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23 de janeiro de 2021

Macron lamenta atentado em Nice, 2020


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Após a degola, uns dias antes, de um professor que tinha usado uma caricatura do pasquim satírico francês Charlie Hebdo numa aula do ensino médio, outro jovem radical muçulmano entrou na basílica de Norte-Dame de Nice, no sul da França, e matou três pessoas a facadas em 29 de outubro de 2020. Os atentados ocorreram em meio a uma guerra de palavras entre o presidente Emmanuel Macron e o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan, que incentivou o boicote a produtos franceses em países de maioria islâmica alegando “cumplicidade” com a islamofobia na Europa.

Ocorre, porém, que os atritos entre Paris e Ankara vão muito além da religião, e incluem também discordâncias sobre a gerência do islã na França e o apoio que Erdoğan deu ao Azerbaijão em seu ataque contra a região de maioria armênia do Artsakh. Além disso, o presidente turco, numa escalada autoritária e expansionista, usa o discurso de estar na liderança de todos os muçulmanos do mundo, na falta de um chefe nos países vizinhos. Essa política é chamada “neo-otomanismo”, porque o sultão do Império Otomano também era o califa de todos os muçulmanos até o começo dos anos 1920, e porque cada vez mais Erdoğan parece atentar à laicidade do Estado republicano, instaurada por Kemal Atatürk após a queda do império.

Enfim, Macron também não é nenhum santo, mas o cenário geral era esse. Não quero também insinuar que o presidente turco estivesse por trás de qualquer atentado, porém a tensão crescia na Europa, num momento em que também o povo, como em 2021, estava muito contrariado pelos lockdowns reimpostos pelos governos. O vídeo sem legendas está no canal da presidência da França. Eu mesmo traduzi o texto direto do francês e adaptei pras legendas.



Senhoras e senhores,

Mais uma vez nosso país foi atingido pelo ataque de um terrorista islâmico.

Esta manhã, mais uma vez três compatriotas nossos foram mortos nesta basílica de Notre-Dame em Nice, e está muito claro que a atacada foi a França. No mesmo instante, um consulado francês estava sendo atacado na Arábia Saudita, em Jiddah, enquanto investigações eram feitas em nosso território.

Quero primeiro e antes de tudo expressar aqui todo o apoio da Nação inteira aos católicos da França e de outros lugares. Após o assassinato do padre Hamel no verão de 2016, os católicos são novamente atacados em nosso país, ameaçados antes da festa de Todos os Santos. A Nação inteira se põe ao lado deles e velará para que a religião possa continuar a ser livremente professada em nosso país, pois nosso país sabe disso. São nossos valores, que cada um possa crer ou não crer, mas que cada religião possa ser professada. Hoje, a Nação inteira se põe ao lado de nossos concidadãos católicos.

Minha segunda mensagem é para a cidade de Nice, senhor prefeito, a todas e todos os nicenses tão duramente tentados pela loucura terrorista e esse terrorismo islâmico. É a terceira vez que o terrorismo ataca sua cidade e seus habitantes. Sei do choque sentido por essa cidade, pelo país em conjunto e, acredito, pelo mundo inteiro que nos assiste. Aí também lhes expresso o apoio e a solidariedade de toda a Nação. Se mais uma vez somos atacados, é por causa dos valores que são os nossos, de nosso gosto pela liberdade, dessa possibilidade em nosso território de crer livremente e de não ceder a nenhum espírito de terror.

Digo isto hoje com muita clareza mais uma vez: nenhum passo atrás. Esta manhã, decidimos reforçar o estado de vigilância em toda a França para nos adaptarmos à ameaça terrorista. Decidi que nossos militares estejam, nas próximas horas, mais mobilizados, e aprovaremos a mobilização, nos quadros da operação Sentinela, de 3 mil a 7 mil militares em nosso território. Estaremos, assim, aptos a proteger todos os locais de culto, obviamente as igrejas em particular, para que a festa de Todos os Santos ocorra nas devidas condições. Também protegeremos nossas escolas para a volta às aulas.

Amanhã se reunirá um Conselho de Defesa, em que ratificaremos novas medidas em continuidade ao que há meses estamos fazendo, em continuidade ao que eu tinha anunciado durante o discurso em Les Mureaux e ao que na sequência pusemos em operação de forma permanente. Quero saudar a mobilização de todo o Governo, e bem em particular dos ministros do Interior e da Justiça que estão comigo. O procurador Ricard deverá nas próximas horas dar todos os detalhes sobre o que houve nesta manhã, tanto sobre o desdobrar dos eventos quanto sobre o autor. Não me compete aqui comentá-los, apenas expressar nossa determinação absoluta e que continuaremos agindo para proteger todos os nossos concidadãos e contra-atacar. É, portanto, uma mensagem de firmeza absoluta que quero passar hoje.

É igualmente, enfim, uma mensagem de unidade. Na França só existe uma comunidade: a comunidade nacional. Quero dizer a todos os nossos concidadãos, qualquer que seja sua religião, e sejam eles aliás crentes ou descrentes, que nesses momentos devemos nos unir e não sucumbir ao espírito de divisão. Sei que hoje todos os nossos concidadãos estão profundamente chocados, abalados pelo que mais uma vez acaba de ocorrer. Conclamo à unidade de todos. Eis a mensagem que vim hoje passar em Nice, e sei o quanto a cidade e o departamento estão sofrendo. Estive ao lado de vocês há apenas algumas semanas após as enchentes.

Apoio da Nação a Nice e aos católicos da França, firmeza e unidade, essa é a linha que devemos seguir hoje e que continuaremos seguindo amanhã.

Muito obrigado.