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domingo, 18 de junho de 2017

Marion Le Pen envia recado em italiano


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/marion-lega

No dia 23 de abril houve o primeiro turno das eleições presidenciais na França, e o Front national (Frente Nacional) de Marine Le Pen, partido de extrema-direita, era um dos favoritos a passar pro segundo turno. Mas a preparação de uma Europa mais voltada pras bandeiras dele (controle da imigração, rejeição à União Europeia, defesa das fronteiras e da soberania nacional nos âmbitos econômico e político, conservadorismo social e tradicionalismo cultural católico) já era um trabalho feito há meses, na verdade há anos. Na linha de frente, apesar de suas discórdias com a presidenta nacional no FN, está a jovem e bela Marion Maréchal-Le Pen, neta do fundador Jean-Marie Le Pen, que aos 27 anos é a única deputada federal pela legenda e luta pra conservar a linha dura do avô, ao contrário da própria Marine.

Neste vídeo, gravado em 19 de maio de 2016, Marion fala em italiano pra apoiar os candidatos da Lega Nord (Liga Norte), outro partido italiano de extrema-direita, às eleições comunais (equivalente às municipais brasileiras e às autárquicas portuguesas) da cidade de Milão, que ocorreriam de 5 a 19 de junho de 2016. Fundada como partido no início de 1991, a Lega Nord unificou vários movimentos autonomistas setentrionais, e hoje tem traço conservador, eurocético e antiglobalista, por vezes sendo rotulada como “populista de direita”. Embora se diga de direita, adotou várias posições extremistas durante os anos, equipara-se ao Front national no âmbito europeu e tem uma identidade etnocêntrica, mas há também correntes internas que se dizem “de esquerda” por terem mais enraizamento no operariado.

Segundo a Wikipédia italiana, no final das contas, quem ganhou as eleições em Milão foi a coalizão de centro-esquerda, que contava com o Partido Democrático como principal componente. Ela conseguiu eleger Giuseppe Sala como sindaco (prefeito) e obteve a maioria das cadeiras na câmara municipal (22 só pro PD). Stefano Parisi, apoiado pela Lega Nord, ficou em segundo colocado, mas encostou no vencedor nos dois turnos. Mas no voto parlamentar, a Lega obteve o terceiro maior número, ficando atrás apenas do PD e do Forza Italia, e superando até o hoje popular Movimento Cinco Estrelas. Quanto à Marion, esse texto foi lido num papel, pelo que consta, mas sua pronúncia é muito boa, tropeçando apenas nas sílabas tônicas, em vários momentos. Esta entrevista na Itália prova que ela não fala italiano, e talvez não entende totalmente, ficando notável, sobretudo, a inabilidade da intérprete, pra qual Marion teve de repetir as últimas palavras de uma longa frase.

Eu descobri este vídeo sem legendas por acaso, enquanto procurava no Google se Marion Le Pen falava outros idiomas. Após baixá-lo, eu segui o procedimento “3 em 1”, pra vídeos em geral curtos e claros: entender sem transcrever, traduzir sem escrever e legendar com a adaptação feita na mesma hora. Seguem abaixo a legendagem, o texto em italiano, que só transcrevi depois de carregar o vídeo, e a tradução em português:


Buongiorno, amici italiani! Dalla Francia seguo sempre attentamente gli sviluppi politici del vostro paese. In questo momento, è per noi molto importante incoraggiare le forze patriotiche di tutta l’Europa, in particolare la Lega Nord, perché sia in grado di promuovere e difendere i nostri valori e la nostra identità, all’interno di tutte le istituzioni di governo. Per questo motivo raccomando i miei amici italiani a supportare la coalizione della Lega alle elezioni comunali di Milano. Se la Lega e i suoi alleati vincessero, Milano diventerebbe un’esempio per noi del Front national e per tutta l’Europa. Grazie a tutti!

Bom dia, amigos italianos! Sigo da França sempre com atenção os desdobramentos políticos de seu país. Neste momento, é muito importante pra nós encorajar as forças patriotas da Europa toda, em especial a Lega Nord, pra que esteja em condições de promover e defender os nossos valores e a nossa identidade, no interior de todas as instituições de governo. Por esse motivo, recomendo a meus amigos italianos que apoiem a coalizão da Lega para as eleições municipais de Milão. Se a Lega e seus aliados vencerem, Milão se tornará um exemplo pra nós do Front national e pra toda a Europa. Obrigada a todos!



Matteo Salvini, secretário federal (líder) da Lega Nord, e Marion Le Pen.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Marion Maréchal, neta de J.-M. Le Pen


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/marion

Esta é Marion Maréchal-Le Pen, filha de Yann Le Pen, que é irmã de Marine Le Pen, candidata de extrema-direita em 2017 pela Frente Nacional (FN) à presidência da França, ambas filhas de Jean-Marie Le Pen, fundador do partido. Jean-Marie é conhecido por defender abertamente ideias radicais de direita e contrárias a elementos estranhos à cultura francesa tradicional, e por isso Marine, que hoje preside a FN, rompeu com ele e procura distanciar-se de suas posturas.

Contudo, sua neta Marion, cuja projeção política se ampliou com as recentes manifestações conservadoras de rua conhecidas como “Manif Pour Tous”, declara-se explicitamente aliada à teoria e à prática de seu avô. Suas tomadas de posição, contudo, são muito comedidas, moderadas, sem busca de embates diretos e temperadas pela voz tenra e compassada que pode ser percebida neste vídeo. Na gravação sem legendas, intitulada “Rejoignez-vous !”, ou “Junte-se a nós!”, postada em 7 de novembro de 2016 em seu canal pessoal, Marion resume suas opiniões sobre a atual política e sociedade francesas, no sentido do tradicionalismo e do nacionalismo, e convoca os internautas a aderirem à FN e a colaborar de várias formas, desde a militância até a doação em espécie. É notável a semelhança da linguagem, em alguns pontos, não apenas com os partidos brasileiros na TV, mas também com o vocabulário comunista.

Marion Maréchal-Le Pen (n. 1989) é filha de Yann Le Pen (filha de Jean-Marie e irmã de Marine Le Pen) e de Samuel Maréchal, que assumiu a paternidade, embora o diplomata e jornalista Roger Auque (falecido em 2014) dissesse ser seu pai biológico. Ela é formada em direito público, mas desde 2012 se dedica exclusivamente a seu mandato de deputada na Assembleia Nacional, na qual é a única representante da FN e da qual foi a mais jovem eleita da história, aos 22 anos. Suas posições conservadoras e contrarrevolucionárias em diversas matérias políticas a aproximam de seu avô, Jean-Marie Le Pen, colocam-na como líder da ala mais à direita do partido e a opuseram em várias ocasiões à tia Marine. Esta é a atual candidata à presidência pelo FN, mas a participação de Marion em sua campanha é mais técnica do que militante. Católica praticante, Marion também tem uma filha de nome Olympe, de cujo pai ela já se divorciou.

A mídia na França, em geral contrária à deputada, chama-a correntemente de “Marion Maréchal”, apenas com o sobrenome do pai. Seus simpatizantes ressaltam a filiação familiar e a chamam de “Marion Le Pen”. Mas na vida oficial e corrente, ela mesma usa os dois sobrenomes, inclusive em seu site pessoal. O pleito presidencial que ela cita foi marcado pra 23 de abril (1.º turno) e 7 de maio (2.º turno), enquanto o legislativo (deputados federais) ocorrerá em 11 e 18 de junho. Eu mesmo transcrevi, traduzi e legendei o vídeo. O texto das legendas está bem reduzido em comparação à tradução literal que eu fiz. Seguem abaixo a legendagem, a transcrição da fala em francês (ortografia antiga, e não a retificada de 1990) e a tradução não resumida em português:



Chers internautes, comme vous savez, il y a des élections décisives qui vont se jouer dans notre pays d’ici quelques mois. Je pense aux élections présidentielles, bien sûr, je pense aussi aux élections législatives, et dans le cadre de ce combat nous allons devoir nous battre pour sauvegarder et défendre les valeurs essentielles de notre pays et même de notre civilisation. Je pense à l’unité de la nation française, qui aujourd’hui est mise à mal; je pense à la défense de l’intégrité du territoire; je pense à notre héritage culturel et notamment à nos racines chrétiennes; je pense à l’égalité entre les hommes et les femmes, qui aujourd’hui est mise en difficulté; je pense à la laïcité de notre République; bref, au tant de choses qui définissent et qui sont essentielles à la sauvegarde de notre identité. Je pense également à notre liberté, notre liberté de pouvoir choisir notre destin, et à travers cette liberté, évidemment la défense de notre souveraineté, qui aujourd’hui est battue en brèche dans de très nombreux domaines par le diktat de l’Union européenne. Et donc, pour mener ce combat nous avons besoin, évidemment, de nos porte-paroles, de nos élus, de nos cadres, de nos militants sur le terrain, mais nous avons aussi besoin de nos adhérents. Et c’est pourquoi je m’adresse à vous aujourd’hui pour vous inviter à rejoindre cette grande famille d’adhérents, à venir participer, comme vous le pouvez, en adhérant sur le site internet du Front national ou bien auprès de vos fédérations respectives, afin de pouvoir être informés de tous les événements qui peuvent avoir lieu autour de vous, y participer, venir peut-être militer ou simplement faire un don à travers cette adhésion. Donc, rejoignez-nous, nous vous attendons. Soyez de ce combat qui sera essentiel pour la France !

Caros internautas, como vocês sabem, eleições decisivas vão acontecer em nosso país daqui a alguns meses. Claro que estou falando das eleições presidenciais, mas também das eleições legislativas, e em meio a esse combate deveremos lutar para conservar e defender os valores básicos de nosso país, e até de nossa civilização. Tenho em mente a unidade da nação francesa, que hoje está abalada; a defesa da integridade do território; nossa herança cultural e, sobretudo, nossas raízes cristãs; a igualdade entre homens e mulheres, que está hoje sofrendo reveses; a laicidade de nossa República; enfim, tenho em mente as muitas coisas que definem nossa identidade e são essenciais para conservá-la. Penso ainda em nossa liberdade, a liberdade de poder escolher o próprio destino, e por meio dessa liberdade, obviamente, a defesa de nossa soberania, atualmente agredida nos mais diversos âmbitos pela ingerência da União Europeia. Portanto, para conduzirmos essa luta, é claro que precisamos de nossos porta-vozes, dos políticos que elegemos, nossos quadros e nossos militantes de base, mas também precisamos de nossos filiados. Por isso estou me dirigindo a vocês para convidá-los a se juntarem a essa grande família de membros, a virem participar como puderem, filiando-se no site da Frente Nacional ou junto das federações mais próximas, para poderem se informar de todos os eventos que poderão ocorrer em sua região, participar, talvez vir militarem ou apenas fazer uma doação por meio dessa filiação. Então filiem-se, esperamos por vocês! Entrem nesse combate que será crucial para a França!