terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Queda de Bashar al-Asad: TV Globo


Endereço curto: fishuk.cc/alasad-globo

Pra fins de registro histórico, reuni nesta publicação toda a cobertura jornalista da TV Globo sobre a queda da ditadura da família al-Asad na Síria, finalizada no último domingo, 8 de dezembro, por meio da ofensiva contra Damasco de vários grupos rebeldes capitaneados pela Organização pela Libertação do Levante (HTS, na sigla em árabe). Até alguns anos, este grupo e seu líder, que está ocupando a presidência provisória do país, eram considerados terroristas pelos países ocidentais e estavam com a cabeça a prêmio pelas autoridades americanas. Só pra não pagar de isentão: como dizem os especialistas, embora a guerra civil possa resfriar por enquanto, é pouco provável que acabe, pois agora todos os muitos grupos que fracionam o país devem (em teoria) se entender entre si.

Eu sei que muitos grupos políticos amam odiar a “Grobe”, mas esses mesmos “nerds em geopolítica” adoram procurar no YouTube a cobertura de grandes eventos nacionais e internacionais passados com a narração de Cid Moreira ou Celso Freitas. Apesar da oscilação nos termos a serem usados e do rabicho excessivo com a mídia anglo-saxã, a TV dos Marinho, pelo menos, consegue passar um mínimo de informação necessária sem ser partidária, seja exagerando na detração dos árabes e muçulmanos, seja culpando o “Ossidentx Mauvadaum” por todos os males do mundo. E por ser ainda a referência jornalística em língua portuguesa, certamente os vloggers do futuro vão procurar loucamente por estas pérolas pra jogar no YouTube. Segue a cobertura de todos os jornais, exceto o Hora 1 de hoje (10 de dezembro), capturada do Globoplay com a extensão Video Downloadhelper, que funciona (pelo menos) no Edge e no Chrome.

A evolução começa no Jornal Nacional de 7 de dezembro, quando o avanço ainda estava se dando, e bem no fatídico dia 8, um domingo, o Fantástico era o único programa jornalístico do dia. Mesmo ficando um arquivo muito pesado, fundi tudo o que se referia a uma mesma edição, apenas indicando cada fonte individual, e parei no Jornal Hoje deste dia 10, sem esperar “o Bonner e a Renata”. Perceba que em contraste com a intensidade da cobertura do dia 9, já há um “rescaldo” do assunto na manhã de hoje, tanto porque tem coisas que num certo momento “enjoam” o Homer Simpson quanto porque o noticiário tem sido preenchido pela hospitalização da Jararaca e dos sucessivos recordes batidos na cotação das “verdinhas”:



“Rebeldes extremistas chegam à terceira maior cidade da Síria e avançam em direção à capital”, Jornal Nacional, 7 de dezembro de 2024


“Ditador Bashar Al Assad fugiu da Síria depois que rebeldes extremistas tomaram Damasco”, Fantástico, 8 de dezembro de 2024


“Milhares de sírios que viviam no exílio voltam para o país depois da queda de Assad”, Jornal da Globo, 9 de novembro de 2024


“Rússia confirma que deu asilo a Bashar Al-Assad por razões humanitárias”, Hora 1, 9 de dezembro de 2024
(Nota pessoal: embora estejam abrigando um dos maiores assassinos da atualidade e tenham sido colaboradores de seus crimes, esses cachorros se recusaram a dar asilo pros refugiados sírios comuns, jogando todo o peso na Europa!)


“Festa e incerteza na Síria após queda de Bashar Al Assad”, Bom Dia Brasil, 9 de dezembro de 2024

“Refugiado sírio que mora no Brasil fala sobre expectativa após queda do regime Assad”, idem

“Itamaraty orienta brasileiros a buscarem orientações na embaixada em Damasco”, idem

“Rússia convoca Conselho de Segurança da ONU em meio à pressão por estabilidade na Síria”, idem

“Guga Chacra: cai ditadura sanguinária, mas futuro da Síria é incerto”, idem


“Sírios comemoram a queda do governo de Bashar al Assad” Jornal Hoje, 9 de dezembro de 2024

“Queda de ditador sírio Bashar al-Assad enfraquece Vladimir Putin”, idem

“Governo brasileiro retira funcionários da embaixada em Damasco, na Síria”, idem

“Conselho de Segurança da ONU vai se reunir nesta segunda para discutir situação na Síria”, idem

“Brasileiros na Síria relatam alívio e apreensão com a queda de Bashar al-Assad” idem


“Governos avaliam se reconhecem ou não transição na Síria com participação de terroristas”, Jornal Nacional, 9 de novembro de 2024

“Refugiados e brasileiros na Síria relatam misto de alívio com queda da ditadura e angústia sobre futuro”, idem


“Oliver Stuenkel analisa se o grupo que derrubou Assad tem condições de estabelecer um governo”, Jornal da Globo, 10 de dezembro de 2024


“Parentes buscam informações de sírios detidos em um dos presídios mais cruéis do regime Assad”, Bom Dia Brasil, 10 de dezembro de 2024

“Israel continua ataques na Síria e nega que Exército ultrapassou zona desmilitarizada ocupada”, idem


“Líderes europeus monitoram situação na Síria”, Jornal Hoje, 10 de dezembro de 2024

“Rebeldes escolhem primeiro-ministro interino para a Síria”, idem


segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Queda de Bashar al-Asad: memes


Endereço curto: fishuk.cc/alasad-memes


    

Não é exagero dizer que o último domingo, dia 8 de dezembro, pro bem ou pro mal, foi uma data histórica pra geopolítica global, pois a família al-Asad controlava a Síria desde 1971, e o Partido Ba’ath (literalmente “Renascimento”), misturando socialismo, pan-arabismo e laicidade, se reivindica como herdeiro direto de Gamal Abdel Nasser. Além disso, a imigração massiva de sírios comuns pra vários cantos do mundo (não esqueçamos os venezuelanos e haitianos!) mudou a demografia mundial e causou reviravoltas políticas na envelhecida Europa. Seguindo os mais esclarecidos, não cabe comemorar o que pode vir por aí (porque até os Talibã diziam ter se “reformado”), inclusive pelo fato do país já estar com um terço de seu território praticamente cindido e ter sido palco da disputa entre potências desde 2011, talvez antes.

Porém, nós, que não fazemos parte da comunidade síria, não temos o direito de “lamentar” a queda de Bashar al-Asad, que pareceu muito mais uma fuga covarde, um abandono do povo, igual exatamente a Ashraf Ghani, boneco dos EUA no Afeganistão, em 2021. Não vou me alongar muito, mas incrivelmente temos alguns “ex-querdistas” de cátedra neste país que continuam passando pano pra qualquer ditadura sanguinária, genocida e obscurantista simplesmente por ser antiamericana. Felizmente, o avanço da internet e dos smartphones também permitiu desmentir quem se permitia mentir em nome do combate à “mídia hegemônica” e à “manipulação ocidental”. Há gente sendo solta após ficar presa desde as décadas de 1980 ou 1990 simplesmente por se opor ao regime, e não como criminosos comuns! As terríveis cenas das cadeias incluem mulheres com filhos pequenos... (desculpem falar) frutos de estupro pelos carrascos da ditadura.

Portanto, não há opção política que permita passar pano a uma barbaridade dessas. A Seita da Família Pimenta dizia que “a vitória do Talibã é uma derrota do imperialismo estadunidense”, mas não havia cenas de júbilo popular pela volta dos fanáticos, muito pelo contrário: valia até se pendurar na roda do avião americano pra fugir do obscurantismo! Hoje, nas contas pró-Palestina, silêncio ensurdecedor (exceto numa que cita apenas os bombardeios do Bibi do Hamas a depósitos de armas dos al-Asad), até porque a ditadura era uma das maiores financiadoras do terrorismo na região. Mesmo que a decepção possa logo chegar, são os sírios que devem decidir seu destino, e é simplesmente nojento essa passada pelo alto de toda a barbárie documentada e verbalizada pela imigração em prol de falsos esqueminhas “anti-imperialistas”!

Hodie mihi, cras tibi”: em 2021, as tropas dos EUA e seu fantoche Ghani fugiram do Khorasan, e ontem, as tropas da Rússia e sua marionete Bashar fugiram juntas do Levante rumo à Moscóvia. Não dá mesmo pra “torcer” por ninguém, até porque a própria agitação pode desviar os olhos da barbárie que ainda ocorre nos territórios palestinos. Na “ex-querda” tropical, também me irrita que nas redes sociais, críticas ou zoeiras feitas a poderosos cujos sacos eles chupam são respondidas com gravidade e até xingamentos, como se as concernidas fossem as próprias mães infelizes deles. Mas com o “Bozo” e a “istrema dereita” pode, né?...

Apesar de tudo, quero registrar aqui alguns pontos que achei engraçados do que tem circulado por aí, mesmo que eu é que tenha tentado extrair algum “humor” deles. Em 6 de dezembro, Guga Chacra participou de uma edição histórica do podcast “O Assunto”, em que ele compara a família al-Asad à fictícia família Corleone e diz que Bashar tem o aspecto de uma “girafa”, de um “nerd desengonçado” e de um “jogador ruim de basquete”. Claro que os guardiões da militância acharam isso “horrível”, mas pelo menos as máfias não governam diretamente os Estados, portanto, eu preferiria comparar aos Somoza da Nicarágua, aos Bongo do Gabão recentemente derrubados, a Paul Biya dos Camarões e a Teodoro Obiang da minúscula Guiné Equatorial, dois exemplos de longevidade em vários aspectos e ignorados pelo espectro político bananeiro. Sobre o “nerd/geek”, realmente seus estudos superiores no Reino Unido e sua falta de preparação pro poder, ao qual seu irmão mais velho (morto num misterioso acidente de carro) estava destinado, justificam o estereótipo.

Quanto à “girafa”, além de ser o aspecto mais evidente, as putinetes atlânticas devem saber que os próprios opositores o chamavam jocosamente de “zaraafa”, nome do animal em árabe. Fato tanto mais curioso quanto na mesma língua, “asad” significa “leão”, rs. Infelizmente, os stalinistas da USP, devido à clara condescendência do “Ocidente coletivo”, não vão começar a gostar do “Talibã fumante e cantante” só porque, como presumo na foto lá em cima, ele resolveu se disfarçar de Fidel Castro pra parecer cool... Pra seu deleite e prazer, seguem o áudio do Kobakhidze da GloboNews e mais algumas montagens “menos geniais” que achei da zaraafa:



    


E essa raríssima situação de indefinição institucional? Te amo, Uiquipedja, rs:






Forçando a barra um pouco, até que essa bandeira do grupo de K-BAB norte-siriano HTS (sigla em árabe pra Comitê/Organização pela Libertação do Levante), principal responsável pela fuga da Girafa, lembra a do Palmeiras:


O funcionário garatujeiro do Kremlin exuma um “trabalho” de 2012 pra ilustrar seus delírios geopolíticos decrépitos. Como eu disse, todos os comentaristas sérios concordam que a família al-Asad brutalizou o país, nem os libaneses aguentaram a intervenção nos anos 2000. Desde 2012 também tivemos armas químicas contra opositores, o movimento das mulheres no Irã (ele nunca fez uma só arte pela memória da Jîna Emînî!) e outras chacinas “anti-EUA”, mas isso não lhe parece importante...

E pra fechar, ele ainda clama cinicamente pela proliferação nuclear, o extremo oposto da esquerda da década de 1980! Enfim, sempre evito falar ou me informar sobre esse ser pra não me sentir mal. Mas como o dia foi histórico, me senti obrigado a ver o que externou o rabiscador queridinho dos chupa-sacos do “despotismo oriental”, como teorizava o próprio Marx:


Extra! Jornalista que cobria os eventos na Síria levou uma abusiva cantada de seu colega, que teria dito: “Você parece uma obra de arte!” “Ah, obrigada! Um Da Vinci ou um Monet, talvez?” “Não, um Picasso, kkkkk”:


Moradores de Lataquia (se não me engano) derrubam uma estátua gigantesca de Hafez al-Asad, pai da Girafa, e invejando os moradores do interior paulista e mineiro, resolvem fazer um trenzinho com ela:


Direto do túnel do tempo: Caio Blinder se vingou da “piranha” Asmaa al-Asad que agora, infelizmente, vai ter que nadar nas águas gélidas do rio Moscou, rs. Por volta de abril de 2011, viralizou um trecho do Manhattan Connection, que era então transmitido pela GloboNews, em que Lucas Mendes já começa comentando com péssimo gosto as “primaveras árabes” ao lhe perguntar “qual é a mais bonita das Marias Antonietas do mundo árabe”. Ardente defensor de Israel e, portanto, provavelmente com o sangue na cabeça devido ao histórico da Síria, da Jordânia e do Egito (que elegeria o anticristão e antissemita Morsi em 2012), Blinder chama a rainha e as primeiras-damas de “piranhas”, por supostamente serem cúmplices da tirania de seus maridos. Ele chega a dizer que al-Asad é muito pior do que Abdullah 2.º, mas convenhamos que o governo deste é constitucional.

Realmente, os comentários são asquerosos e fora de lugar, e por isso deixei apenas o trecho referente à nova hóspede de Putin. Outro termo ficaria ótimo, sem invalidar a crítica. Até Ricardo Amorim, querendo posar de “adulto na sala”, repreende Blinder dizendo que elas têm muito menos influência na tirania de seus maridos do que o Ocidente, cuja conivência seria essencial pra os manter no poder. Discordo: elas têm autonomia pra decidir se continuam ou não cúmplices do sistema, por isso, e porque também torram o saque à população, elas têm, sim, parte da culpa. E essa de “Ain, o Ossidentx...”, pelamor, é como se esses caras (tiro a Jordânia, embora imperfeita, da história) fossem moleques inimputáveis pelos crimes que cometem!

Anos depois, o próprio Blinder daria entrevistas dizendo que tinha se arrependido profundamente de seu arroubo machista. Mas como, pelo menos, o pior capítulo da “primavera árabe” parece estar virando a página, não custa cantar com o saudoso Bezerra da Silva: “Piranha não dá no mar, piranha, somente na água doce se apanha...”:


E pra (finalmente!) terminar a série, queria recordar um vídeo que volta e meia circula aí, com um ex-presidente “comandando tropas durante um desfile”. Exceto pelos detratores, é um prato cheio pro gado destilar sua tara por uma boina, uma farda e uma botina, rs. Mas pra decepção deles, isso tá muito longe de ser uma apresentação pública, parecendo mais uma espécie de mero ensaio, que na antiga Alemanha Oriental, por exemplo, era chamado Paradeübung. Até o terreno é parecido, como se fosse uma quadra poliesportiva abandonada no meio do mato!

Toda vez que vejo esse vídeo ao som do Dobrado Baptista de Mello, essa indumentária me lembra muito os uniformes dos exércitos e comandantes ba’athistas da década de 1980, sobretudo do próprio Saddam Hussein. É curioso que João Figueiredo, na mesma época, tenha vendido armas exatamente pro Iraque, inclusive quando era perpetrado aí um genocídio dos curdos... Mas na essência, fico pensando se o Recruta Zero na verdade não seja nem de direita, nem de esquerda, e sim sonhava apenas em ser mais um Saddam ou Hafez da vida, rs:


domingo, 8 de dezembro de 2024

Economia alemã está cambaleando


Endereço curto: fishuk.cc/alemanha2024

Em 30 de novembro de 2024 foi publicada no site da National Public Radio (NPR) dos Estados Unidos, uma entrevista do repórter Scott Simon com Marcel Fratzscher, presidente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica. Segundo a agência, eles conversam sobre o enfraquecimento da economia da Alemanha e o possível impacto que isso pode ter nas próximas eleições federais do país, e o áudio pode ser ouvido em formato podcast na própria página. Em tradução livre pro português, o título da matéria seria “A economia da Alemanha está cambaleando [ou “vacilando”]. Essa pode ser uma oportunidade pra extrema-direita”.

Eu usei o Google Tradutor pra obter a base do texto, mas fiz o que todo mundo devia fazer após usar ferramentas de IA: revisar manualmente pra não ficar algo antinatural ou simplesmente passado “na máquina”... Além disso, imprimi ao conjunto meu próprio estilo de redação e simplifiquei o texto quando possível, mesmo que o resultado “robótico” fosse totalmente aceitável. Sobre o estatuto jurídico “público” da NPR, remeto à introdução da primeira tradução que fiz de um material deles.



Scott Simon – Por décadas a Alemanha teve a maior e mais estável economia da Europa. Mas na semana passada, o país registrou um crescimento do PIB menor do que o esperado, culpando principalmente a redução da produção industrial e a guerra na Ucrânia. Marcel Fratzscher é presidente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica e fala direto de Berlim. Muito obrigado por estar com a gente.

Marcel Fratzscher – Obrigado por me receber.

Scott Simon – O que houve? Afinal, o modelo econômico alemão era considerado o mais bem-sucedido da Europa.

Marcel Fratzscher – Bem, a Alemanha foi atingida com uma força excepcional pela pandemia e, agora, pelo choque energético devido à guerra na Ucrânia. Antes dela, a Alemanha era muito dependente de combustíveis fósseis russos, implicando um grande aumento do custo da energia. E a Alemanha tem uma indústria que usa energia com grande intensividade. Essa é uma parte da história. A outra parte é que, depois de uma década de 2010 muito bem-sucedida, muitas empresas alemãs falharam na transição pra novas tecnologias.

Scott Simon – O que você acredita que as empresas alemãs precisariam fazer pra tornar a economia em geral mais bem-sucedida?

Marcel Fratzscher – As empresas alemãs precisam fazer duas coisas: primeira, remodelar ou reequilibrar seu modelo de globalização. Elas são dependentes demais da China, então, diversifiquem, sejam menos dependentes da China e dos EUA. Essa é outra grande ameaça vinda do governo Trump e do conflito comercial em que ele provavelmente vai se engajar com a Alemanha e a Europa.

Segunda coisa: precisam inovar mais em tecnologias digitais e tecnologias verdes. Carros elétricos são um exemplo em que as empresas aproveitaram o sucesso da última década, mas, até certo ponto, foram vítimas de seu próprio sucesso.

Scott Simon – Quais são as implicações políticas? Afinal, claro, o governo de coalizão entrou em colapso há apenas algumas semanas.

Marcel Fratzscher – Bem, num mundo ideal, o governo interviria e haveria um grande estímulo fiscal – talvez, até certo ponto, comparável ao que a economia dos EUA experimentou tanto sob Trump quanto sob Biden, talvez um pouco menos forte, porque isso aumentaria enormemente a dívida pública. Mas o governo alemão tem feito o contrário: um freio da dívida que basicamente não permite que o governo, tanto o federal quanto os estaduais, tenham déficits.

Então, cortar gastos e investimentos públicos específicos em tempos difíceis, como agora, é o pior que um governo pode fazer. Mas, pra isso, ele realmente precisa mudar de rumo e dar um grande impulso aos investimentos, incluindo cortes de impostos pra empresas e cidadãos.

Scott Simon – Quais partidos políticos estão em posição de se beneficiar?

Marcel Fratzscher – Há expectativas completamente irrealistas entre os cidadãos sobre o que o governo e o Estado devem oferecer. A Alemanha tem um modelo econômico muito diferente do americano, com um sistema de previdência social muito grande. Há essa expectativa de que o governo deva cuidar dos cidadãos, e isso não é nada realista numa situação dessas, em que as empresas devem fazer a maior parte do trabalho pesado.

Assim, a oposição está claramente se beneficiando nesta campanha pro novo governo – eleições que vão ocorrer no fim de fevereiro de 2025. Mas os cidadãos vão se decepcionar, porque o novo governo, não importa por qual coalizão seja formado, não vai ser capaz de viver com essas expectativas.

Scott Simon – E isso às vezes promove o populismo e o extremismo?

Marcel Fratzscher – Bem, na Alemanha, temos uma crescente polarização social com a desigualdade de poupanças. E as pessoas que perdem com a globalização e a inovação tecnológica frequentemente têm renda e qualificação mais baixas. Isso traz muito apoio aos partidos de extrema-direita. A antidemocrática AfD (Alternativa para a Alemanha, na sigla em alemão) recentemente avançou em muitas pesquisas e eleições estaduais. Então, o populismo está em alta porque populistas fingem que há soluções fáceis, quando não há.

Scott Simon – Mas seguindo sua explicação dos acontecimentos, parece que muitos alemães da classe trabalhadora têm razões pra estar insatisfeitos.

Marcel Fratzscher – Se você olhar pros fatos, temos emprego recorde. Nunca tivemos mais pessoas empregadas quanto hoje. Os salários têm aumentado, inclusive pros trabalhadores de baixa renda, e desde 2015 o salário mínimo aumentou substancialmente mais de 40%. Mas as preocupações, as inquietudes com o futuro, são totalmente compreensíveis. A sociedade alemã está envelhecendo, então, os benefícios sociais vão ter que ser reduzidos pra continuarem geríveis. Alguns também vão precisar pagar mais impostos pra financiarem os gastos do governo. Há a mudança climática. Há conflitos geopolíticos na Europa com a Ucrânia, que fica bem ao lado da União Europeia. Então, meu ponto é: olhando pros últimos 15 anos, acho que a Alemanha se saiu muito bem. A guerra concerne aos próximos 15 anos, e essas preocupações são plenamente justificadas e compreensíveis.

Scott Simon – Sr. Fratzscher, tenho certeza que não preciso lhe dizer que o resto do mundo fica um pouco mais preocupado com qualquer avanço da extrema-direita na Alemanha do que em outros lugares.

Marcel Fratzscher – Sim, a história da Alemanha tem uma mancha muito, muito escura nas décadas de 1930 e de 1940. A democracia alemã tem muitos freios e contrapesos. Os cidadãos alemães são, em última análise, pró-europeus. E eu sei que é preciso ter cuidado ao dizer isso, mas acho mesmo que eles se lembram bem da história e tiraram lições dela. Então, estou realmente bastante confiante que a democracia alemã é forte o suficiente pra resistir aos conflitos que estamos vivendo atualmente.


Adendo (10/1/2025): Não foi só a NPR que percebeu essa decadência da antiga potência germânica. Um vídeo especial produzido pela BBC News Brasil e apresentado pela sempre ótima Camilla Veras Mota foi publicado há três dias sobre o mesmo problema, que pode ser percebido até pelos mais néscios!



sábado, 7 de dezembro de 2024

Гоп-стоп, Канада! (folclore ucraniano)


Endereço curto: fishuk.cc/hopstopkanada


Mais uma das sugestões dos tempos do Pan-Eslavo Brasil (ou seja, antes de agosto de 2021) que não me lembro quem fez e quando fez, mas estava guardada e julguei valer a pena traduzir na página renovada. Não sei se foi o Tiago Rocha Gonçalves, meu amigo de longa data do Paraná que já traduziu canções ucranianas pra mim, mas em todo caso dedico esta publicação a ele, como homenagem ao fim próximo de sua graduação em Direito, rs. Esta música popular do oeste da Ucrânia se chama “Гоп-стоп, Канада!” (Hop-stop, Kanáda!) e poderia ser traduzida como “Canadá, aí vou eu!”, pois homenageia imigrantes que deixaram a referida região pra se fixarem no extremo norte da América.

Porém, decidi não traduzir o hop-stop, porque em russo, por exemplo, na pronúncia gop-stop, costuma ser o anúncio de um assalto por um delinquente de rua, geralmente jovem, por isso chamado “gópnik”, enquanto no mundo anglófono tem outros significados, geralmente ligados a chamar a atenção. A autoria é desconhecida e o “ucraniano” da letra, característico da era pré-bolchevique, ainda possui alguns traços dialetais ou em comum com o russo, como a expressão “nádo” pra indicar necessidade (hoje se usa mais “tréba”) e a variante “marmeliád” ao invés de “marmelád”. Uma das versões diferentes desta que traduzi foi gravada pelo grupo ucraíno-canadense Burya em 2014.

Como informa esta página folclórica, a canção Hop-stop Kanada data da virada do século 19 pro 20 e se relaciona com um tipo de polca muito popular na região central do Canadá, dançada em compasso 2/4, em movimentos ligeiros que envolvem a alternância entre dedão e calcanhar. É chamada em inglês “heel-(and-)toe polka”, e como parte dos imigrantes ucranianos se fixou naquela região, o estilo de dança se tornou popular também no oeste da Ucrânia sob o nome... “kanáda”. Curioso, não? Esta página do mesmo portal traz outra versão da letra e mais informações, e há inclusive um artigo acadêmico sobre a kanada, cujo título pode ser traduzido como “A dança folclórica ‘kanada’: retratando eventos históricos e sociais na Ucrânia Ocidental no fim do século 19 e começo do 20”. Publicado em 2023 na revista ucraniana Questões Atuais de Ciências Humanas, seu autor é o coreógrafo Oleksándr Zastávny, estudante de doutorado na Universidade Nacional Iván Frankó de Lviv.

A versão que traduzi aqui foi gravada pelo cantor Semión Anatólievich Diúkov (n. 1954), talvez por isso mais conhecido como “Semión Kanáda”, em seu álbum de estreia em 1999, Piánitsa (Bebum), e reincluída em seu álbum de 2002, Rodnáia zhená (Querida esposa). O cantor, compositor e produtor nasceu na Khárkiv soviética, possui dupla nacionalidade ucraniana e russa e desde adolescente trabalha com música, cantando e tocando em bandas. No total, ele só possui cinco álbuns solo, o último tendo saído em 2013, e seu site pessoal não é atualizado desde 2016, quando também gravou seu último clipe. Na Wikipédia em russo (única em que Semion Kanada aparece), seus últimos trabalhos citados são dois inícios de atuação como produtor em 2018 e 2019, depois ele simplesmente some. Por isso, brindei vocês no início da publicação com a capa de uma esquecida conta sua no Facebook, mostrando seu jeitão que mistura Shoko Asahara com José Rico!

Com essa versão, foram feitas pelo menos três montagens que seguem abaixo, publicadas respectivamente em 2015, 2013 e 2018, obviamente antes do clima atual contra a Ucrânia se endurecer. Trata-se de trechos da comédia musical soviética Casamento em Malínovka (Свадьба в Малиновке), de 1967, que se passa no vilarejo de mesmo nome (“Malýnivka” em ucraniano), localizado no território da atual província de Kirovohrád. Durante a Guerra Civil Russa (1918-1920), a aldeia troca várias vezes de mãos entre bolcheviques e “brancos”, e o humor consiste na constante mudança de adereços e atitudes dos habitantes a cada tropa que chega e nas dificuldades de dois jovens camponeses apaixonados em meio aos combates. Apesar do enredo, as filmagens foram feitas nas províncias de Poltava e Khárkiv, nas quais estariam as verdadeiras “Malýnivkas” que serviram de cenário. Curiosamente, em vários trechos aparecem atuações do Grupo “Joc” de danças folclóricas moldovas, e embora o áudio seja totalmente diferente, alguns passos parecem mesmo aludir à referida kanada.

Numa publicação no Facebook do ucraniano Ivan Gerhardt está a versão da letra que serviu de base pra eu traduzir direto do original, sem a ajuda do Google, exceto por pesquisas pontuais sobre alguns conceitos desconhecidos. Porém, seu vídeo se baseia na gravação feita por Borýs Sychévsky em 2007. Sinta-se à vontade pra entrar em contato comigo e dar mais informações culturais ou fazer alguma correção, já que parte da letra parece não fazer muito sentido e não fui muito a fundo na natureza dessa “dança”:






1. Me deem pão e um quilo de geleia,
Adeus, rapazes, estou partindo pro Canadá!
Adeus, rapazes, estou partindo pro Canadá!

Refrão (2x):
Hop-stop, Canadá! Não preciso de caipiras velhas,
Preciso de moças, e vocês, rapazes, toquem!
Hop-stop, Canadá! Não precisamos de rublos!
Deem dólares, e vocês, rapazes, toquem!

2. Vou viajar pelo Canadá, ficar contando dólares,
E onde estiver ao anoitecer, aí que vou pernoitar!
E onde estiver ao anoitecer, aí que vou pernoitar!

(Refrão 2x)

3. As mães têm um morteiro, o pai tem um canhão,
Enquanto iam dormir, explodiram a choupana!
Enquanto iam dormir, explodiram a choupana!

(Refrão 2x)

4. Mesinha após mesinha, depois outra mesinha,
E naquela mesinha está sentado um bêbado!
E naquela mesinha está sentado um bêbado!

(Refrão 2x)

5. O pai tem um canhão, as mães têm um morteiro,
Deitaram na cabana, estão bombardeando Berlim!
Deitaram na cabana, estão bombardeando Berlim!

(Refrão 2x)

(Refrão...)

____________________


1. Дайте менi хлiбу, кiло мармеляду,
Прощавайте, хлопцi, ïду до Канади!
Прощавайте хлопцi, ïду до Канади!

Приспів (2x):
Гоп-стоп, Канада! Cтарих баб не надо –
Молодих давайте, а ви, хлопцi, грайте!
Гоп-стоп, Канада! Нам рублiв не надо!
Долляри давайте, а вы, хлопцi, грайте!

2. По Канадi ходжу, долляри рахую,
А де нiчь застане, там i заночую!
А де нiчь застане, там i заночую!

(Приспів 2x)

3. Мати мають мину, батько ма гармату,
Полягали спати – пiдiрвали хату!
Полягали спати – пiдiрвали хату!

(Приспів 2x)

4. Столик за столиком, за столиком столик,
А за тiм столиком сидит алкоголик!
А за тiм столиком сидит алкоголик!

(Приспів 2x)

5. Батько ма гармату, мати мають мину –
Залягли у хатi, луплять по Берлiну!
Залягли у хатi, луплять по Берлiну!

(Приспів 2x)

(Приспів...)



sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Franco deseja Feliz Ano Novo 1963


Endereço curto: fishuk.cc/franco1963


Por alguma razão, o vídeo deste discurso estava guardado em meus arquivos pra tradução, e como agora estou dando uma adiantada em coisas simples que foram sugeridas ainda ao longo da década de 2010, decidi dar uma solução expressa pra este aqui. Trata-se da mensagem de Ano Novo transmitida no final de 1962, com votos de um Feliz 1963, e embora em tenha conseguido baixar as legendas automáticas, achei por acaso uma página com todos os discursos “da virada” do ditador espanhol. Ótimo material pra uso com fins didáticos!

Embora a edição desse blog tivesse alguns problemas, selecionei os trechos pronunciados e conferi com o que saiu nas legendas, além de finalizar a transcrição da fala que um narrador faz no meio do vídeo. Claro, o discurso é muito mais longo do que só o que está aqui, mas como material histórico já vale a pena.

Decidi usar “vocês” no lugar do “vós” automático que saiu, daí aparecer tantos “seu(s)” e “os”, e realmente não há uma tradução exata pro “arriba” no lema franquista, portanto, minha escolha foi arbitrária, e não literal. Depois de transcrever, joguei em pedaços no Google Tradutor e corrigi o resultado por conta própria. Você pode ver tudo abaixo (vídeo sem legendas, tradução e transcrição em espanhol), e se desejar, pode fazer qualquer crítica ou correção nos comentários ou em meus endereços pessoais:


Espanhóis!

Mais um ano faço minha voz chegar a suas casas para lhes falar de política, o que não deveria os surpreender, já que da política, enquanto arte do bem comum, depende o bem-estar moral e material de sua família.

E esta política exercida honestamente tem agora um alto teor social na mensagem do chefe de Estado. Durante o ano que passou, Franco visitou muitas regiões da Espanha. E por toda a parte, entre os mineiros de Leão (León) e os agricultores valencianos, nos campos de Palência, nas concentrações urbanas dos novos bairros de Madri ou nas regiões atingidas pela dor na Catalunha [referência a inundações que deixaram entre 600 e 1 000 mortos], o povo espanhol sempre recebeu seu líder com um entusiasmo tão evidente que dispensa quaisquer comentários. As palavras de hoje são fruto desses contatos com seu povo:

Convém, no entanto, estar alerta contra aqueles que veem sempre as razões económicas e nunca encontram o momento certo para aplicar medidas sociais. Portanto, [não se deve aceitar] nem a política social sem fundamento econômico, nem o desenvolvimento econômico de costas para as exigências da justiça social.

[...] o povo espanhol enfrenta hoje uma conjuntura decisiva em sua existência. E embora a parte mais dura e difícil do caminho já tenha sido superada, vivemos, porém, uma ocasião promissora e engajadora. Atingir essa conjuntura excepcional de acesso a elevados níveis de bem-estar e a uma paz permanente e partilhada, e pertencer a uma comunidade realmente independente e soberana nos custou muito.

É preciso que este nosso corajoso povo saiba que não o esquecemos, que sabemos do valor de seu sacrifício e que estamos dispostos a continuar nossos esforços para mudar as estruturas e melhorar as condições de vida de todo o povo espanhol [...].

Mais uma vez nos despedimos de um ano da vida espanhola e nos encontramos diante de um novo período, do qual esperamos, com a ajuda de Deus, sorte e sucesso para nossa Pátria.

Força, Espanha!


¡Españoles!

Un año más hago llegar mi voz a vuestros hogares para hablaros de política, lo que no puede extrañaros, ya que de la política, como arte del bien común, depende el bienestar moral y material de vuestra familia.

Y esta política limpiamente ejercida ha tenido ahora en el mensaje del jefe del Estado un alto contenido social. Durante el pasado año, Franco recurrió muchas regiones de España. Y en todas partes, entre los mineros de León y los labradores valencianos, en los campos de Palencia, en las concentraciones urbanas de las nuevas barriadas de Madrid o en las comarcas que afligió el dolor en Cataluña, el pueblo español recibió siempre a su jefe con entusiasmo tan evidente que no requiere comentario alguno. De estos contactos con su pueblo son fruto las palabras de hoy:

Conviene, sin embargo, estar en guardia contra quienes ven siempre las razones económicas y no encuentran nunca momento oportuno para aplicar las medidas sociales. Así es que ni política social sin fundamento económico ni desarrollo económico de espaldas a las exigencias de la justicia social.

[...] el pueblo español se enfrenta hoy con una decisiva coyuntura de su existencia. Y aunque lo más duro y difícil del camino ha sido ya superado, vivimos, sin embargo, una ocasión prometedora y comprometida. Alcanzar esta coyuntura excepcional de acceso a niveles altos de bienestar y a una paz permanente y compartida y pertenecer a una comunidad realmente independiente y soberana nos ha costado mucho.

Es preciso que estas bravas gentes nuestras sepan que no las olvidamos, que conocemos el valor de su sacrificio y que estamos dispuestos a continuar nuestro esfuerzo para cambiar las estructuras y mejorar las condiciones de vida de todo el pueblo español [...].

Una vez más despedimos un año de la vida española y nos situamos ante otro nuevo período, del cual esperamos, con la ayuda de Dios, beneficios y venturas para nuestra Patria.

¡Arriba España!


quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Using the Arabic “tanvin” in Persian

I wrote this “ad hoc” text as a comment on the platform “Chai and Conversation”, created by Leyla Shams for online teaching of the Persian language. On one of the forums for interaction between students, a girl from a country of Latin America (I forgot the names of the girl and of her country…) asked about the use of “tanvin”, a sign of Arabic origin, in the Persian language, and whose pronunciation is always “-an” (at the end of the words, most often adverbs). Even if her mother tongue was Spanish, and because I know some Arabic, I decided to help her in English hoping that my explanation would also be useful to other users. With little modifications, here is the full content of the “comment”, which fit for a separate post due to its length:



Source: Wikipedia.


[In Spanish] ¡Saludos! Te voy a responder en inglés para que otras personas también puedan ser ayudadas.

As you may suppose, Persian inherited many Arabic words keeping the original orthography, but changing their pronunciation. Look on the second letter (consonant) [of the word “lotfan” (لطفا)], : it has no sense of being in Persian, because it represents an Arabic glottal “t” absent in Persian. The same occurs when Western languages inherit English loanwords, without (at some degree) changing its orthography.

My learning path was quite different in the sense that I first learned the Arabic script, and then the Persian one. In this way, we can understand more easily some otherwise strange features. In written Arabic, there is a feature called “tanwiin”, i. e. a case marker which, with the indefinite sense (like the articles “a”, “un/a” etc.), makes pronounce a vowel followed by an “n” sound, though not written with the standard nuun letter.

Generally, these case markers are not pronounced in colloquial Arabic, but it is important to learn recognizing them. In Arabic, the marker “-an” means the accusative case, which also has some other functions, among them forming adverbs (more or less like the “-ly” in English and the “-mente” in Spanish and Portuguese). However, depending on the final words, this “doubled zebār” must come followed by a mute alef in Arabic, and so does in Persian.

Only to summarize, you must only keep in mind that this grapheme must always be pronounced “-an” and that it is generally an adverbial marker. Orthography, as in many languages, unfortunately must be just learned by heart, but indeed very few Persian words bear this feature. It can be found in many other common Arabic expressions, such as شكرا (shukran, “thank you”), عفوا (ᶜafwan, “please/you are welcome”) etc. In Arabic itself, “lotf” (لطف) means “kindness”, and its singular indefinite accusative form “lotfan” (لطفا) has the same meaning in Persian.

P.S. This feature is called “fatha tanwiin” in Arabic, because fatha is the Arabic name for the “a” vowel marker. Because Persian inherited only this marker (and not the marker tanwiin for the other vowels), it is just called “tanvin” (or “tanvin-e nasb”) and generally is written down with the double zebār above the alef. In Arabic, the tanwiin can ride either the (mute) alef or the final consonant.


terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Produtividade na Banânia, guerra na Síria...


Endereço curto: fishuk.cc/mix-politica18



O “Mix de política ao redor do mundo”, que agora não mais reúne só vídeos e tem muito mais pitaco do que outra coisa, está completando sua maioridade! Pra alegria do projeto não projetado, a geopolítica vai de mal a pior, assim como a sociedade em geral, e esta publicação vai exatamente na referida direção. A imagem acima foi copiada de um vídeo do canal Hikma History, sobre história do mundo muçulmano e centro-asiático e de que gosto muito. Sugiro fortemente que, apesar da narração tediosa e da duração de mais de uma hora, você veja seu mais novo documentário:


Nova edição do podcast “O Assunto”, apresentado ontem por Natuza Nery. Gostei do conteúdo, mas não pude deixar de fazer as seguintes observações:




Guerra civil na Síria voltou a escalar. Como programei a publicação pra terça de manhã (Brasil), os fatos podem envelhecer a qualquer momento:


[Cortou este pedaço:] E são exatamente
os "terroristas sunitas" do Hamas que foram
adubados por Netanyahu, contra a Autoridade
Palestina e, em particular, o Fatah laico.


Alguém avisa pra Múmia Ambulante que no Dia de Ação de Graças era pra perdoar um peru, e não o próprio filho??? Rs:


Demorou pra começar a baixaria contra a atriz, só porque ela defende posições progressistas e porque ela é protagonista de um filme contra a ditadura civil-militar cotado pra ganhar o Óscar. Nem de longe essa sujeirinha mal desenhada lembra um beque (nunca fumei, juro!), além do que os alertas de feiques contra Torres dispararam nos últimos meses. Mesmo assim, não posso garantir que esse “contexto” (um dos poucos reais recursos de “democracia de massas” que o Ilomasque deixou no hospício digital) não tenha sido massivamente forçado por usuários a favor dela:


E pra terminar com muito bom humor, apesar do banho de água fedida, lute como uma georgiana!!!


segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Metralhadora humana georgiana


Endereço curto: fishuk.cc/metralha-ge


Se esta publicaçãozinha servir de consolo, já que sei muito pouco da língua georgiana, a crise política na Geórgia gerou, a meu ver, pelo menos um meme linguístico. Foi na edição noturna de 30 de novembro de 2024 do Moambe (lit. “O Narrador”), jornal que passa ao vivo na conta do YouTube do Canal 1 (Pirveli Arkhi), o qual, embora seja de propriedade pública (estatal), faz oposição ao atual governo do partido Sonho Georgiano.

Pra quem não esteve na Terra desde meados ou fins de outubro, uma súmula: o partido Sonho Georgiano, presidido pelo oligarca Bidzina Ivanishvili (que fez sua fortuna na Rússia), embora fosse criado com uma linha pró-UE, tomou progressivamente o caminho da colaboração mais estreita com Putin e da adoção de leis que contrariam o espírito daquela união (contra os direitos das mulheres, as comunidades de gênero, os críticos do governo etc.). Tendo à frente o primeiro-ministro Iracle Cobacri... Cobaquídzi...



Irakli Kobakhidze (enfim, o “Milei do Cáucaso”), o “Sonho” é inimigo ferrenho do Movimento Nacional Unido, partido ainda pró-europeu do ex-presidente Mikheil Saakashvili (então jovem líder da “Revolução das Rosas” em 2003), o qual se encontra em prisão hospitalar sob acusações de corrupção.

No fim de outubro de 2024, embora boa parte da opinião estivesse voltada contra o governo, ele ganhou as eleições parlamentares com maioria absoluta, sob suspeitas de fraude escancarada e perseguição a opositores. A presidente da República (que tem menos poderes do que o premiê e é eleita pelo Parlamento), Salome Zurabishvili, é contra Moscou e a favor dos protestos, e deveria deixar o cargo no início de 2025, mas se recusa, por considerar ilegítima a nova legislatura. No fim de novembro, a crise chegou ao ápice com o “Sonho” suspendendo até 2028 (segundo diz) as negociações pra entrar na UE, o que somou ainda mais raiva aos manifestantes já opostos às fraudes e os segurou nas ruas durante toda a semana que passou. A noite e a madrugada deste domingo (na capital Tbilisi estão 7 horas a mais que Brasília) foram de protestos violentos e insistentes.

A comparação com a Ucrânia de 2014 é inevitável, tanto mais que dois territórios ao norte da Geórgia e etnicamente não georgianos (a Abecásia e a Ossétia do Sul) estão ocupados pela Rússia desde o fim da URSS, e embora se declarem independentes, quase ninguém no mundo os reconhece. Apesar disso, Kobakhidze descarta uma repetição do “Euromaidan” e se recusa a convocar novas eleições. O impasse pode ter repercussões internacionais, e é bom os nerds em geopolítica acompanharem (de preferência, não em mídias que puxem muito pro lado do Kremlin ou de Bruxelas).

Mas um dos manifestantes irados conseguiu em rede nacional berrar por nove minutos seguidos, em tom sempre crescente, contra o governo e quase sem interrupções (há umas quedinhas de sinal também), num georgiano que naturalmente já parece um som de xingamento... Não sei de quem se trata (nem o cara de óculos e cachecol), não entendi patavinas, mas segue o trecho que consegui destacar pra sua diversão:



sábado, 30 de novembro de 2024

Fora do cavalo, dentro do homem...


Endereço curto: fishuk.cc/hipica


Direto do Insta do centro hípico de minha antiga escola básica, uma dose de filosofia equina (e um tanto infeliz) pra começar o fim de ano com humor e energia, rs! Andressa Urach ia adorar essa dica, com todo seu dinamismo no ramo cinematográfico em que atua...


E pra completar, um conhecido meu também publica isto. Sei, imagino de que vício deva se tratar, rs...