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23 de agosto de 2017

O último discurso de Augusto Pinochet


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/pinochet-fim


Esta transmissão televisiva noturna foi feita pouco antes do ditador chileno Augusto Pinochet Ugarte transmitir o poder às autoridades eleitas pelo voto popular, em 11 de março de 1990. Após ter governado o país por 16 anos e meio, desde o golpe militar de 11 de setembro de 1973, o general entregaria a Presidência da República a Patricio Aylwin Azócar, como resultado de um plebiscito que, por estreita margem, negou mais um mandato a Pinochet. Salvador Allende, derrubado e morto em 1973, tinha sido eleito por uma ampla Unidade Popular, mas o caos econômico e social abriu espaço pra rápida desagregação política.

Durante os anos 1980, o regime de Pinochet gradativamente se desgastou, pois além do isolamento internacional, a população começava a sentir a ressaca dos anos de “milagre econômico”. Um dispositivo transitório da Constituição de 1980 previa um plebiscito pra 5 de outubro de 1988, definindo se Pinochet poderia exercer mais um mandato de 1989 a 1997, além daquele que começaria em 1981. Em caso de vitória do “Não”, o último mandato se alongaria mais um ano, até 1990, e o poder passaria novamente às mãos dos civis. O resultado final foi de 44,01% pelo “Sim” e 55,99% pelo “Não”, ou seja, clara derrota dos militares. Era um caso raro na América Latina em que uma ditadura caía pela decisão de votação popular.

Em dezembro de 1989, as eleições presidenciais e parlamentares deram vitória ao novo presidente Patricio Aylwin, que deveria ser, então, o sucessor direto de Pinochet. O dia da posse estava marcado pra 11 de março de 1990, e na ocasião o ditador fez o discurso que se ouve no vídeo abaixo, defendendo a justeza do golpe e de seu governo, e desejando bons votos à população e aos novos mandatários no período que se abria. Seu principal legado seria um Chile com inédito crescimento econômico e um ótimo IDH, mas com altos índices de desigualdade social e concentração de riqueza. Vamos fazer como o vovô pede no fim do filme: vamos dar um abraço fundido e coletivo nele, hahaha. O mais bizarro foi ele ter se definido como um defensor da liberdade e da democracia!

O vídeo sem legendas está nesta página, que além do enquadramento original (portanto, não corta alguns gestos manuais, como se deu no meu vídeo), tem a marca do canal que postou e trechos do hino nacional no começo e no fim, como transmissão oficial. Eu não podia ter traduzido se não tivesse achado nesta página um rascunho de transcrição, ou seja, estou sendo o primeiro a publicar o texto completo e lapidado do discurso em espanhol. A versão mencionada, mesmo sendo a única integral que achei na rede, tem muitos erros e foi toda revista. Eu mesmo traduzi e legendei direto do espanhol, tendo postado o resultado em meu canal O Eslavo (YouTube). Seguem abaixo a legendagem e os textos completos em espanhol e português:


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Chilenas y chilenos!

Hemos llegado a un momento verdaderamente histórico para los destinos de la Patria. En breves horas más, el gobierno que me honra hoy presidir hará entrega del poder político a las nuevas autoridades elegidas democráticamente por el pueblo chileno. Se inicia así un crucial período en el devenir de nuestra nación.

De allí que esta noche he querido dirigir a todos y a cada uno de mis compatriotas un sentido saludo para expresarles, en nombre de las Fuerzas Armadas y Carabineros, nuestra satisfacción y legítimo orgullo por la histórica oportunidad que nos brindaron de conducir el país cuando los intereses más sagrados de la Patria lo exigieron.

Más allá de las diferencias que a veces nos apasionan y separan artificialmente, tengo el convencimiento de haber contado, durante toda nuestra gestión, con un respaldo significativo de parte de muchos compatriotas. Ellos supieron unir sus esfuerzos a de los hombres de armas para salvar la libertad y reconstruir la democracia y hacer de Chile una nación crecientemente próspera y justa.

En horas difíciles para la Patria, estuve dispuesto, y lo estaré siempre, a enfrentar a los enemigos de la libertad y la democracia, sin temores ni vacilaciones, teniendo como fundamento permanente el juramento de honor con que inicié mi carrera militar, que me obliga a entregar hasta mi último aliento por amor a la Patria que me vio nacer y crecer.

Hoy quiero agradecer a todos los que han colaborado con entusiasmo, lealtad y entrega en la tarea de recuperar la paz, la libertad y la democracia, así como haber sentado las bases que posibilitaron el progreso que ahora nos enorgullece. Especialmente quiero estipular mi gratitud a los mandos superiores de la defensa nacional, con la que pudimos cumplir la magna tarea, asumida en septiembre del año 1973, fortalecidos en la cohesión dialéctica en nuestras instituciones.

Deseo asimismo manifestar mi sincera y profunda gratitud a todos ustedes, chilenos y chilenas, que han sido los protagonistas de una etapa sin precedentes en nuestra historia nacional, demostrando al mundo entero que el pueblo chileno ejerce con dignidad su independencia que obtuvimos de los campos de batalla y que sabemos ser los mismos dueños de nuestro propio destino. Anhelo lo mejor para mi Patria, y por el amor que siento por ella estaré siempre dispuesto a servirla.

Les pido que mantengamos la unidad entre nosotros, en respeto a las instituciones que nos rigen y a los derechos de cada uno de nuestros compatriotas. No olvidemos que los chilenos que viven en las regiones más alejadas hacen soberanía en nombre de los demás y proyectan el Chile del mañana. Nunca olvidemos tampoco que los chilenos menos favorecidos requieren la ayuda de todos y no pueden ser sacrificados en función de intereses sectarios o particulares.

Les pido que unamos nuestros esfuerzos al de las nuevas autoridades, pues el gobierno que se inicia bajo la presidencia del señor Patricio Aylwin deberá llevar adelante importantes responsabilidades para consolidar y proyectar todos los avances que hasta hoy hemos obtenido y cuyos frutos de bienestar son percibidos por toda la familia chilena.

El bien del país debe estar siempre por sobre los intereses partidistas. Por legítimos que estos sean, el presidente que asume tiene derecho a esperar que cada uno de nosotros dé una actitud responsable y consecuente con los principios que profesamos.

No nos confiemos en los logros alcanzados durante estos últimos 16 años, pues las obras humanas suelen ser frágiles y destruirse con sorprendente rapidez. Para avanzar hacia nuevos y mejores horizontes, debemos mantenernos constantemente alerta frente a los siempre dispuestos a socavar las bases de nuestro crecimiento y de la convivencia pacifica.

Compatriotas, finalmente quisiera, en este último saludo como Presidente de Todos los Chilenos, encomendar a cada uno de ustedes a la bondad de Dios Todopoderoso para que ilumine vuestra sabiduría y vuestros corazones. A través de mis constantes visitas a las diversas regiones del país, aprendí a conocer la generosidad de este pueblo maravilloso. En consecuencia, estoy cierto que ella se volcará una vez más a unirnos en un solo esfuerzo conjunto que asegure el éxito del gobierno que se inicia, en bien de toda la familia chilena y el destino promisorio que se merece.

Por ello los invito desde ya a fundirnos en un solo gran abrazo fraterno y a gritar con todas las fuerzas de sus corazones y voluntades:

Viva Chile!

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Chilenas e chilenos!

Chegamos a um momento verdadeiramente histórico para o destino da Pátria. Dentro de poucas horas, o governo que me honra hoje presidir fará a entrega do poder político às novas autoridades eleitas democraticamente pelo povo chileno. Começa assim um período crucial no futuro de nossa nação.

Por isso, decidi dirigir esta noite, a todos e a cada um de meus compatriotas, uma sincera saudação para expressar-lhes, em nome das Forças Armadas e Carabineiros, nossa satisfação e legítimo orgulho pela histórica oportunidade que nos brindaram de conduzir o país quando os interesses mais sagrados da Pátria o exigiram.

Para além das diferenças que às vezes nos encoleram e separam artificialmente, estou certo de ter contado, durante toda nossa gestão, com um respaldo significativo da parte de muitos compatriotas. Eles souberam unir seus esforços aos da classe armada para salvar a liberdade, reconstruir a democracia e tornar o Chile uma nação cada vez mais próspera e justa.

Nas horas difíceis para a Pátria, estive e sempre estarei disposto a enfrentar os inimigos da liberdade e da democracia, sem temores ou vacilações, tendo como fundamento permanente o juramento de honra com que iniciei minha carreira militar, que me obriga a entregar até meu último suspiro por amor à Pátria que me viu nascer e crescer.

Hoje, quero agradecer a todos os que colaboraram com entusiasmo, lealdade e devoção na tarefa de recuperar a paz, a liberdade e a democracia, assim como na de ter assentado as bases que possibilitaram o progresso que agora nos orgulha. Quero especialmente registrar minha gratidão para com a alta cúpula da defesa nacional, com a qual pudemos cumprir a grande tarefa, assumida em setembro do ano de 1973, fortalecidos na coesão dialética de nossas instituições.

Desejo também manifestar minha sincera e profunda gratidão a todos vocês, chilenos e chilenas, que foram os protagonistas de uma etapa sem precedentes em nossa história nacional, demonstrando ao mundo inteiro que o povo chileno exerce com dignidade sua independência que obtivemos dos campos de batalha e que nós mesmos sabemos ser donos de nosso próprio destino. Desejo o melhor para minha Pátria, e pelo amor que sinto por ela, estarei sempre disposto a servi-la.

Peço-lhes que mantenhamos a unidade entre nós, em respeito às instituições que nos regem e aos direitos de cada compatriota nosso. Não esqueçamos que os chilenos que vivem nas regiões mais distantes criam soberania em nome dos demais e projetam o Chile do amanhã. Nunca esqueçamos tampouco que os chilenos menos favorecidos precisam da ajuda de todos e não podem ser sacrificados em função de interesses sectários ou particulares.

Peço-lhes que unamos nosso esforço ao das novas autoridades, pois o governo que se inicia sob a presidência de Patricio Aylwin deverá levar adiante importantes responsabilidades para reforçar e avançar todos os progressos que obtivemos até hoje e cujos resultados de bem-estar são notados por todos os chilenos.

O bem do país deve estar sempre acima de interesses partidários. Por mais legítimos que sejam estes, o presidente que assume tem o direito de esperar de cada um de nós atitudes responsáveis e consequentes ante os valores que professamos.

Sejamos críticos ante os êxitos alcançados durantes os últimos 16 anos, pois as obras humanas costumam ser frágeis e ruir com espantosa rapidez. Para avançar até novos e melhores horizontes, devemos manter-nos sempre alerta frente àqueles sempre dispostos a desamparar nosso crescimento e nossa convivência pacífica.

Compatriotas, eu finalmente queria, nesta última saudação como Presidente de Todos os Chilenos, dedicar todos vocês à bondade de Deus Todo-Poderoso, para que ilumine o discernimento e o coração de vocês. Por meio de minhas constantes visitas às diversas regiões do país, aprendi a conhecer a generosidade deste povo maravilhoso. Portanto, estou certo de que ela nos servirá mais uma vez para nos unirmos num só esforço conjunto que assegure o sucesso do governo que está surgindo, para o bem de toda a família chilena e do futuro promissor que ela merece.

Por isso, convido-os desde já a fundirmo-nos num só grande abraço fraterno e a gritarem, com todas as forças de seus corações e desejos:

Viva o Chile!