domingo, 30 de agosto de 2015

Pelos vales e colinas (canção partisan)


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Pelos vales e colinas, em russo “По долинам и по взгорьям” (Po dolinam i po vzgoriam), é uma popular marcha militar dos tempos da Guerra Civil Russa (1918-1922). Iniciada a Primeira Guerra Mundial, o escritor russo Vladimir Giliarovski compôs a letra da Marcha do Regimento Siberiano, e na época da guerra civil, foram escritas sobre sua melodia alguns textos variantes, entre eles a Marcha dos guerrilheiros do Extremo Oriente (1922).

Com nova melodia de Ilia Aturov e letra de Piotr Parfionov, essa marcha é dedicada à 2.ª Divisão da Manchúria Exterior, formada após a Batalha de Volochaievka da guerra civil (5 a 14 de fevereiro de 1922). A canção trata da luta do Exército Vermelho contra as tropas do Governo Provisório da Manchúria Exterior, comandadas pelo general Viktorin Molchanov, nos entornos de Spassk, Volochaievka e Vladivostok. Esse governo foi o último enclave “branco” da guerra civil, cuja rendição foi um dos episódios finais do conflito.

Nas décadas de 1920 e 1930, a canção passaria a ser conhecida como “Партизанский гимн” (Partizanski gimn), título que pode ser traduzido como Hino partisan ou Hino guerrilheiro. Na Guerra Civil Espanhola (1936-1939) já havia surgido uma versão em espanhol entre os republicanos, e com a Segunda Guerra Mundial a canção incrementou sua popularidade, sendo escritas versões nas línguas dos resistentes de vários países. Uma das mais conhecidas é a versão em sérvio Po šumama i gorama, cirílico “По шумама и горама” (Pelos bosques e montanhas; escute aqui). Na Rússia, a canção era ensinada nas escolas até a dissolução da URSS, mas até hoje algumas crianças ainda a aprendem.

Algumas notas históricas. Primorie (Приморье) e Priamurie (Приамурье) são duas regiões histórico-geográficas do Extremo Oriente russo, bordeando o Oceano Pacífico, sendo a segunda conhecida também como “Manchúria Exterior” e a primeira, não tendo equivalente em português, mas também sendo um nome não oficial da Província Marítima, ou Krai do Litoral. Mas no geral, essas regiões podem abranger uma ou mais divisões federais russas, ou parte delas.

“Atamano” (атаман, ataman) era o título oficial dos chefes militares supremos dos exércitos cossacos do Império Russo, enquanto “voivoda” (воевода, voievoda), palavra com acepções diversas em todo o mundo eslavo, era no mesmo império o comandante militar de determinada região que, ao longo do tempo, também acumulou funções governativas, ou tinha apenas estas. Contudo, nos tempos da Guerra Civil Russa, “atamano” e “voivoda” também designavam lideres militares e/ou políticos de tropas “brancas” no Extremo Oriente russo.

Fiz a legendagem a pedido dos autores do blog do Coletivo Lenin. No verbete sobre essa canção da Wikipédia em inglês, há também a versão em sérvio com tradução. A maioria das informações que escrevi sobre a canção foi traduzida do artigo da Wikipédia em russo, mas também pesquisei em outras versões, bem como na hora de escrever as notas históricas. Depois do vídeo abaixo, está a letra em russo e em português:


По долинам и по взгорьям
Шла дивизия вперёд,
Чтобы с боя взять Приморье –
Белой армии оплот
Чтобы с боя взять Приморье –
Белой армии оплот

Наливалися знамёна
Кумачом последних ран,
Шли лихие эскадроны
Приамурских партизан.
Шли лихие эскадроны
Приамурских партизан.

Этих лет не смолкнет слава,
Не померкнет никогда –
Партизанские отряды
Занимали города.
Партизанские отряды
Занимали города.

И останутся, как в сказках,
Как манящие огни
Штурмовые ночи Спасска,
Волочаевские дни.
Штурмовые ночи Спасска,
Волочаевские дни.

Разгромили атаманов,
Разогнали воевод
И на Тихом океане
Свой закончили поход.
И на Тихом океане
Свой закончили поход.

____________________


Pelos vales e colinas
A divisão seguia adiante
Para lutar pelo Primorie,
Baluarte do Exército Branco.
Para lutar pelo Primorie,
Baluarte do Exército Branco.

As bandeiras estavam cheias
Do vermelho das últimas feridas,
Seguiam os audazes esquadrões
De guerrilheiros do Priamurie
Seguiam os audazes esquadrões
De guerrilheiros do Priamurie

A glória desses anos jamais
Vai se apagar ou se calar:
Os destacamentos guerrilheiros
Conquistaram cidades.
Os destacamentos guerrilheiros
Conquistaram cidades.

E restarão, como nos contos,
Como chamas atraentes
As noites de assalto a Spassk
E os dias rumo a Volochaievka.
As noites de assalto a Spassk
E os dias rumo a Volochaievka.

Destroçamos os atamanos,
Dispersamos os voivodas
E junto ao Oceano Pacífico
Terminamos nossa marcha.
E junto ao Oceano Pacífico
Terminamos nossa marcha.


domingo, 23 de agosto de 2015

“Te amo, te amo, te amo” em esperanto


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Eis que torno pública novamente outra tradução de música brasileira para o esperanto, que estava guardada. Esta é a belíssima e apaixonante Te amo, te amo, te amo, composta por João Plinta e Waldir Luz, e cantada pelo talentoso sertanejo Dalvan, e a qual verti em 9 de abril de 2011. O novo título que dei foi Destino, que não precisa de tradução. Nesta página você pode ler a letra em português, e abaixo o vídeo com a música e a letra em esperanto.

Ĉi tiu kanzono estas belega kaj pasiiga sukceso de muziko “sertanejo” en Brazilo, kantata de Dalvan kaj komponita de João Plinta kaj Waldir Luz, kies tradukon de la portugala lingvo al Esperanto mi faris la 9-an de Aprilo 2011. La originala titolo en la portugala estas Te amo, te amo, te amo, kiu signifas Mi amas vin, mi amas vin, mi amas vin, sed mi donis la novan nomon Destino. Ĉi-paĝe vi povas legi la tekston en la portugala, kaj ĉi-sube vi rigardos kaj legos tekston en Esperanto kaj videon kun la kanzono.


Destino

Multajn fojojn kune uzis liton ni
Kaj ĉe via sin’ matenon trovis mi
Forgesanta ĉiujn miajn kompromisojn.
Niaj vestoj, pro l’amoro, restis for
Dum kun rapideco batis mia kor’
Karesita de afabla via kis’.

Niaj vivoj estas unu nur afero,
Do, se ni apartiĝos, restos malespero,
Malfacile vivas mi sen via am’.
Jam kontaminis min parfumo via roza
Kaj se ofendas oni vin, mi furiozas.
Mi amos vin eterne, ho belega dam’!

Destino, destino, destino, destino
Por ni jam estas komponita:
Ni estos nur unu anim’.
Destino, destino, destino, destino
Min faris homo tre benita
Per ĝojo kun neniu lim’.



segunda-feira, 17 de agosto de 2015

“Amai nossa Ucrânia”, de V. Sosiura


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Esta foi a primeira tradução poética que fiz a partir de um idioma eslavo. Trata-se do poema “Любіть Україну” [Liubit Ukrainu], que significa literalmente “Amai a Ucrânia” ou “Amem a Ucrânia”. Foi escrito pelo poeta e romancista Volodymyr Mykolaiovych Sosiura, nascido em 6 de janeiro de 1898 (25 de dezembro de 1897, pelo calendário juliano ortodoxo) na cidade de Debaltseve (Debaltsevo, em russo), pertencente então ao Império Russo e hoje integrando o leste da província ucraniana de Donetsk, na divisa com a província de Luhansk. Volodymyr Sosiura faleceu em 8 de janeiro de 1965 na Kyiv soviética.

Em fevereiro de 2015, num grupo do Facebook dedicado aos brasileiros descendentes de ucranianos, um senhor residente em São Paulo apresentou esse poema e me sugeriu traduzi-lo para o português mantendo as sutilezas poéticas. Ele pontuou que a cidade onde Volodymyr Sosiura havia nascido era Debaltseve, então cenário de uma cruenta batalha entre as Forças Armadas da Ucrânia e as Forças Armadas da Nova Rússia, consideradas “separatistas” por Kyiv, no desenrolar da guerra civil iniciada durante a crise política de 2014. Debaltseve é um ponto logisticamente estratégico ocupado por forças do governo em julho de 2014 e retomado pelas tropas da autoproclamada República Popular de Donetsk em 18 de fevereiro de 2015, quando o exército ucraniano, na defensiva desde meados de janeiro, foi forçado à retirada.

Sosiura, cujo pai tinha raízes francesas (o sobrenome deve ser uma aclimatação de “Saussure”), lutou na Guerra Civil Russa entre o inverno de 1918 e o outono de 1919 nas fileiras do exército da então independente República Popular Ucraniana, comandado por Symon Petliura. Porém, com a derrota dessa república, Sosiura passou para o Exército Vermelho, e após o fim do conflito realizou seus estudos superiores, concluídos em 1925, tendo já exercido outras profissões antes de 1918, inclusive nas minas do Donbass. Tornando-se um escritor muito popular entre as décadas de 1920 e 1930, pertenceu a várias associações literárias, inclusive a União Ucraniana dos Escritores Proletários, mas frequentemente entrava em conflito com as diretrizes do Partido Comunista ucraniano, do qual, aliás, era membro, e que frequentemente criticava suas propensões “nacionalistas”. Sosiura chegou até mesmo a ser obrigado a um trabalho fabril de “reeducação” entre 1930 e 1931.

Volodymyr Sosiura foi correspondente de guerra entre 1942 e 1944, ano em que escreveu o poema “Amai a Ucrânia”, com alusões à paisagem e cultura locais, ao conflito mundial e à expulsão de tropas invasoras. Conseguiu ganhar o Prêmio Stalin de primeiro grau em 1948 por uma coletânea poética publicada no ano anterior, mas em 1951 seria alvo de uma campanha difamatória oficial, com alcance inclusive no jornal Pravda, por conta do suposto “nacionalismo burguês” de seu “Amai a Ucrânia”. O desgosto de Sosiura o teria levado a um primeiro infarto em 1958 e a vícios posteriores, até um segundo infarto que teria acelerado sua morte aos 67 anos de idade.

Após a Ucrânia ter sido declarada independente, em 1991, o poeta foi relembrado em inúmeras homenagens, monumentos, selos, artigos e republicações, e uma edição comemorativa da moeda de 2 hryvnias marcou em 1998 o centenário de seu nascimento, trazendo a efígie de Sosiura e, logo abaixo, a inscrição “Любіть Україну”. Na cidade de Zmiiv, um mastro com a bandeira nacional em honra aos 20 anos da independência tem gravadas em seu pedestal algumas estrofes do poema. Veja aqui uma foto do mastro por inteiro ou de seu pedestal com as estrofes 1, 2, 4 e a última.

Quando o senhor de São Paulo postou o poema no grupo do Facebook, uma senhora escreveu em comentário um rascunho de tradução literal, ao qual não sei como ela havia chegado, pois alguns significados estavam até errados. Mesmo assim, a colaboração dela me ajudou e, embora não sendo fluente em ucraniano, após ter deixado todo esse material guardado ao longo do primeiro semestre, decidi empunhá-lo em meados de junho e, no dia 14, concluí a tradução poética brasileira, após uns três dias de trabalho muito inspirado. Contei ainda com o auxílio de dicionários e enciclopédias online, para dúvidas vocabulares, gramaticais e sobre o contexto histórico de certas palavras.

Obviamente obedeci à métrica original, inclusive respeitando oxítonas ou paroxítonas em final de verso, mantive as maiúsculas ou minúsculas em começo de verso e procurei mexer o menos possível no significado; onde isso não foi possível devido às obrigações da forma, fiz cortes do que era redundante, adaptações e até mesmo acréscimos que não destoassem do todo. Busquei não repetir rimas ao longo do poema, recorri inclusive a rimas parciais e mantive ao máximo a ocorrência do nome “Ucrânia”, especialmente quando ele importava na rima. E o mais notável, substituí o célebre “Amai a Ucrânia” por “Amai nossa Ucrânia”, por respeito à métrica no primeiro verso, o que acredito não ter prejudicado nem um pouco os efeitos.

Parece que Volodymyr Sosiura ainda é um desconhecido no Brasil, exceto nos círculos imigrantes, enquanto as ideias que permeiam sua obra teriam um caráter apressadamente pouco palatável a certos literatos ditos progressistas encoleirados a análises unilaterais da atual conjuntura geopolítica. Logo abaixo está o poema em ucraniano, e em seguida, minha tradução brasileira. Mais informações biográficas e literárias, nas Wikipédias em inglês, em russo e em ucraniano.




Любіть Україну


Любіть Україну, як сонце, любіть,
як вітер, і трави, і води…
В годину щасливу і в радості мить,
любіть у годину негоди.

Любіть Україну у сні й наяву,
вишневу свою Україну,
красу її, вічно живу і нову,
і мову її солов'їну.

Між братніх народів, мов садом рясним,
сіяє вона над віками…
Любіть Україну всім серцем своїм
і всіми своїми ділами.

Для нас вона в світі єдина, одна
в просторів солодкому чарі…
Вона у зірках, і у вербах вона,
і в кожному серця ударі,

у квітці, в пташині, в електровогнях,
у пісні у кожній, у думі,
в дитячий усмішці, в дівочих очах
і в стягів багряному шумі…

Як та купина, що горить — не згора,
живе у стежках, у дібровах,
у зойках гудків, і у хвилях Дніпра,
і в хмарах отих пурпурових,

в грому канонад, що розвіяли в прах
чужинців в зелених мундирах,
в багнетах, що в тьмі пробивали нам шлях
до весен і світлих, і щирих.

Юначе! Хай буде для неї твій сміх,
і сльози, і все до загину…
Не можна любити народів других,
коли ти не любиш Вкраїну!

Дівчино! Як небо її голубе,
люби її кожну хвилину.
Коханий любить не захоче тебе,
коли ти не любиш Вкраїну…

Любіть у труді, у коханні, у бою,
як пісню, що лине зорею…
Всім серцем любіть Україну свою —
і вічні ми будемо з нею!

____________________


Amai nossa Ucrânia


Amai nossa Ucrânia, amai como o sol,
os campos, o vento e as águas...
Amai se alegria e prazer reinam sós,
bem como nas horas de mágoa.

Amai nossa Ucrânia no agir e pensar,
as ginjas, e a sempre luzente
e nova beleza, e a língua a soar
igual rouxinol tão contente.

No rico mosaico dos povos irmãos,
a Ucrânia fulgura do início...
Amai-a com o âmago do coração
e vossos trabalhos propícios.

No mundo indivisa nos é, sem igual
no doce, atraente infinito...
Está nos salgueiros, no alvor sideral,
nos pulsos do peito em agito,

em tudo menor: chama, pássaro, flor,
nos cantos e nos pensamentos,
criança que ri, moça olhando em amor,
bandeiras bradando no vento.

É morro que queima, mas não vira pó,
e vive nos bosques, veredas,
no som das sirenes, no ondar do Dnipró,
nas púrpuras nuvens de seda.

no cru bombardeio que cinzas tornou
os hostes vestidos de guerra,
no rifle que da negridão nos levou
à clara e feliz primavera.

Ei, moço! A ela dá tudo ao viver,
teu choro ou risada espontânea...
Não ama outros povos sem antes querer
com zelo e paixão nossa Ucrânia!

Ei, moça! A ela e seu teto de anil
sempre ama, não causa cizânia.
O amado te nega cortejo viril
se deixas de lado a Ucrânia...

Lavrando, lutando, cuidando – amai
como ária na luz matutina...
Na alma imortal vossa Ucrânia guardai:
com ela, imortal nossa sina!



domingo, 9 de agosto de 2015

Lukashenka fala no Dia da Vitória 2010


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Discurso pronunciado por Aliaksandr Lukashenka, ditador (como ele mesmo se chama) da República de Belarus, na parada das tropas da Guarnição de Minsk, capital do país, em comemoração aos 65 anos da vitória soviética (Belarus era uma república da URSS até 1991) na Segunda Guerra Mundial, em 9 de maio de 2010. O título russo do discurso é “Vystuplenie A. Lukashenka na parade v oznamenovanie 65-i godovschiny Pobedy v Velikoi Otechestvennoi voine”.

Lukashenka inicia pela honra da memória dos que morreram em combate ou em campos de concentração e defende a importância de se recordar o conflito como forma de celebrar o triunfo da civilização sobre a barbárie. Ressalta ainda que Belarus foi um dos países que mais sofreu em perdas materiais e humanas e que não cabe dúvidas de que a União Soviética, com todos os seus povos unidos, especialmente os eslavos, foi a maior responsável pela vitória dos Aliados, não cabendo qualquer tipo de revisão da história nem o desprezo dela como lição para o futuro. O presidente alude a um contexto geopolítico difícil, diante do qual é necessário conservar as conquistas da “geração dos vencedores”, reforçar a defesa nacional e evitar a intromissão estrangeira nos assuntos internos e na construção do bem-estar. Elogiando o povo belarusso como “invencível e autoconfiante”, termina o discurso com exortações otimistas ao futuro nacional e com a maior gratidão aos veteranos que ainda estavam vivos e presentes no desfile.

Os belarussos, uma etnia eslava oriental outrora chamada de “russos brancos” (que é o que significa literalmente seu nome), supõem que sua primeira existência como Estado teria sido o Grão-Ducado da Lituânia, que existiu até 1795, mas uma República Popular Bielorrussa independente só existiria entre 1918 e 1919, ano em que se tornou uma república soviética. A nova Bielorrússia independente seria rebatizada como “Belarus” em 1991 e governada pelo presidente do Soviete Supremo até 1994, quando foi criado o cargo de Presidente de Belarus, desde então ocupado por Aliaksandr Lukashenka. Tendo servido no Exército Soviético nos anos 1970 e 1980, e sendo hoje “Marechal de Belarus”, Lukashenka havia sido o único deputado do país a votar contra a dissolução da URSS, e como presidente manteve diversas políticas estatistas e antiliberais soviéticas, e é acusado de censurar e perseguir a oposição política e jornalística.

As duas línguas oficiais de Belarus são o belarusso e o russo, porém mais de 70% da população usa o russo em sua vida diária, língua dominante no governo e na mídia e na qual Lukahsenka fez este discurso. Mesmo entre os belarussos étnicos, apenas pouco mais de 26% usa o belarusso em família, mas este influencia fortemente o russo local, quando não ocorrem misturas entre os dois.

O texto em russo publicado na época pode ser lido nesta página. Eu baixei o vídeo do “Canal da Vitória”, administrado pelo Cristiano Alves, tradutor que admira muito a Rússia e o período soviético, e que já havia feito uma primeira tradução, com a qual cotejei meu trabalho. Abaixo está minha versão legendada, tendo sido feitas no texto, como sempre, as necessárias adaptações a esse tipo de mídia:


Caros veteranos! Camaradas soldados, sargentos, suboficiais, oficiais e generais! Estimados compatriotas e convidados estrangeiros!

Felicito-os de coração pelos 65 anos da Grande Vitória.

Todo ano, na data sagrada de 9 de maio, rendemos nossas maiores homenagens a essa inigualável façanha do povo soviético. Inclinamos nossas cabeças ante os mortos nos campos de batalha e os mártires dos campos de concentração. Honramos e glorificamos todos os que contribuíram para livrar a humanidade do nazismo.

A memória popular guardará para sempre a abnegação e a coragem dos que suportaram as piores provações e venceram a guerra mais cruel do século passado.

A importância dessa Vitória para toda a humanidade é eterna. Ela se tornou um símbolo do triunfo da vida sobre a morte, da liberdade sobre a escravidão, do humanitarismo sobre o racismo. Realizou uma justa represália à agressão e à violência e fez uma crítica severa das ambições e ideias insanas de dominação mundial.

Para o povo belarusso, o Dia da Vitória tem um significado especial. Nossa república sofreu nos anos terríveis da guerra como nenhum país no mundo. Por causa desse genocídio desumano, o país perdeu um terço de sua população. Foi destruída toda a infraestrutura, lembrada apenas por cinzas de aldeias incendiadas e ruínas de cidades outrora prósperas.

Muitos países participaram do combate ao agressor. Mas a verdade histórica consiste em que o papel decisivo na luta antifascista coube à União Soviética. Exatamente ela se tornou a força que mudou o curso da Segunda Guerra Mundial, selando seu desenlace e o destino não apenas de nossa Pátria, mas também de muitos outros Estados e povos, em suma, de toda a comunidade internacional.

Infelizmente, cada vez mais pessoas têm buscado substituir a verdade paga com milhões de vidas por variantes que rebaixam a importância da Grande Façanha de nossos soldados e guerrilheiros clandestinos, denegrindo os patriotas que lutaram para libertar seu país. Pior ainda, tais esforços têm se tornado uma real orientação política.

Hoje é indispensável fazer todo o possível para deter o revisionismo histórico.

Assim, em 1941, ocorreu não um simples conflito entre Estados e enormes potenciais bélicos, mas um embate universal entre sistemas políticos diferentes, entre valores morais e espirituais opostos. E nesse embate alcançamos a vitória.

À defesa da Pátria se ergueu todo o povo, e por isso mesmo essa guerra entrou para sempre na história como a Grande Guerra Patriótica.

O principal ingrediente da vitória foi a sólida fraternidade entre os soviéticos das diversas nacionalidades. O 9 de Maio é uma festa partilhada entre Belarus, Rússia, Ucrânia e todos os países da Comunidade de Estados Independentes. E hoje, na parada solene em Minsk, Moscou e Kyiv, ombro a ombro se postam os militares dos países eslavos irmãos.

A lembrança dessa heroica façanha é sagrada. Porém, para evitar erros trágicos, é indispensável tirar da experiência do passado as conclusões corretas.

Conclamamos todos os países do mundo a não ignorar as novas afrontas e tendências perigosas que ameaçam nossa segurança.

Caros compatriotas!

O complicado contexto atual apresenta elevadas exigências de fortalecermos a capacidade defensiva de nosso Estado, para o que realizaremos todo o necessário, com atenção especial em garantir um alto nível de incremento das Forças Armadas.

Recordando as lições da guerra, nos damos conta que nada nos importa mais do que conservar a paz, o bem-estar do povo e a independência de nosso Estado. É exatamente esse o sentido de nossa política.

A preciosa herança da liberdade e independência, além de venerada, deve ser defendida de ameaças políticas e econômicas como for possível.

Caros amigos!

O sentido básico de todos os nossos planos é conseguir criar condições dignas de vida ao povo belarusso.

Nós mesmos, e não os estrangeiros, firmaremos nosso bem-estar. Só com um esforço obstinado, cotidiano e eficiente tornaremos a pátria belarussa num Estado forte e próspero.

Precisamos crer nas próprias forças, consolidar a unidade nacional e a coesão social. Só assim se atinge a vitória. Essa é a manifestação do mais alto ânimo de um povo invencível e autoconfiante!

Otimismo e consolidação de forças são a chave do sucesso. Esse lema da geração dos vencedores será sempre atual e oportuno.

Honra e glória aos defensores da Pátria!

Suprema gratidão a vocês, caros veteranos, por terem nos presenteado com a vida. Podem estar certos que em Belarus a imperecível façanha do povo soviético será sempre honrada.

Saúde, paz, felicidade e sucesso a todos, caros amigos.

Viva a nossa Pátria, a República de Belarus!

Hurra, camaradas!



sábado, 1 de agosto de 2015

Stalin discursa no metrô (6/11/1941)


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Este vídeo contém excertos de um informe do líder soviético Iosif Stalin à sessão solene do Soviete de Moscou de Deputados Trabalhadores com organizações partidárias e sociais da cidade de Moscou, ocorrida a 6 de novembro de 1941 na estação Maiakovski do metrô, em plena guerra contra a Alemanha nazista. O texto integral do informe foi publicado na edição do jornal Pravda do dia seguinte. Stalin alude às consequências da invasão alemã para o cotidiano e economia soviéticos, e ao fracasso de Hitler em tentar esmagar a URSS num prazo curto demais.

Dentro das Obras completas de Stalin, o informe completo em russo pode ser lido no tomo 15, editado em Moscou pela Pisatel em 1997, pp. 71-83. Seu título original é “Doklad na torzhestvennom zasedanii Moskovskogo Soveta deputatov trudiaschikhsia s partiinymi i obschestvennymi organizatsiami goroda Moskvy, 6 noiabria 1941 goda”. Existe também uma versão em português publicada originalmente em 1943 no livro Stalin, de Emil Ludwig (Rio de Janeiro, Calvino, 1943), mas que usei apenas a título de comparação, pois era bem insatisfatória. Eu baixei o vídeo sem legendas desta página, e apenas acrescentei a tradução.

O vídeo legendado pode ser visto abaixo. Não houve nenhuma alteração ao se passar o discurso oral em russo para o texto escrito, mas desta vez estou colocando, abaixo do vídeo, o texto da legenda, pois sugiro uma comparação com a versão em russo, especialmente quem conhece esta língua, para se notar as diversas reduções, resumos e simplificações que fiz, todas necessárias para a adequação à mídia audiovisual. A título de curiosidade, coloquei também os trechos equivalentes da tradução brasileira de 1943, para se perceber não só como fui bem sucinto, sem porém perder o sentido principal, mas também como o(a) primeiro(a) tradutor(a) foi muito prolixo.


Iosif Stalin assim pronuncia, e assim se publica:

Товарищи! Прошло 24 года с тех пор, как победила у нас Октябрьская социалистическая революция и установился в нашей стране советский строй. Мы стоим теперь на пороге следующего, 25-го года существования советского строя. [...] Война значительно сократила, а в некоторых областях прекратила вовсе нашу мирную строительную работу. Она заставила перестроить всю нашу работу на военный лад. Она превратила нашу страну в единый и всеобъемлющий тыл, обслуживающий фронт, обслуживающий нашу Красную Армию, наш Военно-Морской Флот. Период мирного строительства кончился. Начался период освободительной войны с немецкими захватчиками. [...] Предпринимая нападение на нашу страну, немецко-фашистские захватчики считали, что они наверняка смогут “покончить” с Советским Союзом в полтора-два месяца и сумеют в течение этого короткого времени дойти до Урала. Нужно сказать, что немцы не скрывали этого плана “молниеносной” победы. Они, наоборот, всячески рекламировали его. Факты, однако, показали всю легкомысленность и беспочвенность “молниеносного” плана. Теперь этот сумасбродный план нужно считать окончательно провалившимся.


Tradução que fiz para transformar em legenda:

Camaradas! Há 24 anos, tendo triunfado a Revolução Socialista de Outubro, instauramos em nosso país o regime soviético. Estamos prestes a entrar nos 25 anos de sua existência. [...] A guerra afetou muito, e em certas áreas parou toda nossa edificação pacífica. Ela nos fez militarizar todo o nosso trabalho. Ela uniu o país inteiro numa só retaguarda a serviço do front, do Exército Vermelho e da Marinha de Guerra. A edificação pacífica acabou. Entramos numa guerra libertadora contra a agressão alemã. [...] Ao agredir nosso país, os fascistas alemães contavam conseguir sem erro “acabar” com a URSS em um mês e meio ou dois, e nesse curto prazo atingir os Urais. Lembremos que eles não escondiam esse plano de vitória “relâmpago”, mas alardeavam de todo jeito. E os fatos provaram que era um plano leviano e infundado. Devemos declarar agora o fracasso definitivo dessa loucura.


Tradução publicada em 1943:

Camaradas! São decorridos, vinte e quatro anos, desde a vitória da Revolução Socialista de Outubro e da implantação do sistema soviético em nosso país. Estamos agora no começo de outro ano, o 25.° da existência do sistema soviético. [...] Nossa construção pacífica reduziu-se consideravelmente e, em certos ramos, paralisou por completo. Fomos obrigados a reorganizar todo o nosso trabalho, colocando-o em pé de guerra. Nosso país transformou-se numa retaguarda unida a serviço de nosso Exército e de nossa Marinha. O período de construção pacífica chegou a seu fim. Começou o período de guerra, que visa libertar-nos da agressão alemã. [...] Ao iniciar sua ofensiva contra o nosso país, os alemães calculavam que, seguramente, poderiam “acabar” com a URSS em um mês e meio ou dois meses, conseguindo, nesse breve tempo, chegar até os Urais. É preciso notar que os alemães não faziam segredo desse plano de vitória relâmpago. Pelo contrário, proclamavam sua intenção por todos os meios. Os fatos, entretanto, encarregaram-se de demonstrar a superficialidade e a falta de base desse plano. Agora já se pode considerá-lo fracassado.



“Fim da linha, seu nazistóvski sem vergonha!”

domingo, 26 de julho de 2015

Concessões e estímulo do capitalismo

Discurso de Vladimir Ilich Ulianov (Lenin) gravado em disco em 25 de abril de 1921, traduzido diretamente do russo e legendado. Acompanham breve introdução, informações técnicas e a versão em russo. Clique aqui para consultar o índice completo dos 14 discursos, sob a tag “Discursos de Lenin”.

A devastação pela Primeira Guerra Mundial e pela Guerra Civil na Rússia foi tanta que a “nova política econômica” (NEP), implantada como recuo temporário para reerguer o país, obrigou o Estado comunista a fazer acordos com capitalistas estrangeiros para obter o máximo de produtos manufaturados, em troca de mantimentos cedidos pelo campo. Lenin justifica a iniciativa como um contrato temporário de arrendamento, urgente para elevar o nível de vida, e em que o capitalista não se torna dono da propriedade estatal, ainda em mãos operárias e camponesas, mas tem seu cumprimento do contrato vigiado para que seja vantajoso ao Estado e à população em geral.


Título completo: Concessões e estímulo do capitalismo
Título em russo: О концессиях и о развитии капитализма [O kontsessiakh i o razvitii kapitalizma].
Fonte: Este discurso não está nas Obras completas e foi publicado pela primeira vez na revista Molodaia Gvardia, n. 2-3, 1924, onde está assinado como “N. Lenin”. Esta página apresenta a versão transcrita do russo e o áudio MP3 disponível para baixar.
Em outras línguas: não localizei


Camaradas!

O Poder Soviético está convidando capitalistas estrangeiros que queiram receber concessões na Rússia.

O que são concessões? São um acordo entre o Estado e capitalistas que se disponham a montar ou melhorar uma indústria (por exemplo, extração e transporte fluvial de madeira, extração de carvão, petróleo, minério etc.), pagando ao Estado, por isso, com uma parcela do produto extraído, e a outra parcela recebendo em forma de lucro.

Está o Poder Soviético agindo bem, tendo destronado os latifundiários e capitalistas russos, e agora convidando os estrangeiros? Está sim, pois tendo a revolução operária arrefecido em outros países, precisamos fazer alguns sacrifícios, desde que consigamos de modo rápido, ou até imediato, melhorar a situação dos operários e camponeses. Os sacrifícios consistem em cedermos centenas de milhares de toneladas de víveres importantes aos capitalistas durante alguns anos, e a melhora na situação dos operários e camponeses consiste em recebermos de pronto quantidades adicionais de petróleo, querosene, sal, carvão, utensílios agrícolas etc. Não temos o direito de recusar a melhora imediata na situação dos operários e camponeses, pois ela é indispensável, visto estarmos devastados, e os sacrifícios que citei não vão nos arruinar.

Mas não é perigoso convidar capitalistas, não significa estimular o capitalismo? Sim, significa estimular o capitalismo, mas não é perigoso, pois o poder continuará nas mãos dos operários e camponeses, e as propriedades dos latifundiários e capitalistas não serão restituídas. A concessão é uma espécie de acordo de arrendamento. O capitalista se torna arrendatário de parte da propriedade estatal, por contrato, por um determinado prazo, mas não se torna dono. A posse continua com o Estado.

O Poder Soviético velará para que o capitalista arrendatário respeite o acordo, que ele nos seja vantajoso e que se dê a melhora na situação dos operários e camponeses. Sob tais condições, o estímulo do capitalismo não é perigoso, e a vantagem para operários e camponeses consiste em receber mais produtos.


Товарищи!

Советская власть приглашает заграничных капиталистов, желающих получить концессии в России.

Что такое концессии? Договор государства с капиталистом, который берется поставить или усовершенствовать производство (например, добычу и сплав леса, добычу угля, нефти, руды и т. п.), платя за это государству долю добываемого продукта, а другую долю получая в виде прибыли.

Правильно ли поступает Советская власть, которая прогнала русских помещиков и капиталистов, а теперь приглашает заграничных? Правильно, ибо, если рабочая революция в других странах замедлилась, то нам приходится идти на некоторые жертвы, лишь бы добиться быстрого, даже немедленного улучшения положения рабочих и крестьян. Жертвы состоят в том, что мы десятки миллионов пудов ценных продуктов отдадим капиталисту в течение ряда лет, а улучшение положения рабочих и крестьян состоит в том, что мы получим тотчас добавочное количество нефти, керосина, соли, угля, земледельческих орудий и проч. Мы не вправе отказаться от немедленного улучшения положения рабочих и крестьян, ибо это необходимо при нашем разорении, а указанные жертвы нас не погубят.

Не опасно ли приглашать капиталистов, не значит ли это развивать капитализм? — Да, это значит развивать капитализм, но это не опасно, ибо власть остается в руках рабочих и крестьян, а собственность помещиков и капиталистов не восстанавливается. Концессия есть своего рода арендный договор. Капиталист становится арендатором части государственной собственности, по договору, на определенный срок, но не становится собственником. Собственность остается за государством.

Советская власть наблюдет за тем, чтобы капиталист-арендатор соблюдал договор, чтобы договор был для нас выгоден, чтобы получилось улучшение положения рабочих и крестьян. На таких условиях развитие капитализма не опасно, а выгода для рабочих и крестьян состоит в увеличении продуктов.


domingo, 19 de julho de 2015

Cooperativas de consumo e produção

Discurso de Vladimir Ilich Ulianov (Lenin) gravado em disco em 25 de abril de 1921, traduzido diretamente do russo e legendado. Acompanham breve introdução, informações técnicas e a versão em russo. Clique aqui para consultar o índice completo dos 14 discursos, sob a tag “Discursos de Lenin”.

Como parte da NEP (nova política econômica) então em desenvolvimento, superando a fase espartana do comunismo da guerra civil, Lenin busca estimular o desenvolvimento de cooperativas de produção e de consumo, para que os pequenos lavradores e artesãos possam vender livremente seus produtos, trocá-los entre si ou cambiá-los por cereais excedentes de outros camponeses. O Partido e o Estado deveriam dar todo apoio a essas cooperativas, mas controlando possíveis abusos e ludíbrios às autoridades, como parte da política de restauração da economia, ainda carente de transportes e grandes fábricas.


Título completo: Cooperativas de consumo e de produção
Título em russo: О потребительской и промысловой кооперации [O potrebitelskoi i promyslovoi kooperatsii].
Fonte: Este discurso não está nas Obras completas, e são desconhecidas outras informações sobre sua publicação inicial. O texto em russo pode ser lido nesta página.
Em outras línguas: inglês (vídeo do YouTube legendado, texto também contido na descrição)


Camaradas!

As cooperativas de consumo reúnem operários e camponeses que desejam oferecer e repartir produtos de primeira necessidade, e as cooperativas de produção congregam pequenos agricultores ou artesãos que querem produzir e vender todo tipo de produtos, tanto agrícolas (como hortaliças, laticínios e outros) quanto não agrícolas (industrializados, artigos de madeira, de ferro, de couro etc.).

Substituindo a requisição de produtos, o imposto em espécie deixará um excedente em cereais à disposição dos camponeses, que estarão livres para trocá-lo por quaisquer mercadorias.

As cooperativas de produção ajudarão a pequena indústria a desenvolver-se e ampliar a produção daquilo que os camponeses mais precisam e que em maior parte não exija um demorado transporte ferroviário nem grandes instalações fabris. Dar todo apoio e fomento às cooperativas de produção e prestar-lhes toda assistência é uma obrigação dos quadros do Partido e dos sovietes para aliviar de pronto os camponeses e melhorar-lhes a situação. E vida e produção melhores no campo é do que mais precisamos agora para elevar e restaurar a economia nacional no Estado operário-camponês.

Devemos sustentar e desenvolver também as cooperativas de consumo para garantir uma distribuição rápida, barata e regular dos produtos. As autoridades dos sovietes devem apenas controlar a atuação das cooperativas para evitar sonegações ao Estado, fraudes e desmandos, mas em nenhum caso as constrangendo, e sim dando todo auxílio e colaboração.


Товарищи!

Потребительской кооперацией называется объединение рабочих и крестьян с целью доставки и распределения необходимых для них продуктов. Промысловой кооперацией называется объединение мелких земледельцев или кустарей с целью производства и сбыта разных продуктов, как земледельческих (например, овощи, молочные продукты и тому подобное), так и не земледельческих (всяческие продукты промышленности, изделия из дерева, из железа, из кожи и так далее).

Благодаря замене разверстки продовольственным налогом или продналогом, крестьяне получат избыток хлеба в свое распоряжение и будут свободно обменивать эти избытки на всякие продукты.

Промысловая кооперация поможет развитию мелкой промышленности, которая увеличит количество необходимых для крестьян продуктов, не требующих большей частью ни дальнего подвоза по железным дорогам, ни крупных фабричных заведений. Надо всеми мерами поддержать и развить промысловую кооперацию, оказать ей всяческое содействие, это — обязанность партийных и советских работников, ибо это сразу даст облегчение крестьянству и улучшит его положение. А от улучшения жизни и хозяйства крестьян зависит теперь больше всего подъем и восстановление народного хозяйства в рабоче-крестьянском государстве.

Потребительская кооперация тоже должна быть поддержана и развита, ибо она обеспечит быстрое, правильное и дешевое распределение продуктов. Советские власти должны только проверять деятельность кооперации, чтобы не было обмана, не было утайки от государства, не было злоупотреблений, но ни в каком случае не стеснять кооперацию, а всемерно помогать и содействовать ей.


domingo, 12 de julho de 2015

Sobre o imposto em espécie

Discurso de Vladimir Ilich Ulianov (Lenin) gravado em disco em 25 de abril de 1921, traduzido diretamente do russo e legendado. Acompanham breve introdução, informações técnicas e a versão em russo. Clique aqui para consultar o índice completo dos 14 discursos, sob a tag “Discursos de Lenin”.

Em 1921, Lenin, como líder da Rússia soviética, estava substituindo o “comunismo de guerra”, característico do conflito civil, pela NEP (nova política econômica), que pretendia fazer a economia avançar minimamente com certas margens de iniciativa privada. Uma das concessões do governo foi substituir a apropriação das colheitas pela tolerância à troca de parte delas por produtos industrializados. Porém, para que eles chegassem aos camponeses, era preciso restaurar a indústria e os transportes arrasados pela guerra, especialmente os pequenos empreendimentos, mais imediatamente acessíveis, para o que deviam ajudar, e não se opor, os quadros do Partido e dos sovietes.


Título completo: Sobre o imposto em espécie
Título em russo: О продовольственном налоге/О продналоге [O prodovolstvennom naloge/O prodnaloge].
Fonte: Pravda, n. 119, 29 de abril de 1970. Disponível aqui. Este discurso não está nas Obras completas. A primeira tradução em português foi publicada nas Obras escolhidas em três tomos, t. 3, Moscou, Progresso; Lisboa, Avante, 1980, p. 522, mas a reformulei totalmente
Em outras línguas: não localizei


Camaradas!

Substituindo a requisição de produtos, o imposto em espécie deverá deixar aos camponeses nas próximas colheitas médias milhões de toneladas em cereais excedentes. A lei lhes dá o direito de empregá-los com absoluta liberdade, conforme os planos pessoais de melhorar sua alimentação, engordar o gado e trocá-los por produtos industrializados. O livre câmbio de cereais excedentes por artigos da indústria aumentará o interesse dos camponeses em incrementar sua produtividade agrícola e facilitará esse incremento ao desenvolver todo tipo de produção que lhes forneça os bens de uso corrente.

Melhor que tudo seria se conseguíssemos o quanto antes restaurar plenamente as grandes fábricas e usinas, bem como os transportes por ferrovias e águas. Poderíamos então fornecer aos camponeses, com rapidez, abundância e preço baixo, os produtos industrializados indispensáveis – sal, querosene, tecidos, calçados, utensílios agrícolas e fertilizantes. Para restaurarmos rapidamente a grande indústria, precisamos de grandes reservas de combustíveis e víveres nas cidades, mas não estamos em condições de ajuntar e transportar tudo isso. Assim, ao lado do esforço de superar essa dificuldade, precisamos começar um esforço urgente para desenvolver e estimular de todo jeito a pequena indústria. Ela pode e deve fazer o camponês melhorar já sua vida e sua produção sem que o Estado tenha grandes reservas de matérias-primas, combustíveis e víveres.

Que todos os quadros do Partido e dos sovietes entendam direito e cumpram com zelo seu dever de estimular e desenvolver de todas as formas a pequena indústria favorável à economia camponesa.


Товарищи!

Благодаря замене разверстки продналогом, у крестьян должны остаться теперь, при среднем урожае, сотни миллионов пудов хлебных излишков. Эти излишки крестьяне имеют право по закону употреблять совершенно свободно, по их собственному желанию для улучшения своего питания, откорма скота и для обмена на продукты промышленности. Свободный обмен хлебных излишков на продукты промышленности усилит интерес крестьян к улучшению своего земледельческого хозяйства, если усилить дело этого улучшения посредством развития всяческой промышленности, дающей необходимые для крестьян продукты.

Было бы всего лучше, если бы поскорее удалось полностью восстановить крупные фабрики и заводы, а равно железнодорожные и водные перевозки. Тогда можно бы было доставить крестьянам быстро и дешево множество необходимых продуктов промышленности – и соли, и керосина, и мануфактуры, и обуви, и земледельческих орудий, и удобрений. Но для быстрого восстановления крупной промышленности нужны большие запасы топлива и продовольствия в городах, а этих запасов столько собрать и привезти мы не в силах. Поэтому надо, наряду с работой сбора и подвоза таких запасов, начать немедленно работу развития и всемерного поощрения мелкой промышленности. Она может и должна дать крестьянину немедленное улучшение его жизни и его хозяйства без больших государственных запасов сырья, топлива, продовольствия.

Пусть же все партийные и советские работники хорошенько поймут и старательно исполнят свой долг всяческого поощрения и развития мелкой промышленности, полезной для крестьянского хозяйства.


domingo, 5 de julho de 2015

Apartidarismo e Poder Soviético

Discurso de Vladimir Ilich Ulianov (Lenin) gravado em disco em 25 de abril de 1921, traduzido diretamente do russo e legendado. Acompanham breve introdução, informações técnicas e a versão em russo. Clique aqui para consultar o índice completo dos 14 discursos, sob a tag “Discursos de Lenin”.

Lenin já está falando num momento em que o aparelho de Estado socialista, em vias de consolidação, encontra suas primeiras dificuldades de renovação e manutenção estrutural. Sem poder contar apenas com os funcionários filiados ao Partido Comunista, ainda poucos, são necessários aqueles talentos dispersos pelo país, isentos de qualquer vínculo partidário, e que possam traduzir seus talentos da vida cotidiana para a edificação revolucionária. Contudo, ainda sob a mira da oposição recém-derrotada na guerra civil, os comunistas devem se guardar contra membros de outras correntes interditadas, que esconderiam suas reais adesões para sabotar o poder por dentro.


Título completo: Apartidarismo e Poder Soviético
Título em russo: Беспартийные и Советская власть [Bespartiinye i Sovetskaia vlast].
Fonte: Coletânea Leninista XXXVII (em russo), 1970. Disponível aqui. Este discurso não está nas Obras completas. A primeira tradução em português foi publicada nas Obras escolhidas em três tomos, t. 3, Moscou, Progresso; Lisboa, Avante, 1980, p. 521, sob o título “Os sem partido e o Poder Soviético”. Reformulei-a totalmente, ousando inclusive substituir a noção de “sem partido” pelas palavras mais recentes “apartidário” e “apartidarismo”
Em outras línguas: não localizei


Operários e camponeses! Deem-nos quadros apartidários e íntegros que governem o país e incrementem a economia, pois não bastando apenas os filiados ao Partido, eles são indispensáveis se forem leais ao Poder Soviético. Há inúmeros operários e camponeses não filiados que se destacam pela lisura e aptidão em tarefas administrativas e econômicas, como organizar empresas artesanais, repartir víveres com equidade em cooperativas, fazer melhorias em cantinas, habitações, alimentação infantil e assim por diante. Ainda há em cada província muitos milhares de operários e camponeses apartidários alheios à gestão e restauração da economia nacional, e os quadros do Partido e dos sovietes devem imediatamente descobri-los, promovê-los, dar-lhes trabalho e permitir-lhes revelar capacidades que deverão ser testadas. Não devemos temer, mas aceitar a inevitável e conveniente ajuda dos operários e camponeses apartidários, coibindo apenas os mencheviques e socialistas-revolucionários, que têm arrogado apartidarismo a si para encobrir suas ações traiçoeiras em prol dos guardas brancos e dos latifundiários. Estes grupos, não por acaso, correram todos em auxílio ao motim de Kronstadt, o que nos obriga a desmascarar e prender tais apartidários de fachada. Já os operários e camponeses não filiados, mas sinceros, devem ser chamados ao trabalho por todos os meios disponíveis.


Рабочие и крестьяне! Давайте нам для управления страной, для улучшения хозяйства, честных и преданных советской власти беспартийных рабочих. Для Советской власти необходимы честные и преданные беспартийные работники, партийных одних недостаточно. Среди беспартийных рабочих и крестьян есть очень и очень много таких, которые отличаются честностью и способностью вести дело управленческое, дело хозяйственное, например, наладить кустарное предприятие, наладить в кооперативе правильное распределение продуктов, улучшить дело со столовыми, жилищами, детским питанием и так далее и тому подобное. В каждой губернии есть тысячи и тысячи беспартийных рабочих и крестьян не представленных ещё к делу управления, делу восстановления народного хозяйства. Прямой долг партийных и советских работников, находить таких людей, выдвигать их вперёд, давать им работу, испытывать их способности, давать им развернуться и показать себя. Нам не страшна, а напротив необходима и желательна помощь беспартийных рабочих и крестьян. Мы должны остерегаться только меньшевиков и социалистов-революционеров, которые любят теперь называть себя беспартийными, а на деле вести свою предательскую работу на пользу белогвардейцев и помещиков. Недаром все белогвардейцы и помещики бросились помогать Кронштадтскому мятежу. Вот таких «ряженых» беспартийных надо разоблачать и арестовывать, а честных беспартийных рабочих и крестьян надо всячески и всемерно привлекать к работе.


domingo, 28 de junho de 2015

Sobre a disciplina laboral

Discurso de Vladimir Ilich Ulianov (Lenin) gravado em disco no final de março de 1920, traduzido diretamente do russo e legendado. Acompanham breve introdução, informações técnicas e a versão em russo. Clique aqui para consultar o índice completo dos 14 discursos, sob a tag “Discursos de Lenin”.

Continuando a avaliar as principais vitórias até então obtidas na Guerra Civil Russa e a dimensão dos estragos causados, Lenin compara mais uma vez a reconstrução nacional a um novo front de guerra, em que os trabalhadores e camponeses deveriam se empenhar com o mesmo esforço, abnegação e sacrifício. A disciplina de guerra se transforma em disciplina do trabalho, o trabalho de restaurar os transportes, restabelecer as comunicações e produzir o alimento necessário para combater a fome que grassava nas cidades. Os desafios não aceitavam o envolvimento dos que apenas se aproveitavam do caos para angariar benefícios próprios, e Lenin ladeia essa depuração moral com a honra à memória dos que morreram na guerra e ao afinco dos novos líderes políticos das classes trabalhadoras.


Título completo: Sobre a disciplina laboral
Título em russo: О трудовой дисциплине [O trudovoi distsipline].
Fonte: Obras completas (em russo), 5. ed., tomo 40, Moscou, Politizdat, 1974, p. 232
Em outras línguas: inglês


Por que vencemos Iudenich, Kolchak e Denikin, embora eles tenham sido auxiliados pelos capitalistas do mundo inteiro?

Por que estamos certos de que agora venceremos o caos e restauraremos a indústria e a agricultura?

Vencemos os latifundiários e capitalistas porque o Exército Vermelho, os operários e os camponeses sabiam que estavam lutando por uma causa vital para si.

Vencemos porque os melhores quadros entre todos os operários e camponeses demonstraram um heroísmo extraordinário nessa guerra contra os exploradores, realizaram prodígios de bravura, suportaram inauditas privações, sacrificaram-se e baniram implacavelmente os arrivistas e os covardes.

Agora estamos certos de que venceremos o caos, pois os melhores quadros entre todos os operários e camponeses, com a mesma consciência, firmeza e heroísmo, estão se levantando para a luta.

E quando milhões de trabalhadores se unem como se fossem uma só pessoa seguindo os melhores quadros de sua classe, então a vitória está garantida.

Expulsamos os arrivistas do exército, e agora diremos todos:

“Abaixo os arrivistas, abaixo os que buscam tirar proveito das situações e esquivar-se ao trabalho, temendo os sacrifícios indispensáveis à vitória!”

Viva a disciplina laboral, o afinco no trabalho e a dedicação à causa operária e camponesa!

Glória eterna aos que tombaram nas primeiras filas do Exército Vermelho!

Glória eterna aos que hoje lideram milhões de trabalhadores, marchando com o máximo ardor nas primeiras filas do exército do trabalho!


Почему мы победили Юденича, Колчака и Деникина, хотя им помогали капиталисты всего мира?

Почему мы уверены, что победим теперь разруху, восстановим промышленность и земледелие?

Мы победили помещиков и капиталистов потому, что красноармейцы, рабочие и крестьяне знали, что они борются за свое кровное дело.

Мы победили потому, что лучшие люди всего рабочего класса, всего крестьянства проявили невиданный героизм в этой войне с эксплуататорами, совершали чудеса храбрости, переносили неслыханные лишения, жертвовали собой, изгоняли беспощадно шкурников и трусов.

Теперь мы уверены, что победим разруху, потому что лучшие люди всего рабочего класса и всего крестьянства так же сознательно, с такой же твердостью, с таким же героизмом поднимаются на борьбу.

А когда миллионы трудящихся объединяются, как один человек, идя за лучшими людьми своего класса, — тогда победа обеспечена.

Из армии прогнали шкурников. Все мы скажем теперь:

«Долой шкурников, долой тех, кто думает о своей выгоде, спекуляции, об отлынивании от работы, кто боится необходимых для победы жертв!»

Да здравствует трудовая дисциплина, рвение в труде, преданность рабочему и крестьянскому делу!

Вечная слава тем, кто погиб в первых рядах Красной Армии!

Вечная слава тем, кто ведет за собой теперь миллионы трудящихся, идя с наибольшим рвением в первых рядах армии труда!