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15 de abril de 2019

Memes iniciais da Nova Era Bolsonaro


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PÁTRIA ARMADA, BRASIL!


Assim como eu fiz com a era petista uns meses atrás, estou agora divulgando alguns memes que fiz logo no começo dessa chamada “Nova Era” iniciada com o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), e postei na TV Eslavo (YouTube). Já temos pouco mais de três meses de mandato, além dos encargos dos novos governadores e parlamentares estaduais e federais, além do chamado “período de transição”, o que nos possibilita fazer um balanço mais ou menos honesto. Antes de tudo, sabemos que as redes sociais, sobretudo o aplicativo WhatsApp, foram essenciais pra que Bolsonaro e os seus chegassem ao poder, mesmo que esse emprego nem sempre tenha ocorrido de forma honesta. Mas, é claro, a contestação a eles também só podia partir do mesmo ambiente, e os instrumentos estão cada vez mais agudos e velozes!

Os chamados “cem dias” da presidência Bolsonaro foram marcados por polêmicas, desarticulação, desencontros e pouco impulso das alardeadas reformas, de modo que o povo já começa a manifestar sua impaciência. Também nos pareceu que, apesar dos infortúnios ocorridos com o candidato do PSL, sua postura após a posse pouco mudou, e ele continua usando uma linguagem rude e acusando os outros pelos seus problemas. (Algo, claro, nada diferente de Donald Trump, seu exemplo político.) Os chamados “bolsonaristas” agora se encontram na defensiva, e seus adversários de direita e de esquerda usam-se da mesma ferramente política que predominou nos últimos anos: memes, textões, montagens constrangedoras, disparos em grupos de mensagens, avatares fofinhos e frases de efeito. Ainda parece cedo pra dizer quem é que tem razão, mas a superexposição a que se prestou Bolsonaro já o equipara a Dilma Rousseff na inspiração de tanto humor!

É claro que os memes, pra ficar só num tipo, variam muito em qualidade, partidarismo, engajamento ou decoro. Mas eu mesmo nunca deixei de desejar capturar certos momentos engraçados e eternizá-los no meu canal, independente de opção política, mas sempre buscando uma crítica social instigante. No caso em questão, podemos incluir o “período de transição” dentro do governo Bolsonaro, pois ele já tinha muitas de suas características essenciais e Temer carecia de qualquer moral ou influência política. A suposta vinculação com a ditadura militar de 1964-85 e o persistente corporativismo do Congresso Nacional, não raro associado à corrupção e ao fisiologismo e tentando emperrar a maioria das iniciativas do Executivo, são apenas alguns dos traços mais caricatos da dita “Nova Era”, cuja novidade ainda não vimos com toda clareza.

Aproveitem esses curtos vídeos, além das montagens nem sempre geniais que fiz, e divulguem pra seus amigos e conhecidos! Espero que eles sirvam pra vocês pensarem o que existe além da superfície das instituições políticas e das legendas partidárias ou ideológicas. Nem sempre a ordem é cronológica, mas eu quis montar uma narrativa mais ou menos lógica com a trajetória de nossa evolução institucional:



As raízes de nossa atual democracia imperfeita remontam a 1979, quando foi oficialmente inaugurada a abertura política após 15 anos de férrea ditadura militar anticomunista. Por muito tempo eu procurei esse vídeo, e lembro que capturei apenas o trecho em áudio do site do Jornal Nacional, talvez quando a lei da anistia fez 30 anos (2009), mas na época eu não sabia capturar vídeo. Esse ano procurei como um louco essa reportagem de novo, e não encontrei. Porém, fazendo uma garimpagem pelo YouTube, achei no lugar mais improvável: o começo de um dos intervalos da entrevista do ex-presidente da República João Figueiredo a Alexandre Garcia em 1985, pra extinta TV Manchete.

Questionado pelos repórteres se estava firme em seu propósito de levar adiante a Lei da Anistia, que simbolizava a abertura política e o gradual ocaso da ditadura militar instaurada em 1964, Figueiredo disse que não poderia estar mentindo pro povo. Algo anunciado com tanto alarde, há tanto tempo, mesmo que contrariando os interesses de setores militares mais conservadores, não podia ser de repente dado como suspenso. E ao reafirmar seu intento, Figueiredo solta a célebre frase irônica, sem esconder o método com que sempre tratou as coisas: “É pra abrir mesmo, e quem quiser que não abra, eu prendo, arrebento... Não tenha dúvida!”

Infelizmente, não havia vídeo separado com esta famosa passagem. Acabei capturando o trecho no upload feito pelo documentarista Pedro Janov, o primeiro a divulgar a entrevista. Eu cortei a duração e o quadro, mas tinha outro problema: na matéria, a fala é cortada bruscamente, antes de Figueiredo pronunciar “não tenha dúvida”. Por coincidência, um outro canal carregou uma montagem com parte do áudio da entrevista coletiva, baixado do acervo digital Vozes Brasileiras. Pra esse trechinho final poder aparecer, coloquei ainda no Movie Maker um print da última tela do vídeo da Manchete.



A tal “renovação política” sempre foi uma bandeira de nossos candidatos estreantes ou outsiders, mas o material antigo e podre parece mostrar uma teimosa capacidade de resistência. Pra piorar, nossos políticos raramente primam pela inteligência ou vasta cultura geral, e se falamos do Rio de Janeiro, com seus caos em diversos domínios nesse fim de 2018 e começo de 2019, a coisa toma tons trágicos e amargos. Devido à gravíssima crise política e humanitária na Venezuela atual, voltou a circular em redes sociais parte de um vídeo da então vereadora da cidade do Rio, Leila do Flamengo (PMDB), explicando em fevereiro de 2014 por que votou contra a concessão de uma homenagem ao presidente daquele país, Nicolás Maduro. Criticando a iniciativa da Câmara Municipal do ano anterior, a legisladora falava da recente morte de um jornalista da TV Bandeirantes durante um protesto, no Rio, contra a Copa do Mundo no Brasil e argumentou que a honraria não era merecida pelo “ditador criminoso que é o Madruga”.

Sim, isso mesmo: Madruga. Por razão desconhecida, ela confundiu “Maduro” com “Madruga”, neste caso certamente uma alusão ao personagem do seriado mexicano Chaves, que faz sucesso no Brasil desde os anos 80. Muitos internautas brincaram que se na Venezuela tinha o Hugo “Chávez”, deveria ter também o Nicolás “Madruga”, embora de fato “Chávez” em espanhol se pronuncie “tchábess”. Por outro lado, “Chaves” (um sobrenome comum no Brasil) foi a alcunha atribuída ao personagem chamado originalmente “Chavo” (tchábo), que na gíria mexicana significa “garoto, guri, moleque”. A grande jogada era que o menino adotado pelos moradores da vila sequer tinha nome, e era simplesmente chamado chavo, ou... “menino”.

Esse não foi um caso isolado envolvendo o caquético e fisiologista MDB (“novo” nome do antigo partido de Temer, Geddel, Sarney, Cunha, Renan, Cabral etc...). Em novembro de 2017, o então deputado estadual André Lazaroni, também do Rio de Janeiro, respondeu virulentamente numa sessão extraordinária a acusações que também lhe estavam sendo feitas. Ao fim do discurso de uns 15 minutos, já começando a trocar alhos por bugalhos, ele citou a frase “Ai do povo que precisa de heróis”, do dramaturgo comunista alemão Bertolt Brecht... que ele chamou de “Bertoldo Brecha”. Este nome era o de um personagem do antigo programa humorístico Escolinha do Professor Raimundo, liderado por Chico Anysio na Rede Globo, que falava, porém, com sotaque baiano. A imediata correção dos colegas o deixou ainda mais confuso, pois provavelmente tendo lido a frase numa fonte indireta, sem conhecer a fundo o verdadeiro autor, não conseguiu chegar à pronúncia exata ou aproximada de seu nome.

A fúria e o atropelamento verbal de Lazaroni só servem pra tentar ocultar, obviamente sem sucesso, sua evidente culpa. A desfaçatez de ter usado a história de Jesus e da igreja cristã pra se justificar é tão descarada e chocante, que decidi deixar todo o trecho que vai do “Brecha” até o final do discurso, quando ele faz sua “modesta” comparação com Cristo. Claro que não sou religioso, mas penso ser um desrespeito com quem realmente crê manipular a fé como blindagem pros seus crimes, algo comum, porém, entre certos políticos pentecostais e neopentecostais cuja fortaleza está na cidade e no estado do Rio. Notavelmente, essa sessão extraordinária da ALERJ era presidida pelo célebre e mítico comunicador Wagner Montes, com o qual tanto nos encontramos no velho Show de Calouros.

Isso só mostra como pra ser político no Braziu-ziu-ziu, você não precisa ter cultura, muito estudo, vergonha na cara, autocrítica e sensibilidade com os outros. Eles sempre tentam nos ocultar, mas vez ou outra acabam escancarando seu despreparo pra lidar com pessoas e com a coisa pública! Os cariocas e fluminenses, infelizmente, estão muito mal servidos com seus políticos em todos os níveis (e as eleições de 2016 e 2018 foram só um petisco disso), mas tenho certeza que isso é um problema que atinge toda a nossa querida e rica nação. Pra fazer esse vídeo, usei uma montagem com a vereadora Leila (só tirei a parte do episódio Chaves) e a filmagem da sessão extraordinária da ALERJ (pus apenas o fim).



Por falar em incultura e falta de articulação, temos um exemplo transparente com o deputado federal e político mais que profissional Fábio Ramalho (MDB-MG). Tudo bem que o Brasil é rico em sotaques e expressões regionais, mas o que vemos aí não é exatamente uma amostra de regionalismo. Alguém que presumidamente ocupa o cargo de tribuno do povo e advogado dos eleitores devia ao menos fazer-se entender de modo menos atabalhoado! Ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados e reeleito em 2018, concorreu como independente à presidência da casa no início deste ano, mas perdeu pra Rodrigo Maia (DEM-RJ). Sua liderança não seria nada insincera nesse antro de podridão, pois a causa que defende arduamente neste vídeo, também tirado do Jornal Nacional (12 de dezembro de 2018), é... o aumento do próprio salário!

Parece até clichê dizer que se trata de preocupação extremamente bizantina diante de tantos problemas que o Brasil vive, sobretudo Minas Gerais, mas isso só mostra que o mantra da “nova política” contra a “velha política” é apenas uma jogada eleitoral. Marina Silva, em 2014, repetiu isso tal como um disco riscado, e talvez por inércia Bolsonaro carregou a mesma bandeira na campanha e mesmo em seu início de governo. Pros avisados, está óbvio que a tendência de nosso sistema é se autoperpetuar, impedindo qualquer renovação profunda, mesmo com várias mudanças que tivemos em Brasília e pelo Brasil. O próprio Ramalho com seu desalinho e improviso é a prova viva do triunfo da “velhíssima política”, mas vender-se como “novo” alguém que passou quase 30 anos votando contra projetos reformistas e não raro apoiando políticas estruturais montadas pelo PT, e depois se erguer em paladino do antipetismo, aí já é difícil de engolir! (Lembrando que o PP, partido a que pertenceu de 2005 a 2016, foi mais ou menos base aliada tanto de Lula quanto de Dilma.)





Os hits do verão que bombam no começo de cada ano no Brasil são mais ou menos um termômetro de como anda nossa vida cultural, intelectual e temperamental. Eu pessoalmente acho que em 2018, Pabllo Vittar e MC Loma e as Gêmeas Lacração foram o ápice de nossa degradação, quando ainda desatolávamos devagar da crise econômica, esperávamos um ano cheio de brigas e baixarias eleitorais (e portanto, somado à Copa do Mundo, parado na economia) e tínhamos de amargar outro ano da decomposição do desmoralizado governo Michel Temer. O primeiro hit da chamada “Nova Era” foi Jenifer (ou O nome dela é Jenifer), gravado por Gabriel Diniz, geralmente rotulado como sertanejo, mas com uma mistura musical muito mais complexa.

Todo ano as pessoas aguardam esse “chiclete” com a seguinte expectativa: “O que será que o Diabo reservou desta vez para nós?...” Embora não seja meu estilo preferido, eu mesmo curti a música, porque ela tem alguma “letra”, alguma “melodia”, não é extremamente barulhenta, é até animadinha e conta uma história engraçada (quem nunca se afundou no Tinder? hahaha), sem palavrões, baixarias ou gritos. Mas sempre há os que se lamentam e esperneiam, maldizendo o coitado intérprete da canção e sua manada de “autores”, e isso geralmente em todos os anos, segundo eles, “cada vez pior”. Montagens não faltam pra zoar os destaques da mídia, e eu mesmo não fiz diferente.

Ano passado fiz a mesma coisa com Que tiro foi esse, outra porcaria tirada da lata do lixo, mas parece que os memes com as mocinhas jamais viralizam. A montagem mais famosa é da personagem Mary Hatch, interpretada pela atriz americana Donna Reed no filme A felicidade não se compra (It’s a Wonderful Life, 1946), mas criei também com a personagem Lucinda, interpretada pela atriz brasileira Andreia Horta na novela das 6 Tempo de amar da Rede Globo, exibida entre 2017 e 2018. Elas simbolizam uma música que certamente ficará lembrada por seu lançamento no início do primeiro governo brasileiro claramente de direita desde Fernando Collor. Mas a comparação de qualidades entre o musical e o político é algo cuja apreciação, de fato, varia bastante!



Quando eu falo em “perpetuação dos políticos”, infelizmente não quero dizer apenas aqueles velhos coronéis bonachões que são reeleitos da forma mais “natural” possível. Não raro, formam-se famílias ou “clãs” inteiros só de políticos, muitas vezes tendo uma cidade, região ou estado como curral eleitoral. Essa herança política, ou mesmo do capital político das gerações anteriores, acontece nos países mais desenvolvidos e democráticos, mas no Brasil toma a forma de uma herança privada passada de pai pra filho, cuja substância material, porém, é a coisa pública. Por isso mesmo, a atividade parlamentar é vista por muitos não como uma forma de ajudar o povo ou defender um certo grupo de interesse, mas garantir o próprio sustento e uma renda fixa sem muito esforço.

Não sei quem era o deputado em questão, mas a posse do novo Congresso Nacional em fevereiro de 2019 trouxe a Brasília famílias inteiras que foram prestigiar as “conquistas”, à moda de trupes caipiras que se esbaldam em festas de formatura escolar ou universitária. As crianças imitam perfeita e sinceramente o meio que absorvem, e o menininho do vídeo, filmado pelo Jornal Nacional em 1.º de fevereiro, parece ter entendido bem a chance. Seguindo o exemplo do pai, adivinhem o que ele quer ser quando crescer?



É claro que secretamente, o pensamento dos brasileiros com relação a seus parlamentares é totalmente outro. São comuns as metáforas com guilhotinas, assassinatos, punições, explosões e outras coisas que mais parecem vinganças revolucionárias de populações oprimidas. Logo, descontadas as inevitáveis vítimas comuns e inocentes, uma hecatombe natural ou até atômica em Brasília sempre povoou alguns sonhos mais acerbos e raivosos. Por isso, acredito que esta é a melhor cena da longa novela bíblica Apocalipse, da Record TV, que começou em 2017 e terminou no ano passado.

Durante a queda do meteoro Absinto, descrita numa das passagens apocalípticas da Bíblia Sagrada, a Praça dos Três Poderes é toda destruída. Tudo bem se fosse só isso, mas a família Ma$$edo esteve sempre interferindo na trama e alfinetando a Globo, com esse noticiário que é evidente imitação do Jornal Nacional. O Juno Meneghel, claramente imitando o célebre William Bonner, até parece que está descrevendo a tragédia de Brumadinho na sua fala, por isso fica até horripilante! Sei que tem gente que não gosta, mas além de cortar o quadro, pus algumas repetições pros internautas terem o prazer aumentado.



O começo da “Nova Era” está se caracterizando pela efetivação do improvável, em especial a tomada a sério de ideias ou pessoas que, como o próprio Bolsonaro, antes pareciam meras caricaturas frustradas na internet. Uma dessas figuras é o filósofo, escritor e astrólogo Olavo de Carvalho, “autodidata” segundo sua própria definição, quase sem nenhuma instrução formal ou certificada por diploma. Se não fosse a degradação moral e educativa por que passamos, ele não passaria de um velho reacionário e boca-suja, chamando a atenção com as afirmações mais estapafúrdias sobre ramos tão diversos quanto física e história, e morando nos EUA pra fugir da reação física que certamente provocaria com seus constantes ataques pessoais a figuras de renome. E tudo isso, claro, não atraindo multidões de jovens em salas de aula ou auditórios de palestras, mas sentado folgadamente em sua mesa de trabalho, tomando sua xícara de açúcar com um pouco de café e falando com seus “alunos” por videoconferência.

Pois bem, ele se tornou a fonte de inspiração a todos aqueles que queriam votar em Jair Bolsonaro, este mesmo sem um programa claro, passando-se por “produtor de cultura”, atraindo a admiração do próprio candidato e de seus filhos que o tratam como um “professor”, e foi alçado à condição de “guru intelectual do bolsonarismo”. É o mesmo senhor que afirma que a lei da gravidade é uma farsa, que combustíveis fósseis não existem e que o nazismo é de esquerda... Mas, sagaz ele parece ser o suficiente pra gradualmente tomar distância do Planalto, enquanto Jair Messias começa a acumular seus primeiros fracassos e polêmicas nojentas. Estamos carentes de ídolos!

Muitos me criticaram por tirar este trecho do contexto maior do vídeo completo, cujo conteúdo, porém, afirmando que “Stalin criou o nazismo”, mal tem qualquer valor intelectual ou didático. Mas a intenção foi mesmo provocar, chocar ou fazer rir, pois todo mundo sabe a real posição ideológica de Olavo de Carvalho e não poderia tirar qualquer conclusão positiva dessa fala. O que soa engraçado, no vídeo de janeiro de 2017, é fazer parecer que ao chamar Iosif Stalin, mandante da URSS comunista de 1924 a 1953, de “o maior estrategista da história humana”, ele ainda vê algum mérito em sua figura. Segundo o pensador, “tudo aconteceu do jeito que ele disse, e ele obteve tudo o que ele queria”, ficando de fato ao internauta informado a missão de saber que isso não implica nenhuma adesão ao comunismo. O áudio original estava baixo demais, então ao editar, além de cortar o quadro, aumentei consideravelmente o volume.



Todos os presidentes do pós-ditadura ficaram conhecidos por algum bordão que entrecortava suas falas públicas. Sarney, Collor, FHC, Lula e Dilma tinham alguma palavra ou expressão que repetiam demais por força do hábito, mesmo em discursos planejados, e isso não escapou a seus críticos ou imitadores. Em 8 de março eu estava vendo o Jornal Nacional e de repente apareceu este fim de reportagem sobre as candidaturas laranjas de mulheres pra deputada estadual e federal, supostamente alavancadas em Minas Gerais pelo atual ministro do Turismo, do PSL, partido de Jair Bolsonaro. Saindo de um evento, o presidente foi questionado pela repórter global Zileide Silva se essas denúncias constrangiam o governo, mas ele respondeu secamente que preferia esperar as investigações, e logo em seguida deu as costas e foi embora.

Me chamou a atenção que ele disse isto: “Deixa as investigações continuarem, tá OK?”. Depois de todos esses meses de campanha eleitoral e começo do mandato, só então vi o próprio Bolsonaro pronunciando a expressão que lhe deixou famoso: “Tá OK?”, repetida até por apoiadores adolescentes quando queriam “lacrar” em debates nas redes sociais. Por causa de sua constância e da rapidez com que era pronunciada, tomou várias ortografias cômicas e alternativas na pena dos opositores: “talquei”, “talkey”, “taoquei” etc.

Eu mesmo entendia que essa expressão queria dizer uma fusão do verbo inglês (to) talk (falar) com a terminação “-ei” do passado regular dos verbos em “-ar”. Ou seja, algo como “talkei?” no sentido de “falei?”, “tá falado?”. Mas só lá pro fim do ano passado acabei deduzindo que era “Tá OK?”. Então, mesmo sendo algo bem banal ou babaca, deixei aqui este vídeo como registro histórico, não só do famoso bordão usado já na etapa do mandato, como também de sua relação áspera com a Rede Globo. Esta, pra variar, lhe faz oposição aberta, como a todo governo que ouse assumir.

No Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras, além da fala da ministra Damares Alves com achismos e lugares-comuns sobre a delicadeza feminina contrastando com a força masculina, Bolsonaro também soltou uma pérola num evento oficial com a esposa. Disse que seu ministério tinha equilíbrio de sexos por ter 2 mulheres e 20 homens, já que “cada mulher ali valia por 10 homens”. Valeu a brincadeira, mas só deixa explícita a falta de representatividade de vários setores dentro de seu governo e outras estruturas do Estado (não discuto aqui essa questão, mas deixo pra reflexão, tá OK? rs).



Dois anos atrás conhecido pelos arroubos golpistas, o general Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, com sua fisionomia meio indígena, tem confundido o público por declarações aparentemente contraditórias ao que defende o titular do cargo. Muitos iludidos estão dizendo que ele seria uma espécie de “cavalo de Troia” dentro de um governo ultraconservador, esperando apenas a oportunidade pra lançar a própria candidatura em 2022. Outros veem esse intento pelo lado da desonestidade, soltando apenas umas pérolas progressistas pra dar a impressão de ser mais culto e aberto do que Bolsonaro. O fato é que Mourão, já tendo várias chances de exercer brevemente a presidência, virou uma espécie de “queridinho da imprensa”, mais afável e brincalhão e menos brutamontes do que o “Mito”.

Como informou o Jornal Nacional no dia 19 de fevereiro de 2019, a Câmara dos Deputados derrubou o decreto assinado por Mourão, que ampliava o círculo de funcionários públicos que poderiam classificar documentos de Estado como ultrassecretos. A derrota foi vista como uma retaliação e sinal de força demonstrados ao governo Bolsonaro, cuja equipe, porém, minimizou e afirmou que os reveses “fazem parte da democracia”. Mas o vice não sabia ou não admitia que o Congresso Nacional, não como aglomerado ideológico, mas como associação corporativista, tentaria é sabotar ao máximo a “Nova Era”. Ao comentar o resultado, ele se referiu ainda à famosa frase associada a assaltos a mão armada no Brasil, geralmente por bandidos vindos de classes pobres: “Perdeu, playboy!”.



Parece que o vice-presidente Hamilton Mourão estava virando presença cativa na TV Eslavo: primeiro a frase “Perdeu, playboy!”, e agora paga de falante do castelhano. Quem sabe com essa pinta toda, ele realmente não esteja preparando sua futura candidatura à presidência em 2022? Em 25 de fevereiro ele leu um texto escrito em espanhol numa reunião do Grupo de Lima, enquanto governantes da região discutiam soluções diplomáticas pra crise política e humanitária na Venezuela. O general surpreendeu pronunciando um espanhol com forte sotaque, mas razoavelmente compreensível: era a primeira vez que eu via um membro do alto escalão do novo governo dizendo qualquer coisa numa língua estrangeira. As cenas têm produção da Globo News.

Já que o colombiano Ricardo Vélez-Rodríguez, enquanto foi ministro da Educação, não ensinou nada de útil além de medidas patrioteiras, bem que ele podia dar umas aulas de reforço pro Mourão. E quem sabe mais: fazer um pacote incluindo a Dilma Rousseff, que em várias ocasiões tentou falar da própria cabeça algo remotamente parecido com o espanhol, mas se deu mal! Essa “crestomatia” do ibero-dilmês pode ser apreciada aqui mesmo na página.



Este último vídeo meu não tem a ver diretamente com política, mas decidi incluir aqui, porque dizem que Jair Bolsonaro foi eleito pelo WhatsApp. Então, nada melhor do que pensar na sua segurança num meio hoje tão anárquico! Ele é bem simplezinho e mostra como criar um código PIN e adicionar um e-mail de contato pra evitar invasões indesejadas no seu aplicativo.

Dica importante: pra todos os smartphones modernos com o sistema Android, existe um jeito simplíssimo de tirar prints da tela. Pressione ao mesmo tempo (e não um após o outro) a tecla liga/desliga e o lado do botão do volume que reduz a altura. Espere uns dois segundos, e vai dar o barulho de clique da imagem. Alguns modelos modernos, pelo que notei depois do upload, já têm um comando próprio pra captura de tela.