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segunda-feira, 29 de julho de 2024

SOU DO LEVANTE, TÔ COM MADURO


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/mix-politica14


Publicado pelo MST, mas partilhado pelo “Levante Popular da Juventude”. 11 anos e este refrão crácico, um dos pioneiros do cringe político-estudantil bananeiro (quando mal se usava essa palavra!), não envelhece. Em 6 horas (às 8 da manhã), mais de 800 comentários, muitos de esquerda e criticando a ditadura. Que comecem as brigas inúteis nas redes sociais, kkkkk.


O vídeo clássico, a partir deste backup do qual tirei as credenciais iniciais e finais, que têm muitas críticas, e só deixei o vídeo “puro” mesmo (com possíveis edições do próprio canal). Eles encenam a presença de um “bigodinho”, mas talvez a referência fosse a outro personagem histórico europeu, e que não era Stalin, rs.




Noite. Sei que ninguém tem nada a ver com a vida privada dos outros, mas decidi guardar esta pro anedotário, rs. Esta é parte de uma “notícia” publicada pelo Estabão, e eu gostaria de lembrar que a gaúcha, que fez doutorado na Unicamp (ou seja, é pros governos petistas o que a Malhação era pras novelas da Grobo), “é do Levante e tá com Maduro”. Sempre esteve registrado em suas redes sociais, que parecem conter registros de um estilo de vida muito distinto da grande maioria dos venezuelanos, rs. (Na verdade, agora consta como militante da Frente Brasil Popular, ou seja, nada muito diferente, por ser um mero braço mais barulhento do PT.)



A loirinha olhando e dando risada é impagável!!!


Um senhor nascido em 1981, meio biruta mas com um senso político muito apurado, marretou dois bustos na cidade russa de Zvenigórod, na província de Moscou, mas a alguma distância da capital federal. Em 20 de julho, por volta das 17h (local), ele conseguiu arrancar a cabeça do busto de Stalin, mas por limitações de altura, só conseguiu danificar a cabeça do busto de Lenin. Localizados na praça próxima à rua Sovétskaia, já foram consertados e “reinaugurados”.

Embora não fossem uma iniciativa nem tivessem financiamento estatal, e sim da população local nos anos 2000 (ou seja, não houve autorização legal pra sua edificação), o herói foi detido e está sendo processado por “vandalismo”, conforme o Código Penal vigente. Ele recebeu uma medida preventiva na forma de um compromisso por escrito de não sair do local e de se comportar adequadamente. Neste canal do Telegram está o vídeo original, e curiosamente, embora o stalinismo tenha sido reabilitado pela ditadura mafiosa putinista, há também os que elogiam o homem e criticam as autoridades pela leniência com o passado assassino: “Os monumentos refletem suas populações...”

Há outras informações nas páginas Nossa Zvenigorod, OINFO e Zvenigorod Secretamente da rede VK, a mais usada hoje na Rússia e praticamente controlada pela petroleira estatal. Fiz a segunda versão com a devida inserção do Hino Nacional da URSS, rs. Por mais Lenins e Stalins marretados (igual o Prigozhin fazia com os desafetos), quebrados, derrubados e, de preferência, mijados em cima!





Putin censurou esta montagem conforme a lei contra a “propaganda LGBT”!


E pra terminar, outro dia assisti a um ótimo documentário de mais de 1h, produzido e publicado pelo jornalista russo Alekséi Pivovárov (que ainda consegue não se exilar, embora seja considerado “agente estrangeiro”) em seu canal “Redáktsia” no YouTube. Tratava do ex-chefe do Partido Comunista soviético (e, portanto, também da URSS, na prática) Iúri Andrópov, ex-chefe do KGB que comandou brevemente o país logo após a morte de Leoníd Brézhnev, de 1982 a 1984, por menos de 24 meses (quando finalmente ele também morreu).

Apesar do quase anonimato, Pivovárov e vários historiadores argumentam que o movimento de alguns tapados que querem a “volta da URSS” atualmente ou a análise de quem a enxerga exatamente no contexto político atual têm por base exatamente esse intervalo, caracterizado por puritanismo moral, aumento da repressão policial e algum crescimento econômico. Além disso, foi exatamente o período em que Putin e vários de seus atuais asseclas ingressaram no serviço público, notadamente na espionagem e na burocracia.

Pelas imagens acimas, além de sermos brindados com um médico pessoal de Andropov que mais parece o João Amoêdo noutra encarnação, pega-se um momento em que Brezhnev cumprimenta seus funcionários “daquele jeito” peculiar, mas um deles “toma a iniciativa” e já lhe dá três mamadas empolgadas no bico, sem sequer fazer o “revezamento de bochechas” geralmente visto, rs. A montagem lúdica com a deprimente cena é crédito de um amigo meu!


quinta-feira, 27 de junho de 2024

O golpe falido do General Abobrinha


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/golpe-bolivia


Ontem a Bolívia viveu um dos momentos mais patéticos de sua história política, e acredito que ocorreu um dos maiores pastelões golpistas da história recente. Um tal de Juan José Zúñiga, general do Exército que comandava as Forças Armadas da Bolívia, mas era desconhecido fora do país, liderou uma rebelião militar na capital administrativa, La Paz, sob o pretexto de que queria “salvar a democracia”, “libertar presos políticos” (entre eles, alegadamente a ex-presidente interina Jeanine Áñez, que assumiu após a crise do fim de 2019), “prender Evo Morales” caso ele quisesse se candidatar de novo e mais um monte de bravatas. Ele tentou arrombar a porta principal do Palácio Quemado, sede do Executivo, usando um blindado e depois entrou com tropas fiéis pra tentar deter o presidente Luis “Lucho” Arce, o qual, porém, se recusou a renunciar e ordenou a Zúñiga que desmobilizasse seus homens, ordem não acatada pelo militar.

No dia anterior, o general tinha sido removido do comando do Exército pelo próprio Arce, e não pesquisei sobre as causas da demissão. Porém no meio da tarde de ontem, quarta-feira, o equivalente à Polícia do Exército brasileira, sob as ordens de Zúñiga, cercou a Praça Murillo, em frente ao Palácio Quemado, e começou o que muitos chamaram de “movimentação suspeita de militares”. Suspeitando de um golpe militar, como mais um dos muitos que pontuaram a história da Bolívia, o povo já começou no local uma mobilização espontânea pra defender as instituições, mas foi afastado à força por aqueles policiais. Arce chegou ao Quemado, onde não se encontrava previamente (um dos primeiros detalhes picarescos), e num bate-boca com Zúñiga, que teve ampla repercussão nas redes sociais, percebeu que ele já não queria mais lhe obedecer:


Arce: Eu sou seu capitão.

Zúñiga: Comandante da Força Aérea [?].

A.: Então acate minha ordem, capitão, como general. Faça, com suas ordens, que volte toda a Polícia do Exército a seus quartéis agora mesmo.

Z.: Isso não pode ser possível.

A.: General, o que o senhor está fazendo contra o povo boliviano, não o vamos permitir. Se o senhor respeitar o comando militar, como diz ser um chefe militar, recolha todas as forças agora mesmo, general. É uma ordem, general. É uma ordem! Vai me ignorar? [Presentes começam a gritar em apoio a Arce e contra Zúñiga.] Vai me ignorar?


Enquanto todo o imbróglio acontecia, entre as 18 e 20 horas de Brasília (uma hora a menos na Bolívia), um acadêmico boliviano que lecionava no México disse por videoconferência no canal Notivisión da Bolívia que não acreditava que estava realmente ocorrendo um golpe de Estado. Ele disse que seu pai era militar, e quando dizia como a coisa devia ser feita (que expertise interessante, rs), citava três elementos que estavam ausentes da “zuñigada”: movimentações pela madrugada, prisão imediata do presidente e anúncio em cadeia nacional de rádio e TV informando do intento e o justificando.

Ocorria que por volta das 19h de Brasília, Arce e todo seu governo estavam refugiados na Casa Grande do Povo, novo prédio da sede do Executivo usado desde 2020 e não muito distante do Palácio Quemado, hoje mais usado como museu e espaço de recepções (o segundo detalhe picaresco do “palácio errado”). O general Zúñiga ficou bravateando que também ia “tomar a Casa Grande do Povo”, mas nesse outro prédio, Arce acabou fazendo seu primeiro pronunciamento pela internet, empossou a nova cúpula militar e ouviu do novo comandante do Exército que teria suas ordens respeitadas e os amotinados, retirados da Praça Murillo. Nesse ínterim, as maiores organizações sindicais e sociais, bem como os governos do mundo inteiro e toda a classe política boliviana, incluindo a detenta Áñez e o principal líder da oposição, manifestaram total apoio ao presidente e repúdio ao golpe em curso.

Única omissão ensurdecedora: o Departamento de Estado dos EUA, que apenas soltou uma nota chocha e por canais não oficiais, dizendo que monitorava a situação e pedia “calma” às partes. E aqui devo começar com mais contextualização: houve esquerdistas brasileiros que já estavam justamente vendo o dedo de Washington, especialmente após a descoberta de enormes jazidas de lítio, logo estatizadas por Arce. O próprio Ilomasque já tinha dito um tempo atrás que “se quisesse”, orquestrava um golpe de Estado na Bolívia. Porém, a situação econômica no país já não andava boa, e o presidente estava muito impopular, embora eu mesmo não ache que esse tenha sido o móvel: por que então o povo, que se manifestou contra Morales até ele renunciar em 2019, cerrou fileiras pela democracia?

Interessante foi também o general Zúñiga ter citado nominalmente Evo Morales, que permanece no mesmo partido de Arce, mas se tornou seu adversário político. Embora Arce, enquanto ministro da Economia, tenha sido o verdadeiro pai do “milagre econômico” boliviano entre 2006 e 2019, Morales acabou levando a fama, por ser então o presidente, mesmo acusado de corrupção e autoritarismo no período. Aparentemente, ele planejava se perpetuar no poder, já que a justiça nacional tinha se pronunciado a favor da possibilidade de reeleições indefinidas, mas mesmo tendo obtido um quarto mandato nas eleições de 2019, Morales acabou renunciando e fugindo do país após os fortes protestos. Na nova eleição em 2020, Arce acabou concorrendo e ganhando pelo partido, enquanto a justiça suspendeu os direitos políticos de Morales e uma possível candidatura em 2025, que ainda está nas intenções do político.

O ex-presidente se manifestou contra o golpe, mas sem citar Arce nominalmente no Équis. Não parece ter havido nenhum indício de que o cocaleiro estivesse por trás da tentativa de golpe, mas o pastelão não acabou por aí. O Doutor Abobrinha dos Andes terminou fugindo, ou pelo menos se escondeu por um tempo, quando finalmente os soldados tinham decidido acatar as ordens do novo comando empossado por Arce. Pontualmente às 19h em La Paz, 20h em Brasília, ele finalmente se entregou e saiu do Estado-Maior, quando parou brevemente e iniciou o terceiro detalhe picaresco: disse aos microfones da imprensa presente que tudo tinha sido armado com o presidente pra que este, vendo-se acossado, aumentasse sua popularidade e, portanto, seu poder. Vejamos a sequência, que por entrar (literalmente) pros “anais” da história latino-americana, merece transcrição completa:


Voy a dar con detalles: el día domingo, en el Colegio La Salle, me reuní con el presidente, y el presidente me dijo que la situación... el presidente me dijo: “La situación está muy jodida, esta semana va a ser crítica... esta semana. Entonces es necesario preparar algo para levantar mi popularidad.” Entonces me dice, y le pregunto: “¿Sacamos los blindados?” Y él: “Sacá.” Entonces el lunes... el domingo en la noche, ya los blindados empiezan a bajar: seis Cascabeles y seis Urutús, más catorce Zetas del regimiento de Achacachi, ya? Achacachi. Entonces...

Vou contar com detalhes: no dia de domingo, no Colégio La Salle, me reuni com o presidente, e o presidente me disse que a situação... o presidente me disse: “A situação está muito f..., esta semana vai ser crítica... esta semana. Portanto, é preciso preparar algo pra aumentar minha popularidade.” Então me diz, e eu lhe pergunto: “Tiramos os blindados?” E ele: “Tire.” Então na segunda-feira... no domingo à noite, os blindados começam a baixar: seis Cascavéis e seis Urutus, mais catorze Zetas do regimento de Achacachi, sim? Achacachi. Então... [Nesse momento, Zúñiga é interrompido pelos guardas que o levam pra dentro de uma caminhonete, enquanto os repórteres tentam perguntar: “Autogolpe? Autogolpe?” E a caminhonete vai embora pra prisão, como se vê no trecho que conservei.]

A edição Notivisión Central do canal de notícias boliviano, em 26 de junho, da qual tirei os trechos acima, fez a cobertura completa da tentativa de golpe e tem mais de três horas, pra você treinar seu espanhol! Sobre o uso do verbo “baixar”, tenho duas hipóteses: porque Achacachi é um pouco mais alta do que a altitude média de La Paz (que varia muito segundo o local), ou porque ela fica mais ao norte, significando “baixar” uma forma coloquial de dizer “dirigir-se ao sul”.


Entre vários analistas, mesmo dentro da oposição boliviana, a hipótese (pouco provável) do “autogolpe” foi levada a sério por supostamente estar dentro do cardápio de possibilidades de um partido governante que não respeitaria a democracia nem as instituições. Diz-se que com a situação jodida, como declarou o próprio Abobrinha, Arce poderia usar o golpe falido como pretexto pra decretar estado de exceção e passar por cima da legalidade pra resolver os problemas ou mesmo favorecer a si próprio. Não creio nisso porque, primeiro, nunca vi arroubos autoritários da parte de Arce, embora o próprio Estado boliviano, quase geneticamente, já seja disfuncional, mas conheceu uma inédita estabilidade durante o governo de Morales; e segundo, Zúñiga disse uma coisa em público, e depois deu outra explicação, estapafúrdia, já preso, sem contar que o bate-boca no Palácio Quemado pareceria indício de que Arce teria fugido do roteiro...

Em todo caso, os opositores do governo consideram que esse seria apenas mais um indício da degeneração dos poderes públicos, enquanto analistas neutros chamaram o 26 de junho simplesmente de una jornada atípica, sendo que a calma já voltou à capital e ao país. Independente do uso que Arce e seu partido possam fazer do episódio, me alegram tanto o brio democrático demonstrado pelos bolivianos quanto a reação internacional toda coordenada em prol da legalidade, apesar do estranho silêncio dos EUA (devido, segundo alguns, a mera precaução). Por outro lado, embora Zúñiga parecesse só ter o apoio de si mesmo nessa quartelada, meu receio é de que tais figuras caricatas sempre possam reverberar entre fanáticos no futuro, como ocorreu durante a instilação do clima golpista no Brasil durante anos por Bolsonaro, culminado no Oito de Janeiro.

E como ocorreu com outro (então) tenente golpista em 1992, desta vez num vizinho nosso mais ao norte, que após fazer um longo estágio em Cuba, virou presidente pelo voto popular em 1998 sob elogios do mesmo Bolsonaro. Porém, à diferença do dia de ontem, que foi completamente incruento (R.I.P. portão arrombado do Palácio Quemado!), a aventura em Caracas resultou na morte inútil de dezoito soldados e quarenta e um civis inocentes!


Nosotros acá en Caracas no logramos controlar el poder. Ustedes lo hicieron muy bien por allá, pero ya es tiempo de evitar más derramamiento de sangre, ya es tiempo de reflexionar, y vendrán nuevas situaciones y el país tiene que enrumbarse definitivamente hacia un destino mejor.

Aqui em Caracas nós não conseguimos controlar o poder. Vocês o fizeram muito bem em outras partes, mas chegou a hora de evitar mais derramamento de sangue, chegou a hora de refletir, e vão chegar novas conjunturas e o país precisa definitivamente se encaminhar rumo a um destino melhor.

E que futuro ele arranjaria a partir dos anos 2000!...


terça-feira, 25 de junho de 2024

Alckmin vidente, na cena do crime


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/mix-politica12


E chegamos ao décimo segundo “mix de política ao redor do mundo”, também conhecido como número 12, um pior que o outro! Coloquei meus pensamentos mais recentes tudo aqui num combo, pra que eu não precisasse repartir em publicações diferentes e acabasse tendo mais trabalho. Aliás, se eu sumir nos próximos tempos, não se assuste: cumprida uma etapa principal de minha vida, que foi a defesa da tese de doutorado, preciso me preparar pra começar outra, a saber, estudar pro concurso da diplomacia brasileira e quem sabe, finalmente, ter um emprego fixo, rs.

E além de ser um dos concursos mais difíceis, se não o mais difícil, de nosso cabedal de empregos serviço público, quero reorganizar várias coisas da vida que tinham sido moldadas pela pós-graduação, como minhas estantes de livros e minhas bibliotecas digitais, e fazer as tão adiadas reformas nesta página! Portanto, se porventura não saírem coisas novas, pelo menos não com a frequência com que eu gostaria, não se preocupe, pois de alguma forma estou trabalhando ativamente pra continuar fornecendo bem esse mundo de conhecimentos gratuitos e me aperfeiçoando intelectualmente. Só que desta vez, longe do mundo das “redes antissociais” e vacinado contra essa vontade doentia de viralizar, ser curtido, ter repercussão e opinar praticamente sobre tudo!

Pra começar, vamos refrescar a memória sobre uma calejada personalidade política que talvez seja o vice-presidente menos ruim que já tivemos, e o presidente menos danoso que nós não tivemos: o Picolé de Chuchu. Em 2018, a miniatura acima era de uma entrevista sua à SECOM paralela do Bolsonaro Rádio Jovem Pan, quando ele concorria à presidência e acabou chegando em quarto – conseguindo ficar atrás do Poste do Lule e do Cangaciro –, o que determinou a crise terminal de seu partido, o PSDB. Claro que em 2022 ele realizaria seu sonho “pela metade”, se assim posso dizer, mas vamos refletir sobre esta profecia: Quem vota no Bolsonaro elege o PT.

Claro que do ponto de vista econômico, o ex-capitão e atual capetão parecia mais uma versão piorada da Dilma, isto é, da Unicamp School of Economics (também conhecida como “dilapidar o erário como se não houvesse amanhã”), tanto que a campanha do Chuchu apostou na comparação dele com Hugo Chávez, a quem o vereador federal tinha elogiado em 1999. Mas longe de uma “teoria da ferradura”, talvez o ex-governador estivesse querendo dizer que ele ia ser tão ruim, que o PT ia acabar voltando.

Resultado: parafraseando o tucano em 2006, que disputou a presidência (e ficou em segundo) justamente com seu atual patrão, não só o petista “voltou à cena do crime”, como também cooptou o adversário e o levou junto! A profecia se concretizou, embora a diferença no segundo turno fosse mínima o suficiente pra atemorizar os liberais, mas o mais irônico é que, além da Jararaca ter voltado, o médico de Pinda, então seu crítico feroz, só recuperou seu “lugar ao Sol” após ser eleito pela mensa chapa, rs.



“O, o, o Bôôôzôôô...” (CHUCHU, Picolé de)


Há alguns dias, com seu senso de humor um tanto peculiar, Nando Moura (que não consegue mais se reinventar nem como youtuber, nem como influencer, portanto, se rebaixou à velha categoria de “vlogueiro”) comentou o “cancelamento” do divulgador científico Sérgio Sacani, o famoso “Gordão dos Foguetes”. Ele criticou no Équis tanto as posições da Jararaca sobre exploração espacial privada nos EUA quanto a comemoração, pela Agência Espacial Brasileira, do primeiro voo feminino ao espaço com o desenho de uma astronauta negra, quando a pioneira Valentina Tereshkova, na verdade, era russa. Após essa lacração descarada, a própria AEB apagou o pôster, mas a “tropa de choque” continuou tentando “justificar” a obra de arte e chamando Sacani de “fascista”, “racista”, “extrema-direita” e todo o imprecatório que já conhecemos.

Desde 2011, Tereshkova é deputada da Duma Estatal, hoje praticamente um fantoche nas mãos do Kremlin, e pertence ao partido de Putin, estando sob sanções internacionais por apoiar a criminosa invasão russa à Ucrânia. Curioso, não? Rs. Então, por esse motivo, eu quero mais é que essa véia se f...

Pra mim, “ser cancelado no Twitter/Équis” é um “não evento”, já que o que acontece aí fica aí e que a própria plataforma não tem nenhum impacto social a não ser envenenar o debate público. Por essa mesmíssima razão, o próprio Sacani disse certa vez, num desses incontáveis “mesacasts”, que o Équis já pode ser uma experiência de vida num “metaverso” (palavra que curiosamente sumiu da imprensa recente, com a ascensão medonha da IA). Portanto, não vou entrar em muitos detalhes, a não ser o de que a crítica ao presidente foi que este vive criticando o Ilomasque por aparentemente “querer fugir da Terra pra outros planetas em seus foguetes, sem resolver nossos problemas”, mas Sacani considera tudo isso uma ignorância e desinformação muito grande sobre o assunto. A enxurrada de violência digital, da parte de gente que chupa o saco do Mito Barbudo, foi idêntica.

Abaixo, Nando Moura critica no primeiro corte os ataques devido ao apontamento da ignorância presidencial, imitando magistralmente o político e inventando um planeta “onde pra comer só teria calango, onde até chovesse calango”, e no segundo, a persistente ingenuidade de alguns diante do que se tornou o Équis, cuja definição pelo metaleiro frustrado também é magistral. Os comentários ao vídeo também resumem, de forma humorada, a insatisfação de certos setores conservadores ou de direita com a “patrulha do cancelamento”, geralmente associada apenas à esquerda ideológica:






Montagem comparativa genial, feita por um amigo meu e que dispensa comentários. Apenas observe e reflita sobre a semelhança das essências, rs:


Esta é a política venezuelana María Corina Machado. Assista ao vídeo e descubra por que o Stalin Caribenho pisoteou leis existentes e inexistentes até conseguir que este ano ela não fosse candidata a lhe dar um pé no rabo. Ainda em janeiro de 2012, mesmo sob os uivos dos mortadelas da ditadura, ela ousou dizer umas poucas e boas na cara de um Chávez já perto de ir quicar no colo do Tinhoso. Além de ter mais culhão que muito macho pra enfrentar o ex-golpista na cara, previu exatamente a tragédia que aguardavam os anos futuros de “bolivarianismo” (que de Bolívar só guarda o nome):


No dia 1.º de julho, a atual moeda brasileira, o real, vai completar 30 anos de implantação definitiva, e a Folha de S. Paulo está publicando várias reportagens celebrativas, numa das quais se inclui a seguinte foto, que me permiti roubar pra fazer uma pequena “intervenção artística”. Sem ser um dos incontáveis planos que desde 1985 eram impostos de cima pra baixo à população, de imediato e sem explicações, pra tentar acabar com a hiperinflação de maneira “mágica”, o Plano Real foi sendo implantado aos poucos, desde meados de 1993, e em diversas etapas que eram esclarecidas à população (cuja participação ativa foi considerada essencial pro sucesso), até a adoção final da nova moeda. A queda brusca da inflação em 1995 e a manutenção de índices anuais relativamente baixos a partir de então também pareciam “passe de mágica”, mas justamente foram sendo abandonadas as muitas reformas estruturais e econômicas que o plano originalmente previa, limitando o potencial que o país tinha, com inflação tão baixa, pra “decolar de vez”.

Mesmo assim, e apesar dos ocasionais problemas sociais e econômicos que o Brasil atravessou nas últimas décadas, ninguém entre a população média tem qualquer pesar pela adoção do real, todo mundo ainda vê o fim da hiperinflação como uma das maiores conquistas modernas e prefere a atual situação à passada. Essa relativa bonança impulsionou a carreira política do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chefe da equipe que coordenou o Plano Real, e adiou por muitos anos a eleição de Lula. Maria da Conceição Tavares, recém-falecida economista da supracitada Unicamp School of O Povo Pague a Conta, é famosa pela passagem em que “chorou” na TV ao defender o Plano Cruzado em 1986, um dos mais retumbantes fracassos, em comparação com a expectativa que criou.

Muitos dos defensores e mesmo planejadores do cruzado depois integrariam o time de FHC, mas Conceição Tavares, deputada federal pelo PT em 1995-99, insistiu em criticar as reformas, achando que “só iam beneficiar as elites”. Eis um dos raros encontros entre os dois acadêmicos, na época da adoção da nova moeda, algo que pra figuras atuais hoje pareceria impossível, dadas suas enormes diferenças:


Pausa pro intervalo, você merece:


Terminaram ontem, dia 24, os Jogos dos BRICS, evento multiesportivo que em tese se reúne anualmente num dos países que integra o citado fórum econômico, mas permite acolher um número bem maior de países. A edição deste ano contou com 29 esportes e se realizou em Kazan, capital da república russa do Tartaristão, e contou com várias nações ocidentais e de grande parte do “Çu Grobá”, apesar das sanções aplicadas ao país pelas economias mais poderosas. Curiosamente, há “países” listados no quadro que só são reconhecidos por Moscou e por outros párias geopolíticos, como Abecásia, Ossétia do Sul (ambas províncias da Geórgia ocupada pela Rússia) e a “Republika Srpska”, unidade federada da Bósnia e Herzegóvina de maioria sérvia e à beira da secessão. Me espantei de não ver a Transnístria, a Somalilândia, o Saara Ocidental e aberrações similares, mas enfim...

Ignorando completamente o caráter genocida da invasão à Ucrânia, o Brasil resolveu enviar sua delegação, e pelo quadro de medalhas estabelecido até a edição de meu texto, até que não nos saímos tão mal, rs. Em todo caso, percebo que o Brasil tem feito um trabalho olímpico maravilhoso, independente de políticos e de crises institucionais (ao contrário da CBF, que tá caindo de podre), ficando cada vez mais à frente nas Olimpíadas e chegando a obter o segundo lugar no Pan de Santiago, em 2023 (embora bem atrás dos EUA), proeza passada quase despercebida entre funkeiros, tuiteiros e maconheiros! Só acho que essa libido devia ter sido guardada pra França, evitando assim decorar a vitrine do Kremlin assassino.

Isolado pelos governos mais racionais devido a seu comportamento megalômano e cleptocrata, Putin decidiu usar a ocasião como uma espécie de “válvula de escape” por não poder usar as Olimpíadas de Paris como vitrine esportiva da ditadura, embora muitas nações sequer tivessem cogitado levar delegações. Por essa razão, os Jogos dos BRICS podem ser chamados de Olim-Piada do Putinverso Paralelo. Em todo caso, pelo que podemos constatar abaixo, a lógica putinista pode ser resumida da seguinte maneira: 1) Desencadeie uma das guerras mais criminosas das últimas décadas. 2) Seja isolado do mundo, inclusive das instituições esportivas, mas bote a culpa na “russofobia” do “imperialismo malvadão estadunidense”. 3) Organize os próprios jogos (ou use outros pra fazer propaganda), dispute sozinho e chegue em primeiro. 4) Ganhe as “Olim-Piadas” longe de concorrentes sérios, rs.

O próprio Aleksandr Máltsev, de 29 anos, que virou piada internacional ao aparecer sozinho num pódio, é um dos pioneiros do nado sincronizado masculino, uma categoria ainda incipiente e incomum, como fez notar parte da imprensa russa de oposição no exílio (a segunda imagem é de uma triagem da versão russa do portal Meduza feita pelo site Ground.news):