quarta-feira, 28 de junho de 2017

Vesperkomenco (soneto em esperanto)


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Mais um dos meus sonetos que escrevi diretamente em esperanto quando estava acabando o Ensino Médio. Como eu já tinha dito em postagens anteriores, até então esse era o único idioma estrangeiro que eu dominava, e como sempre gostei de fazer poesia (mas nem sempre de ler), fazia versos usando essa língua. Aliás, eu sempre achei o esperanto muito poético, porque eu já tinha lido muitos poemas de L. L. Zamenhof, o iniciador do idioma (e confesso que foi dele que herdei meu estilo bem “quadrado”), e porque a fonética e a pronúncia são realmente muito doces, parecidas com as do italiano.

Este soneto se chama “Vesperkomenco”, palavra composta de dois radicais e que significa “começo da noite”, mais exatamente a tardezinha, o anoitecer ainda com algum sol bem fraco. Como ocorre na maioria das culturas, tendo sua expressão mais célebre, acredito, no livro O pequeno príncipe de Saint-Éxupery, esse momento do dia é um dos meus favoritos, porque sempre me evocou coisas românticas, uma calma, uma paz, a impressão de que estavam sendo aliviados todos os pesos do dia. E é assim que também descrevo o crepúsculo a partir da minha casa, onde há uma natureza linda, composta de montanhas, florestas e muitos pássaros cantando. O soneto também alude brevemente à minha crença religiosa católica que eu ainda mantinha aos 17 anos de idade.

Acho provável que eu o tivesse escrito no comecinho de 2005, e não em 2004, e certamente numa época em que eu estava de férias, pois a passagem pelo “terceirão” me deixou pouco tempo e energias pra versificar em esperanto. No decorrer do ano, claro, fiz mais alguns sonetos em português, mas geralmente até mesmo, pasmem, sobre temas que eu estava estudando na escola! Pode ter sido uma forma divertida de fixar o conteúdo, pois passei direto com sucesso no vestibular de História, hehehe. Outra coisa que me faz localizá-lo em 2005, e no máximo no finzinho de janeiro ou comecinho de fevereiro, é novamente o estado de espírito que ele parece exalar. Nesse período, quase recomeçando as aulas, eu estava bem menos ansioso com relação a algumas coisas que me tinham acontecido no ano anterior, e como ainda estava de férias, podia usufruir de uma relativa calma e de um equilíbrio e clareza mentais que me proporcionaram escrever dessa forma que pode ser lida.

Abaixo estão o texto em esperanto, sem alterações desde então, e uma tradução improvisada pro português, só pra dar uma noção do conteúdo pra maioria dos leitores. Assim como fiz com outros poemas, desejo mais pra frente recitar este e outros sonetos pra postar no meu canal O Eslavo (YouTube). Boa leitura, e espero que gostem!



Vesperkomenco

Birdoj flugas super la tegmento,
La sun’ malaperas trans la montoj
Kaj, post kalkulo de ĉiuj kontoj,
Venas sur vizaĝon forta vento.

Ĉi tie, min ne ĉasas plu hontoj
Kaj malfortiĝas malbona sento,
Ĉar, laŭ konceptoj de mia gento,
Bonan ricevon havu venontoj.

Venonto estas sekvanta tago,
Kiun tute mi profiti devas
Marŝante aŭ naĝante en lago.

Mi kredas je tiu, kiu revas:
Kialo de al Dio la pago,
Al kiu niajn manojn ni levas.

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Começo da noite

Pássaros voam por cima do telhado,
O Sol desaparece além dos montes
E, após ter calculado todas as contas,
Um forte vento vem sobre o rosto.

Aqui, os pudores não me caçam mais
E se enfraquece o sentimento ruim,
Pois, como dizem na minha terra,
Que seja bem acolhido quem vier.

Quem virá é o dia seguinte,
O qual devo aproveitar totalmente
Caminhando ou nadando num lago.

Eu acredito naquele que sonha:
É o motivo de retribuir a Deus,
A quem elevamos nossas mãos.