toda até 1944, quando Stalin adotou um hino original no movimento de ressurgimento nacionalista.

Alguns grupos anarquistas deram a própria adaptação, L’Internationale noire (A Internacional Negra), dada a comum associação do hino original com o marxismo. No Brasil, o início da segunda estrofe “Messias, Deus, chefes supremos”, do português Neno Vasco, é trocado por socialistas e comunistas (mas não anarquistas) por “Senhores, patrões, chefes supremos”, por conta das frequentes alianças com católicos progressistas. Em respeito às principais correntes de esquerda, fiz o fundo do vídeo com os símbolos anarquista, social-democrata e comunista, bem como com a bandeira da França e com o rosto de Marianne, símbolo francês da República.

Muitos confundem o hino A Internacional com o hino da Internacional Comunista. Insisto que este hino não é exclusivamente comunista (muito menos o é sua origem, embora seja obviamente proletária) e que a Comintern nunca o utilizou como hino oficial. O hino que esta adotou em 1930 (Zavódy, vstaváite) provavelmente nunca teve ampla validade prática. Portanto, reclame se vir nesta canção o título “Hino A Internacional Comunista” ou “Hino da Internacional”, pois sequer pela AIT (a “Primeira”, que na verdade foi homenageada) ele foi adotado.

Em poucos minutos eu fiz a tradução direto do francês, conforme a versão final impressa em 1887 que aparece na Wikipédia. Uma versão manuscrita mais antiga e levemente diferente também aparece no site, tendo sido publicada em 1990 pelo historiador social Robert Brécy. Apesar da semelhança com Édith Piaf, na verdade é Rosalie Dubois quem canta esta versão, da qual deixei apenas as estrofes 1, 2 e final, geralmente as mais executadas. De brinde, pus o início da execução da Internacional nos carrilhões do Kremlin. Seguem a montagem, a letra em francês e a tradução:


1. Debout ! les damnés de la terre !
Debout ! les forçats de la faim !
La raison tonne en son cratère,
C’est l’éruption de la fin.
Du passé faisons table rase,
Foule esclave, debout ! debout !
Le monde va changer de base :
Nous ne sommes rien, soyons tout !

Refrain (2x):
C’est la lutte finale
Groupons-nous, et demain,
L’Internationale,
Sera le genre humain.

2. Il n’est pas de sauveurs suprêmes,
Ni Dieu, ni César, ni tribun,
Producteurs sauvons-nous nous-mêmes !
Décrétons le salut commun !
Pour que le voleur rende gorge,
Pour tirer l’esprit du cachot,
Soufflons nous-mêmes notre forge,
Battons le fer quand il est chaud !

(Refrain 2x)

3. Ouvriers, Paysans, nous sommes
Le grand parti des travailleurs ;
La terre n’appartient qu’aux hommes,
L’oisif ira loger ailleurs.
Combien de nos chairs se repaissent !
Mais si les corbeaux, les vautours,
Un de ces matins disparaissent,
Le soleil brillera toujours !

(Refrain 2x)

____________________


1. De pé, danados da terra!
De pé, escravizados pela fome!
A razão troveja em seu vulcão,
É a erupção do fim.
Façamos tábua rasa do passado,
De pé, de pé, multidão escrava!
O mundo vai mudar sua base:
Não somos nada, sejamos tudo!

Refrão (2x):
É a luta final,
Agrupemo-nos, e amanhã
A Internacional
Será o gênero humano.

2. Não há salvadores supremos,
Nem Deus, nem César, nem tribuno,
Produtores, salvemos a nós mesmos!
Decretemos a salvação comum!
Para que o ladrão devolva o roubo,
Para tirarmos o espírito da masmorra,
Sopremos nós mesmos nossa forja,
Batamos enquanto o ferro está quente!

(Refrão 2x)

3. Operários, Camponeses, nós somos
O grande partido dos trabalhadores;
A Terra só pertence aos homens,
O ocioso irá morar em outro lugar.
Quanto de nossa carne é comida!
Mas se os corvos, os abutres,
Desaparecerem uma manhã dessas,
O Sol brilhará para sempre!

(Refrão 2x)



terça-feira, 13 de agosto de 2019

Tradução da “Internacional” em iídiche

Achei por acaso um áudio com este vídeo, e com a letra nos dois alfabetos na descrição, e resolvi fazer uma montagem rápida, mesmo sem traduzir. É o famoso hino A Internacional, dos movimentos socialista, anarquista e comunista, em iídiche, língua germânica derivada do alemão medieval, majoritária entre os judeus da Europa até o Holocausto. Depois, muitos deles foram dizimados, e os que foram pra Israel optaram por usar o hebraico moderno, por influência do movimento sionista. Como lembra a Wikipédia, o iídiche, junto com o alemão, inglês, holandês, frísio, luxemburguês, africâner, pomerano, limburguês e ânglico escocês, é classificado como uma língua germânica ocidental, e em registros antigos era chamado “judeo-alemão”. Deve-se lembrar que Lenin, um cara bastante mestiço, tinha parte da ascendência judaica, e que bolcheviques proeminentes, como Leon Trotsky (sobrenome original Bronshtein), Iakov Sverdlov (nome original Solomon), Grigori Zinoviev (nascido Hirsch Apfelbaum) e Lev Kamenev (nascido Leo Rosenfeld), eram de famílias judias. Consultem este artigo de Mark Weber saído em 1994, destacando a proeminência judaica entre os primeiros líderes bolcheviques.

Segundo a Enciclopédia Britannica, o iídiche (ou ídiche) é a língua dos judeus asquenazes, ou seja, que viviam na Europa Central e Oriental, assim como seus descendentes, escrita com o alfabeto hebraico. Tornada uma das línguas mais difundidas do mundo, presente nos países onde havia população judia no século 19, é uma das três principais línguas literárias da histórica dos judeus, junto com o hebraico e o aramaico. Surgindo no século 9, mas começando a se escrever só no século 12, o iídiche se formou com a fusão de uma maioria gramatical e lexical do alemão meridional com elementos hebraicos e aramaicos pós-clássicos e alguns românicos, mais tarde ainda adquirindo palavras eslavas. Entre os muitos dialetos, o ocidental floresceu gradualmente como língua literária, mas virtualmente extinto com a formação da Alemanha, deu espaço ao dialeto oriental no século 19. Mesmo na União Soviética de Stalin, o iídiche sofreu perseguição oficial, assim como o esperanto.

Quem canta nesta gravação é Karsten Troyke, segundo a fonte de onde baixei o áudio. Daí eu também tirei a letra em iídiche, nos alfabetos hebraico e latino, e só fiz leves correções. Troyke (n. 1960) nasceu em Berlim e é um ator, locutor e cantor de músicas judaicas. De mãe não judia e pai judeu, trabalhou também como jardineiro e cuidador de crianças deficientes, e começou a atuar em 1982. Especializou-se na gravação e estudo de canções em iídiche, tendo as gravado em muitos álbuns solo e em conjunto, e ministrando aulas e oficinas sobre o assunto. Também montei o vídeo com as legendas nas duas escritas, sem tradução, porque me parece que o sentido é quase igual ao das versões francesa, russa e portuguesa, que você já conhece. Essa bandeira não existe de verdade, eu é que montei de brincadeira: viva a República Socialista Soviética dos Judeus, rs.

Em iídiche, o célebre hino A Internacional se chama Der Internatsyonal (דער אינטערנאַציאָנאַל), mas não sei quem fez a tradução. Você pode nesta publicação minha aprender a ortografia iídiche (latina e hebraica), e no link citado acima sobre o hino em russo, há também a história completa da letra. Seguem as legendas e a letra em iídiche nos dois alfabetos:


1. Shtayt oyf, ir ale, ver vi shklafn,
In hinger leybn miz, in noit!
Der gayst ‒ er kokht, er rift tsi vafn
In shlakht indz firn iz er greyt.
Di velt fin gvaldtatn in laydn
Tseshtern veln mir in dan:
Fin frayheyt, glaykhheyt a Gan-Aydn
Bashafn vet der arbetsman.

Refrão (2x):
Dus vet zayn shoyn der letster
In antshaydener shtrayt!
Mit dem Internatsyonal
Shtayt oyf, ir arbetsleyt!

2. Nayn, kayner vet indz nisht bafrayen:
Nisht Got alayn in nisht kayn held ‒
Mit indzer eygenem kley-zayin
Derleyzung brengen mir der velt.
Arup dem yokh! Genig gelitn,
Genig fargosn blit in shvays!
Tsebluzt dus fayer, lomir shmidn
Kol-zman dus ayzn iz nokh hays!

(Refrão 2x)

3. Der arbetsman vet zayn memshule
Farshpraytn oyf der gantser erd,
In parazitn di mapule
Bakimen veln fin zayn shverd.
Di groyse shturemteg zay veln
Nor far tiranen shreklekh zayn;
Zay konen ober nisht farshteln
Far indz di hele zinen-shayn.

(Refrão 2x)

____________________


1. שטײט אױף, איר אַלע, װער ווי שקלאַפֿן,
אין הונגער לעבן מוז, אין נױט!
דער גײַסט - ער קאָכט, ער רופֿט צו װאָפֿן
אין שלאַכט אונדז פֿירן איז ער גרײט!
די װעלט פֿון גװאַלדטאַטן און לײדן
צעשטערן װעלן מיר און דאַן
פֿון פֿרײַהײט, גלײַכהײט אַ גַן־עֵדֶן
באַשאַפֿן װעט דער אַרבעטסמאַן!

Refrão (2x):
דאָס װעט זײַן שױן דער לעצטער
און ענטשידענער שטרײַט!
מיט דעם אינטערנאַציאָנאַל
שטײט אױף, איר אַרבעטסלײַט!

2. ניין, קיינער וועט אונדז נישט באַפֿרײַען
נישט גאָט אליין און נישט קיין העלד!
מיט אונדזער אייגענעם כּלֵי־זַיִן
דערלייזונג ברענגען מיר דער וועלט.
אַראָפ דעם יאָך! גענוג געליטן.
גענוג פֿאַרגאָסן בלוט און שווייס!
צעבלאָזט דעם פֿײַער, לאָמיר שמידן
כּל־זמאַן דאָס אײַזן איז נאָך הייס!

(Refrão 2x)

3. דער ארבעטסמאַן וועט זײַן מֶמשָלָה
פֿערשפרייטן אויף דער גאַנצער ערד,‬
און פאַראַזיטן די מַפָּלָה
באַקומען וועלן פֿון זײַן שווערד
די גרויסע שטורעם־טעג זיי וועלן
נאָר פֿאַר טיראַנען שרעקלעך זײַן;
זיי קאָנען אָבער נישט פֿאַרשטעלן
פֿון אונדז די העלע זונען־שײַן.

(Refrão 2x)



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

“A Internacional” como hino soviético

Quando postei a segunda legendagem desta canção, foi um presente duplo aos espectadores: de Ano Novo e de início das comemorações do centenário das duas revoluções russas (fevereiro e outubro) de 1917. Trata-se da tradução russa da Internacional (em russo, “Интернационал”, Internatsional), que serviu de hino soviético até 1944. A primeira versão que postei é de dezembro de 2011, mas no primeiro dia de 2017 fiz uma retradução, bem melhorada, adequei o vídeo ao padrão atual dos meus hinos nacionais e escrevi uma pequena história da canção.

Devo sempre lembrar que essa não é a tradução brasileira da Internacional. Esta é apenas a tradução literal da versão poética em russo, ou seja, nesta língua, ela segue a métrica artística, e na nossa, não. As traduções poéticas em português, que em geral começam com “De pé, ó vítimas da fome... De pé, famélicos da terra...”, podem ser encontradas aos montes no YouTube. Decidi traduzir literalmente a versão russa porque a julgo como um documento histórico independente da canção A Internacional em si, hino socialista e anarquista traduzido pra centenas de línguas.

A tradução da Internacional que mais se consagrou na Rússia na virada dos séculos 19 e 20 foi a do poeta e tradutor Arkadi Iakovlevich Kots (1872-1943), cujo nome de nascença era Aron e assinava também como “A. Danin”, “A. Bronin”, “A. Shatov” e “D-n”. Sua versão da Internacional é de 1902, quando saiu na revista Zhizn (Vida) de Londres, mas só tinha o refrão e as estrofes 1, 2 e 6 do texto original. Kots só traduziu o resto em 1931, resultado publicado apenas em 1937. Os sociais-democratas russos usavam a tradução de Kots como hino partidário, e Lenin gostava muito da canção, dizendo que era um tipo de símbolo comum que unia os operários do mundo todo. Em 23 de janeiro de 1918, tornou-se hino da República Socialista Federativa Soviética da Rússia e, em 30 de dezembro de 1922, da URSS.

Seguindo o nacionalismo de Stalin, houve nos anos 30 um concurso pro novo Hino Nacional da URSS, encerrado quando uma peça de Sergei Vladimirovich Mikhalkov, Gabriel Arkadievich El-Registan (letra) e Aleksandr Vasilievich Aleksandrov (melodia) foi aprovada em 14 de dezembro de 1943 pelo Birô Político do PC e executada no rádio pela primeira vez na noite de 17 pra 18 de abril de 1944. A melodia desse hino e o famoso começo do refrão – Slavsia, Otechestvo nashe svobodnoie (Glória à nossa Pátra livre) – ainda estão hoje no Hino Nacional da Federação Russa, e a tradução de Arkadi Kots da Internacional é agora o hino do Partido Comunista da Federação Russa (KPRF), do Partido Operário Comunista da Rússia integrado ao Partido Comunista da União Soviética (RKRP-KPSS) e da União da Juventude Comunista Revolucionária (bolchevique) (RKSM(b)).

Na segunda metade de 2016, eu já fiz uma retradução da Internacional em russo encomendada pelo historiador Daniel Aarão Reis pra coletânea que ele estava organizando e anotando, Manifestos vermelhos e outros textos históricos da Revolução Russa. Aliás, eu também traduzi vários textos, atas e manifestos escritos ao longo do ano de 1917, por monarquistas, bolcheviques e mencheviques, inseridos nessa coletânea. O livro saiu há alguns meses, e por isso faço meu “merchan” aqui: como foram minhas primeiras traduções publicadas, comprem e divulguem o livro que saiu pela Penguin-Companhia das Letras! Assim, dado que os direitos autorais ficaram com a editora, fiz algumas alterações nessa nova tradução pra que eu pudesse inseri-la nas legendas do segundo vídeo.

Assim como faço com os hinos das repúblicas da URSS, o áudio do segundo vídeo tirei desta página. Eu fiz a montagem da bandeira da RSFS da Rússia usada de 1918 a 1920, com o brasão que vigorou na mesma época. Seguem abaixo as duas legendagens, a letra em cirílico que serviu de hino de 1922 a 1944 e a tradução em português. A transliteração no segundo vídeo foi baseada no meu próprio sistema, então vejam este duas vezes, lendo uma legenda de cada vez!




1. Вставай, проклятьем заклеймённый,
Весь мир голодных и рабов!
Кипит наш разум возмущённый
И смертный бой вести готов.
Весь мир насилья мы разрушим
До основанья, а затем
Мы наш, мы новый мир построим, –
Кто был ничем, тот станет всем.

Припев (2x):
Это есть наш последний
И решительный бой;
С Интернационалом
Воспрянет род людской!

2. Никто не даст нам избавленья:
Ни бог, ни царь и не герой.
Добьёмся мы освобожденья
Своею собственной рукой.
Чтоб свергнуть гнёт рукой умелой,
Отвоевать своё добро, –
Вздувайте горн и куйте смело,
Пока железо горячо!

(Припев 2x)

3. Лишь мы, работники всемирной
Великой армии труда,
Владеть землёй имеем право,
Но паразиты – никогда!
И если гром великий грянет
Над сворой псов и палачей, –
Для нас всё так же солнце станет
Сиять огнём своих лучей.

(Припев 2x)

____________________


1. Levante, mundo servilizado,
Com fome e chagado pela desgraça!
Nossa razão rebelde está queimando
E pronta para lutar a batalha mortal.
Vamos arrasar o mundo ditatorial
Desde as bases, e logo depois
Edificar uma Terra nova, nossa,
Quem não era nada vai ser tudo.

Refrão (2x)
Este é nossa último
E decisivo combate;
Pela Internacional
Os homens renascerão!

2. Ninguém vai nos libertar:
Nenhum Deus, tsar ou herói.
Vamos chegar à emancipação
Com nossas próprias mãos.
Para destruir o jugo de forma hábil
E retomar o que era de vocês,
Ardam a fornalha e batam no ferro
Com coragem enquanto ele ferve!

(Refrão 2x)

3. Somente nós, operários do Grande
Exército Mundial do Labor,
Somos autorizados a reger o mundo,
Mas nunca os aproveitadores!
E se explodir uma grande trovoada
Sobre a súcia de cachorros e algozes,
Do mesmo jeito vai se pôr a raiar
Para nós as luzes do fogo do Sol.

(Refrão 2x)