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sábado, 7 de março de 2026

O melhor e o pior de Olavo de Carvalho

Ele dizia que “matava a cobra e mostrava o pau”. Mas na essência, o virginiano de Campinas (o que dá quase na mesma) não passava de um velho covarde, ressentido, estúpido e pouco instruído (leitura não é sinônimo de educação) que optou por usar sua mediocridade pessoal e profissional pra aplicar diversos tipos de golpe enquanto vivia no Brasil. Precisando fugir pra não arcar com as consequências, continuou enganando e fanatizando as pessoas por meio da internet – no que foi um pioneiro, antes até do boom das redes sociais. Se dizendo um “pensador” de nossa sociedade, idealizou uma realidade inexistente, incompatível com as necessidades e tradições do povo comum e suas múltiplas origens e influências. E pra esse ideal, atraiu uma elite – e uma classe média com sonho de elite – obcecada pelo antipetismo, apavorada com a emergência de novos atores sociais e, em nossa melhor tradução pseudointelectual, carente de um guru que lhes ditasse o que pensar, do que gostar e pelo que ou contra quem lutar.

Olavo de Carvalho não foi um “raio caído em céu azul”, e embora ele tenha se aproveitado do clima de desorientação geral que reinava no Brasil da década de 2010, lembremos que seus coices e charlatanices vêm de longa data, e que mesmo então vários outros picaretas floresceram no meio digital em diversas áreas, em diversos campos do espectro político – mostrando muito mais nosso analfabetismo crítico do que a falta de um “policiamento” ideológico tão caro às ditaduras. Hoje, tendo desaparecido devido a sua própria inépcia em cuidar da saúde, alguns grupelhos radicais e uns poucos políticos “bolsonaristas raiz” insistem em empunhar suas máximas como “pérolas de sabedoria” e “herança filosófica”. Ainda assim, o “casamento” entre Olavo e Jair Messias não foi pessoal nem espontâneo: primeiramente “esposado” pelo filho Eduardo Bolsonaro, o famoso “Bananinha” – já que o pai era um mero milico reaça fracassado sem ideias próprias –, foram “empurrados” pela turba nas manifestações de 2015-16 e se encontraram meio a contragosto na vitória de 2018.

Como diz minha avó, “dois bicudos não se beijam” (ou como ouvi outro dia sobre a China e os EUA, “não pode haver dois tigres no topo de uma mesma montanha”), portanto, a ruptura foi inevitável. Em poucos meses, sem colher os louros que julgava merecidos, mas que sequer foram prometidos pelo novo governo, Olavo partiu pra velha tática de xingamentos, difamação e rancor; basta lembrar que suas duas indicações, Vélez Rodríguez pra Educação e Ernesto Araújo pras Relações Interiores, não duraram muito e hoje vagueiam na irrelevância. Nada disso diminuiu sua popularidade em meios aos apoiadores do caos que se instalava em Brasília, e o conglomerado Brasil Paralelo, com todo o estrago que promove na esfera da popularização de conhecimento, reivindica abertamente o “olavismo”.

Entre aulas fajutas, requisitórios coprolálicos e atuações que passaram pra história como verdadeiros memes, também acabei perpetuando alguns cortes de pensamentos isolados no Pan-Eslavo Brasil, meu finado canal no YouTube, ainda que pra me contrapor ao sujeito. De fato, em certa época quando tinha mais tempo, cheguei a dar olhadas em certos vídeos, e em dado momento a quantidade de cortes foi tão considerável que até me apelidaram de “Eslavo de Carvalho”, rs. E ao fim e ao cabo, resolvi transferir pra cá seus “melhores momentos”, incluindo bobagens, ideias reacionárias e afirmações fora de contexto. Nem todos estão datados nem têm a origem indicada, mas os seis primeiros vêm de uma entrevista remota que ele deu a Leda Nagle, outrora grande nome de nosso jornalismo que, infelizmente, terminou se rendendo ao fascismo tropical. Os títulos são os mesmos, ou quase, que dei no YouTube.

Adicionei também outros dois “clássicos” que não cheguei a republicar, mas estão entre meus “preferidos”... Aproveite o quanto puder e, se desejar, faça comentários e sugestões! IMPORTANTE: as marcas e endereços no vídeo, por se referirem a meu antigo canal, obviamente não funcionam mais.


O Brasil precisa se tornar um país civilizado:


Sobre o preconceito contra religiões, pessoas LGBT e negros:


Todo mundo é analfabeto funcional... menos eu:


Olavo define “fascismo” como o regime atualmente em vigor:


Olavo diz que a única coisa de que sente saudades no Brasil é de pastel com caldo de cana; único e inusitado momento “povão” que conheço dele:


Olavo diz que não tem medo de morrer; “ficar eternamente neste planeta seria um horror” é algo com que, confesso, eu concordo, mas vai de encontro à obsessão da “tecnoligarquia” que hoje se pendurou no saco de Trump:






Iosif Stalin seria “o maior estrategista da história humana”. Na época, muitos me criticaram por tirar este trecho do contexto maior do vídeo completo, cujo conteúdo, porém, afirmando que “Stalin criou o nazismo”, mal tem qualquer valor intelectual ou didático. Mas a intenção foi mesmo provocar, chocar ou fazer rir, pois todo mundo sabia a real posição ideológica do Olavo e não poderia tirar qualquer conclusão positiva dessa fala. O que soa engraçado, no vídeo de janeiro de 2017, é fazer parecer que ao chamar Stalin de “o maior estrategista da história humana”, ele ainda vê algum mérito em sua figura. Segundo o pensador, “tudo aconteceu do jeito que ele disse, e ele obteve tudo o que ele queria”, ficando de fato ao internauta informado a missão de saber que isso não implica nenhuma adesão ao comunismo. O áudio original estava baixo demais, então ao editar, além de cortar o quadro, aumentei consideravelmente o volume:


Outro momento “comunista só que não”, ao dizer que o povo é a fonte de toda democracia (ao som da Internacional):


“Só que não” mesmo, pois afirma que Bolsonaro tinha que combater o comunismo, mas não tomava nenhuma medida nesse sentido:


Não existe uma direita no Brasil:


A política não é uma luta de ideias:


Sobre os comunistas brasileiros (novembro de 2019):


Olavo explica as preliminares sexuais:


Olavo finalmente rompe com Bolsonaro e o manda enrabar condecoração oferecida (começo de junho de 2020, ao som do hino da URSS):


Montagem sem graça (mas que fez algum sucesso!) que fiz com a música da antiga propaganda do Café Seleto (vídeo de 2017):








segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Olavo: “Alemão é língua de duende”


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/mix-politica5


Pra começarmos nosso novo mix, gostaria de compartilhar este print que fiz de uma reportagem sobre as recentes eleições municipais e regionais russas, no canal da Radio Svoboda no YouTube. Em minha interpretação, com a invasão à Ucrânia e outros problemas que a Rússia enfrenta, derivados de instituições encarquilhadas que nunca se reformaram desde a era comunista, resultou um país esquizofrênico, em crise de identidade, devido à transição jamais completada entre “Nossa pátria é a URSS, nosso partido é o KPRF – Partido Comunista da Federação Russa” (outdoor à esquerda) e “Um país unido! Uma Rússia Unida!” (cartaz à direita).


Este vídeo tem muito mais besteiras proferidas pelo finado campineiro vigarista que se dizia “filósofo autodidata”, mas um trecho, apontado por um amigo, me chamou a atenção: sem conseguir entender nada da filosofia alemã, ele coloca a desculpa no idioma de origem, dizendo que “a língua alemã é pra você conversar com duendes e fazer macumba na floresta”. Selecionei outros trechos que ajudam a explicar o contexto, e agora você tem aí mais uma pérola daquele que escorava sua grandeza imaginária na atitude de chamar todo mundo que ele não entendesse, ou que discordasse dele, de “burro”!


Meme hilário de TikTok mandado por um conhecido: como seria o programa de debates entre repórteres e especialistas na GloboNews, especialmente sobre questões internacionais (neste caso, a invasão da Rússia à Ucrânia), se contasse com a participação da cômica personagem carioca Inês Brasil?


Pessanqueira e bailarina do Grupo Kalena de danças ucranianas, sediado no interior do Paraná, deu há alguns meses uma entrevista a um canal de podcasts local sobre o sentimento da comunidade ucraniana quanto ao genocídio atualmente cometido pelo Kremlin. Sua opinião sobre Putin foi tão espontânea que as frases podem ser usadas como meme pra qualquer outra situação, contra qualquer desafeto pessoal (sobretudo um certo presidente durante a pandemia), rs: “Que Deus me perdoe, mas todo dia eu torço pra ouvir a notícia que ele morreu. [...] Falo brincando, mas não tão brincando, que na hora que ele for, ele vai descer de tobogã fazendo assim, lá pro inferno!

“Brincando, mas não tão brincando” foi a melhor parte!


Em vídeo intitulado (não sei bem por quê) “Perigozim e o milho”, que tratava de vários assuntos misturados, o polivalente Nando Moura resolveu “traduzir” a fala de uma mulher que, espantada, assiste e grava com seu celular o momento em que cai o jatinho com Ievgeni Prigozhin, o nazista Dmitri Utkin e outros líderes do Grupo Wagner de paramilitares, levando à morte de todos a bordo. Realmente não tem como eu transcrever a fala da mulher, porque são apenas palavras de espanto e algumas faladas bem baixo, mas Nando nos leva às risadas quando afirma seriamente que “sei um pouco de russo” e simplesmente começa a inventar sua “tradução”, botando até um “O cachorro c... no jardim também!” ou um “Minha artrite tá doendo” no meio!

Claro que muitos trechos pequenos dos vídeos do youtuber têm a capacidade de ser isolados como memes, e com este não foi diferente. Mas sinceramente acho que Nando devia desistir de vez de tentar voltar a dar certo em tudo o que ele já se frustrou e, numa nova carreira, assumir seu talento de humorista ou animador de plateia, rs.


Nesta edição do programa da jornalista Ekaterina Kotrikadze sobre política internacional na TV Rain, canal russo exilado, ela fez uma entrevista com o célebre Alan M. Dershowitz, um dos muitos ex-advogados de Donald Trump, que na ocasião declarou que não votava nem votaria nele, mas apenas em candidatos democratas, dizendo que o ato da defesa nada deve ter a ver com convicções pessoais. Não sei se ele acabou ficando com medo de alguma coisa ou se deu uma vontade súbita de trocar as fraldas ir ao banheiro, mas o fato foi que de repente ele fechou sua câmera e disse que devia terminar a entrevista. Mesmo com uma pessoa inquisitiva como Kotrikadze é raro que isso aconteça, mas achei engraçado o modo como se deu; segue a tradução sem transcrição:

– O sr. concorda com aqueles que dizem que o sr. é uma pessoa próxima de Donald Trump? Considera-se alguém próximo dele?

– Não, sequer travamos conhecimento, me encontrei com ele literalmente um punhado de vezes. Votei contra ele duas vezes, planejo uma terceira vez votar contra, não penso que ele vai ser um bom presidente. Eu o defendi porque acredito na Constituição: nos anos 50, por exemplo, defendi comunistas, e nos anos 70 defendi nazistas [nota: ele é judeu e com posições públicas pró-Israel...], defendi O. J. Simpson e Jeffrey Epstein. Não concordo com as pessoas que defendo, sou como um médico que cuida de um doente: o médico tenta ajudar o doente. Se uma pessoa é julgada ou querem tirá-la do poder, posso representá-la, mas não vou votar em Trump. Não acho que ele vai ser um bom presidente, vou votar contra ele, como fiz nas duas vezes anteriores.

– O sr. não vai votar em Trump?

– Não. Sempre voto nos democratas. Desde 1960 sempre votei e vou votar nos democratas. Tenho que correr, desculpe, muito obrigado pela entrevista!


Inventei de digitar no Google Images meu nome público, ou como dizem alguns, meu nom de plume, e saíram também algumas palavras relacionadas. Claro que todas elas têm a ver com tópicos com que já trabalhei, como as línguas russa e ucraniana e o movimento comunista, mas essa colocação específica que consegui printar ficou muito engraçada, como se estivesse falando de mim: “Erick Fishuk, ucraniano, russo e comunista”. Talvez os algoritmos juntem tudo o que as pessoas acessam de minha autoria sobre esses assuntos, mas não duvido que alguém “pergunte” ao Google se sou russo, ucraniano ou comunista... Aliás, as coisas parecem todas incompatíveis: se sou ucraniano, não posso ser nem russo nem comunista, rs!

E pra terminar, o seguinte fio que me enviaram e que não necessita de explicações:



segunda-feira, 15 de abril de 2019

Memes iniciais da Nova Era Bolsonaro




PÁTRIA ARMADA, BRASIL!


Assim como eu fiz com a era petista uns meses atrás, estou agora divulgando alguns memes que fiz logo no começo dessa chamada “Nova Era” iniciada com o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Já temos pouco mais de três meses de mandato, além dos encargos dos novos governadores e parlamentares estaduais e federais, além do chamado “período de transição”, o que nos possibilita fazer um balanço mais ou menos honesto. Antes de tudo, sabemos que as redes sociais, sobretudo o aplicativo WhatsApp, foram essenciais pra que Bolsonaro e os seus chegassem ao poder, mesmo que esse emprego nem sempre tenha ocorrido de forma honesta. Mas, é claro, a contestação a eles também só podia partir do mesmo ambiente, e os instrumentos estão cada vez mais agudos e velozes!

Os chamados “cem dias” da presidência Bolsonaro foram marcados por polêmicas, desarticulação, desencontros e pouco impulso das alardeadas reformas, de modo que o povo já começa a manifestar sua impaciência. Também nos pareceu que, apesar dos infortúnios ocorridos com o candidato do PSL, sua postura após a posse pouco mudou, e ele continua usando uma linguagem rude e acusando os outros pelos seus problemas. (Algo, claro, nada diferente de Donald Trump, seu exemplo político.) Os chamados “bolsonaristas” agora se encontram na defensiva, e seus adversários de direita e de esquerda usam-se da mesma ferramenta política que predominou nos últimos anos: memes, textões, montagens constrangedoras, disparos em grupos de mensagens, avatares fofinhos e frases de efeito. Ainda parece cedo pra dizer quem é que tem razão, mas a superexposição a que se prestou Bolsonaro já o equipara a Dilma Rousseff na inspiração de tanto humor!

É claro que os memes, pra ficar só num tipo, variam muito em qualidade, partidarismo, engajamento ou decoro. Mas eu mesmo nunca deixei de desejar capturar certos momentos engraçados e eternizá-los no meu canal, independente de opção política, mas sempre buscando uma crítica social instigante. No caso em questão, podemos incluir o “período de transição” dentro do governo Bolsonaro, pois ele já tinha muitas de suas características essenciais e Temer carecia de qualquer moral ou influência política. A suposta vinculação com a ditadura militar de 1964-85 e o persistente corporativismo do Congresso Nacional, não raro associado à corrupção e ao fisiologismo e tentando emperrar a maioria das iniciativas do Executivo, são apenas alguns dos traços mais caricatos da dita “Nova Era”, cuja novidade ainda não vimos com toda clareza.

Aproveitem esses curtos vídeos, além das montagens nem sempre geniais que fiz, e divulguem pra seus amigos e conhecidos! Espero que eles sirvam pra vocês pensarem o que existe além da superfície das instituições políticas e das legendas partidárias ou ideológicas. Nem sempre a ordem é cronológica, mas eu quis montar uma narrativa mais ou menos lógica com a trajetória de nossa evolução institucional:


As raízes de nossa atual democracia imperfeita remontam a 1979, quando foi oficialmente inaugurada a abertura política após 15 anos de férrea ditadura militar anticomunista. Por muito tempo eu procurei esse vídeo, e lembro que capturei apenas o trecho em áudio do site do Jornal Nacional, talvez quando a lei da anistia fez 30 anos (2009), mas na época eu não sabia capturar vídeo. Esse ano procurei como um louco essa reportagem de novo, e não encontrei. Porém, fazendo uma garimpagem pelo YouTube, achei no lugar mais improvável: o começo de um dos intervalos da entrevista do ex-presidente da República João Figueiredo a Alexandre Garcia em 1985, pra extinta TV Manchete.

Questionado pelos repórteres se estava firme em seu propósito de levar adiante a Lei da Anistia, que simbolizava a abertura política e o gradual ocaso da ditadura militar instaurada em 1964, Figueiredo disse que não poderia estar mentindo pro povo. Algo anunciado com tanto alarde, há tanto tempo, mesmo que contrariando os interesses de setores militares mais conservadores, não podia ser de repente dado como suspenso. E ao reafirmar seu intento, Figueiredo solta a célebre frase irônica, sem esconder o método com que sempre tratou as coisas: “É pra abrir mesmo, e quem quiser que não abra, eu prendo, arrebento... Não tenha dúvida!”

Infelizmente, não havia vídeo separado com esta famosa passagem. Acabei capturando o trecho no upload feito pelo documentarista Pedro Janov, o primeiro a divulgar a entrevista. Eu cortei a duração e o quadro, mas tinha outro problema: na matéria, a fala é cortada bruscamente, antes de Figueiredo pronunciar “não tenha dúvida”. Por coincidência, um outro canal carregou uma montagem com parte do áudio da entrevista coletiva, baixado do acervo digital Vozes Brasileiras. Pra esse trechinho final poder aparecer, coloquei ainda no Movie Maker um print da última tela do vídeo da Manchete.

Nota (27/2/2022): O canal Meteoro Brasil fez uma biografia em vídeo do presidente Figueiredo um tempo depois, e mesmo sem citar meu antigo canal Pan-Eslavo Brasil, os donos usaram minha montagem pra ilustrar o referido momento. Nada tive contra, mas comparem com o documentário: até a paradinha final devida ao print da tela é igual, rs.


A tal “renovação política” sempre foi uma bandeira de nossos candidatos estreantes ou outsiders, mas o material antigo e podre parece mostrar uma teimosa capacidade de resistência. Pra piorar, nossos políticos raramente primam pela inteligência ou vasta cultura geral, e se falamos do Rio de Janeiro, com seus caos em diversos domínios nesse fim de 2018 e começo de 2019, a coisa toma tons trágicos e amargos. Devido à gravíssima crise política e humanitária na Venezuela atual, voltou a circular em redes sociais parte de um vídeo da então vereadora da cidade do Rio, Leila do Flamengo (PMDB), explicando em fevereiro de 2014 por que votou contra a concessão de uma homenagem ao presidente daquele país, Nicolás Maduro. Criticando a iniciativa da Câmara Municipal do ano anterior, a legisladora falava da recente morte de um jornalista da TV Bandeirantes durante um protesto, no Rio, contra a Copa do Mundo no Brasil e argumentou que a honraria não era merecida pelo “ditador criminoso que é o Madruga”.

Sim, isso mesmo: Madruga. Por razão desconhecida, ela confundiu “Maduro” com “Madruga”, neste caso certamente uma alusão ao personagem do seriado mexicano Chaves, que faz sucesso no Brasil desde os anos 80. Muitos internautas brincaram que se na Venezuela tinha o Hugo “Chávez”, deveria ter também o Nicolás “Madruga”, embora de fato “Chávez” em espanhol se pronuncie “tchábess”. Por outro lado, “Chaves” (um sobrenome comum no Brasil) foi a alcunha atribuída ao personagem chamado originalmente “Chavo” (tchábo), que na gíria mexicana significa “garoto, guri, moleque”. A grande jogada era que o menino adotado pelos moradores da vila sequer tinha nome, e era simplesmente chamado chavo, ou... “menino”.

Esse não foi um caso isolado envolvendo o caquético e fisiologista MDB (“novo” nome do antigo partido de Temer, Geddel, Sarney, Cunha, Renan, Cabral etc...). Em novembro de 2017, o então deputado estadual André Lazaroni, também do Rio de Janeiro, respondeu virulentamente numa sessão extraordinária a acusações que também lhe estavam sendo feitas. Ao fim do discurso de uns 15 minutos, já começando a trocar alhos por bugalhos, ele citou a frase “Ai do povo que precisa de heróis”, do dramaturgo comunista alemão Bertolt Brecht... que ele chamou de “Bertoldo Brecha”. Este nome era o de um personagem do antigo programa humorístico Escolinha do Professor Raimundo, liderado por Chico Anysio na Rede Globo, que falava, porém, com sotaque baiano. A imediata correção dos colegas o deixou ainda mais confuso, pois provavelmente tendo lido a frase numa fonte indireta, sem conhecer a fundo o verdadeiro autor, não conseguiu chegar à pronúncia exata ou aproximada de seu nome.

A fúria e o atropelamento verbal de Lazaroni só servem pra tentar ocultar, obviamente sem sucesso, sua evidente culpa. A desfaçatez de ter usado a história de Jesus e da igreja cristã pra se justificar é tão descarada e chocante, que decidi deixar todo o trecho que vai do “Brecha” até o final do discurso, quando ele faz sua “modesta” comparação com Cristo. Claro que não sou religioso, mas penso ser um desrespeito com quem realmente crê manipular a fé como blindagem pros seus crimes, algo comum, porém, entre certos políticos pentecostais e neopentecostais cuja fortaleza está na cidade e no estado do Rio. Notavelmente, essa sessão extraordinária da ALERJ era presidida pelo célebre e mítico comunicador Wagner Montes, com o qual tanto nos encontramos no velho Show de Calouros.

Isso só mostra como pra ser político no Braziu-ziu-ziu, você não precisa ter cultura, muito estudo, vergonha na cara, autocrítica e sensibilidade com os outros. Eles sempre tentam nos ocultar, mas vez ou outra acabam escancarando seu despreparo pra lidar com pessoas e com a coisa pública! Os cariocas e fluminenses, infelizmente, estão muito mal servidos com seus políticos em todos os níveis (e as eleições de 2016 e 2018 foram só um petisco disso), mas tenho certeza que isso é um problema que atinge toda a nossa querida e rica nação. Pra fazer esse vídeo, usei uma montagem com a vereadora Leila (só tirei a parte do episódio Chaves) e a filmagem da sessão extraordinária da ALERJ (pus apenas o fim).


Por falar em incultura e falta de articulação, temos um exemplo transparente com o deputado federal e político mais que profissional Fábio Ramalho (MDB-MG). Tudo bem que o Brasil é rico em sotaques e expressões regionais, mas o que vemos aí não é exatamente uma amostra de regionalismo. Alguém que presumidamente ocupa o cargo de tribuno do povo e advogado dos eleitores devia ao menos fazer-se entender de modo menos atabalhoado! Ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados e reeleito em 2018, concorreu como independente à presidência da casa no início deste ano, mas perdeu pra Rodrigo Maia (DEM-RJ). Sua liderança não seria nada insincera nesse antro de podridão, pois a causa que defende arduamente neste vídeo, também tirado do Jornal Nacional (12 de dezembro de 2018), é... o aumento do próprio salário!

Parece até clichê dizer que se trata de preocupação extremamente bizantina diante de tantos problemas que o Brasil vive, sobretudo Minas Gerais, mas isso só mostra que o mantra da “nova política” contra a “velha política” é apenas uma jogada eleitoral. Marina Silva, em 2014, repetiu isso tal como um disco riscado, e talvez por inércia Bolsonaro carregou a mesma bandeira na campanha e mesmo em seu início de governo. Pros avisados, está óbvio que a tendência de nosso sistema é se autoperpetuar, impedindo qualquer renovação profunda, mesmo com várias mudanças que tivemos em Brasília e pelo Brasil. O próprio Ramalho com seu desalinho e improviso é a prova viva do triunfo da “velhíssima política”, mas vender-se como “novo” alguém que passou quase 30 anos votando contra projetos reformistas e não raro apoiando políticas estruturais montadas pelo PT, e depois se erguer em paladino do antipetismo, aí já é difícil de engolir! (Lembrando que o PP, partido a que pertenceu de 2005 a 2016, foi mais ou menos base aliada tanto de Lula quanto de Dilma.)


Quando eu falo em “perpetuação dos políticos”, infelizmente não quero dizer apenas aqueles velhos coronéis bonachões que são reeleitos da forma mais “natural” possível. Não raro, formam-se famílias ou “clãs” inteiros só de políticos, muitas vezes tendo uma cidade, região ou estado como curral eleitoral. Essa herança política, ou mesmo do capital político das gerações anteriores, acontece nos países mais desenvolvidos e democráticos, mas no Brasil toma a forma de uma herança privada passada de pai pra filho, cuja substância material, porém, é a coisa pública. Por isso mesmo, a atividade parlamentar é vista por muitos não como uma forma de ajudar o povo ou defender um certo grupo de interesse, mas garantir o próprio sustento e uma renda fixa sem muito esforço.

Não sei quem era o deputado em questão, mas a posse do novo Congresso Nacional em fevereiro de 2019 trouxe a Brasília famílias inteiras que foram prestigiar as “conquistas”, à moda de trupes caipiras que se esbaldam em festas de formatura escolar ou universitária. As crianças imitam perfeita e sinceramente o meio que absorvem, e o menininho do vídeo, filmado pelo Jornal Nacional em 1.º de fevereiro, parece ter entendido bem a chance. Seguindo o exemplo do pai, adivinhem o que ele quer ser quando crescer?


É claro que secretamente, o pensamento dos brasileiros com relação a seus parlamentares é totalmente outro. São comuns as metáforas com guilhotinas, assassinatos, punições, explosões e outras coisas que mais parecem vinganças revolucionárias de populações oprimidas. Logo, descontadas as inevitáveis vítimas comuns e inocentes, uma hecatombe natural ou até atômica em Brasília sempre povoou alguns sonhos mais acerbos e raivosos. Por isso, acredito que esta é a melhor cena da longa novela bíblica Apocalipse, da Record TV, que começou em 2017 e terminou no ano passado.

Durante a queda do meteoro Absinto, descrita numa das passagens apocalípticas da Bíblia Sagrada, a Praça dos Três Poderes é toda destruída. Tudo bem se fosse só isso, mas a família Ma$$edo esteve sempre interferindo na trama e alfinetando a Globo, com esse noticiário que é evidente imitação do Jornal Nacional. O Juno Meneghel, claramente imitando o célebre William Bonner, até parece que está descrevendo a tragédia de Brumadinho na sua fala, por isso fica até horripilante! Sei que tem gente que não gosta, mas além de cortar o quadro, pus algumas repetições pros internautas terem o prazer aumentado.


Todos os presidentes do pós-ditadura ficaram conhecidos por algum bordão que entrecortava suas falas públicas. Sarney, Collor, FHC, Lula e Dilma tinham alguma palavra ou expressão que repetiam demais por força do hábito, mesmo em discursos planejados, e isso não escapou a seus críticos ou imitadores. Em 8 de março eu estava vendo o Jornal Nacional e de repente apareceu este fim de reportagem sobre as candidaturas laranjas de mulheres pra deputada estadual e federal, supostamente alavancadas em Minas Gerais pelo atual ministro do Turismo, do PSL, partido de Jair Bolsonaro. Saindo de um evento, o presidente foi questionado pela repórter global Zileide Silva se essas denúncias constrangiam o governo, mas ele respondeu secamente que preferia esperar as investigações, e logo em seguida deu as costas e foi embora.

Me chamou a atenção que ele disse isto: “Deixa as investigações continuarem, tá OK?”. Depois de todos esses meses de campanha eleitoral e começo do mandato, só então vi o próprio Bolsonaro pronunciando a expressão que lhe deixou famoso: “Tá OK?”, repetida até por apoiadores adolescentes quando queriam “lacrar” em debates nas redes sociais. Por causa de sua constância e da rapidez com que era pronunciada, tomou várias ortografias cômicas e alternativas na pena dos opositores: “talquei”, “talkey”, “taoquei” etc.

Eu mesmo entendia que essa expressão queria dizer uma fusão do verbo inglês (to) talk (falar) com a terminação “-ei” do passado regular dos verbos em “-ar”. Ou seja, algo como “talkei?” no sentido de “falei?”, “tá falado?”. Mas só lá pro fim do ano passado acabei deduzindo que era “Tá OK?”. Então, mesmo sendo algo bem banal ou babaca, deixei aqui este vídeo como registro histórico, não só do famoso bordão usado já na etapa do mandato, como também de sua relação áspera com a Rede Globo. Esta, pra variar, lhe faz oposição aberta, como a todo governo que ouse assumir.

No Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras, além da fala da ministra Damares Alves com achismos e lugares-comuns sobre a delicadeza feminina contrastando com a força masculina, Bolsonaro também soltou uma pérola num evento oficial com a esposa. Disse que seu ministério tinha equilíbrio de sexos por ter 2 mulheres e 20 homens, já que “cada mulher ali valia por 10 homens”. Valeu a brincadeira, mas só deixa explícita a falta de representatividade de vários setores dentro de seu governo e outras estruturas do Estado (não discuto aqui essa questão, mas deixo pra reflexão, tá OK? rs).


Dois anos atrás conhecido pelos arroubos golpistas, o general Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, com sua fisionomia meio indígena, tem confundido o público por declarações aparentemente contraditórias ao que defende o titular do cargo. Muitos iludidos estão dizendo que ele seria uma espécie de “cavalo de Troia” dentro de um governo ultraconservador, esperando apenas a oportunidade pra lançar a própria candidatura em 2022. Outros veem esse intento pelo lado da desonestidade, soltando apenas umas pérolas progressistas pra dar a impressão de ser mais culto e aberto do que Bolsonaro. O fato é que Mourão, já tendo várias chances de exercer brevemente a presidência, virou uma espécie de “queridinho da imprensa”, mais afável e brincalhão e menos brutamontes do que o “Mito”.

Como informou o Jornal Nacional no dia 19 de fevereiro de 2019, a Câmara dos Deputados derrubou o decreto assinado por Mourão, que ampliava o círculo de funcionários públicos que poderiam classificar documentos de Estado como ultrassecretos. A derrota foi vista como uma retaliação e sinal de força demonstrados ao governo Bolsonaro, cuja equipe, porém, minimizou e afirmou que os reveses “fazem parte da democracia”. Mas o vice não sabia ou não admitia que o Congresso Nacional, não como aglomerado ideológico, mas como associação corporativista, tentaria é sabotar ao máximo a “Nova Era”. Ao comentar o resultado, ele se referiu ainda à famosa frase associada a assaltos a mão armada no Brasil, geralmente por bandidos vindos de classes pobres: “Perdeu, playboy!”.


Primeiro a frase “Perdeu, playboy!”, e agora paga de falante do castelhano. Quem sabe com essa pinta toda, ele realmente não esteja preparando sua futura candidatura à presidência em 2022? Em 25 de fevereiro ele leu um texto escrito em espanhol numa reunião do Grupo de Lima, enquanto governantes da região discutiam soluções diplomáticas pra crise política e humanitária na Venezuela. O general surpreendeu pronunciando um espanhol com forte sotaque, mas razoavelmente compreensível: era a primeira vez que eu via um membro do alto escalão do novo governo dizendo qualquer coisa numa língua estrangeira. As cenas têm produção da GloboNews.

Já que o colombiano Ricardo Vélez-Rodríguez, enquanto foi ministro da Educação, não ensinou nada de útil além de medidas patrioteiras, bem que ele podia dar umas aulas de reforço pro Mourão. E quem sabe mais: fazer um pacote incluindo a Dilma Rousseff, que em várias ocasiões tentou falar da própria cabeça algo remotamente parecido com o espanhol, mas se deu mal! Essa “crestomatia” do ibero-dilmês pode ser apreciada aqui mesmo na página.


Este último vídeo meu não tem a ver diretamente com política, mas decidi incluir aqui, porque dizem que Jair Bolsonaro foi eleito pelo WhatsApp. Então, nada melhor do que pensar na sua segurança num meio hoje tão anárquico! Ele é bem simplezinho e mostra como criar um código PIN e adicionar um e-mail de contato pra evitar invasões indesejadas no seu aplicativo.

Dica importante: pra todos os smartphones modernos com o sistema Android, existe um jeito simplíssimo de tirar prints da tela. Pressione ao mesmo tempo (e não um após o outro) a tecla liga/desliga e o lado do botão do volume que reduz a altura. Espere uns dois segundos, e vai dar o barulho de clique da imagem. Alguns modelos modernos, pelo que notei depois do upload, já têm um comando próprio pra captura de tela.