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domingo, 29 de dezembro de 2024

“Moj otok” e “Corsi ci steremmu”


Endereço curto: fishuk.cc/vukov-arcusgi


Hoje tomei uma iniciativa diferente! Como em meus arquivos havia uma canção de Vice Vukov e outra do grupo corso L’Arcusgi pra traduzir, e eu não tinha outras canções nem de um, nem de outro tipo pra fazer uma nova coleção, decidi publicar as duas juntas pra variar sua diversão linguístico-musical, rs. Não tenho no momento a intenção de ampliar minha coleção de canções nacionalistas corsas que traduzi uns anos atrás, pois tenho vários outros planos de traduções, mas não há nada que me impeça um dia de a retomar. Quanto à faixa de Vukov, Moj otok (Minha ilha), eu tinha demorado pra achar uma boa versão da letra, e agora que achei, me apressei em traduzir e lançar!

A canção corsa se chama Corsi ci steremu (Vamos permanecer corsos), foi composta por Louis Franceschi, um dos integrantes da banda L’Arcusgi (se lê “larcúji”), e gravada no álbum Sò elli de 1993. Este vídeo traz a legenda na língua original e em francês, cuja tradução foi copiada deste portal. Mesmo esta, porém, tem algumas imprecisões que corrigi notando sentidos óbvios ou usando o Wikcionário e até o Google Tradutor (que agora também tem corso) à guisa de dicionário. Como se pode notar, as falas entre aspas representam o colonizador francês lhes tirando o moral. O último álbum de L’Arcusgi foi lançado justamente este ano, com o título 40 anni: Eterna lotta (40 anos: Luta eterna).

Nesta página do Facebook achei uma transcrição mais fiel de Moj otok, canção composta por Zvonko Špišić, enquanto a deste blog tem vários erros e imprecisões. Confesso que esta, sim, traduzi pelo Google, mas fiz várias conferências usando o Wikcionário, rs. Não vou novamente apresentar a vida e a obra de Vice Vukov, que podem ser lidas na última edição das traduções de suas músicas, nem de L’Arcusgi, disponível em meu link acima.


Tenho minha própria ilha
E uma casa perto de um grande pinheiro
Longe do mundo
No meio do mar

Tenho minha nascente e ribeiro
E alecrim, cipreste e floresta
E uma velha agave em flor
Numa estrada empoeirada

Tenho minha própria ilha
E uma brilhante lagoa tranquila
Como uma concha mágica
De prata e areia

Sobre minha ilha se aglomeram
E se reúnem enxames de estrelas
Sobre elas os pássaros perdidos
Fazem seus ninhos

Minha ilha é uma baía
E um porto pra barcos cansados
Onde o viajante que desejar
Encontra um abrigo e uma lareira

Minha ilha é um lagarto
Que cochila solitário sob o Sol
Minha ilha azul está te esperando
Mas você não está, não está aqui

____________________


Ja imam svoj otok
I kuću kraj velikog bora
Daleko od svijeta,
Na sredini mora

Ja imam svoj izvor i potok,
I ružmarin, čempres i šumu
I staru agavu u cvatu
Na prašnjavu putu

Ja imam svoj otok
I tihu lagunu što ljeska
Ko čarobna školjka
Od srebra i pijeska

Nad mojim se otokom jate
I skupljaju rojevi zvijezda
Na njemu zalutale ptice
Savijaju gnijezda

Moj otok je zaton
I luka za umorne lađe
Gdje namjerni putnik
I zaklon i ognjište nađe

Moj otok je gušter
Što na suncu usamljen drijema
Moj plavi otok te čeka
Al’ tebe nema i nema.


1. Venham, meus queridos e queridas
Convidamos vocês a cantar
Porque parece que hoje
Não sabemos mais fazer isso
Parece que nossas canções
Só falam sobre matar
Querem nos dar lições:
“Quem sabe das coisas não vive aqui...”

Refrão:
Vamos permanecer corsos
Com nossas tradições
E vamos sempre atacar
A colonização

2. Venham, meus queridos e queridas
Chamamos vocês pra festejar
Porque parece que hoje
Não sabemos mais fazer isso
Gente bem-intencionada
Quer nos fazer passar
Por um bando de alienados:
“Não vamos deixar que eles ajam...”

(Refrão)

3. Venham, meus queridos e queridas
Precisamos confraternizar
Porque parece que hoje
Não sabemos mais fazer isso
Os saqueadores e enganadores
[Lit. “Os corvos e as raposas”]
Gritam aqui e acolá
Mas nós, corsos, somos pela paz:
“A que preço, meu camarada...”

(Refrão)

Vamos permanecer corsos
Com nossas tradições
E juntos vamos construir
A Nação Corsa

____________________


1. Aiò cari, aiò care,
V’invitemu a cantà
Per via chì oghje pare
Ùn sapemu più la fà
Pare ch’è nostre canzone
Parlanu chè di tumbà
Ci volenu dà lezzione:
“Sò furdane què si sà...”

Ripigliu:
Corsi ci steremu
Cù e nostre tradizione
E sempre impetteremu
A culunisazione

2. Aiò cari, aiò care
Vi chjamemu a festighjà
Per via chì oghje pare
Ùn sapemu più la fà
I sapiente intenziunati
Ci volenu fà passà
Per un pugnu d’alienati:
“Ùn li lascieremu fà...”

(Ripigliu)

3. Aiò cari, aiò care,
Ci tocc’a fraternizà
Per via chì oghje pare
Ùn sapemu più la fà
E curnachje e vulpacce
Stridanu quind’è quallà
Simu Corsi per’a pace:
“A chì prezz’o sgiò cumpà...”

(Ripigliu)

Corsi ci steremu
Cù e nostre tradizione
E insème feremu
A Corsica Nazione



domingo, 13 de fevereiro de 2022

Vice Vukov – “Mamma” (Mamãe), 1990


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/mamma



A primeira vez em que publiquei esta tradução tinha sido no Dia das Mães de 2020, quando muitos já não podiam se reunir em família, ou mesmo perderam suas mães, avós e bisavós, e quando muitas mulheres perderam filhos, netos e bisnetos pra negligência humana. Temos de novo Vice Vukov, o cantor nacional croata e, na minha opinião, um dos maiores da história, desta vez cantando em italiano o clássico Mamma (Mamãe), que muitos conhecem na voz do saudoso tenor Luciano Pavarotti.

A canção, contudo, é bem antiga, quando em 1940 Bixio Cherubini escreveu a letra e Cesare Andrea Bixio compôs a melodia. A primeira gravação em italiano foi de Beniamino Gigli, como parte da trilha sonora do filme Mamma (1941), dirigido por Guido Brignone e que também conheceu êxito mundial. Além de Pavarotti, também a gravaram Toto Cutugno, Andrea Bocelli e até mesmo Muslim Magomaiev, sem contar as traduções em outras línguas (como a americana de 1946, por Harold Barlow e Phil Brito). Pelas pesquisas que fiz, acredito que Vice Vukov gravou a canção pela primeira vez no álbum Majci..., de 1990, que inclui duetos com sua filha Ivana, então criança. A faixa também apareceu na coletânea Bella Italia, de 2003, que tem outras músicas em italiano.

Já publiquei aqui outras vezes, mas vale a pena retomar um pouco da biografia de Vice Vukov. Nascido Vinko Vukov (1936-2008), ganhou fama instantânea em 1959 e durante os anos 60 se tornou um dos mais célebres cantores da Iugoslávia. Esteve no concurso Eurovision em 1963 e 1965, mas em 1972 teve sua carreira nacional interrompida por ter sido associado ao movimento nacionalista croata de protesto. Só em 1989 circulou um novo álbum seu sem assinatura, e com o fim do comunismo Vukov pôde retornar triunfalmente aos palcos. Foi eleito deputado federal em 2003, mas em 2005 sofreu uma queda que lhe feriu a cabeça e o deixou em longa agonia.

A antiga Iugoslávia sempre foi celeiro de grandes talentos musicais, sobretudo cantores, com destaque pras repúblicas da Croácia e da Bósnia e Herzegóvina, mesmo havendo bons nomes sérvios, como Zdravko Čolić. Os dialetos daquelas duas regiões são muito parecidos, e a pronúncia peculiar torna a musicalidade muito bonita. Além disso, o que vale especialmente pra Croácia e seu extenso litoral no Adriático, os iugoslavos sempre foram influenciados pela Itália, por si só uma potência cultural mundial.

Às informações das Wikipédias em italiano e inglês, adiciono o link com a letra em italiano, a partir da qual fiz a tradução direta e depois a montagem legendada. Assista duas vezes, lendo uma legenda de cada vez! Logo no comecinho, tem uma surpresa de que talvez nem todo mundo goste... Seguem as legendas, o texto original e a tradução:


1. Mamma, son tanto felice
Perché ritorno da te.
La mia canzone ti dice
Ch’è il più bel giorno per me.
Mamma son tanto felice,
Viver lontano, perché?

Ritornello:
Mamma, solo per te
La mia canzone vola.
Mamma, sarai con me,
Tu non sarai più sola.
Quanto ti voglio bene!
Queste parole d’amore
Che ti sospira il mio cuore
Forse non si usano più.

Mamma,
Ma la canzone mia più bella sei tu,
Sei tu la vita
E per la vita non ti lascio mai più.

2. Sento la mano tua stanca
Cerca i miei riccioli d’or.
Sento e la voce ti manca
La ninnananna d’allor.
Oggi la testa tua bianca
Io voglio stringere al cuor.

(Ritornello)

Mamma,
Ma la canzone mia più bella sei tu,
Sei tu la vita
E per la vita non ti lascio mai più.
Mamma, mai più...

____________________


1. Mamãe, estou tão feliz
Por estar voltando à sua casa.
Minha canção te fala
Que é o dia mais belo pra mim.
Mamãe, estou tão feliz,
Por que viver longe?

Refrão:
Mamãe, só pra você
Minha canção voa.
Mamãe, estarei contigo,
Você não ficará mais sozinha.
Eu te amo tanto, tanto!
Essas palavras de amor
Que meu coração te suspira
Talvez não são mais usadas.

Mamãe
Mas você é minha canção mais bela,
Você é a vida
E nunca mais na vida te deixarei.

2. Escuto sua mão cansada
Buscando meus cachos dourados.
E escuto sua voz esquecendo
A antiga canção de ninar.
Hoje sua cabeça branca
Quero apertar em meu peito.

(Refrão)

Mamãe,
Mas você é minha canção mais bela,
Você é a vida
E nunca mais na vida te deixarei.
Mamãe, nunca mais...




quarta-feira, 12 de junho de 2019

Mama Juanita (filme “Un día de vida”)


Endereço curto: fishuk.cc/juanita


Desde o ano passado, quando conheci o cantor Vice Vukov, eu já queria ter legendado esta canção em homenagem ao Dia das Mães, mas não consegui achar a letra. Finalmente, achei por acaso publicada num cancioneiro croata a letra de Draga mama (Mamãe querida), a tradução croata de Mama Juanita (às vezes “Huanita”), música que fez sucesso por causa do filme mexicano Un día de vida (1950, direção de Emilio Fernández, roteiro dele e de Mauricio Magdaleno). Este filme velhíssimo, porém, ficou esquecido por décadas no México, mas fez sucesso na antiga Iugoslávia (sob o nome Jedan dan života), onde seu tema principal recebeu diversas versões em croata e até esloveno, sempre com toada mexicana. No próprio México, a mesma melodia com outra letra é mais conhecida pela canção Las mañanitas, uma tradição dos aniversários.

A história do filme e da música é muito engraçada. Trata-se de dois homens durante a Revolução Mexicana, o general Felipe Gómez e o coronel zapatista Lucio Reyes, condenado à pena de morte em 1919 por se rebelar em armas contra o assassinato do líder revolucionário Emiliano Zapata. Os dois oficiais eram dois amigos de infância, mas depois se tornaram adversários, tendo Gómez sido encarregado de fuzilar Reyes. A mãe do que está preso, única parente com quem tinha contato e que já tinha perdido outros dois filhos durante a revolução, não sabe dessa mudança na relação: “Mamá Juanita” foi interpretada por Rosaura Revueltas (1910-1996), atriz mexicana de teatro e de cinema, e também dançarina, escritora e professora. Como último pedido de Reyes, deixam que ele vá visitar a mãe, acompanhado da jornalista cubana Belén Martí, que tinha vindo acompanhar as últimas mudanças no país. A graça do filme está em que o filho canta várias canções populares pra Juanita (inclusive Las mañanitas, que ele lhe cantava em todos os seus aniversários), que não pode conter as lágrimas, assim como Belén, que se apaixona por ele. Reyes poderia escapar da morte reconhecendo o governo, mas convicto de sua fidelidade a Zapata, deve voltar à prisão, e na manhã seguinte é fuzilado, tendo seu corpo sido retirado por Juanita.

Emilio Fernández, que era conhecido como “El Indio”, dedicou Un día de vida ao escritor cubano José Martí, herói nacional, e o homenageou dando esse sobrenome a Belén e recordando várias frases suas e partes de sua vida na história. Era o enredo perfeito pras necessidades do marechal Josip Broz Tito de legitimar a ruptura de sua Iugoslávia com a União Soviética de Iosif Stalin, mas a importação acabou também gerando gosto duradouro pelo cinema e música mexicanos no país balcânico. Isso só foi possível porque, com a cisão entre os dois países, Belgrado teve de tirar repentinamente de cena a maior parte dos filmes e discos em russo. Exibido em todas as repúblicas federais desde 1952, Un día de vida é bastante emocionante e dramático, levando umas duas gerações de iugoslavos ao choro nos cinemas. Elas possivelmente se identificaram com os personagens e enredo, por terem recentemente perdido parentes e amigos na 2.ª Guerra Mundial, não raro fuzilados pelos nazifascistas.

A partir dos anos 1950, quando foi decaindo a influência soviética, começou a primeira onda musical popular do pós-guerra, que consistiu justamente na música mexicana. Mama Juanita (o “j” espanhol soa idêntico ao “h” em servo-croata), traduzida nas línguas da Iugoslávia, influenciou todo um gênero que se desenvolveu no país nas décadas de 1950 e 1960. Artistas locais inclusive gravavam canções no célebre estilo mexicano mariachi, entre eles Slavko Perović e Nevenka Arsova, e Mama Juanita foi cantada por gente tão diferente quanto Ivo Robić, Nikola Karović, Mišo Kovač e a banda Pro Arte. E pra agravar os laços, o negativo original se perdeu durante o incêndio da Cineteca Nacional no México, em 1982, e a última cópia conhecida desse filme estaria guardada na Cinemateca Iugoslava, ou Arquivos do Filme Iugoslavo (Jugoslovenska kinoteka). A instituição até hoje funciona em Belgrado, hoje capital da Sérvia, mas embora possa ser de alto interesse dos mexicanos, é quase impossível conseguir uma cópia individual.

É sintomático que nas Wikipédias não haja nenhum artigo sobre o filme ou a música, nem em inglês e espanhol, nem mesmo numa das línguas da antiga Iugoslávia. Na Wikipédia, achei o artigo “Serbian pop” em inglês, os artigos sobre os cantores citados em servo-croata e os artigos sobre o mariachi nas duas línguas. Em blogs isolados que tive de caçar pelo Google há postagens em inglês e espanhol sobre Un día de vida e Mama Juanita, como a do “In Dreams”, com várias fotos e cartazes mexicanos e iugoslavos da época, e do “Hemeroteca” (em espanhol), que por sua vez copiou de outra fonte. Nas páginas 154 e 155 de Modern Mexican Culture: Critical Foundations, editado por Stuart A. Day e do qual achei alguns trechos no Google Livros, há também algumas informações sobre o filme.

A primeira montagem abaixo, com áudio de Vice Vukov, é um lindo trabalho com pinturas francesas e europeias, e eu apenas baixei pra pôr as legendas traduzidas. A segunda montagem, que eu mesmo fiz, tem o primeiro áudio da dupla croata Kraljevi ulice (“Os reis da rua”), gravado em 1994, e o segundo áudio do Trio Tividi, que gravou em 1961, bem quando vigorava a moda, e por isso a produção é menos dinâmica. Todos esses cantores são croatas, então posso dizer que traduzi a letra direto do croata, mas o texto-base que achei tem várias diferenças com todas as versões cantadas que encontrei. Segundo pude apurar, a canção mexicana tem autoria de Antonio Díaz Conde, enquanto o tradutor pro servo-croata foi Mario Kinel. Seguem abaixo as duas legendagens, as três letras em croata e suas traduções em português. Vejam o segundo vídeo duas vezes, lendo uma legenda de cada vez:




1. Nek’ putem sad tvoga života
Mnogo sreće za tebe bude,
I srca ti sada naša
Mnoge želje u susret trude.

Pripjev (2x):
Nek’ oči tvoje brižne
Vječno krasi topli sjaj,
Nek’ je tebi, o draga mama,
Sad posvećen pozdrav taj.

2. Zaboravi majčice brige,
Tužne misli dušu što bole,
I ponosno digni čelo,
Jer te srca mnoga još vole.

(Pripjev 2x)


1. Nek’ putem kojim si pošla
Mnogo sreće za tebe niče,
I srce ti sada naše
Svoje želje u susret kliče.

Pripjev:
Nek’ oči tvoje brižne
Vječno krasi topli sjaj,
Nek’ je tebi mama Huanita
Sad posvećen pozdrav taj.

2. Zaboravi majčice brige,
Tužne misli dušu što more,
I ponosno digni čelo,
Jer te mnoga srca još vole.

(Pripjev)

3. Još jednom čestitamo sada
Tebi rođendan o mama,
I želimo tebi od srca
Da još dugo budeš s nama.

(Pripjev)


1. Nek’ putem na koji si pošla
Mnogo sreće za tebe niče,
I srce ti sada naše
Svoje želje u susret kliče.

Pripjev:
Nek’ oči tvoje brižne
Vječno krasi topli sjaj,
Nek’ je tebi mama Huanita
Sad posvećen pozdrav taj.

2. Zaboravi majčice brige,
Tužne misli dušu što bole,
I ponosno digni čelo,
Jer te srca mnoga još vole.

(Pripjev)

3. Još jednom čestitamo sada
Tebi rođendan o mama,
I želimo tebi od srca
Da još dugo budeš s nama.

(Pripjev)

1. Que agora no curso de sua vida
Haja para você muita felicidade,
Que nossos corações lancem agora
Muitos desejos direcionados a você.

Refrão (2x):
Que um forte brilho eterno
Enfeite seus olhos cuidadosos,
Que seja agora, mamãe querida,
Dedicada a você esta saudação.

2. Mãezinha, esqueça as aflições,
As ideias ruins que ferem a alma,
E erga a cabeça orgulhosamente,
Pois muitos corações ainda te amam.

(Refrão 2x)


1. Que no caminho que você andou
Muita felicidade venha para você,
Que nosso coração exclame agora
Seus desejos direcionados a você.

Refrão:
Que um forte brilho eterno
Enfeite seus olhos cuidadosos,
Que seja agora, mamãe Juanita,
Dedicada a você essa saudação.

2. Mãezinha, esqueça as aflições
As ideias ruins que afligem a alma,
E erga a cabeça orgulhosamente
Pois muitos corações ainda te amam.

(Refrão)

3. Agora felicitamos mais uma vez
Você, mamãe, pelo aniversário,
E lhe desejamos de todo coração
Que viva muito tempo ainda conosco.

(Refrão)


1. Que no rumo que você escolheu
Muita felicidade venha para você,
Que nosso coração exclame agora
Seus desejos direcionados a você.

Refrão:
Que um forte brilho eterno
Enfeite seus olhos cuidadosos,
Que seja agora, mamãe Juanita,
Dedicada a você essa saudação.

2. Mãezinha, esqueça as aflições
As ideias ruins que ferem a alma,
E erga a cabeça orgulhosamente
Pois muitos corações ainda te amam.

(Refrão)

3. Agora felicitamos mais uma vez
Você, mamãe, pelo aniversário,
E lhe desejamos de todo coração
Que viva muito tempo ainda conosco.

(Refrão)


Adendo (18/12/2024): Na mesma época em que fiz a pesquisa pra esta publicação e redigi o texto final, também achei uma versão em esloveno da canção Mama Juanita, mas já não sei mais qual foi a fonte (portanto, nem o tradutor também). Porém, guardei o texto até hoje, não traduzi, e só agora tive tempo de conferir com um áudio original que também achei ao acaso, fazer uma tradução básica e finalmente inserir aqui este presente de Natal!

Os artistas que cantam, em claro estilo esloveno influenciado pela Áustria, seguem no vídeo acima, e abaixo segue a letra que não sei se está na língua padrão, mas que joguei primeiro no Google Tradutor e à qual dei depois uma forma final aceitável em português, embora não saiba se a tradução está exata. O sentido não muda muito em relação às principais versões em servo-croata, e se alguém desejar, pode comentar ou me contatar pra fazer qualquer sugestão ou correção:

1. Nek’ putem na kojem si pošla
Mnogo sreče sa tebe biče,
I srce ti sada naše
Svoje želje u sret kliče.

Refren:
Nek’ oči tvoje briže
Večno krasi topli sjaj,
Nek’ je tebi mama Juanita
Sad posveča pozdrav taj.

2. Zaboravi ču majčice brige,
Tužne misli dušo što bole,
I ponosno digni sa čelom,
Jer te srca mnoga još vole.

(Refren)

3. Još jednom čestitamo sada
Tebi rodžendan dan o mama,
I želimo tebi od srca
Da još dugo budeš sa nama.

(Refren)

____________________


1. Que pela estrada que você percorreu
Haja muita sorte pra você,
E agora nosso coração deseja
Que seus desejos se realizem.

Refrão:
Que seus olhos eternamente
Conservem o lindo brilho ardente,
Que pra você, mamãe Juanita
Seja dedicada agora esta saudação.

2. Mãezinha, esqueça as preocupações,
Ideias tristes que machucam a alma,
E levante sua cabeça com orgulho,
Pois muitos corações ainda te amam.

(Refrão)

3. Mais uma vez desejamos agora
Feliz aniversário pra você, mamãe,
E desejamos do fundo do coração
Que ainda viva muito tempo conosco.

(Refrão)



sexta-feira, 28 de setembro de 2018

As melhores canções de Vice Vukov (3)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/vice-vukov3


O grande cantor croata Vinko Vukov, mais conhecido como Vice Vukov, considerado o Rei da Música nacional, completou 10 anos de seu falecimento no dia 24 de setembro. Por isso, além das canções que legendei nos últimos meses, adicionei outras na semana passada, em homenagem à sua vida e obra, e já tinha legendado um pequeno trecho. É uma pena que os brasileiros não o conheçam, e que nossa música tenha se deixado influenciar tão pouco pela croata. Vukov (1936-2008) alcançou fama instantânea em 1959 e durante os anos 60 se tornou um dos mais célebres cantores da Iugoslávia. Participou do concurso Eurovision em 1963 e 1965, mas em 1972 teve sua carreira nacional interrompida por ter sido ligado ao movimento nacionalista croata de protesto. Apenas em 1989 circulou um novo álbum seu sem assinatura, e com o fim do comunismo Vukov pôde retornar aos palcos triunfalmente. Foi eleito deputado federal em 2003, mas sofreu em 2005 uma queda que lhe feriu a cabeça e o deixou em longa agonia.

O primeiro vídeo é o curto trecho de um show dado em Perth, cidade da Austrália, em dezembro de 1968 e transmitido pelo famoso canal local GTV-9. Vice Vukov canta a primeira parte de Ribar plete mrižu svoju (O pescador tece sua rede), música popular da Croácia com arranjos feitos pelo músico e compositor Ljubo Stipišić (1938-2011). Eu tirei alguns trechos do vídeo sem legendas e recortei o quadro, que era mais quadrado. A segunda filmagem é a canção Kad raziđe se dim (Quando a fumaça sumir), e foi composta em 1991 por Krsto Juras (letra) e Arsen Dedić (melodia). Vukov a gravou em 1992, tendo sido nesse mesmo ano transmitido pela Televisão Croata. Esta música, considerada uma das mais belas da Croácia, foi criada no clima da queda de Vukovar, durante a guerra de independência, sob o domínio das tropas sérvias e iugoslavas. O vídeo sem legendas está num canal com muito bom material de Vukov, no qual há outra versão com imagem boa, mas áudio pior. E a terceira é I tako teče vreme (E assim flui o tempo), composta em 1967 por Dušan Vidak (melodia) e Olivera Živković, com arranjos de Pero Gotovac. Vukov a gravou no mesmo ano, tendo ganhado com ela um conhecido festival de música em Belgrado. Deste vídeo eu baixei o áudio, cujo chiado reduzi um pouco.

Ribar plete mrižu svoju é uma canção típica da região da Dalmácia, e como se nota, canta sua tradição litorânea no mar Adriático, próximo à Itália, ao falar de um pescador. Vice Vukov, em geral, cantava muitas músicas de teor romântico, no sentido de bucólico, paisagístico e nacionalista, e são características, sobretudo, das primeiras décadas de sua carreira, além de seu retorno nos anos 90. Outro traço regional é a substituição do “je” ou “ije” de certas palavras (na variante literária do croata) por “i”: mrižu, triba, zapivaj, pismu, que se escrevem com “e” no sérvio literário. Também há a preferência, no áudio, em fazer o vocativo de ribar (ó, pescador) como ribare, e não ribaru, e tko no lugar de ko (quem) é outro traço croata. Neste livro de canções tradicionais, que pode ser baixado rapidamente, está a letra original, e há várias partituras em outro livro em PDF, inclusive de Ribar plete mrižu svoju.

Kad raziđe se dim lembra uma insurreição dos sérvios em territórios dentro da Croácia em 1990, que teve reforço das tropas da Iugoslávia (que então reunia os hoje territórios da Sérvia, Montenegro e Kosovo) até começar em 1991 uma guerra aberta contra a Guarda Nacional croata e voluntários civis. Este lado era bem menor e menos armado, mas defendeu com bravura a cidade de Vukovar, encravada bem na fronteira com a Sérvia, como um dos episódios da guerra ocorrido de agosto a novembro de 1991. Os paramilitares sérvios e o exército iugoslavo ao final tomariam Vukovar, mas a Iugoslávia saiu bastante exaurida da batalha, que terminou sendo decisiva no futuro da guerra. Com a retomada, forças sérvias mataram centenas de soldados e civis croatas, e deportaram mais de 31 mil pessoas da cidade e arredores.

Foi o primeiro caso, após a 2.ª Guerra Mundial, em que uma cidade europeia foi totalmente destruída em combate. Considera-se que a Croácia efetivou sua independência em 8 de outubro de 1991, mas Vukovar ficou sob controle iugoslavo até 1998, ao ser devolvida aos croatas. Até 1995, a Croácia manteve-se em guerra com a Iugoslávia, defendendo a independência da Bósnia e Herzegóvina e protegendo as minorias croatas que aí viviam. Cidade antes próspera, Vukovar foi reerguida, mas ainda tem muitos prédios em ruínas e perdeu grande parte de sua população original. Como em outros sites a ortografia da letra da canção não era boa, consegui copiar uma amostra fiel nesta edição de uma revista croata. Pra exibir e trabalhar com ela, apenas mudei a quebra de linhas, e há outra diferença: um dos versos está escrito na revista U zemlji nemirnoj (Na terra turbulenta), mas Vukov canta de fato U zemlji raninoj (Na terra machucada).

Quanto a I tako teče vreme, eu praticamente não “traduzi” a letra, mas decifrei: a redação poética é muito complexa, com inúmeras inversões e metáforas, e a mensagem passada é bastante sutil, falando do breve relacionamento entre um homem maduro e uma jovem inexperiente. No final, ele lamenta que não pudesse mais desfrutar da juventude dela, embora tivesse gostado muito do romance. Há muitas páginas com a letra transcrita, mas sem maiúsculas ou letras acentuadas, de forma que eu as adicionei conforme consulta a dicionários e escuta. Também fiz algumas mudanças textuais pra corresponder ao que Vice Vukov realmente canta.

Eu mesmo traduzi e legendei as três músicas a partir do croata (no caso da primeira, é apenas a parte inicial), tendo usado o dicionário da Porto Editora, o Google Tradutor e o Wiktionary em várias línguas. Seguem os três vídeos legendados, as letras originais e as traduções em português:


Ribar plete mrižu svoju,
Koja njemu triba,
A tko će je sutra plesti,
Baš ga nije briga.

2x:
Zapivaj pismu, ribaru stari,
Jer to je pisma o moru.
Zapivaj pismu, ribaru stari,
Jer to je pisma o moru.

____________________


O pescador tece sua rede
Que lhe é necessária,
E quem vai tecê-la amanhã
Nem sequer o preocupa.

2x:
Entoe uma canção, velho pescador,
Pois é uma canção a respeito do mar.
Entoe uma canção, velho pescador,
Pois é uma canção a respeito do mar.


Kad raziđe se dim,
Kad prođe prva bol
U našoj staroj kući
Sjest ćemo za stol.
Kad raziđe se dim
I stigne prvi brod
Uz kap misnoga vina
Naći će se rod.

Kad raziđe se dim,
Kad ode u Nebesa
Sagradit ćemo Grad
Sa tisuću adresa.
Kad raziđe se dim,
Kad nestane k’o pjena
Sagradit ćemo Grad,
Grad za sva vremena!

(Ponoviti sve)

Kad osvane taj dan
U zemlji nemirnoj
Biser sja na dlanu –
Grad i moj i tvoj!

____________________


Quando a fumaça sumir,
Quando passar a dor inicial,
Vamos nos sentar à mesa
Em nossa velha casa.
Quando a fumaça sumir
E chegar o primeiro navio,
Os parentes vão se rever
Tragando um vinho local.

Quando a fumaça sumir,
Quando sair para os Céus,
Ergueremos uma Cidade
Com milhares de moradas.
Quando a fumaça sumir,
Dissolver-se como espuma,
Ergueremos uma Cidade,
Cidade para a eternidade!

(Repetir tudo)

Quando esse dia raiar
Na terra turbulenta
A pérola brilhará na mão:
Uma cidade minha e sua!


I tako teče, teče vreme,
A ja te hrabro, mirno gledam,
Jer znam da više nema mene
Ni iskre neke nade da ti dam.

Te puste godine su same
Bez mene našle tvoju mladost,
A neka sećanja iz tame
Ruše svaki, svaki most.

Ja nikad, nikad, nikad, nikad
Od tebe nisam krio strah
Od jedne iznenadne želje,
Da živim taj predah.

A ti si jednom, samo jednom
U kakvom to trenutku svom
Tog novembarskog jutra
Za mene bila sutra
Kroz jedan jedini dah.

Oprosti kad zaboli jače
Sa vetrom neka rana stara.
To s moga lica kiša briše
Na oknu neke davne suze kap.

Obećaj, novembar kad plače
Dve iste nam poruči čaše
Za mir i nemir duge naše
Kao nekad, nekad vre.

Sad zbogom, zbogom, zbogom, zbogom,
Jer više ništa nemam ja,
Ni nade, smisla, čak ni prava,
Da budem sa tobom.

Sa tvojom mladošću je sunce,
A ja se bližim ušću svom.
Ja, suza svoga smeha,
Ja, kazna svoga greha,
Al’ suncu zahvalan tvom.
Al’ suncu zahvalan tvom!

____________________


E assim flui, flui o tempo,
Te olho corajoso e calmo,
Pois sei que não estou mais
Nem darei uma só esperança.

Os anos ocos, sós, sem mim
Encontraram você jovem,
E as lembranças das trevas
Derrubam cada, cada ponte.

Eu nunca, nunca, nunca
Te escondi que tinha medo
De desejar subitamente
Viver esse intervalo.

E você somente uma vez
Em algum momento seu
Dessa manhã de novembro
Foi para mim um amanhã
Por meio de suspiro único.

Perdoe se o vento der dor
Maior, como ferida antiga.
A chuva me tira gota do rosto
Como pranto velho na janela.

Se novembro chorar, jure
Que dois copos iguais vão
Nos lembrar da nossa longa
Paz e briga, como outrora.

Agora adeus, adeus, adeus,
Pois não tenho mais nada,
Esperança, sentido, nem até
O direito de estar com você.

Sua juventude tem Sol,
E eu já estou desaguando.
Sou pranto do meu sorriso,
Sou castigo do meu pecado,
Mas te agradeço pelo Sol.
Mas te agradeço pelo Sol!



sexta-feira, 11 de maio de 2018

As melhores canções de Vice Vukov (2)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/vice-vukov2



Nesta postagem, estou continuando a publicação de minhas traduções e legendagens do cantor croata Vice Vukov, pouco ou quase nada conhecido no Brasil. Enquanto no começo da semana postei canções gravadas em estúdio, hoje mostro aqui duas gravações ao vivo muito especiais. A antiga Iugoslávia sempre foi celeiro de grandes talentos musicais, sobretudo cantores, com destaque pras repúblicas da Croácia e da Bósnia e Herzegóvina, mesmo havendo bons nomes sérvios, como Zdravko Čolić. Os dialetos daquelas duas regiões são muito parecidos, e a pronúncia peculiar torna a musicalidade muito bonita. Além disso, o que vale especialmente pra Croácia e seu extenso litoral no Adriático, os iugoslavos sempre foram influenciados pela Itália, por si só uma potência cultural mundial.

Após me dar conta, no começo deste ano, do lixo que está inundando nossa música brasileira atual (e o YouTube, com os haters histéricos que só fazem replicar esses lixos), até mesmo meu querido sertanejo com boçais que gritam, decidi criar uma resistência. Não sou hater, não sou lambe-saco, por isso minha resistência é silenciosa, cultural e produtiva. Comecei a legendar pérolas musicais do mundo eslavo que quase ninguém no Ocidente, sobretudo no Brasil, veio a conhecer profundamente. Por meio desta iniciativa, que batizei Momento da Música Boa, quero que vocês conheçam coisas novas, mesmo que cronologicamente antigas. Porque não existe nada mais revolucionário do que o conhecimento e sua difusão. Em fevereiro conheci por acaso o cantor croata Vice Vukov, que possuía voz comparável, aqui, apenas a Cauby Peixoto, Agnaldo Rayol e Agnaldo Timóteo. Apresento hoje as quatro primeiras canções dele que traduzi.

Vinko Vukov, mais conhecido como Vice Vukov (1936-2008), ganhou fama instantânea em 1959 e durante os anos 60 se tornou um dos mais célebres cantores da Iugoslávia. Esteve no concurso Eurovision em 1963 e 1965, mas em 1972 teve sua carreira nacional interrompida por ter sido associado ao movimento nacionalista croata de protesto. Só em 1989 circulou um novo álbum seu sem assinatura, e com o fim do comunismo Vukov pôde retornar triunfalmente aos palcos. Foi eleito deputado federal em 2003, mas em 2005 sofreu uma queda que lhe feriu a cabeça e o deixou em longa agonia.

As duas canções que postei num antigo canal do YouTube são U duši s tobom (Minha alma está com você), uma forte declaração de amor incondicional, e Zvona moga grada (Os sinos da minha cidade), que narra as belezas do litoral da Croácia. Como outras músicas cantadas por Vukov, essas duas têm letra de Drago Britvić e melodia de Zvonko Špišić, dois caras que o acompanharam ao longo de toda a carreira. Britvić (1935-2005), poeta, jornalista e letrista croata, foi um dos mais famosos autores de letras pra festivais musicais. Formado em língua e literatura croata em Zagreb, alternava entre seu trabalho no rádio e nos jornais e a escrita de poesia e letras musicais populares. Tendo lançado seu primeiro livro em 1993, também produziu musicais, escreveu roteiros e publicou libretos de ópera. Špišić (1937-2017), também croata, foi cantor, compositor, letrista e artista plástico, que como autodidata em música, exerceu várias profissões. Mesmo assim, presidiu a Sociedade dos Compositores Croatas, ainda nos anos 70 foi parlamentar e recebeu vários prêmios nacionais e um polonês. Lançou três livros com as letras de suas canções. Nasceu e morreu em Zagreb, a capital da Croácia.

U duši s tobom é uma das mais emocionantes que já legendei de uma língua eslava, e fala de uma pessoa que percorre um longo caminho na tempestade fria pra encontrar a quem ama, mas cuja alma e “canções” já teriam chegado ao destino. Na poética terceira estrofe, a fumaça e a luz da casa a que se vai são a indicação de que o caminho está certo, como faróis, boias e ancoradouros no mar. Não há referências de gênero no poema, então os papéis do homem e da mulher são permutáveis, e podem ser até dois meninos ou duas meninas... O vídeo sem legendas deve ser de meados pra frente nos anos 90, e o programa da TV croata se chama Crno-bijelo u boji (Preto e branco em cores), exibido de 1992 a 2005 e que era especializado em mostrar vídeos antigos da Croácia, exibir séries e documentários e receber músicos e cantores.

No ano de 1970, Vice Vukov venceria com Zvona moga grada a edição do célebre festival musical de Split (vídeo sem legendas), localizada na Croácia (então parte da antiga Iugoslávia), quando se destacou a participação do italiano Sergio Endrigo com a canção Kud plovi ovaj brod, também cantada aí pela croata Radojka Šverko. Na ocasião, Endrigo gravou um compacto com essa música no lado 1 e com Više te volim no lado 2, a qual, por sua vez, Vice Vukov também interpretou no festival. O Festival da Canção Popular de Split, realizado desde 1960, é famoso ainda hoje por lançar as grandes estrelas da música croata, e Vukov também o venceu de 1965 a 1968.

Eu mesmo traduzi as duas letras direto do croata (que é uma variante específica do sistema “servo-croata” mais geral), com ocasional ajuda das referidas traduções russa e inglesa no caso de Zvona moga grada, e após ter recortado os enquadramentos, legendei os vídeos. Na descrição deste vídeo está o texto de U duši s tobom em que me baseei, e nesta página podem-se ler a letra em croata e as traduções em inglês e russo de Zvona moga grada. Está disponível ainda um breve texto em croata sobre o programa Crno-bijelo u boji.

É muito nítido, por exemplo, em Zvona moga grada o caráter croata da linguagem, como nas palavras com a variante ijekavica, que usa “(i)je” no lugar do “e” (vjenčanja, vječna, gnijezda, zvijezda, bijeli, čovjek, kolijevki), palavras típicas do dialeto local (glazba, música; povijest, história) ou palavras que designam a realidade local (trabakul, barco de carga e pesca, chamado trabaccolo em italiano; gromača, grande muro de pedras encaixadas sem cimento; kolonada, colunatas, ou colunas enfileiradas num pórtico ou corredor). Abaixo estão minhas legendagens, seguidas pelos respectivos poemas em croata (às vezes corrigidos pra alinhar-se a como Vice Vukov canta, ou com quebra de linha e pontuação adaptadas por mim) e traduções em português:


1. Već divlje guske
Lete iznad brijega,
Nad pustim poljem
Već se magle dime.
Nek’ ode s jatom
Tko se boji snijega,
A ja ću s tobom
U magle i zime.

2. Prostranstva plava,
Divlje guske lete,
Za suncem juga
Vuku ih daljine.
A ti se ne boj.
Nek’ nas snijeg zamete.
Ja za te čuvam
Dovoljno topline.

Pripjev:
U duši s tobom,
Od života jači,
Pa nek’ mi, stoput,
Snijeg zamete trag.
Dok može srce
Pravu stazu naći,
Pjesme će moje
Stići na tvoj prag.

3. Ko svjetionik,
Sidrište i bova,
Na mom su putu
Vredniji od zlata,
Taj pramen dima
Iznad tvoga krova,
Ta mrva svjetla
Ispod tvojih vrata.

(Opet strofa 1)

(Pripjev)

1. Os gansos selvagens
Já voam pelos montes,
Sobre o campo vazio
Já sobem as névoas.
Siga o curso do vento
Aquele que teme a neve.
Prefiro estar com você
Faça frio, faça neblina.

2. Nas vastidões azuis,
Gansos brutos voam
Além do Sol do Sul
Para longe do lobo.
Não fique com medo.
Pode nevar sobre nós.
Eu vou te proteger
Com bastante calor.

Refrão:
Minh’alma está contigo,
Mais forte que a vida,
E que a neve cubra
Cem vezes meu rastro.
Até que meu coração
Encontre a trilha certa,
Minhas canções vão
Chegando até seu lar.

3. Como o farol, a boia
E o ancoradouro
Em meu caminho
Valem mais que ouro,
Assim é a leve fumaça
Por sobre seu telhado,
Assim é o facho de luz
Debaixo da sua porta.

(Repete estrofe 1)

(Refrão)


Zvonila su za oluje,
Zvonila su za vjenčanja,
Zvonila su za živote
I za zadnja putovanja.
Kao neka vječna glazba
Naše slave, našeg jada,
Zvonila su od davnina
Stara zvona moga grada.

Boga su i ljude zvala
Za trabakul koji tone,
Zvonila su, zvonila su
Za gromače i balkone,
Skupljala su naše lađe
Kao ptice svoga gnijezda,
Ko da srce majke kuca
U zvoniku ispod zvijezda.

Dok spavaju stare luke
I treperi plavi svod,
Zvonici su kao ruke
Koje prate bijeli brod.
U kamenu nema neba,
Čovjek prođe težak put,
Al’ su jednom kad ih trebam
Stara zvona opet tu.

Pričaju nam našu povijest
Brižno kao otac sinu,
U večeri kao ova
Izlila su svu toplinu.
Kao neka vječna glazba
Kolijevki, kolonada,
Slušajte ih kako zvone
Stara zvona moga grada.

U kamenu nema neba,
Čovjek prođe težak put,
Al’ su jednom kad ih trebam
Stara zvona opet tu.

Pričaju nam našu povijest
Brižno kao otac sinu,
U večeri kao ova
Izlila su svu toplinu.
Kao neka vječna glazba
Kolijevki, kolonada,
Slušajte ih kako zvone
Stara zvona moga grada!

____________________


Soavam nas tempestades,
Soavam nos casamentos,
Soavam durante as vidas
E nas viagens para o além.
Como uma música eterna
De nossas glórias e penas,
Soavam há muitos séculos
Os velhos sinos de minha cidade.

Chamavam Deus e o povo
Ao afundar um pesqueiro,
Eles soavam, eles soavam
Rumo a muralhas e sacadas,
Recolhiam nossos barcos
Como pássaros a seu ninho,
Como se um coração de mãe
Batesse na torre sob estrelas.

Dormindo os velhos portos
E estremecendo o céu azul,
Campanários parecem mãos
Seguindo um barco branco.
Na pedra não existe céu,
O caminho humano é duro,
Mas se um dia preciso deles,
Os velhos sinos voltam aqui.

Contam-nos nossa história
Com o zelo do pai ao filho,
Em noites como esta
Verteram todo o calor.
Como uma música eterna
Do berço e filas de colunas,
Ouçam-nos, como badalam
Os velhos sinos de minha cidade.

Na pedra não existe céu,
O caminho humano é duro,
Mas se um dia preciso deles,
Os velhos sinos voltam aqui.

Contam-nos nossa história
Com atenção de pai ao filho.
Em noites como esta
Verteram todo o calor.
Como uma música eterna
Do berço e filas de colunas.
Escutem como badalam
Os velhos sinos de minha cidade!



segunda-feira, 7 de maio de 2018

As melhores canções de Vice Vukov (1)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/vice-vukov1



Após me dar conta, no começo deste ano, do lixo que está inundando nossa música brasileira atual (e o YouTube, com os haters histéricos que só fazem replicar esses lixos), até mesmo meu querido sertanejo com boçais que gritam, decidi criar uma resistência. Não sou hater, não sou lambe-saco, por isso minha resistência é silenciosa, cultural e produtiva. Comecei a legendar pérolas musicais do mundo eslavo que quase ninguém no Ocidente, sobretudo no Brasil, veio a conhecer profundamente. Por meio desta iniciativa, que batizei Momento da Música Boa, quero que vocês conheçam coisas novas, mesmo que cronologicamente antigas. Porque não existe nada mais revolucionário do que o conhecimento e sua difusão. Em fevereiro conheci por acaso o cantor croata Vice Vukov, que possuía voz comparável, aqui, apenas a Cauby Peixoto, Agnaldo Rayol e Agnaldo Timóteo. Apresento hoje as quatro primeiras canções dele que traduzi.

Vinko Vukov, mais conhecido como Vice Vukov (1936-2008), ganhou fama instantânea em 1959 e durante os anos 60 se tornou um dos mais célebres cantores da Iugoslávia. Esteve no concurso Eurovision em 1963 e 1965, mas em 1972 teve sua carreira nacional interrompida por ter sido associado ao movimento nacionalista croata de protesto. Só em 1989 circulou um novo álbum seu sem assinatura, e com o fim do comunismo Vukov pôde retornar triunfalmente aos palcos. Foi eleito deputado federal em 2003, mas em 2005 sofreu uma queda que lhe feriu a cabeça e o deixou em longa agonia.

A antiga Iugoslávia sempre foi celeiro de grandes talentos musicais, sobretudo cantores, com destaque pras repúblicas da Croácia e da Bósnia e Herzegóvina, mesmo havendo bons nomes sérvios, como Zdravko Čolić. Os dialetos daquelas duas regiões são muito parecidos, e a pronúncia peculiar torna a musicalidade muito bonita. Além disso, o que vale especialmente pra Croácia e seu extenso litoral no Adriático, os iugoslavos sempre foram influenciados pela Itália, por si só uma potência cultural mundial.

Hoje vou apresentar primeiro minhas montagens com o áudio, fotos e legenda bilíngue, que postei num antigo canal do YouTube. Vejam os vídeos sempre duas vezes, lendo uma língua de cada vez! Pričaj mi (Conte-me), a primeira que eu escutei, me apaixonou logo de início. Neka cijeli ovaj svijet (Que este planeta inteiro) é um inocente convite à paz mundial. Mirno teku rijeke (Os rios correm calmos) e Tvoja zemlja (Sua terra) foram um ótimo refresco pro Carnaval.

O tema de Pričaj mi é muito comum inclusive no Brasil: um homem abandona sua esposa no lar e volta muito tempo depois arrependido (ou não volta, e se arrepende), por não ter encontrado felicidade fora. Três canções populares brasileiras, no mínimo, lembro de cabeça que dão algo parecido: As andorinhas, O portão e Eu nunca te esqueci. No caso croata, o homem não volta, mas pergunta como andam as coisas, à maneira da nossa Como vai você. Alguns traços linguísticos merecem destaque: além dos usos claramente croatas itko (alguém), tko (quem), uvijek (sempre), pjesme (canção), svijetu (mundo), riječ (palavra) e gdje (onde), há hiljade (milhares) como um arcaísmo com sentido figurado, sendo que “mil” em croata é tisuća (hiljada em sérvio e bósnio). Đardin (jardim) é um óbvio empréstimo do italiano giardino, e gariful (craveiro), similar ao grego, é um regionalismo dálmata pra karanfil. Por fim, Kali é uma cidade pesqueira que fica numa ilha bem no centro do Mediterrâneo croata. Pričaj mi é um single de 1970, cuja melodia é de Zvonko Špišić e cuja letra é de Zvonko Špišić e Vesna Lukatela, e arranjos de Pero Gotovac. Eu baixei o áudio desta página, onde também está escrito o poema.

O autor da letra de Tvoja zemlja é o poeta e jornalista Drago Britvić, e o autor da melodia é o compositor e músico croata Alfi Kabiljo, cuja criação foi gravada por Vukov em 1971. A canção é conhecida por ser um símbolo popular do nacionalismo croata, louvando o acolhimento e belezas da terra natal e dizendo que, apesar das tempestades e invasões, é o povo morando lá que lhe dá sentido. Entre o punhado de canções que mais se destacou na carreira de Vukov, Tvoja zemlja ocupa um lugar especial, num contexto que sempre foi de tensa disputa com os sérvios, dentro da república multinacional da antiga Iugoslávia comunista. Eu baixei o áudio deste vídeo, e pode-se ler também a letra completa em croata, que foi minha base pra traduzir. O autor da letra de Mirno teku rijeke também é Britvić, e o autor da melodia é o compositor Miroslav Biro, com arranjos feitos por Ferdo Pomykalo pra estreia no Festival Opatija em 1959. Na ocasião, Vukov a cantou alternadamente com Dušan Jakšić, assim arrebatando o primeiro lugar e tornando a canção o primeiro verdadeiro hit das rádios iugoslavas no começo dos anos 60. É interessante o jogo que o letrista faz no começo entre Mirno žita šume (Os trigais chiam calmos) e Misli njišu šume (O pensar agita as matas), pois no primeiro caso šume é a 3.ª pessoa do plural do presente do verbo šumiti (chiar, sussurrar, assobiar), e no segundo é o plural de šuma (floresta, mata). Eu baixei o áudio deste vídeo, onde também está escrito o poema.

Drago Britvić (1935-2005), poeta, jornalista e letrista croata, foi um dos mais famosos autores de letras pra festivais musicais. Formado em língua e literatura croata em Zagreb, alternava entre seu trabalho no rádio e nos jornais e a escrita de poesia e letras musicais populares. Tendo lançado seu primeiro livro em 1993, também produziu musicais, escreveu roteiros e publicou libretos de ópera. Zvonko Špišić (1937-2017), também croata, foi cantor, compositor, letrista e artista plástico, que como autodidata em música, exerceu várias profissões. Mesmo assim, presidiu a Sociedade dos Compositores Croatas, ainda nos anos 70 foi parlamentar e recebeu vários prêmios nacionais e um polonês. Lançou três livros com as letras de suas canções. Nasceu e morreu em Zagreb, a capital da Croácia.

Quanto a Neka cijeli ovaj svijet, o autor da letra é Milan Grgić, e o autor da melodia também é Alfi Kabiljo, que a compuseram especialmente pro musical Jalta, Jalta, lançado em 1972. A história se dá em torno de uma mesa de reuniões em que Churchill, Stalin e Roosevelt, prestes a dividirem o mundo, analisam um mapa-múndi, durante a célebre Conferência de Ialta em 1945. A peça é uma censura à guerra, em meio ao clima de tensão geopolítica bipolar vigente na década de 1970, e aquela canção, como um pedido aos governantes daquelas potências, fecha a peça com maestria. Na época, a canção foi um grande sucesso, e por volta de 2010 o musical ainda era muito encenado. Eu baixei o áudio desta página, mas pode-se ler também a letra completa em croata, que foi minha base pra traduzir. Há uma curta matéria nesta revista croata sobre o musical Jalta, Jalta. Vukov canta de modo levemente diferente do que estava escrito, e no texto abaixo aponto isso entre colchetes:

Abaixo estão minhas quatro legendagens, seguidas pelos respectivos poemas em croata e traduções em português:


Sad smo se ponovo sreli
Još uvijek ko drugovi stari
I našlo se hiljade stvari
Što htio bih saznati ja

Pričaj mi, pričaj
Da l’ postoji još
Prastara kuća u Kali
Da l’ itko zaliva
Moj stari đardin
U kom su garifuli cvali

Pričaj mi, pričaj
Da l’ čempresa dva
Još uvijek za kućom stoje
Reci mi da l’ ikad
Zapjeva tko
Pjesme iz mladosti moje

Duga su minula ljeta
I više se vratiti neću
Uzalud sam tražio sreću
U svijetu gdje nije moj dom

Pričaj mi, pričaj
Da l’ postoji još
Prastara kuća u Kali
Da l’ itko zaliva
Moj stari đardin
U kom su garifuli cvali

Pričaj mi, pričaj
Da l’ čempresa dva
Još uvijek za kućom stoje
Reci mi da l’ ikad
Zapjeva tko
Pjesme iz mladosti moje

Pričaj mi, pričaj
Da l’ pamte me još
Pričaj o suncu i ljetu
Reci mi, reci barem
Riječ ili dvje
O najljepšem moru na svijetu

____________________


Agora nos vimos de novo
Ainda como velhos amigos
Surgindo milhares de coisas
Que eu gostaria de saber

Conte-me, conte
Se ainda está de pé
A vetusta casa em Kali
Se há alguém regando
Meu velho jardim
Quem vê abrirem os cravos

Conte-me, conte
Se os dois ciprestes
Sobrevivem atrás da casa
Diga se alguma vez
Alguém tem entoado
Cantos da minha mocidade

Os verões têm sido longos
E não vou mais retonar
Busquei em vão ser feliz
Num mundo longe de casa

Conte-me, conte
Se ainda está de pé
A antiga casa em Kali
Se tem alguém regando
Meu velho jardim
Quem vê abrirem os cravos

Conte-me, conte
Se os dois ciprestes
Sobrevivem atrás da casa
Diga se alguma vez
Alguém tem entoado
Cantos da minha mocidade

Conte-me, conte
Ainda lembram de mim?
Conte do sol, do verão
Diga-me pelo menos
Uma ou duas palavras
Do mais belo mar do mundo


Mirno teku rijeke,
Mirno žita šume,
Svjetlo njiše misli,
Misli njišu šume.

Ptica let šara svod,
Bršti pjev u jasni vedri dan.
Jasni dan, vedri smijeh,
Vedar čovjek nikad nije sam.

A što takneš,
Svaku travku, cvijet,
Tu si velik ti
I tvoj je svijet.

Onda mir, samo mir,
Rijeka, šuma,
Plavi svod i ti.

Još da skineš dugu
Sjajnu, vrelu, žarku,
Sve bi zlato dana
Stalo u tu bajku.

Ptica let šara svod,
Bršti pjev u jasni vedri dan.
Jasni dan, vedri smijeh,
Vedar čovjek nikad nije sam.

A što takneš,
Svaku travku, cvijet,
Tu si velik ti
I tvoj je svijet.

Onda mir, samo mir,
Rijeka, šuma,
Plavi svod i ti.

____________________


Os rios correm calmos,
Os trigais chiam calmos,
A luz agita as reflexões,
O pensar agita as matas.

O voo das aves colore o céu
E semeia canto no dia claro.
Dia claro traz sorriso limpo,
Homem limpo nunca vai só.

E o que você tocar,
Cada relva ou flor,
Aí você é grande
E o mundo é seu.

Então há paz, só paz,
O rio, a floresta,
O céu azul e você.

Você tirando o arco-íris
Que brilha, queima, arde,
Ainda todo o ouro do dia
Continuaria nessa fábula.

O voo das aves colore o céu
E semeia canto no dia claro.
Dia claro traz sorriso limpo,
Homem limpo nunca vai só.

E o que você tocar,
Cada relva ou flor,
Aí você é grande
E o mundo é seu.

Então há paz, só paz,
O rio, a floresta,
O céu azul e você.


1. Tu ćeš naći uvijek dom,
Srce koje kuca za te,
Ruku da te prati,
Majku da te shvati,
Znat ćeš sve što treba znati.
Znat ćeš kako boli plač
Kada tvoja zemlja pati;
Ali iza svega
Sigurno ćeš znati
Što ti znači ovaj kraj.

Pripjev:
To je tvoja zemlja,
Tu sagradi dom,
Tu je stari temelj,
Tu na kršu tvom.
Tuđin i oluje
Kidali su nju,
Al’ još uvijek tu je
Sve dok mi smo tu.

2. Bit ćeš bogat ko i mi,
Kralj što ne zna što je kruna,
Al’ na svojoj grudi
Ko i ovi ljudi
Bit ćeš velik ko i mi.

(Pripjev 2x)

____________________


1. Aqui você sempre terá lar,
Coração que bate por você,
Uma mão para seguir você,
A mãe para entender você,
Você saberá tudo que deve.
Saberá como dói chorar
Ao ver sua terra sofrer;
Mas após tudo isso
Certamente você saberá
O quão lhe vale este chão.

Refrão:
Esta é sua terra,
Aqui o lar edifica,
Aqui é a velha base,
Seu terreno rochoso.
Estrangeiros, tormentas
Irromperam sobre ela,
Mas aqui ainda é tudo
Enquanto estamos aqui.

2. Você será rico como nós,
Rei que desconhece coroa,
Mas em cujo peito
Como no desta gente
Terá grandeza, como nós.

(Refrão 2x)


1. Znam, negdje mjesta ima
[Još, negdje mjesta ima]
Na svijetu kojem živimo mi
Još negdje sunca ima
Gdje postoje još sni

Pripjev:
Neka cijeli ovaj svijet
Još sja u suncu
Neka naša Zemlja sva
Postane sretna
Neka cijeli ovaj svijet
Zove se bajka
Zelena i mirisna
Cvjetna sva i nevina
Livada iz sna

2. Plam topli negdje tinja
Sjaj dobre zvijezde seže do nas
[Sjaj tople zvijezde seže do nas]
Još pravih ljudi ima
[I pravih ljudi ima]
Što vjeruju u spas

(Pripjev 2x)

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1. Sei que existe algum lugar
[Ainda existe algum lugar]
No mundo em que vivemos
Um lugar onde há Sol ainda
E onde os sonhos persistem

Refrão:
Que este planeta inteiro
Ainda brilhe sob o Sol
Que toda a nossa Terra
Se torne feliz
Que este planeta inteiro
Seja um conto de fadas
Verde e cheio de aroma
Todo florido, imaculado
Pradaria saída do sonho

2. Em algum lugar há calor
O bem da estrela nos aquece
[A luz da estrela nos aquece]
Ainda há pessoas honestas
[E há pessoas honestas]
Que acreditam na salvação