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quarta-feira, 4 de março de 2026

Quem ri por último, chora melhor

Ci tá na Grobe, é pruquê é verdadj. E de fato, não esperei só o Plim-Plim, mas também a confirmação do morrimento do óia-tô-lá “Ale Camenei” pelo próprio regime iraniano. A Moçada do Bibi do Hamas disse? O Laranjão disse? Não acredito totalmente. Mas dada a bagunça provocada em Teerã, o resultado era esperável, abrindo mais um capítulo histórico dos tempos modernos. Se ainda antes do Jornal Nacional houve um “Plantão terrível” quando Washington anunciou o feito, o genro da Garota de Ipanema só apareceu na propaganda da novela Três Graças quando a própria ditadura confirmou mais um cancelamento de CPF seu.

Desta vez não houve a vinheta da diarreia imediata, e embora no domingo eu tenha hackeado o vídeo do portal G1, no sábado à noite consegui voltar a programação ao vivo por meio da transmissão aberta ao vivo na plataforma Globoplay, assim que soube em outros sites, pouco antes de ir dormir, que “é verdade esse bilete”. Como em Bragança Paulista assistimos à afiliada TV Vanguarda (que transmite de Mas Bom Mesmo é Viver em São José dos Campos), logo antes estava passando um boletim do tempo pras regiões cobertas, e mal terminou a trilha sonora, já apareceu a cara do Tralha. Mas isso foi aqui: já no Irã, pelo menos dois necrológios rodaram as redes, e num deles, o apresentador irrompeu em prantos, bem ao estilo Coreia do Norte.

Em dois momentos, seu “soluço” parece tão fingido (alguém viu as lágrimas?) que chegamos a ter a impressão dele estar rindo, ou se segurando pra não rir e ir parar na forca. Note que aparentemente, mesmo atrás das câmeras, alguém deixa soltar uma risada; já pode ser considerado um dos momentos mais constrangedores da geopolítica televisada, e por isso separei os dois trechos pra que você possa fazer memes à vontade, bem como incorporei a publicação original do portal Metrópoles:



Mais legal ainda foi nesta segunda ter aparecido uma propaganda no portal G1, paga pra ser mostrada pelo Google, em que a Moçada sugere aos iranianos, em persa, que vejam a situação em seu país por sobre a censura oficial. Parece que uma versão ampliada dessa mensagem também foi publicada nas redes oficiais israelenses e nas ligadas aos apoiadores do Pahlanada. Eu hein, depois daquela dos beeps do Hezbollah, eu que não clico nisso! (Eu mesmo transcrevi e joguei no tradutor, fazendo poucas mudanças.)

سازمان موساد
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از آنچه اکنون در خیابانها اتفاق می افتد.
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[Organização] Mossad
Nossos irmãos e irmãs iranianos,
Cliquem aqui para ver fotos e vídeos
do que está acontecendo nas ruas agora.
Estamos com vocês!





Afinal, é assim que nascem as revoluções:


Depois de ver isso, me veio à memória algo que eu teria visto na adolescência, e eu estava certo. A Turquia de 2001, segundo o Livro do ano 2001-2002 editado pela mesma casa da velha Enciclopédia Barsa, também teve um dólar milionário. Aliás, o valor crescia a cada ano: mais de 400 mil liras turcas em 1999, mais de 600 mil em 2000... Mas daí veio o Tobogã e transformou o Império Otomano num país deter-gente, ops, emergente, rs:


Após o morrimento de Ali Khamenei, Carlos Henrique de Brito Cruz, físico e engenheiro brasileiro e ex-reitor da Unicamp, foi escolhido pra ocupar o cargo de líder supremo temporário. Quando a publicação for ao ar, não se sabe se ele ainda vai estar vivo:




domingo, 2 de novembro de 2025

Quando o JN tenta ser Casseta & Planeta

No último dia 31 de outubro, bem na festa ianque do Relouim que resolveram bobamente importar pra cá, William Bonner se despediu da bancada do Jornal Nacional, outrora voz da ditadura civil-militar a partir de 1969 e agora o maior telejornal brasileiro visto por quem ainda só entende português e se senta no sofá com o cérebro desligado pra descansar da lida diária. A Grobe é um gigante com ótimos jornalistas de todas as cores, gêneros, origens, sotaques, formas e tamanhos, mas quem foram escolher pra substituir o ex da Fátima? César Tralli, com sua cara de bobo, esguias pernas arqueadas e cujos pitacos irritantes no fim das matérias deixavam o Jornal Hoje com pelo menos 1/3 a mais de duração do que o suficiente.

Você pode estar se perguntando: Ué, o Bonner vai, sair, f*da-se, não tenho nada com isso, já faz sei lá quantos anos que não assisto mais a essa m*rda. Por mais que a famiglia Marinho tenha irritado tanto lulaminions quanto bolsominions meramente por trazer fatos de cuja interpretação podemos duvidar, mas que incomodam a um montão de gente, o JN e seu mais famoso âncora se tornaram parte da cultura popular nos últimos 29 anos. Sem contar Cid Moreira, que apresentou a primeira edição e se tornou um ícone do jornalismo nacional. E em qualquer país é assim, pois seus jornalistas e telejornais noturnos mais famosos de canais abertos sempre viram alvo de piadas, bordões e memes. Até no Orkut, por exemplo, havia uma comunidade chamada “Eu dou boa noite pro Bonner”, e não sei se alguém chegou a fazer um print dela (sinta-se livre pra me enviar). Posso comprovar na prática: minha vó faz isso até hoje, rs.

Embora alguns critiquem Bonemer por seu jeito de trabalhar e atuar, ele tem qualidades que o distinguem de outros colegas, como a boa retórica improvisada (compare-o com o marido da Ticiane falando na edição daquele dia), a inteligência e, o melhor, um senso de humor que transborda até mesmo em reportagens cotidianas. Porém, esse humor aflora mais plenamente nos bastidores, entre quem já o viu imitando até mesmo Paulo Francis e Clodovil, e parece que nessa “festa da firma” ele resolveu mostrar ao país todo seu dom pro stand up. Não passaram despercebidas suas imitações de “si mesmo aos 8 ou 9 anos” cobrindo um piriri do Chapeleta pela primeira vez e de seu próprio companheiro de bancada, o locutor da Bíblia Sagrada, com quem conferenciava sobre o fato de ficar nervoso antes do programa.

Portanto, eu correria o risco de estar sendo redundante, porém, além de meus próprios comentários, só aqui você vê os trechos selecionados sem edição. E decidi aproveitar também a ocasião pra descarregar inúmeros memes vindos de diversos telejornais da Grobe, que estavam represados desde a queda do canal Pan-Eslavo Brasil ou que fui acumulando depois, além de coisas aleatórias mais recentes. Afinal, como já publiquei aqui constantemente, o JN e seus congêneres (H1, JH, JG e sei lá que outras siglas) nem sempre se tornam o Casseta & Planeta Urgente voluntariamente, mas muitas vezes “sem querer querendo”. Diverte-te:



O “beijo no Bonner” que o Genocida queria ter dado em 2022, rs.


O vídeo “principal” (em cujo fim Bonner diz estar nervoso) e outro vídeo em que ele faz uma gracinha com o sucessor (em que ele diz que “finge estar nervoso”, igual o menino fã do Raça Negra que dizia “fingir estar chorando” no Silvio Santos, rs):




Mais recentemente, o repórter Matheus Croce de uma afiliada em São Vicente, SP, quase morreu de susto quando entrou na Mansão do Medo, montada num shopping center bem antes do Dia das Bruxas (edição minha). De fato, segundo o próprio G1, depois ele teve uma queda súbita de pressão e quase passou mal:


Uma das intervenções mais fora de contexto do genro da Garota de Ipanema em 10 de setembro de 2025. Tão fora de contexto que nem me lembro mais de qual reportagem se tratava, rs:


Tirado a partir de um canal nostálgico da década de 1990. A vinheta “Serviço” era uma as que eu mais achava interessantes em minha infância, mas imagine toda reunida a “família tradicional brasileira”, com casal, vó e filhos pequenos, e de repente um locutor de voz cavernosa joga um “mucosa do pênis, vagina e ânus” na cara dura:


Reportagem de 12 de setembro de 2024 em que Renata Vasconcellos quase põe em órbita aquele catarrão logo no começo. Sem muita graça particular:


A mesma, anunciando o novo dono da Grobe:


Ainda a mesma, resumindo a essência do “sotaque paulistano”, mas provavelmente com fome, porque o jornal tava acabando e ela queria confirmar o pedido do Bonner no Aifode:


E, claro, o famoso “Alô, técnica” de 17 de novembro de 2020, que viralizou, sobretudo, no então chamado Twitter, porque parecia que “a técnica” tinha simplesmente morrido, revelando uma baita fragilidade na organização dos jornalistas. Não sei por que inseri o Jeno rindo no final (nunca o apoiei e nunca vou apoiar suas crias) quando publiquei em meu antigo YouTube, mas deve ter sido uma lembrança da entrevista eleitoral em 2018, quando “ela o sodomizou sem vaselina” depois de insinuação sobre o salário da apresentadora:


Maju Coutinho cobrindo um campeonato de arremesso de bebedouro após o jogo de futebol entre um time brasileiro e outro argentino, ou “Gente, foi isso mesmo, um jogador arremessando lá um bebedouro” (JH, 22 de julho de 2021):


Fora do mundo, Ana Maria Braga anuncia no Mais Você de 28 de junho de 2021 a captura e execução sumária do assassino em série Lázaro Barbosa de Sousa, que fez uma fuga espetacular pelo país e atemorizou os moradores por onde passava. Primeiro ela diz que “Lázaro não tinha relação com Lázaro”, e depois tenta chamar o repórter ao vivo dizendo “Oi, Lázaro, temos Lázaro?”:


Em meados de julho de 2021, no auge da segunda grande vaga da covid-19 com que o desgoverno nos tinha presenteado, Bonner afirma que “a Terra é redonda” e recomenda que todos tomem a segunda dose da vacina:


De novo Bonner, mas ainda sem a barba que o caracterizaria nos últimos anos, anuncia em 26 de dezembro de 2019 um “eclipse solar com Lula”, mal disfarçando que já sentia saudades e não via a hora do retorno do “ex-presidiário”:


Na década de 1980, Renato Machado está em Xernobiu Chornobyl tempos depois da explosão. Mas, como disse certa vez um inscrito de meu YouTube, parecia que ele estava descrevendo o Twitter, invertendo o famoso meme de Éric Jacquin usado quando alguma discussão estava ficando tóxica demais:


Além do “ônibus” (2006) e do “avião do JN” (2010), em que Bonner percorria o Brasil todo queimando a fortuna dos Marinho, entre as muitas iniciativas ridículas lançadas em época de eleições presidenciais estava a vinheta “O Brasil que eu quero” de 2018. Esta era muitíssimo mais econômica, pois em todos os telejornais apareciam vídeos breves de celular, com pedidos que os cidadãos faziam aos candidatos a diversos cargos. Um dos melhores certamente foi o da estudante paraense “Maria Bolacha”:


Após (uma das muitas) enchentes na periferia de São Paulo, em março de 2019, uma senhora identificada como “dona Florentina” elogia a ajuda que a Igreja Universal do Reino de Deus estava dando aos desabrigados ou prejudicados. A graça não está nisso, mas em que o repórter da GloboNews, por mais que tente tirar a IURD da conversa, se vê frustrado e constrangido pela insistência da idosa, rs:


No JH de 13 de fevereiro de 2020, Andréia Sadi e “o nome cotado para a vaca” involuntariamente resumiam como todos os partidos alternantes, sem exceção, sempre tentam “mamar nas tetas do Estado”:


O Fantástico entrevistava um eleitor de Joe Biden nas eleições americanas de 2020, quando uma passante patriota bolsonarista apoiadora de Trump, sem ser chamada, foi argumentar na única linguagem que sabe usar. Spoiler: a polarização mencionada só ia piorar e Biden daria tanta vergonha alheia que o Laranjão voltaria em 2024.


No JH de 2 de junho de 2020, Maju inventou um novo ministério pro milico golpista Augusto Heleno, que era o do “Gabinete de Segurância Institucional”:


Alguém consegue falar diretamente pra ele a “verdade coprológica”?

Vamos mudar de canal (e de país, e de língua). Na ditadura dinástica totalitária do Tajiquistão, mais uma daquelas Boratlândias de economia dependente da Rússia, o telejornal noturno da TV estatal conseguiu dedicar uma edição inteira somente à inauguração de inúmeros prédios frescos, incluindo escolas, numa cidade perdida chamada Danghara.

Óbvio que o dono do país, Emomali Rahmon, devia estar lá, e a lambeção de saco, que passa pela linguagem e pela reverência temerária, chega à recitação decorada de versos laudatórios (de fato, uma tradição do mundo persa) e a apresentações dignas de uma festa de formatura de pré-escola brasileira. Escolha seu ritmo preferido entre uma batida mais tradicional ou uma mixagem techno:




No fim de outubro, viralizou um vídeo em que um prefeito Mamãe Falei calvo de cidade russa destrata e demite em público um burocrata de cujo trabalho ele não gostou. Não lembro mais do que se tratava a obra, mas sinta-se livre pra usar o corte da Radio Svoboda, totalmente fora de contexto, “– O que é isto? – É uma pedra” (“– Что это такое? – Камень”):


E pra terminar de um jeito nada a ver, é curioso como entre as recomendações de canais do WhatsApp, o recurso mais mal copiado pra tentar fazer frente ao Telegram, aparecem coisas completamente aleatórias, sem relação com interesses gerais ou mesmos os seus próprios e de conteúdo absolutamente carente de nexo. Um desses “buracos” (nome mais apropriado) que me sugeriram foi um chamado “Meu FC [fã clube] Do Daily da Vavá”, o troço mais orkutizado que já vi desde a emergência das novas redes sociais. Não faço ideia de quem seja a Vavá, quem faça parte de seu fã clube e se a foto de perfil é da Vavá ou de alguma fã dela.

Embora eu tenha algum receio que isso seja um golpe ou um perfil falso, talvez até escondendo uma situação de abuso (eu denunciei à Meta), é incrível como de fato alguns adolescentes, sobretudo meninas, se expõem elas mesmas dessa maneira, apesar dos discursos mainstream sobre “adultização”. Mais cômico ainda é o pedido pra que os internautas parem de reagir com “emojis inapropriados” (o que é comum, aliás, quando canais bizarros são sugeridos do nada), solenemente desobedecidos com ainda mais berinjelas e dedos medianos. É mais uma prova de que os memes não são feitos, mas aparecem:



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

César Tralli e o Nadesdim... Nadesim...


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/nadesdim


Infelizmente, pra variar, a abordagem de nossa mídia tradicional ainda parece muito com a de velhas páginas humorísticas como “Enquanto isso na Rússia”. O gigantesco país que pode se fragmentar a qualquer momento ainda é visto na Banânia como um espaço exótico e assustador, numa espécie de “paraorientalismo”. E adiciono esse “para” porque não tem como rejeitar a herança europeia na formação da cultura russa, desde a origem viquingue (varegue) da Confederação da Rus, passando pela língua eslava, pela cristianização e pelo esforço modernizante de Pedro 1.º, o Grande, até chegar no bolchevismo, uma invenção tipicamente ocidental.

Sempre que posso, tento trazer aqui direta ou indiretamente, geralmente usando fontes da mídia liberal anti-Putin em russo (TV Rain, Meduza, Sotavision, Novaya Gazeta Europe, Radio Svoboda, Aleksei Pivovarov), alguma coisa sobre os bastidores da invasão à Ucrânia e, mais importante, os problemas internos da Rússia que poucos entendem ou não querem entender. Mais do que o belicismo do Kremlin, acho um serviço de utilidade pública fazer o Brasil entender sem estereótipos, mesmo os positivos demais, os problemas que Moscou não consegue resolver, às vezes a milhares de quilômetros de distância da capital, pois esse caos é grande parte responsável ou pelo apoio tácito a Putin, ou pela distância (ainda mais perigosa) de qualquer coisa relacionada à política, portanto pelo escapismo informativo.

Ninguém tinha esperanças de que, saído das sombras do putinismo e até pouco tempo participando daqueles talk shows malucos da TV central, embora já mostrando opiniões críticas, Borís Nadézhdin fosse representar um perigo real ao ditador ou fosse realmente admitido num simulacro de disputa justa. O meme acima, que consegui encontrar pelo Google, resume um pouco dessa minha opinião. Os outros três candidatos que sobraram não podem nem querem criticar abertamente o poder vigente. É claro que, por não acompanharem o fio completo dos acontecimentos (eu, por exemplo, vejo essas notícias todo dia), os repórteres brasileiros, quando são desafiados a falar ocasionalmente algo a respeito, se embananam todos ao encadearem os fatos e engasgam na pronúncia dos nomes próprios. E entendo de fato que ninguém no Brasil, mesmo os jornalistas (a não ser que se especializem no assunto), é obrigado a conhecer a pronúncia mais ou menos aproximada, mas podia pelo menos haver uma preparação prévia. Ainda mais que nesses casos, justamente como nossos profissionais raramente conhecem outra língua estrangeira que não o inglês, acabam ficando caudatários das mídias anglo-saxãs quando se trata de algo fora das Américas ou da Europa Ocidental.

Parece ter sido esse o caso de César Tralli no Jornal Hoje de 8 de fevereiro, quando noticiou a recusa da Comissão Eleitoral Central (conhecida como TsIK, que Tralli chama de “Comitê”) de aceitar a candidatura de... como afinal se lê aquela transcrição “Nadezhdin”? O genro da Garota agora idosa de Ipanema se enrolou todo e alternou entre “Nadesdím” e “Nadesím” no susto. Me deu a impressão que ele sequer preparou um prompt ou um roteiro, e traduziu de cabeça alguma matéria em inglês no improviso. Não estou o criticando ou o chamando de burro, e sim zoando com uma situação que não foi constrangedora, mas pra mim pelo menos ficou engraçada! Vamos começar pelo nome: não precisamos realizar a pronúncia de “Борис Надеждин” o mais próximo possível da original russa, que ficaria algo como “baríss nadiéjdin”, ainda mais que nos é estranho ver um “o” não tônico e o pronunciar “a”. Já daria muito bem pro gasto “boríss nad(i)éjdin”, lembrando que em português, tanto antes de “m” quanto de “n” costumamos nasalizar as vogais, enquanto o russo distingue claramente ambas as consoantes.

Outra coisa interessante é que em português o nome Boris é pronunciado com o “o” tônico, porque provavelmente veio por intermédio do inglês ou do alemão: quem não se lembra de Boris Ieltsin, sobretudo quando William Bonner anunciou sua famosa dancinha bizarra em Rostov-na-Donú durante a campanha à reeleição de 1996? Mas em russo, o “i” que é a vogal tônica. Não acho isso propriamente um erro. Mas a falta de familiaridade com o tema (que considero parte de um problema mais amplo de falta de cultura geral entre nossos jornalistas) faz Tralli se enroscar também em outras partes da narração, que apontei no vídeo montado. Ele chama em dado momento, por exemplo, o Comitê (na verdade, Comissão) Eleitoral de “Comitê Central”, talvez tendo em mente o CC dos antigos partidos comunistas; a pronúncia involuntária de “Kremlin” com sotaque inglês; a palavra “recusa” vira “refusa [sic]”, e isso reforça minha hipótese de leitura em inglês, pois seria um decalque de refuse ou refusal (duvido que do esperanto rifuzi, rs!); e boa parte da locução fica truncada com interrupções ou alongamentos, como no cômico instante em que ele mal consegue se lembrar do cargo que Putin ocupa!

É como eu disse, meu objetivo foi mais zoar do que ofender ou criticar (se quis criticar, foi mais a formação de nossos jornalistas e a abordagem de certos temas por nossa mídia hegemônica, mesmo), e o jornalismo da TV Globo é cheio de momentos bizarros como esse. Por fim, não poderia deixar de recomendar esta extensão pra navegadores com a tecnologia Chromium, sem a qual esta montagem teria sido inviável. Por anos trabalhei com uma extensão semelhante que me permitiu caçar muita coisa das grandes emissoras e sites, mas infelizmente, numa das formatações do computador, ela se foi junto com os dados do Chrome porque eu não tinha salvo seu nome nem seu endereço!