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segunda-feira, 24 de março de 2025

Votos de fim de ano dos presidentes da França desde 2007

Esta publicação reúne a tradução direta do francês pro português de todos os discursos de fim de ano dos presidentes da República Francesa de 2007 a 2024, e ao longo dos anos pode seguir sendo atualizada. Desde que o Pan-Eslavo Brasil, meu canal no YouTube, foi “suicidado” pelo Google em agosto de 2021, tomei como tradição obrigatória publicar aqui, todo começo de ano, pelo menos os discursos comemorativos dos presidentes da França, da Rússia, da Bulgária e da Moldova. Os dois últimos, por mera afinidade cultural, e os dois primeiros, devido a minha familiaridade com suas línguas e meus longos anos de pesquisa sobre a antiga URSS e de contato com a história da Rússia contemporânea.

Sempre fui muito perfeccionista, portanto, legendar pra mim sempre foi uma atividade meio penosa, mesmo que em se tratando de uma atividade amadora e de uns poucos minutos de audiovisual. Como o Pan-Eslavo Brasil era focado nos países eslavos, os votos de Feliz Ano Novo de Vladimir Putin saíam com maior regularidade, a partir de 2018, 2019, mais ou menos, e, sobretudo, quando chegou em casa a internet por fibra óptica. Além disso, a cada novo ano, seus discursos ficavam mais curtos e mais repetitivos, o que tornava a tarefa ainda mais fácil, sem contar que tenho pleno domínio do vocabulário soviético e burocrático de Putin. Quanto à França, fui deixando de legendar os discursos de Emmanuel Macron, porque ele já começou falando mais do que a média dos anteriores, e a cada ano, ao contrário do Kremlin, aumentava ainda mais, me desanimando num cotidiano cada vez mais premido pelo doutorado.

O YouTube acabou, o doutorado também, mas “Ainda estou aqui” na página, e como ela é hoje meu único meio de comunicação, tento atualizar com uma publicação por dia, por mais besta que seja o conteúdo. Lembra? Começou com uma por semana, depois uma a cada dois dias, depois tive intervalos de longas pausas, e finalmente tô “firmão” aqui, rs. Outra vantagem é que, ao contrário dos discursos anteriores, traduzidos palavra por palavra e com ocasionais consultas ao dicionário, agora tomei a coragem de usar o Google Tradutor, mas de forma sábia: a “máquina” me dá o texto central, mas o reviso todo, confrontando com o original. É o mínimo que se espera de alguém que, mesmo sem formação oficial, se arroga o título de tradutor!

Portanto, esta iniciativa vem preencher uma lacuna, pois em anos anteriores, tanto na página quanto no antigo canal, apareceram discursos isolados com votos de fim de ano de Putin, François Hollande e Emmanuel Macron (sem contar Aliaksandr Lukashenka, dono de Belarus que – pra minha alegria! – só fala russo), também listados abaixo, quando já antigos. A iniciativa também se alinha a minha atividade preferida de tradução, que foi a razão de eu ter fundado tanto meu finado canal quanto está página: disponibilizar ao público leigo ou especializado documentos que podem servir pra pesquisa e compreensão históricas, contornando as barreiras linguísticas e dando a oportunidade pra que todo mundo tire criticamente suas próprias conclusões por meio do acesso direto às fontes. Em cada publicação, estão listadas as fontes dos vídeos e, quando fosse o caso, dos textos já transcritos.

Por enquanto, estou começando com Nicolas Sarkozy e passando por François Hollande e Emmanuel Macron, mas no futuro, se eu achar os vídeos, talvez eu também traduza as alocuções de 1974-1975 a 2006-2007 feitas por Valéry Giscard d’Estaing, François Mitterrand e Jacques Chirac, embora eu não vá legendar o audiovisual. Procurei manter um estilo mais formal e padronizado, sem as constantes abreviações e oralidades que emprego aqui, e com recursos gramaticais que também costumo evitar (futuro do presente simples, pronome enclítico). Cada ano se refere ao que vai começar no dia seguinte, ou seja, pro qual o presidente está fazendo votos ainda na noite de Réveillon (votos pra 2010 feitos em 31/12/2009, votos pra 2025 feitos em 31/12/2024 etc.).

Lembrando, claro, que devido à agilização produtiva, decidi manter sem legendas os vídeos posteriores ao Pan-Eslavo Brasil e publicar apenas os textos. Portanto, se você tem vontade de se voluntariar pra colocar legendas, sinta-se livre pra me contatar! Se você tiver essa coragem, também permito que coloque em seu próprio YouTube ou outra rede social as legendas com meu texto, mas por favor, em prol da educação, pelo menos cite o autor (i.e. eu) e o link da tradução original.


Nicolas Sarkozy (2007-2012)


François Hollande (2012-2017)


Emmanuel Macron (2017-2022 e 2022-2027)



quinta-feira, 13 de março de 2025

Votos de François Hollande pra 2017


Endereço curto: fishuk.cc/voeux2017

Desde a primeira posse de Emmanuel Macron, em 2017, os registros no site oficial do Elysée começaram a ficar muito bagunçados, e alguns discursos sumiram, outros ficaram mais difíceis de encontrar, não foi constituído um acervo de vídeos históricos etc. Por isso, fiquei dependente do que pude encontrar pelo Google ou no YouTube.

Curiosamente, os europeus pareciam gostar nos anos 2000 muito mais do Dailymotion ou do Vimeo do que do próprio YouTube, portanto, foi muito mais fácil achar os discursos de Sarkozy na primeira plataforma. A partir de 2013, sob François Hollande, ficou mais fácil achar em canais diversos do YouTube, sobretudo de agências de notícias, como estes votos pra 2017. Porém, até hoje não entendo por que nenhum vídeo do presidente Hollande foi publicado no YouTube oficial, enquanto o Dailymotion oficial é o mais completo de todos. Além disso, conforme as datas dos vídeos, há um “buraco” no YouTube entre 28 de janeiro de 2011 e 15 (“Ao vivo”) ou 18 (“Vídeos”) de janeiro de 2019...

O ano de referência sempre é o próximo, ao qual cada presidente está desejando votos, e não o que está acabando, quando o discurso é gravado e lançado. Uso o Google Tradutor pra obter os textos mais rapidamente, mas revisando e confrontando manualmente com os originais. Pra França, a fonte desses textos, como é o caso dos votos pra 2017, está sendo um site de informações políticas, econômicas e sociais chamado “Vie publique”, ligado ao gabinete do primeiro-ministro, mas infelizmente pouco divulgado.



Meus caros compatriotas,

Esta noite é a última vez que lhes faço meus votos como Presidente da República.

Para mim, é um momento de emoção e seriedade. Quero compartilhá-lo com vocês, francesas e franceses de todas as origens, convicções e crenças, da Metrópole e do Ultramar.

Primeiro, gostaria de falar com vocês sobre o que suportaram neste último ano, quando nosso país foi atingido por terríveis atentados: o de Nice em 14 de julho passado, mas também os de Magnanville e de Saint-Étienne-du-Rouvray. Penso neste momento nas vítimas, em suas famílias e nos feridos que sofrem no coração e na carne.

Sei também da inquietude que ainda perpassa vocês com essa ameaça terrorista que não diminui, como infelizmente foi demonstrado pelo que aconteceu em Berlim nos últimos dias. Portanto, cabe a mim e ao governo de Bernard CAZENEUVE [então primeiro-ministro] garantir a proteção de vocês. Estou dedicando a isso todos os recursos necessários e quero prestar homenagem a nossos policiais civis e militares e a nossos soldados que se dedicam até o sacrifício para garantir nossa segurança.

Face aos ataques, vocês se mantiveram firmes. Os terroristas queriam dividir, separar e assustar vocês. Vocês provaram ser mais fortes, concertados, solidários e unidos. Vocês não cederam a amálgamas, estigmatizações e brigas vãs. Vocês continuaram vivendo, trabalhando, saindo, movimentando-se e valorizando a liberdade. Vocês podem se orgulhar de si mesmos.

Mas ainda não acabamos com o flagelo do terrorismo. Teremos que continuar combatendo-o – no exterior, que é o sentido de nossas operações militares no Mali, na Síria, no Iraque – o Iraque aonde irei depois de amanhã para saudar nossos soldados. Combatê-lo também internamente para frustrar atentados, colocar indivíduos perigosos fora de ação e prevenir a radicalização jihadista.

Estejam certos de uma coisa: dessa luta contra a barbárie, nossa democracia sairá vitoriosa.

Meus caros compatriotas, cinco anos de presidência me deram uma experiência que quero compartilhar com vocês esta noite: a França é um país admirado, esperado e até mesmo desejado no mundo todo. Sem dúvida, é a herança de nossa História, de nossa língua e de nossa cultura, mas é, sobretudo, o respeito que inspiram nossos valores, nosso modo de vida, nosso apego à liberdade. Isso explica por que, quando somos atacados, o mundo inteiro está a nosso lado. É isso que dá credibilidade à palavra da França para apoiar grandes causas – tenho em mente o combate ao aquecimento global, pois lembrem-se, foi em Paris que se concluiu um acordo histórico; aí vocês notam, com os picos de poluição, a necessidade urgente, sobretudo, de implementá-lo. Portanto, eu lhes garanto: a França não deixará que ninguém ou nenhum Estado, mesmo o maior, ponha em causa essa grande conquista da comunidade internacional.

Diante de potências, antigas e novas, a França deve reafirmar sua independência. Em um ambiente internacional cheio de incertezas, com clima de guerra fria, poucos países têm a capacidade de tomar decisões soberanas por meio de sua defesa, ou seja, seu exército e sua política externa. Nós a temos. E devemos fazer de tudo para preservar essa liberdade estratégica, porque a França tem um espaço e uma mensagem a defender. Ela não aceita as violações mais básicas dos direitos humanos – o uso de armas químicas, os massacres de populações civis como em Aleppo, a perseguição de minorias religiosas, a subjugação das mulheres. A França jamais admite um fato consumado, o questionamento de fronteiras. Por toda parte, ela busca soluções por meio do diálogo, inclusive no Oriente Próximo e Médio. A França luta pelo desenvolvimento da África e pela redução das desigualdades, pois sabe que é aí que está a solução para a migração. Eis o que significa ser francês hoje, e eu gostaria que vocês pudessem, mais uma vez, se orgulhar disso.

Meus caros compatriotas, durante todo o meu mandato, tenho apenas uma prioridade: restaurar nossa economia para reduzir o desemprego. Assumo as escolhas que fiz – os resultados estão chegando, mais tarde do que eu esperava, concordo, mas estão aí –, as contas públicas foram restauradas, a Previdência Social está equilibrada, a competitividade de nossas empresas foi recuperada, a construção de moradias atingiu um nível recorde, o investimento está retornando e, sobretudo, o número de pessoas procurando emprego finalmente está caindo há um ano. Ao mesmo tempo, tal como eu queria, o progresso social não parou seu curso; novos direitos foram concedidos para os assalariados, para a formação ao longo da vida, para a integração dos jovens e para o acesso universal à saúde para todos. Ainda há trabalho a ser feito, mas o fundamento está aí, as bases são sólidas.

Esses sucessos pertencem a vocês. Vocês devem se apropriar deles, não para negar as dificuldades que permanecem, não para esconder o sofrimento que persiste ou para adiar as escolhas, algumas ainda devendo ser feitas, mas para terem consciência de seus pontos fortes, talentos, habilidades e sucessos. Nosso principal adversário é a dúvida. Vocês devem ter confiança em si mesmos, sobretudo diante dos desafios que nos esperam. Neste fim de ano, tudo o que às vezes acreditávamos adquirido para sempre – democracia, liberdade, direitos sociais, a Europa e mesmo a paz – está se tornando vulnerável, reversível. Vimos isso no Reino Unido com o Brexit e nos Estados Unidos durante as eleições de novembro; vemos isso em nosso continente com a ascensão dos extremos. Há períodos na história em que tudo pode mudar. Estamos vivendo um desses.

Daqui a menos de cinco meses, meus caros compatriotas, vocês terão que fazer uma escolha. Será decisivo para a França, diz respeito a seu modelo social, ao qual vocês são apegados, pois ele garante a igualdade de todos perante os acasos da vida, particularmente da saúde. Diz respeito a seus serviços públicos essenciais, particularmente a escola da República, onde muito está em jogo, principalmente para os jovens que são a nossa esperança. Diz respeito também à capacidade de nosso país de compreender as grandes mudanças que são a revolução digital e a transição energética, para torná-las fatores de crescimento, bem-estar e emprego e não elementos adicionais de precariedade e instabilidade. Por fim, diz respeito aos valores. A França é aberta ao mundo, é europeia, é fraterna. Como podemos imaginar nosso país encolhido atrás de muros, reduzido a seu mercado interno, retornando a sua moeda nacional e, ainda por cima, discriminando suas crianças conforme suas origens! Mas não seria mais a França!

Essas são as principais questões. Os debates que se abrem as esclarecerão, mas nestas circunstâncias, o papel das forças e personalidades políticas é imenso. Elas devem estar à altura da situação, demonstrar lucidez, evitar brutalizar a sociedade e também evitar a dispersão que, para algumas de nossas forças políticas, levaria a sua eliminação. Mas aconteça o que acontecer, são vocês que terão a última palavra. Por isso, sua responsabilidade é tão grande e a França conta com vocês.

De minha parte, até o último dia de meu mandato, estarei totalmente comprometido em servir o nosso país, agir pela França, lutar pela justiça e pelo progresso, é o compromisso de toda a minha vida. Nunca renunciarei a ele. Compartilhei com vocês provações e sofrimentos, mas também alegrias e felicidades.

Tive o imenso orgulho de estar à frente de um povo firme, fiel a si mesmo e a sua vocação universal. É um vínculo inquebrável que nos une e que nada alterará. Reforçado nessa convicção, faço do fundo de meu coração meus mais calorosos votos para este novo ano.

Viva a República! Viva a França!



quarta-feira, 12 de março de 2025

Votos de François Hollande pra 2016


Endereço curto: fishuk.cc/voeux2016

Desde a primeira posse de Emmanuel Macron, em 2017, os registros no site oficial do Elysée começaram a ficar muito bagunçados, e alguns discursos sumiram, outros ficaram mais difíceis de encontrar, não foi constituído um acervo de vídeos históricos etc. Por isso, fiquei dependente do que pude encontrar pelo Google ou no YouTube.

Curiosamente, os europeus pareciam gostar nos anos 2000 muito mais do Dailymotion ou do Vimeo do que do próprio YouTube, portanto, foi muito mais fácil achar os discursos de Sarkozy na primeira plataforma. A partir de 2013, sob François Hollande, ficou mais fácil achar em canais diversos do YouTube, sobretudo de agências de notícias, como estes votos pra 2016. Porém, até hoje não entendo por que nenhum vídeo do presidente Hollande foi publicado no YouTube oficial, enquanto o Dailymotion oficial é o mais completo de todos. Além disso, conforme as datas dos vídeos, há um “buraco” no YouTube entre 28 de janeiro de 2011 e 15 (“Ao vivo”) ou 18 (“Vídeos”) de janeiro de 2019...

O ano de referência sempre é o próximo, ao qual cada presidente está desejando votos, e não o que está acabando, quando o discurso é gravado e lançado. Uso o Google Tradutor pra obter os textos mais rapidamente, mas revisando e confrontando manualmente com os originais. Pra França, a fonte desses textos, como é o caso dos votos pra 2016, está sendo um site de informações políticas, econômicas e sociais chamado “Vie publique”, ligado ao gabinete do primeiro-ministro, mas infelizmente pouco divulgado.



Meus caros e minhas caras compatriotas,

Os votos que lhes faço esta noite são diferentes de todos os que os precederam, porque acabamos de viver um ano terrível.

Começou com os ataques covardes ao Charlie Hebdo e ao Hypercacher, foi ensanguentado pelos ataques cometidos em Montrouge, Villejuif, Saint-Quentin Fallavier e no Thalys e terminou com o horror dos atos de guerra perpetrados em Saint-Denis e Paris.

Meus primeiros pensamentos vão para as vítimas do fanatismo, suas famílias mergulhadas na dor e aqueles que foram feridos na carne.

Esta noite, em nome de vocês, expresso a eles nossa compaixão e afeição. Essas tragédias permanecerão gravadas na memória de cada um de nós. Elas nunca desaparecerão.

Mas, apesar da tragédia, a França não cedeu. Apesar das lágrimas, ela se manteve de pé.

Diante do ódio, ela mostrou a força de seus valores. Os da República.

Francesas e franceses, estou orgulhoso de vocês. Nessas circunstâncias, vocês demonstraram determinação, solidariedade e sangue frio.

Neste momento, saúdo a bravura de nossos soldados e policiais civis e militares que correm tantos riscos por nossa segurança. Agradeço aos Serviços de Saúde, aos bombeiros, à proteção civil e a todos os voluntários que socorreram nossos compatriotas em perigo. Mas eu lhe devo a verdade: ainda não erradicamos o terrorismo. A ameaça permanece. Ela permanece inclusive em seu nível mais alto. Regularmente nós desbaratamos tentativas de atentados.

Portanto, meu primeiro dever é proteger vocês. Proteger vocês significa agir na raiz do mal: na Síria, no Iraque. Por isso, intensificamos nossos ataques contra o Daesh [o grupo Estado Islâmico]. Os golpes estão surtindo efeito, os jihadistas estão recuando, e então continuaremos enquanto for necessário.

Proteger vocês significa agir aqui, em nosso solo.

Na noite dos atentados, por proposta de Manuel VALLS [então primeiro-ministro], eu declarei estado de emergência. A seguir, diante do Parlamento reunido em Congresso em Versalhes, fiz conscientemente uma escolha compatível com o que havíamos sofrido. Primeiramente, decidi reforçar o pessoal e os recursos da Polícia, da Justiça, da Inteligência e das Forças Armadas. Depois, iniciei uma reforma do processo penal para combater mais eficazmente o crime organizado, seu financiamento e os canais que o alimentam.

Por fim, anunciei uma revisão da Constituição para fornecer uma base incontestável quanto ao recurso ao estado de emergência caso enfrentemos um perigo iminente e quanto à retirada da nacionalidade francesa de indivíduos definitivamente condenados por crimes terroristas.

Agora cabe ao Parlamento assumir suas responsabilidades. O debate é legítimo. Eu o respeito. Ele deve acontecer. E quando se trata de proteger vocês, a França não deve se desunir. Ela deve tomar as decisões certas para além das diferenças partidárias e de acordo com nossos princípios fundamentais. Eu garantirei isso porque sou o fiador.

Além disso, nunca aceitarei que os franceses possam ser colocados uns contra os outros. Dividir-nos é o que buscam os extremistas. Não aceitarei mais que alguém possa atacar – em nossa República laica – um de nossos concidadãos pela prática de sua religião. Ou ainda que locais de culto possam ser profanados, como uma sala de oração nos últimos dias na Córsega. Gestos assim nunca ficarão impunes, quer se trate de uma mesquita, uma sinagoga, um templo ou uma igreja. A honra da França está em jogo.

Meus caros compatriotas,

Em 2016, lutaremos contra o terrorismo. Sim, certamente, intensamente. Mas também contra tudo o que fragmenta nossa sociedade e que alimenta tanto o isolamento quanto a exclusão.

Se há um estado de emergência na segurança, há também um estado de emergência econômica e social.

A luta contra o desemprego continua sendo minha primeira prioridade.

Este será o tema dos textos elaborados pelo Governo para simplificar o Código do Trabalho, instituir uma nova previdência social profissional e aproveitar as oportunidades econômicas oferecidas pela revolução digital.

Simultaneamente, será lançado um plano massivo de formação para quem procura emprego: mais 500 mil pessoas receberão apoio para os ofícios do amanhã. Mas todos sabem que é nas PME [pequenas e médias empresas] que se criam os empregos. Além disso, novos auxílios à contratação serão introduzidos no início do novo ano.

Por fim, inúmeras filiais de aprendizagem serão abertas. Estabeleci a meta de que nenhum aprendiz fique sem um empregador e nenhum empregador fique sem um aprendiz. Todo jovem deve estar em treinamento ou emprego, seja qual for a forma. Esse esforço em favor da próxima geração é um dever sagrado. Ele exige uma mobilização de todos, do Estado, claro, das Regiões que acabaram de ser criadas e das empresas. Isso também é Unidade Nacional.

A França precisa de movimento, precisa de ações. Precisa também de compromisso. O Serviço Cívico é um fator de mistura, integração e inclusão. Mostrou sua utilidade para os jovens e para nossa sociedade.

Peço ao Governo, portanto, que inicie sua generalização por fases. As missões serão múltiplas: desde apoiar as pessoas mais vulneráveis até preservar o planeta.

O sucesso da COP21 foi um evento mundial. E um motivo de orgulho para a França, que selou um acordo em Paris entre 195 países para reduzir o aquecimento global. É um resultado considerável.

A França agora tem a responsabilidade de implementar o que foi decidido para o planeta. Mas também de estar um pouco mais à frente e ser um exemplo.

Por isso, lançaremos um grande programa de obras para a renovação de nossos edifícios, o desenvolvimento de energias renováveis e o crescimento verde. Faremos da causa climática um grande canteiro para o emprego e a qualidade de vida.

Francesas e franceses,

Os acontecimentos que vivemos nos confirmaram isso: somos habitados por um sentimento que todos compartilhamos. Esse sentimento é o amor à Pátria.

A Pátria é o fio invisível que entrelaça todos nós, franceses daqui ou de outros lugares, cidadãos de todas as condições, crenças e origens.

E a pátria está no cerne de meu compromisso, a Pátria que se realiza na abertura ao mundo, no respeito ao outro, na igualdade, na confiança no futuro, no futuro da França, e nunca no isolamento, no fechamento, na discriminação ou na nostalgia.

A Pátria, é em seu nome que construímos a Europa.

A Europa alcançou grandes feitos. Mas revelou deficiências que estão hoje a colocando em perigo.

Diante da afluência de refugiados causada pelos conflitos, a Europa deve ser capaz de proteger suas fronteiras e acolher quem busca asilo, ao mesmo tempo em que acompanha a volta com dignidade de quem não se qualifica. É um desafio maior, caso contrário, ressurgirão os muros que pensávamos terem sido derrubados pela História.

À medida em que se acaba, o ano de 2015 não nos liberta das causas dos dramas por que passamos. Ele nos obriga a encará-los de frente e tratá-los com firmeza. Mas o que aconteceu nos mudou, até nos transformou. E devemos usar essa vitalidade, essa energia que surgiu de nós mesmos – esse sobressalto que foi elogiado pelo mundo inteiro – para realizar todas as reformas, para sermos mais fortes economicamente, mais justos socialmente e mais exemplares democraticamente. É assim que a França sairá maior com essa bela ideia de fazer com que todos tenhamos sucesso juntos.

Minhas caras e meus caros compatriotas da Metrópole, do Ultramar e do exterior,

2015 foi um ano de sofrimento e resistência, então façamos de 2016 um ano de valentia e esperança. É com esse espírito que faço do fundo do coração meus melhores votos para vocês, seus entes queridos e sua família, porque vocês são a França, toda a França.

Viva a República e viva a França.



sexta-feira, 7 de março de 2025

Votos de François Hollande pra 2014


Endereço curto: fishuk.cc/voeux2014

Desde a primeira posse de Emmanuel Macron, em 2017, os registros no site oficial do Elysée começaram a ficar muito bagunçados, e alguns discursos sumiram, outros ficaram mais difíceis de encontrar, não foi constituído um acervo de vídeos históricos etc. Por isso, fiquei dependente do que pude encontrar pelo Google ou no YouTube.

Curiosamente, os europeus pareciam gostar nos anos 2000 muito mais do Dailymotion ou do Vimeo do que do próprio YouTube, portanto, foi muito mais fácil achar os discursos de Sarkozy na primeira plataforma. A partir de 2013, sob François Hollande, ficou mais fácil achar em canais diversos do YouTube, sobretudo de agências de notícias, como estes votos pra 2014. Porém, até hoje não entendo por que nenhum vídeo do presidente Hollande foi publicado no YouTube oficial, enquanto o Dailymotion oficial é o mais completo de todos. Além disso, conforme as datas dos vídeos, há um “buraco” no YouTube entre 28 de janeiro de 2011 e 15 (“Ao vivo”) ou 18 (“Vídeos”) de janeiro de 2019...

O ano de referência sempre é o próximo, ao qual cada presidente está desejando votos, e não o que está acabando, quando o discurso é gravado e lançado. Uso o Google Tradutor pra obter os textos mais rapidamente, mas revisando e confrontando manualmente com os originais. Pra França, a fonte desses textos, como é o caso dos votos pra 2014, está sendo um site de informações políticas, econômicas e sociais chamado “Vie publique”, ligado ao gabinete do primeiro-ministro, mas infelizmente pouco divulgado.



Meus caros compatriotas,

Antes de lhes dirigir meus votos, gostaria de lhes falar sobre o que temos em comum e de mais estimado: nosso país.

O ano de 2013 foi intenso e difícil.

Intenso, porque a França assumiu suas responsabilidades durante graves crises internacionais: Mali, Síria e, bem mais recentemente, a República Centro-Africana.

Intenso, porque a Europa finalmente conseguiu superar a turbulência financeira que atravessava desde 2008.

Intenso, porque o Governo promoveu reformas para restaurar nossas contas públicas, melhorar a competitividade das empresas, modernizar o mercado de trabalho e consolidar nossas aposentadorias, tendo em conta o desgaste de cada trabalho.

Ele priorizou a educação – esse era meu compromisso – e tornou o casamento igualitário.

Mas 2013 também foi um ano difícil para muitos de vocês e para o país. Porque a crise se revelou mais longa e profunda do que nós mesmos havíamos previsto.

E pagamos o preço com um crescimento fraco e uma sucessão de planos sociais.

O próprio estado do país justificou que eu lhes pedisse esforços.

E sei o que eles representam.

Os impostos se tornaram pesados, pesados demais, tendo se acumulado ao longo de muitos anos.

Em 2013, o desemprego permaneceu em um nível alto, embora a tendência nos últimos meses tenha sido de melhora.

Os resultados certamente levarão um tempo para aparecer, mas estão aí. E tenho confiança nas escolhas que fiz para o país.

Esta noite repito a vocês: tenho apenas uma prioridade, um objetivo, um compromisso, que é o emprego!

Pois cada emprego criado é um pouco de força recuperada. Cada desempregado que volta a trabalhar é uma família que retoma o fôlego, é uma esperança que retorna, é poder de compra que se retoma, é justiça social reencontrada.

Em 2014, precisaremos da mobilização de todos para vencer essa batalha.

Por isso, estou propondo às empresas um pacto de responsabilidade. Ele é baseado em um princípio simples: menos encargos sobre o trabalho, menos restrições a suas atividades e, em troca, mais contratações e mais diálogo social.

Aliás, gostaria de homenagear os parceiros sociais que, no início do ano, já haviam conseguiram concluir um acordo sobre a segurança do emprego e, nos últimos meses deste ano, concluíram um acordo sobre formação profissional.

Ele permitirá que os jovens sejam melhor integrados. Aos desempregados, terem mais apoio em direção ao emprego. Aos menos qualificados, dispor de uma nova chance na empresa.

Por isso, uma lei será aprovada no início de 2014, porque quero traduzir essa reforma em realidade o mais rápido possível.

Por fim, a Nação deve se mobilizar em torno de sua escola, que deve aliar a excelência no acesso ao conhecimento com altos padrões no combate às desigualdades.

2014 também será o ano de decisões fortes. Três são essenciais, a meu ver.

Primeiro, quero reduzir os gastos públicos. Devemos economizar onde for possível. E tenho a certeza de que podemos fazer melhor gastando menos.

Isso se aplica ao Estado, que deve se concentrar em suas missões essenciais, mas também às autoridades [collectivités] locais, cujas competências devem ser clarificadas; e à previdência social, que é nosso bem mais precioso, que deve pôr fim aos excessos – os quais conhecemos – e aos abusos. Porque põem em xeque a própria ideia de solidariedade.

Precisamos gastar menos para reduzir nosso déficit, mas também para poder reduzir impostos no longo prazo. Esse é o sentido da reforma tributária que empreendemos. Assumirei pessoalmente a responsabilidade e o monitoramento desse programa de economia durante todo meu mandato.

A seguir, a segunda decisão: quero simplificar a vida de cada um de vocês. Para procedimentos administrativos, atividades cotidianas, criação de empresas e consecução de investimentos. Tudo deve ser facilitado. É uma condição para sermos mais atrativos, mais modernos e mais flexíveis.

Por fim, quero que nosso país conclua sua transição energética. Seus objetivos são claros: economizar energia, renovar nossas habitações, combater o aquecimento global e apoiar o empreendedor autônomo [artisanat], bem como uma nova indústria que está surgindo graças à transição energética.

Meus caros compatriotas,

A França tem todos os atributos para o sucesso. Somos um país de invenção, inovação, criação, em todas as áreas. Penso na magnífica proeza que foi desenvolver um coração artificial, a primeira vez em que essa técnica foi desenvolvida no mundo. Penso também nos transportes, com os veículos elétricos; na agricultura, com a química verde; no digital, onde também somos os melhores; na cultura, onde temos excelência.

Portanto, a França será forte se soubermos nos unir em torno do essencial, isto é, do destino econômico, industrial e produtivo de nosso país nos próximos dez anos.

A França será forte se permanecer solidária. Se construir mais moradias, reduzir a pobreza e acolher melhor as pessoas com deficiência ou dependentes de outros.

A França será forte se for intransigente no respeito a suas regras: a segurança, que é a garantia da liberdade; a independência da justiça, que significa imparcialidade; a laicidade, que é a condição para vivermos juntos.

Serei intransigente diante de qualquer infração, diante do racismo, do antissemitismo e da discriminação.

A República não é negociável. As leis não são negociáveis. O modelo francês é muito menos negociável. Porque é ele que nos permite avançar, de geração em geração.

Esses valores, todos esses valores da República, também os afirmamos no mundo. A França está sempre na vanguarda, e tenho orgulho disso, a serviço da paz. É sua honra. É seu dever.

Por isso, intervimos no Mali, para combater o terrorismo. Atuamos para impedir o uso de armas químicas na Síria. Estamos presentes na República Centro-Africana para salvar vidas humanas e evitar que crianças sejam cortadas em pedaços, como tem acontecido. Para defendermos em todos os lugares os Direitos Humanos, a dignidade das mulheres, o tratamento diferenciado à cultura [exception culturelle] e a preservação do planeta.

Saúdo todos os que se dedicam a isso, e em particular nossos soldados que são mobilizados, às vezes, à custa de suas vidas. Nove deles, eu disse nove mesmo, tombaram pela França este ano. Curvo-me à memória deles e renovo meu apoio a suas famílias.

Meus caros compatriotas da Metrópole e do Ultramar,

Na próxima primavera, vocês serão consultados por meio de duas votações.

Eleições municipais para designar os políticos que serão parceiros do Estado para pôr nosso país em movimento, mas dentro de um quadro que deve ser precisado. Uma nova lei de descentralização concederá mais responsabilidades aos políticos e simplificará a organização territorial de nosso país, que se tornou indecifrável e onerosa.

Quanto à renovação do Parlamento Europeu, deve ser uma chance para promovermos uma maioria política que deverá centrar-se no emprego e na solidariedade, e não na austeridade e no egoísmo nacional.

Não é desmantelando a Europa que criaremos a França de amanhã. É fortalecendo-a que ela nos protegerá mais. E não deixarei fazer o que bem entenderem aqueles que negam o futuro da Europa, que querem regressar às antigas fronteiras, pensando que elas os protegeriam, que querem sair do euro. Serei o depositário de todas as gerações que lutaram pela Europa. Portanto, a partir da próxima primavera, tomarei iniciativas com a Alemanha para dar mais força a nossa União.

Meus caros compatriotas,

Mais do que nunca, devemos amar a França. Não há nada pior do que a autodepreciação. Ser lúcido jamais impediu que alguém fosse orgulhoso.

A França não é apenas uma grande história – e teremos que celebrá-la em 2014, no centenário da Primeira Guerra Mundial. A França é uma promessa, é um futuro, é uma oportunidade.

Sim, é uma sorte ser francês no mundo de hoje. E fortalecido por essa convicção, dirijo a vocês meus mais calorosos votos para este novo ano.

Meus desejos são de sucesso para todas e todos vocês, mas também para todos os outros.

Neste momento, não esqueço aqueles que estão sofrendo, que vivem isolados, que estão mal alojados ou que estão até mesmo sem teto.

Temos um dever de solidariedade para com eles.

Penso também em nossos concidadãos mantidos reféns. Um deles, o Padre VANDENBEUSCH, acaba de ser libertado. Estou feliz por ele e sua família. Mas ainda restam seis detidos.

Em nome da fraternidade que nos une, farei de tudo para libertá-los.

Estes são meus desejos para o novo ano: a batalha pelo emprego que deve ser o sucesso da França.

Viva a República!

Viva a França!



quinta-feira, 6 de março de 2025

Votos de François Hollande pra 2013


Endereço curto: fishuk.cc/voeux2013

Desde a primeira posse de Emmanuel Macron, em 2017, os registros no site oficial do Elysée começaram a ficar muito bagunçados, e alguns discursos sumiram, outros ficaram mais difíceis de encontrar, não foi constituído um acervo de vídeos históricos etc. Por isso, fiquei dependente do que pude encontrar pelo Google ou no YouTube.

Curiosamente, os europeus pareciam gostar nos anos 2000 muito mais do Dailymotion ou do Vimeo do que do próprio YouTube, portanto, foi muito mais fácil achar os discursos de Sarkozy na primeira plataforma. A partir de 2013, sob François Hollande, ficou mais fácil achar em canais diversos do YouTube, sobretudo de agências de notícias, como estes votos pra 2013. Porém, até hoje não entendo por que nenhum vídeo do presidente Hollande foi publicado no YouTube oficial, enquanto o Dailymotion oficial é o mais completo de todos. Além disso, conforme as datas dos vídeos, há um “buraco” no YouTube entre 28 de janeiro de 2011 e 15 (“Ao vivo”) ou 18 (“Vídeos”) de janeiro de 2019...

O ano de referência sempre é o próximo, ao qual cada presidente está desejando votos, e não o que está acabando, quando o discurso é gravado e lançado. Uso o Google Tradutor pra obter os textos mais rapidamente, mas revisando e confrontando manualmente com os originais. Pra França, a fonte desses textos, como é o caso dos votos pra 2013, está sendo um site de informações políticas, econômicas e sociais chamado “Vie publique”, ligado ao gabinete do primeiro-ministro, mas infelizmente pouco divulgado.



Meus caros compatriotas,

Fiel a uma bela tradição, dirijo a todos e cada um de vocês meus mais calorosos votos para o ano novo.

Em maio passado, vocês me confiaram a tarefa de liderar nosso país em um momento particularmente difícil. Com uma crise histórica, um desemprego que há quase dois anos não para de aumentar e uma dívida recorde.

Não ignoro nenhuma das inquietações de vocês. Elas são legítimas. E não pretendo esconder de vocês as dificuldades que nos aguardam. Eles são sérias.

Mas esta noite quero lhes expressar minha confiança em nosso futuro: a zona do euro foi salva e a Europa finalmente se dotou dos instrumentos de estabilidade e crescimento que lhe faltavam. Esse resultado parecia, há apenas seis meses, fora de alcance. Ele foi atingido.

Minha confiança está, acima de tudo, na França. Conheço o talento tanto de nossos empregadores quanto de nossos assalariados. Meu dever, meu primeiro dever, meu único dever, é fazer nosso país avançar e fazer nossa juventude recuperar a esperança.

Por isso, desde minha eleição, tomei três decisões principais com o governo de Jean-Marc AYRAULT.

A primeira foi restaurar nossas contas públicas. Quero livrar a França das dívidas. Foi necessário um esforço. Eu sei o que ele representa depois de tantos anos de sacrifícios. Garanto-lhes que cada euro arrecadado será acompanhado de uma luta drástica para reduzir gastos públicos inúteis. O dinheiro dos franceses é precioso. Cada um de vocês o ganha duramente. Ele deve, portanto, estar a serviço de um Estado exemplar e parcimonioso.

A segunda decisão é o pacto de competitividade. A partir de 2013, quero restituir margens de manobra às empresas, com um crédito fiscal de 20 bilhões de euros para permitir que elas contratem, invistam e exportem.

O terceiro é controlar as finanças: foi criado o Banco Público de Investimento, a próxima lei bancária nos protegerá da especulação e o imposto sobre transações financeiras será introduzido em nível europeu no ano que vem.

Essa marcha adiante não ocorreu sem sobressaltos nem contratempos. Concordo. Mas o cronograma que estabeleci visa fazer as reformas agora para sairmos da crise mais rápido e mais fortes.

Essas decisões eram essenciais e haviam sido adiadas por tempo demais. Eu as tomei com espírito de justiça.

Justiça fiscal, primeiramente. Agora, a renda de capital é tão tributada quanto a renda do trabalho. E sempre será exigido mais daqueles que têm mais. Esse é o sentido da contribuição excepcional sobre os rendimentos mais elevados que será reorganizada, seguindo a decisão do Conselho Constitucional, sem alterar seu objetivo.

Justiça social, com o aumento do salário mínimo, do RSA [auxílio desemprego sob condição de buscar trabalho ou realizar alguma atividade] e da ARS [subsídio de volta às aulas concedido a famílias mais pobres para arcarem com custos escolares gerais dos filhos]. E o direito de se aposentar aos 60 anos para quem começou a trabalhar cedo.

Justiça entre as gerações, com prioridade para a educação nacional, com professores mais numerosos e mais bem formados.

2012 foi, portanto, o ano em que iniciamos juntos a recuperação.

2013 será o ano da mobilização de todos para que tenhamos sucesso.

Todas as nossas forças estarão concentradas em um único objetivo: reverter a curva do desemprego dentro de um ano. Teremos que conseguir isso a todo custo.

Com 150 mil empregos promissores para os jovens mais distantes do mercado de trabalho. Com os contratos de geração que permitirão unir a experiência dos mais velhos com a esperança dos mais jovens. Eles entrarão em vigor amanhã.

Com a formação profissional que será reformada com prioridade para acompanhar os desempregados em direção ao emprego.

Mas o Estado não é o único ator. É por isso que o governo abriu negociações sobre a segurança do emprego.

Seu objetivo? Dar mais estabilidade aos assalariados e mais flexibilidade às empresas. Resumindo, afastar um duplo medo: o de ser demitido para trabalhadores, e o de contratar para empregadores. Se essa negociação for bem sucedida, será uma oportunidade para a França. Confio em que os parceiros sociais assumirão suas responsabilidades. Caso contrário, eu as assumirei.

Eis aí o rumo definido: tudo pelo emprego, pela competitividade e pelo crescimento.

Esse rumo será mantido com unhas e dentes. Não vou me desviar dele. Não por teimosia, mas por convicção. É do interesse da França.

Para se preparar para o futuro, nosso país precisa investir em todas as áreas; em nossos setores industrial e agrícola, na habitação, no meio ambiente, na saúde, na pesquisa e nas novas tecnologias. Por isso, pedi ao governo que propusesse uma estratégia de investimentos públicos e privados para modernizar a França tendo 2020 como horizonte.

Caros compatriotas da Metrópole, do Ultramar e no exterior, temos todos os recursos para ter sucesso, desde que concordemos com o essencial. E mesmo que às vezes possamos discordar em grandes questões societárias, como será o caso em 2013, a França é a França quando avança na igualdade de direitos – incluindo o casamento igualitário –, na democracia – incluindo a não acumulação de mandatos – e no respeito pela dignidade humana – incluindo a eutanásia.

A França também é ela mesma quando defende seus valores no mundo.

Ela fez isso no Afeganistão. Sua missão foi cumprida. Como prometido, todos os nossos combatentes voltaram para casa no Natal. Expresso minha gratidão a nossos soldados por sua coragem e saúdo a memória dos que morreram pela França. São 88. E não me esqueço dos feridos: são mais de 700.

É sempre em nome desses valores que a França apoia a oposição à ditadura na Síria. E, no Mali, os povos africanos em sua luta contra a ameaça terrorista.

Penso especialmente em nossos reféns [tomados no Níger e no Mali por grupos terroristas islâmicos] e suas famílias, que vivem na angústia. Que eles saibam bem que tudo está sendo feito para obter sua libertação. Sem transigir em nenhum de nossos princípios.

Uma de nossas forças está na solidariedade. Ela é nossa dívida para com os povos oprimidos e, bem perto de nós, para com os mais frágeis, os doentes, as pessoas isoladas, aquelas com deficiência ou que sofrem com a precariedade ou a solidão. Não são meros receptores de assistência social. São cidadãos, machucados pela vida em dado momento.

Para uma grande Nação como a nossa, é dever de honra ser capaz de combinar competitividade e solidariedade, desempenho e proteção, sucesso e partilha.

É a ambição desta França reconciliada e autoconfiante que carrego para o ano que começa. É essa ambição que dá sentido ao esforço de todos.

Viva a República!

Viva a França!



quarta-feira, 19 de junho de 2024

Plano de Macron pra enrabar a França


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O “Plano Procu”, cuja existência lhe revelei há dois dias e que podia ser rebatizado como “Hemovirtus”, parece realmente parte de um esquema maior do ex-banqueirinho filósofo pra enrabar a França. Como se o cidadão comum que não passeia na Torre Eiffel nem come baguete o tempo todo já não estivesse levando ferro todo dia devido ao desmonte do Estado e ao descalabro das contas públicas.

Alguns cidadãos provindos de um continente mais ao Çu (Grobá) parecem ter preferido combater o faxixmo lá do que cá, onde o perigo de retrocessos sociais é mais importante. Essa literal esquerda caviar, execrada há anos por nossos publicistas, parece ter mais medo de perder seus benefícios mercadolísticos do que passar a imagem de sua terra natal como um futuro Evangelistão. Até a Foia publicou em entrevista pelos 80 ânus do Xiko que ele já se conforma em ter um “público menor”; pudera, não é por falta de Rouanet, já que ele nunca precisou diante de suas décadas de consagração e de sua origem abastada, mas porque até minha mãe, em nada suspeita de antipetismo, me disse que “Esse cara é chato pra caramba!”, rs:


Até o ex-presidente Francês Holanda, primo do Ivo Holanda e sobrinho do Sérgio Buarque de Holanda (“o pai do Xiko”), que sequer concorreu à eleição de 2017 tamanha era sua impopularidade, resolveu se candidatar a deputado federal por sua circunscrição natal da Corrèze (parece Coriza, rs). Após anos exercendo a função de pinguim de geladeira correspondente a sua atual aparência, o socialista, que já parecia se preparar pra um retorno em 2027, tomou a decisão após que considerar que “a situação está grave”. O ex-marido da Ségolène contou em entrevista como a dissolução do Parlamento na sequência do “Plano Procu” revela o tamanho dos problemas que a França deverá enfrentar:


Quando ouço falar sobre o processo de “desdemonização” (dédiabolisation) do RN e vejo Jordan Bardella sendo avançado como o “bonitão instagramável” (igual a um Fernando Collor em 1989) da extrema-direita, só consigo me lembrar de duas coisas. A primeira, do Seu Creysson no Casseta & Planeta em 2002 se candidatando a presidente e colocando “uma máscaria de Brédio Pítio pra num assustá os mercádio” (referência à reação do sistema a uma possível eleição de Lula). A segunda, desta cena da grande versão em filme da peça O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, rs:


Num dos livros de Oswaldo Chiquetto, jornalista, tradutor e intérprete, sobre “falsos amigos” e armadilhas vocabulares do inglês publicado em 1995, o ilustrador fez por bem brincar com o significado de addiction, que não significa “adição, soma”, mas “vício”. Em minha cabeça, ele sem querer fotografou em desenhos o essencial de Lula e Bolsonaro, por isso deixo a tradução pra você mesmo:

    


Pra terminar, vamos rir um pouco com essa “Barbie Boza” (22 no nome de usuário dela não deve ser a idade nem o DDD, rs) que achei por acaso no Équis quando um dos assuntos estava em alta. Os peixecólogos de plantão na mídia adoram nos dizer que “não devemos ter um modelo ideal” nem “exagerar as expectativas”, mas duvido que o pacote da moça, se ela mesma não for um robô ou um fake, exista em qualquer um dos planos da existência. Aliás, é namorado ou filho afinal pra “assumir”?...

Se o cara chupa o saco do Mytho, há altas probabilidades de ser um “Zé Droguinha”, “ateu” (simplesmente por não ligar pra templos ou cultos ou porque “meu Deus tá aqui” numa caneca de cerveja), “favorável ao aborto” (da periguete que ele embuchou) ou mesmo mandar uma pensando no Ixperrtínhu, rs. Além disso, como dizem os aforistas do IPTC, o antifeminismo de uma pepecuda reaça acaba quando começam as surras e as ameaças armadas do chifrudo. Essa realmente eu deslizo pra esquerda (pra começar, porque “NÃO” tem til), e não tô falando de ideologia. Até a próxima, abiguinhes!


domingo, 28 de maio de 2017

Hollande lamenta policial assassinado


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No dia 20 de abril, a França esteve de novo às voltas com o terror dos extremistas islâmicos, sem contar os pequenos ataques que são debelados ou que ocorrem em escala restrita. Na famosa Avenida dos Champs-Élysées, um dos símbolos não apenas de Paris, mas de toda a França, um criminoso francês, mas de religião e origem islâmicas, atirou com um fuzil Kalashnikov contra um furgão de policiais e conseguiu matar um deles e ferir outros dois. Foi por volta das 20h50min (15h50min no horário de Brasília), instaurando um clima de terror entre os passantes e levando ao fechamento do bairro quase de imediato. Logo depois, ele mesmo também foi morto, identificado como Karim Cheurfi, de 39 anos, com o qual se encontrou uma carta jurando fidelidade ao grupo Estado Islâmico. Este, por sua vez, reivindicou rapidamente a autoria, dizendo que Cheurfi era um dos seus, embora ele tivesse, de fato, várias passagens policiais por roubo e tentativa de assassinato desde 2001.

O grande baque desse fato é que no domingo seguinte, ocorreria o primeiro turno das eleições presidenciais, em cujas sondagens o candidato de Hollande, Benoît Hamon (PS), estava então num insólito quinto lugar, ou seja, o último entre os principais candidatos. Os candidatos mais contestadores de todos os lados, que eram Marine Le Pen (FN, extrema-direita), Jean-Luc Mélenchon (FI, extrema-esquerda) e Emmanuel Macron (En Marche!, centro, mas ex-ministro de Hollande), estavam à frente, com votação bem próxima. Mesmo François Fillon, do partido dos ex-presidentes Sarkozy e Chirac (Les Républicains), estava atrás deles, embora terminasse a disputa em terceiro. O maior medo dos socialistas era que Le Pen, que há anos explora mais esse medo do islã, saísse na frente, mas ao final ela terminou os dois turnos em segundo lugar (embora a passagem pro segundo já fosse por si só um susto). No momento do atentado, estava havendo o último debate televisivo entre todos os candidatos, e ao saberem do fato, tiveram que abordar inevitavelmente, mais do que queriam ou previam, o tema do terrorismo. Apesar do medo de um “Frexit” (“Brexit” francês) com Marine vitoriosa, Macron elegeu-se presidente com larga vantagem, marcando após décadas a primeira eleição em que nem PS, nem Les Reps chegam à final.

Neste vídeo, Hollande deplora o assassinato, dirige seus sentimentos à família do policial, garante a mobilização das forças de segurança e repete lamentavelmente a mesma ladainha que já apareceu aqui no blog tantas vezes, em traduções dele. No começo de abril mesmo, eu já tinha postado o vídeo de Putin comentando os atentados no metrô de São Petersburgo. A França não vive apenas uma crise de violência, mas também econômica, social e moral, com o país extremamente dividido (em todo caso, contra o Partido Socialista). Contudo, no dia 18 de março, Hollande teve estômago pra escrever esta mensagem no Twitter: “Hoje, meu orgulho é poder estar transmitindo ao meu sucessor um país mais forte, mais digno, mais coeso e mais coerente do que em 2012.” Hashtag #Crolles, pequena cidade do sudeste em que ele fazia uma visita, mas que, segundo os internautas, que caíram de pau, deveria ser #Troll (o -es não é pronunciado).

Não haveria pior fim de mandato! No YouTube, este vídeo foi o único sem legendas, num canal amador sobre política, que achei na íntegra e sem marcas de outros canais, mas com qualidade e áudio menos bons. O texto integral transcrito desta fala de Hollande foi apagado do site da Presidência, mas há outra cópia nesta página, embora em letra menor. Foi a partir dele que eu traduzi e legendei. Seguem abaixo as legendas e a tradução em português mais refinada:



Senhoras e senhores,

Esta noite, exatamente às 21h, nos Champs-Élysées, ocorreu um ataque visando policiais e a van em que eles se encontravam.

Um policial foi morto. Dois outros foram feridos. Uma pedestre também foi atingida. O próprio criminoso foi neutralizado por outros policiais.

O bairro todo foi cercado. As pessoas que estavam lá puderam ser evacuadas. Estamos certos de que as pistas, que podem conduzir à investigação e deverão revelar toda a verdade, indicam um ato terrorista. Aliás, o Polo Antiterrorista foi acionado, e o inquérito será comandado por ele, para se conhecerem as razões e os eventuais cúmplices.

Convoquei para amanhã, às 8 da manhã, um Conselho de Defesa. Fazemos tudo para que a mobilização de nossas forças de segurança, militares e corpos policiais se encontre no mais alto nível nas circunstâncias que conhecemos, o que já ocorre mesmo há meses. Faremos vigilância absoluta, em especial com vistas às eleições.

Mas todos entenderão neste momento que meus sentimentos estão com a família do policial morto, bem como com o círculo íntimo dos policiais feridos. Uma homenagem nacional será prestada a esse policial que foi assassinado tão covardemente.

Devemos todos ter em mente que nossas forças de segurança fazem um trabalho especialmente difícil, que ficam expostas, como também vimos esta noite, e que o apoio da nação é total para com elas. Reitero aqui todos os meus compromissos tomados em relação aos militares e às forças policiais, apoios também válidos à proteção da Nação e à segurança de todos. Tudo deve ser feito para que a Polícia e o Exército possam cumprir sua missão, claro, dentro do Estado de direito e seguindo as regras, mas com a confiança de toda a Nação.

Essa é a mensagem que quero dirigir esta noite, não só a militares e policiais, mas também a todos os nossos concidadãos, que estão protegidos, devem estar e estarão. Todas as medidas que puderam ser tomadas vão nessa direção.

Mas o princípio básico, que deve ser toda vez relembrado, é a confiança, a solidariedade e o apoio da Nação para com as forças de segurança. Esse é meu pensamento esta noite, um pensamento com grande tristeza por causa desse funcionário que fez seu trabalho até o fim, de sua família e dos policiais feridos, mas também com ciência de nossa grande determinação a fazer tudo para combater o terrorismo, no país e onde quer que nossas tropas estejam atuando. Obrigado.


domingo, 15 de novembro de 2015

Hollande repudia ataques em Paris

François Hollande, presidente da França, fez um discurso no dia seguinte aos atentados que atingiram Paris em 13 de novembro de 2015. À noite, atiradores islâmicos em vários pontos da capital haviam assassinado dezenas de pessoas, a maior parte delas na casa de shows Bataclan, onde se apresentava uma banda musical norte-americana, e outras próximo ao Stade de France, onde ocorria um jogo entre França e Alemanha.

O presidente Hollande repudiou com força os ataques jihadistas, atribuindo-os ao grupo Daesh e prometendo desbaratá-lo onde quer que fosse. Até o momento, diz, haviam sido contadas 127 vítimas fatais e muitíssimos feridos, a França estava em estado de choque e as famílias dos mortos, transtornadas. Como na ocasião do atentado ao Charlie Hebdo em janeiro, Hollande pediu que toda a população se unisse, afirmou terem sido tomadas todas as medidas de segurança e anunciou uma coalizão internacional para combater a onda terrorista em ascensão naqueles dias.

O Estado Islâmico, também conhecido como ISIS, estava ultimamente intensificando seus atentados ao redor do mundo, e a França havia se engajado ainda mais no combate armado ao grupo. Logo após o tiroteio, Hollande também decretou o fechamento das fronteiras do país (o primeiro desde 1944), num momento em que centenas de milhares de imigrantes fugiam do Oriente Médio e do Norte da África para a Europa justamente por conta da intensa guerra entre os terroristas e os exércitos ocidentais e locais.

Qual será o próximo capítulo dessa novela? A xenofobia vai aumentar no Velho Continente e o fluxo imigratório será bloqueado? A Rússia, que já vinha bombardeando alvos do Estado Islâmico na Síria, vai finalmente começar a colaborar com os Estados Unidos e a União Europeia? Ou a França, como os EUA durante o governo George W. Bush, vai se tornar novo destino de atentados e instalar um Estado de paranoia e cerceamento?

Eu legendei o vídeo em português pouco após ele ter sido posto no ar em francês, tendo baixado sem legendas do canal francês BFMTV. Este discurso não tinha uma versão escrita nem mesmo no site do Élysée, e ao contrário de outras legendagens, fiz os trabalhos de escuta, tradução e inserção ao mesmo tempo na manhã mesma do pronunciamento. Abaixo do vídeo, uma transcrição adaptada em francês e uma tradução mais bem elaborada:


Meus caros compatriotas,

O que ocorreu ontem em Paris e em Saint-Denis, perto do Stade de France, foi um ato de guerra. E diante da guerra, o país deve tomar as decisões apropriadas. Foi um ato de guerra cometido por um exército terrorista, o Daesh, (1) um exército jihadista, contra a França, contra os valores que defendemos no mundo inteiro e contra o que somos: um país livre que fala ao planeta em conjunto.

Foi um ato de guerra preparado, organizado e planejado a partir do exterior, com cúmplices internos que a investigação nos permitirá descobrir. Foi um ato absolutamente bárbaro: neste momento, 127 mortos e inúmeros feridos. As famílias estão tristes, angustiadas. O país está sofrendo, e sancionei um decreto para instituir três dias de luto nacional.

Todas as medidas para proteger nossos concidadãos e nosso território foram tomadas no quadro do estado de emergência. As forças de segurança interna e o Exército, os quais homenageio especialmente pela ação que ocorreu ontem e permitiu neutralizar os terroristas, estão, pois, mobilizados ao nível mais alto de suas possibilidades. E cuidei para que todos os dispositivos fossem reforçados à escala máxima. Militares patrulharão no meio de Paris por todos esses próximos dias.

A França, por ter sido agredida covardemente, vergonhosamente, violentamente, será impiedosa para com os bárbaros do Daesh. Agirá com todos os meios nos limites do direito, os meios que convierem, e em todo território interior e exterior, em acordo com nossos aliados que também são visados por essa ameaça terrorista. Nesse período tão doloroso, tão grave e tão decisivo para nosso país, eu o chamo à unidade, à união e ao sangue-frio, e falarei ao Parlamento, reunido em Congresso em Versalhes (2) na segunda-feira para congregar a nação em provação.

A França é forte, e mesmo podendo ser ferida, sempre se reergue, e nada poderá atingi-la, mesmo se a tristeza nos atormenta. A França é sólida, é ativa, é valente, e triunfará sobre a barbárie: a história o relembra para nós, e a força que hoje somos capazes de mobilizar nos convence disso.

Meus caros compatriotas,

O que defendemos é nossa pátria, mas muito além disso, são os valores de humanidade. A França saberá arcar com suas responsabilidades, e eu chamo vocês a essa unidade indispensável.

Viva a República e viva a França!

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Mes chers compatriotes,

Ce qui s’est produit hier à Paris et à Saint-Denis, près du Stade de France, c’est un acte de guerre. Et face à la guerre, le pays doit prendre les décisions appropriées. C’est un acte de guerre qui a été commis par une armée terroriste, Daesh, une armée jihadiste, contre la France, contre les valeurs que nous défendons partout dans le monde, contre ce que nous sommes : un pays libre qui parle à l’ensemble de la planète.

C’est un acte de guerre qui a été preparé, organisé, planifié de l’extérieur et avec des complicités intérieures que l’enquête permettra d’établir. C’est un acte d’une barbarie absolue : à cet instant, 127 morts et de nombreux blessés. Les familles sont dans le chagrin, la détresse. Le pays est dans la peine, et j’ai pris un décret pour proclamer le deuil national pour trois jours.

Toutes les mesures pour protéger nos concitoyens et notre territoire sont prises dans le cadre de l’état d’urgence. Les forces de sécurité intérieure et l’Armée, auxquelles je rends hommage, notamment pour l’action qui s’est produite hier et qui a permis de neutraliser les terroristes, elles sont donc mobilisées au plus haut niveau de leurs possibilités. Et j’ai veillé à ce que tous les dispositifs soient renforcés à l’échelle maximale. Des militaires patrouilleront en plein Paris tout au long de ces prochains jours.

La France, parce qu’elle a été agressée lâchement, honteusement, violamment, elle sera impitoyable à l’égard des barbares de Daesh. Elle agira avec tous les moyens dans le cadre du droit, et tous les moyens qui conviennent, et sur tous les terrains, intérieurs comme extérieurs, en concertation avec nos alliés qui eux-mêmes sont visés par cette menace terroriste. Dans cette période si douloureuse, si grave, si décisive pour notre pays, je l’appelle à l’unité, au rassemblement, au sang-froid, et je m’adresserai au Parlement réuni en Congrès à Versailles lundi pour rassembler la nation dans cette épreuve.

La France est forte, et même si elle peut être blessée, elle se lève toujours, et rien ne pourra l’atteindre, même si le chagrin nous assaille. La France, elle est solide, elle est active, elle est vaillante, et elle triomphera de la barbarie : l’histoire nous le rappelle, et la force que nous sommes capables aujourd’hui de mobiliser nous en convainc.

Mes chers compatriotes,

Ce que nous défendons, c’est notre patrie, mais c’est bien plus que cela : ce sont les valeurs d’humanité, et la France saura prendre ses responsabilités, et je vous appelle à cette unité indispensable.

Vive la République et vive la France !


Notas de tradução (Clique pra voltar)

(1) “Daesh” em inglês, ou “Daech” em francês, é um acrônimo de origem árabe que designa o Estado Islâmico. É o termo preferido por seus inimigos, escondendo as palavras “Estado” e “islâmico”, pois o grupo não seria nem um Estado constituído, nem seguidor do “verdadeiro” islã. Alguns estadistas ocidentais e agências de notícias, porém, o evitam por considerarem-no “ideológico” e parecido com palavras árabes que denotam “esmagadores” e “desestabilizadores”, associação considerada favorável aos terroristas. Quem evita “Daesh” prefere usar “organização/grupo Estado Islâmico” ou “o assim chamado Estado Islâmico”.

(2) Trata-se do Congresso do Parlamento Francês (Congrès du Parlement français), ocasião em que se reúnem as duas câmaras parlamentares (Assembleia Nacional e Senado) na Sala do Congresso do Palácio de Versalhes para votar uma revisão constitucional, ouvir uma declaração do Presidente da República ou autorizar a adesão de um Estado à União Europeia. O Congresso de 16 de novembro de 2015 seria o segundo destinado a uma declaração presidencial, tendo sido o primeiro em 22 de junho de 2009 sob Nicolas Sarkozy.


domingo, 6 de setembro de 2015

Votos de François Hollande para 2015


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Discurso do Presidente da República francês François Hollande expressando aos cidadãos seus votos de um Feliz Ano Novo para 2015, pronunciado e transmitido do Palácio do Élysée a 31 de dezembro de 2014. Título original: “Vœux du président de la République aux Français”.

Hollande inicia a alocução ressaltando as grandezas da França e os motivos pelos quais seus cidadãos poderiam se orgulhar dela, e que dariam, assim, a base para se acreditar que o país tinha um grande futuro pela frente, desde que se evitassem passadismos em detrimento da audácia. Em seguida, o presidente lista as amplas reformas que seu governo buscou empreender no difícil ano de 2014, como na economia, no trabalho, no emprego e na divisão territorial, e anuncia outras reformas que em 2015 pretendia fazer no ensino, na tributação, na assistência social e na questão da eutanásia. Hollande reafirma também compromissos morais e políticos com a integração europeia, o republicanismo, a união nacional, o meio-ambiente, a paz mundial e contra os demagogos, a xenofobia, o racismo, o antissemitismo e a guerra. Por fim, dedica uma lembrança às pessoas na França que passam necessidade e renova seu pedido para que o povo confie no país, no governo e na própria laboriosidade.

O texto em francês, o vídeo e o áudio do pronunciamento podem ser acessados conjuntamente nesta página do Élysée. O vídeo sobre o qual coloquei as legendas também pode ser assistido sem elas nesta página. Abaixo você pode ver também o próprio vídeo legendado, no qual, é claro, sempre são feitas as necessárias adaptações a esse tipo de mídia:


Meus caros compatriotas,

É uma mensagem de confiança e persistência que lhes dirijo esta noite lhes expressando meus votos para o Ano Novo. Sei das dificuldades em que nos encontramos, levo-as em conta a cada dia e penso esta noite nas famílias apreensivas pelo futuro de seus filhos diante do desemprego e por vezes até mesmo da exclusão. E quero acabar (1) com o descrédito e a desesperança.

A França é um grande país: ela é a quinta potência econômica do mundo, ela toma suas responsabilidades sempre que a paz está ameaçada, graças à intervenção de nossos soldados na África, no Iraque, a quem quero saudar onde quer que estejam; eles fazem honra à sua bandeira.

A França tem uma diplomacia ativa que busca incansavelmente a solução para conflitos em lugares como a Ucrânia, onde me envolvi pessoalmente, ou o Oriente Médio. A França faz a Europa avançar: foi ela que sustentou a prioridade do crescimento com o plano de investimento de 315 bilhões de euros, que será lançado em 2015 pela Comissão Europeia.

A França é reconhecida por suas inovações, por sua cultura, pelo talento de seus empreendedores, inventores, pesquisadores. Ela foi honrada este ano com dois prêmios Nobel.

Temos, portanto, todas as razões para confiar em nós mesmos, mas com uma condição: avançar, dar mostras de audácia, rejeitar o status quo, descartar o regresso. Fiz a opção pelo futuro mantendo total fidelidade aos valores da República e a nosso modelo social.

A França não é uma nostalgia, mas uma esperança. Meu dever, com o governo de Manuel Valls, é fazer tudo, realizar tudo para preparar a França de amanhã, é dar tudo por nosso país.

Acredito na perseverança, na constância, no trabalho incessante. O ano de 2014 foi difícil, balizado por provações de todo tipo. Sem jamais ceder, segui firmemente o objetivo que havia fixado.

Eu havia anunciado a vocês o pacto de responsabilidade no começo do ano; ele entra em aplicação amanhã de manhã. As empresas e os trabalhadores independentes verão seus encargos baixarem, não haverá mais nenhuma cotização patronal para um assalariado pago pelo salário mínimo. (2) As empresas devem agora empregar e investir. É o sentido da palavra “responsabilidade”, pois nossa obrigação, diria nossa obrigação comum, é combater o desemprego.

Também foram realizadas grandes reformas ao longo de todo o ano agora findo. Assim, a partir de amanhã, 1.º de janeiro, a arduidade do trabalho finalmente será levada em conta no cálculo dos direitos à aposentadoria; o sistema deverá se tornar o mais simples possível para as empresas, para o que cuidarei pessoalmente, em acordo com os parceiros sociais (3) que se engajaram eles mesmos numa negociação essencial pela qual se espera modernizar o diálogo social em nosso país.

Igualmente, a reforma territorial, que havia sido mil vezes anunciada e mil vezes abandonada, foi adotada em menos de seis meses. E no ano que vem vocês serão chamados a eleger os políticos dessas futuras coletividades. Não importa quem vocês escolham, haverá mais eficácia e menos gastos.

A França, portanto, é capaz de se transformar, e sei que vocês estão prontos para isso. E é o que vamos fazer também em 2015. Primeiro, com a lei a ser apresentada em janeiro pelo Ministro da Economia, Emmanuel Macron. Ela vai despertar as iniciativas e a atividade, quebrar as rendas, liberar energias, desenvolver o emprego, simplificar a vida das empresas sem desproteger os assalariados. Será uma renovação para nossa sociedade, pois essa lei se destina principalmente aos jovens.

Os jovens serão sempre minha prioridade, com meios suplementares para combater as desigualdades escolares, com jovens professores mais bem formados, com o lançamento de um grande plano digital nas escolas, pois quero que a França seja o primeiro país da Europa em utilização da mais moderna tecnologia. Será uma ótima ferramenta de conhecimento, e também de justiça social. Pois a França só é forte quando ela é justa.

Em 2015 também será suprimida – no que me engajei – a primeira faixa do imposto de renda; o abono de família passará a variar em função das posses; o acompanhamento aos idosos será melhorado; o acesso a cuidados médicos será facilitado sem se colocar em causa a liberdade dos profissionais de saúde.

Mas também devemos ser capazes de conversar sobre os assuntos mais difíceis, diria os mais íntimos, para a sociedade: refiro-me ao fim da vida e ao direito de morrer com dignidade. Desejo que em 2015 o Parlamento possa adotar uma lei consensual que contribua para reduzir sofrimentos e leve em conta a vontade dos doentes.

Meus caros compatriotas, a França avançará no ano que vem, em todos os domínios e para todos. Esse é o combate que lancei e que levarei até o fim, contra os conservantismos – que são numerosos – e contra os populismos – que são perigosos. Diante do desemprego, venceremos dando mostras de iniciativa, e não nos paralisando ou nos isolando do resto do mundo. Rejeitemos os discursos que enganam e iludem o povo.

Com a Europa, não é destruindo o que existe ou pretendendo sair da zona do euro que convenceremos, mas restaurando nossa própria competitividade, mobilizando todas as alavancas econômicas para nos livrarmos da estagnação no continente e fundando bases democráticas à zona do euro.

E diante das ameaças que ascendem e inquietam, chamadas terrorismo, comunitarismo, (4) fundamentalismo, não é nos dividindo, estigmatizando uma religião ou cedendo ao medo que nos protegeremos, mas defendendo firmemente nossas regras comuns: a laicidade, a ordem republicana, a segurança das pessoas, a dignidade da mulher. É quando a França esquece seus princípios que ela se perde e submerge. Aí está o declínio, o único que nos ameaça, o da capitulação. Não é novidade na história, tanto da França como da Europa, nunca nos esqueçamos. É por isso que faço da luta contra o racismo e o antissemitismo uma grande causa nacional.

Devemos igualmente nos orientar por meio do compromisso, que é uma virtude para a Nação, é o que nos une numa mesma pátria. Assim, o serviço cívico (5) será estendido para todos os jovens, em toda sua diversidade, todos os jovens que fizerem a solicitação.

2015, meus caros compatriotas, será um ano essencial também, diria antes de tudo, para o planeta. A França receberá a conferência do clima em dezembro próximo, a qual reunirá os chefes de Estado e de governo do mundo inteiro. É uma ótima oportunidade para unirmos, antes de tudo, a nós mesmos além de nossas diferenças, partilharmos o que temos de melhor e restituirmos sentido ao progresso. A França deve ser exemplar – e é – com a lei da transição energética, já votada pela Assembleia Nacional, e com a lei da biodiversidade.

A França conseguiu, já faz 70 anos, reunir uma grande conferência pelos direitos universais do homem. Devemos agora levar o mundo a adotar, por sua vez, uma declaração pelos direitos da humanidade para preservar o planeta. E farei de tudo para que em Paris, em 2015, a conferência seja um sucesso, pois, quando nossos filhos ou netos nos perguntarem sobre o que conseguimos fazer em 2015, quero que possamos ter o orgulho de lhes dizer que contribuímos para preservar o planeta inteiro.

Meus caros compatriotas da metrópole, do ultramar ou vivendo no exterior, esses são os votos que faço para o ano que se inicia. 2015 deve ser um ano de audácia, ação e solidariedade. E esta noite penso em particular nos mais frágeis, nas pessoas sozinhas, nos desprovidos e em todas as vítimas dos dramas ocorridos nos últimos meses.

Mas minha mensagem é a da confiança; confiança em nós, em todas as forças de nosso país, em nossa vitalidade, e por isso posso dizer esta noite: viva a República e viva a França.


Notas de tradução (Clique pra voltar)

(1) No vídeo: “Mas quero acabar”.

(2) Em francês, trata-se do SMIC, o Salaire minimum interprofessionnel de croissance, que tem algumas diferenças em relação ao salário mínimo brasileiro.

(3) Na França, o termo “partenaires sociaux” designa, em comitês de trabalho e reuniões, o conjunto dos principais sindicatos profissionais – sindicatos de assalariados e organizações patronais – responsáveis pela gestão de certos órgãos paritários. Em Portugal, por vezes se fala em “parceiros sociais”, mas no Brasil isto se refere antes a acordos entre entidades públicas e/ou privadas com fins beneficentes.

(4) No debate intelectual, “comunitarismo” é originalmente uma abordagem social que critica a sobrevalorização liberal do indivíduo, situa-o como inextricável à sua comunidade cultural, étnica, religiosa ou social, e defende fenômenos coletivos, como a sociedade civil. Mas na polêmica francesa, de modo geral, “communautarisme” seria, para seus opositores, uma subjugação das pessoas pelo seu grupo de pertencimento, especialmente étnico ou religioso, em detrimento dos valores nacionais ditos laicos, republicanos e universalistas. Os críticos desta interpretação rejeitam-na como uma forma de racismo burguês, branco e masculino, dirigido em especial aos muçulmanos.

(5) O service civique, criado em 2010, visa reunir pessoas de idades e origens diversas num “compromisso cidadão” em torno do projeto de nação, por meio do voluntariado dentro ou fora da França em instituições associadas, com despesas pagas pelo Estado e emissão de certificado.



domingo, 15 de fevereiro de 2015

Luto de Hollande por “Charlie Hebdo”


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/hollande-charlie

Em Paris, logo após o atentado terrorista à sede do jornal satírico Charlie Hebdo a 7 de janeiro de 2015, o Presidente da República François Hollande falou em cadeia nacional sobre o crime, louvando as vítimas como “heróis da liberdade”, agradecendo às mensagens de solidariedade vindas do mundo inteiro, prometendo capturar, julgar e punir os atiradores e pedindo à população que permanecesse unida como principal arma contra o medo.

A comoção em torno dos assassinatos desses cartunistas e jornalistas daria espaço, nos dias seguintes, ao movimento “Nous sommes tous Charlie” (Somos todos Charlie), para defender a liberdade de expressão e de imprensa, condenar a disseminação do terror por motivos religiosos e garantir a continuidade da publicação do periódico, apesar das graves baixas e das ameaças recebidas havia muitos anos. Na sequência da caçada aos criminosos, eles acabaram sendo mortos pela polícia após praticarem outros delitos, frustrando o desejo de Hollande de vê-los julgados e punidos.

Difundiu-se por algum tempo nas redes sociais o uso da mensagem em preto “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie), mas alguns críticos julgaram como mais graves os frequentes “insultos” às religiões que os desenhistas faziam e a suposta “incitação” à islamofobia daí derivada, já que eram comuns caricaturas que diziam retratar o profeta Maomé. Após o atentado, ocorreram até mesmo muitas manifestações antifrancesas e antiocidentais em países muçulmanos, culminando em estrangeiros mortos e igrejas e embaixadas depredadas.

O título original do pronunciamento é “Allocution à la suite de l’attentat au siège de Charlie Hebdo”, publicado na página do Élysée, a Presidência da República francesa, e que é acompanhado do vídeo, do áudio e de uma versão em PDF para baixar. O vídeo que legendei foi baixado do canal YouTube da agência de notícias RT France, e pode ser assistido nesta página. Eu traduzi e legendei o vídeo do pronunciamento, e as legendas sempre têm alguma adaptação em relação ao texto escrito, o qual, porém, pode ser lido mais abaixo, logo após o vídeo:


Meus caros compatriotas,

A França foi hoje atacada em Paris, seu coração, nas próprias instalações de um jornal. Esse tiroteio extremamente violento matou doze pessoas e feriu várias outras. Desenhistas de grande talento, cronistas corajosos foram mortos. Eles haviam marcado, por sua influência, sua insolência e sua independência, gerações e gerações de franceses. Quero dizer aqui a eles que continuaremos a defender essa mensagem de liberdade em seu nome.

Este desprezível atentado matou também dois policiais, aqueles mesmos que estavam encarregados de proteger o Charlie Hebdo e a redação dele, que eram há anos ameaçados pelo obscurantismo e que defendiam a liberdade de expressão.

Esses homens e essa mulher foram mortos pela ideia que tinham da França, isto é, a liberdade. Em nome de vocês, quero expressar aqui todo nosso reconhecimento às famílias, às vítimas, aos feridos, a seus próximos, a todos os que sofreram na pele com este desprezível assassinato. Eles são hoje nossos heróis, e por isso decretei que amanhã será um dia nacional de luto. Às doze horas haverá um momento de concentração em todos os serviços públicos, do qual convido toda a população a participar. As bandeiras ficarão por três dias a meio mastro.

Hoje, a República inteira é que foi agredida. A República é a liberdade de expressão. A República é a cultura, é a criação, é o pluralismo, é a democracia. É tudo isso que era visado pelos assassinos. É o ideal de justiça e paz que a França leva para todo o cenário internacional e essa mensagem de paz e tolerância que defendemos também por meio de nossos soldados na luta contra o terrorismo e o fundamentalismo.

A França recebeu mensagens de solidariedade e fraternidade do mundo inteiro, das quais devemos bem avaliar a dimensão. Temos de responder à altura este crime que nos atinge, primeiro buscando os autores dessa infâmia e fazendo com que eles possam ser presos, e então julgados e punidos com todo rigor. Tudo será feito para capturá-los. A investigação está avançando sob a autoridade da justiça.

Devemos também proteger todos os locais públicos, e o governo pôs em operação o chamado plano Vigipirate Attentat, isto é, forças de segurança serão deslocadas por toda a parte, onde quer que possa haver um foco de ameaça.

Nós mesmos, enfim, devemos ter em mente que nossa melhor arma é a unidade, a unidade de todos os concidadãos diante dessa adversidade. Nada pode nos dividir, nada deve nos opor e nada deve nos separar. Amanhã reunirei os presidentes das duas assembleias, bem como as forças representadas no Parlamento, para mostrarmos nossa determinação comum.

A França é grande quando consegue, numa adversidade, alçar-se ao melhor padrão, ou seja, seu padrão, o padrão que sempre permitiu ao país superar seus problemas. A liberdade será sempre mais forte do que a barbárie. A França sempre venceu seus inimigos quando soube justamente se congregar em torno de seus valores. É o que convido vocês a fazer. A união, a união de todos, sob todas as formas, é que deve ser nossa resposta.

Unamo-nos diante dessa adversidade. Nós venceremos, pois temos todas as aptidões para crer em nosso destino e nada poderá arrefecer essa determinação que é tão nossa.

Unamo-nos.

Viva a República e viva a França!